Posto de saúde de Plataforma está sem médico há 2 anos e sem medicamentos
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Posto de saúde de Plataforma está sem médico há 2 anos e sem medicamentos

por
Carlos Vianna Junior
Publicada em 26/02/2013 09:06:54
Foto: Francisco Galvão/Tribuna da Bahia
Situação é precária em todos os termos no posto de saúde do Alto do Bariri, em Plataforma
Um dos postos de saúde mais antigos do Subúrbio Ferroviário está fazendo a comunidade que o utiliza ter saudades de outros tempos. Construído há quase 40 anos, o posto do Alto do Bariri, em Plataforma, está há dois anos sem médicos e sofre todos os problemas que se pode esperar de uma sede que tem a mesma estrutura do tempo em que foi inaugurada. 
 
A falta de espaço afeta a população e os próprios funcionários. Não encontrar medicamentos, nem lugar para se sentar é também uma constante. “Não consegui as vacinas contra pneumonia e meningite”, informou Ana Paula Souza Santos, ao sair do posto com o filho Samuel, de cinco meses de vida. 
 
Quem chega ao Largo do Bariri, onde está localizado o posto, não imagina que ali se encontra uma unidade de saúde. Ele está sediado em uma pequena casa, mais adequado a uma mercearia de pequeno porte, ou algo que não necessite de uma estrutura mais complexa. Não há placas visíveis e a pista de que ali é um local de atendimento médico é dada pela quantidade de gente que espera atendimento em pé, ou nas poucas cadeiras que cabem no local, ou ainda nos bancos da praça em frente. 
 
Nele há apenas quatro compartimentos, sem contar os dois pequenos banheiros e um espaço usado como arquivo. São dois consultórios pouco espaçosos, uma sala de vacinas e a farmácia, que divide o mesmo espaço reduzido com a administração. 
 
Segundo a gestora, Rita de Cássia Santos, o número de pessoal é compatível com o espaço. “Mas nos falta um auxiliar administrativo, um agente de segurança, e, claro, o médico”, disse. Ela conta ainda que a falta de espaço e de um auxiliar administrativo deixa inutilizado um computador que o posto recebeu há pouco tempo. 
 
Durante muitos anos, a população de Bariri contou com um posto de saúde que lhe atendia muito bem. Segundo a líder comunitária conhecida como Tia Rita, até 15 anos atrás o posto contava com quatro médicos de diferentes especialidades. 
 
“Eles se revezavam. Tínhamos um clínico geral, um pediatra, um dentista e um ginecologista”. Segundo ela, nesse período a população do entorno era de umas 10 mil pessoas. Hoje em dia, esse número duplicou e os médicos sumiram. 
 
“Estamos lutando por um novo posto saúde e médicos de diferentes especialidades, principalmente pediatra, mas na situação atual, se conseguirmos um clínico geral ficaremos felizes”, acrescenta. 
 
Segundo a líder comunitária, a falta de um agente de segurança é um dos motivos pelo qual o posto está há tanto tempo sem médico. 
 
“O local é tranquilo, mas como faz parte do subúrbio, o mito da violência é utilizado pelos médicos para se recusar a trabalhar no posto”. 
 
A gestora Rita de Cássia, que trabalha no posto há três anos, confirma que o local não apresenta perigo. “A própria população, que tem um carinho muito grande pelo posto, faz a segurança. Outro dia entrou um bêbado e apareceram uns cinco homens para resolver o problema”, conta, ressaltando que nunca teve problemas mais graves de segurança.
A falta de médico há dois anos, no entanto, segundo a gestora, já havia sido resolvido há cerca de um ano, mas uma fatalidade impediu que o cargo fosse ocupado. “Um médico já havia sido contratado, mas ele sofreu um acidente de carro e ficou impossibilitado de assumir”, conta. 
 
Para a líder comunitária Tia Rita, essa estória não pode ser usada como desculpa para a demora na resolução do problema. “Já houve caso de pacientes passar mal na fila do posto e ter que esperar por uma ambulância para ser atendido em outro local por falta de médico. Isso é um absurdo”, disse.
 
Mais de duas mil famílias por mês
 
Quanto à falta de cadeiras e outros equipamentos, a gestora explica que algumas estão quebradas. “Mas com o espaço que temos aqui, não se pode fazer muita coisa, mesmo se houvesse mais cadeiras não haveria onde colocá-las”, acrescentou.
 
O problema mais sério, segundo ela, vem da demanda que é muito grande para um posto com estrutura tão deficitária, o que afeta à distribuição de medicamentos. “Além de termos uma área de abrangência que nos obriga a atender cerca de 2400 famílias, ainda somos considerados um posto de demanda aberta, ou seja, temos que atender as pessoas de outras áreas, e a falta de medicamentos é só uma das consequências desta situação”, explicou Rita de Cássia.
 
A Secretaria Municipal de Saúde, através da sua Assessoria de Comunicação, informa que a desorganização de recursos humanos e falta de manutenção contínua dos postos de saúde são alguns dos principais problemas na saúde pública de Salvador, no primeiro caso atingindo pelo menos 70% das unidades de saúde.
 
Para solucionar os problemas, a secretaria afirmou ter duas linhas de ação: reformar as unidades de saúde, 47 ainda neste semestre, e concluir um levantamento sobre os médicos da rede, para poder encaminhar novos profissionais concursados para as unidades que precisem de pessoal.
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