Corpo de Chávez é velado na Academia Militar em meio a silêncio sobre eleições
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Corpo de Chávez é velado na Academia Militar em meio a silêncio sobre eleições

por
iG São Paulo
Publicada em 07/03/2013 09:49:39
Foto: Leandra Felipe Correspondente da Agência Brasil/EBC
Corpo foi levado do Hospital Militar para a Academia Militar, onde o corpo está sendo velado

Hugo Chávez foi levado de volta à Academia Militar onde iniciou sua carreira no Exército na quarta-feira (06/03). O corpo do líder venezuelano será velado no local até o funeral, marcado para sexta-feira (08). Enquanto uma banda tocava o hino de seu primeiro batalhão, milhares choravam durante a despedida do presidente, depois que uma procissão levou seu caixão pelas ruas de Caracas.

Integrantes do governo chavista, incluindo seu potencial sucessor Nicolás Maduro , participaram da procissão de sete horas, mas deram poucas respostas à pergunta que mais inquieta a Venezuela - quando será a eleição presidencial que precisa ser convocada dentro de 30 dias .

Milhares de venezuelanos, a maioria vestida com a cor vermelha do partido socialista de Chávez, lotaram as ruas da capital para lembrar o homem que controlou seu país por 14 anos , antes de perder a batalha para um câncer na tarde de terça-feira (05).

O caixão de Chávez percorreu as multidões sobre um carro fúnebre em um trajeto de oito quiômetros que incluía a parte norte e sul da cidade, entrando também nos bairros pobres, onde a política de Chávez mostrou mais a sua força.

Na academia, a família de Chávez e assessores mais próximos, bem como os presidentes da Argentina, Bolívia e Uruguai , participaram de uma missa que ocorreu em volta do corpo do presidente, que jazia em um caixão com tampa de vidro. O público então começou a se aproximar, alguns colocando sua mão sobre o coração de Chávez, outros levantando o punho. A cerimônia durou até tarde da noite.

O chefe da guarda presidencial da Venezuela, o general José Ornella, afirmou à agência Associated Press na quarta-feira (6) que Chávez morreu em decorrência de um ataque cardíaco. "Ele não podia falar, mas ele o fazia com seus lábios: 'Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer', porque ele amava seu país, e se sacrificou pela Venezuela", disse Ornella, que, segundo ele, estava com o presidente socialista no momento de sua morte.

Diante da dor, as autoridades fizeram silêncio sobre o futuro do país, inclusive sobre quando a eleição presidencial será realizada. Mesmo a hora e o local exato do funeral de Chávez não foram anunciados.

Durante os quase dois anos da batalha de Chávez por sua saúde, o governo nunca falou especificamente sobre o tipo de câncer e a localização exata do tumor que lhe afligia. A oposição já se manifestou com críticas sobre o comportamento do governo após a morte de Chávez, inclusive a nomeação do vice-presidente Maduro como presidente interino , em uma aparente violação da Constituição. Por um dia, os venezuelanos ficaram imersos na emoção e na triste despedida .

Maduro e o presidente boliviano, Evo Morales, um dos mais próximos aliados de Chávez, se misturaram com a multidão, e, em um momento, os dois chegaram a cair no chão diante do empurra-empurra.

Autoridades militares e membros do gabinete cercavam o caixão do presidente. Outros, carregavam imagens do presidente morto, em meio a uma profusão de bandeiras venezuelanas. "A luta continua! Chávez vive", gritavam os presentes em uníssono, alguns com os olhos vermelhos de tanto chorar.

A mãe de Chávez, Elena Frías de Chávez, se aproximou do caixão de seu filho, enquanto um padre fazia uma oração antes que a procissão deixasse o hospital militar, onde Chávez morreu aos 58 anos . Quem passava perto do caixão dizia que o corpo de Chávez estava vestido com a faixa presidencial, com uniforme militar e sua boina vermelha.

Ricardo Tria, um assistente social, disse que esperou por quatro horas para conseguir passar próximo ao caixão. Chávez parecia "adormecido, quieto e sério", segundo ele. "Eu sinto tanta dor. Tanta dor", disse Yamile Gil, uma dona de casa de 38 anos. "Nunca queríamos ver nosso presidente assim. Sempre o amaremos."

Outros que se opunham a Chávez e eram contra sua forma de socialismo lamentaram sua morte, mas esperam que a Venezuela agora entre em uma era menos agressiva e mais favorável às empresas de petróleo do país. "Não estou feliz com sua morte, mas não posso dizer que estou triste", disse Délia Ramírez, uma contadora de 32 anos que ficou longe da procissão. "Esse homem semeou o ódio e a divisão entre os venezuelanos."

A Constituição de 1999, escrita no governo Chávez, diz que uma eleição deve ser convocada no prazo de 30 dias para substituir um presidente, mas o governo da Venezuela nem sempre seguiu a lei. A Carta afirma claramente que o presidente da Assembleia Nacional, nesse caso, Diosdado Cabello, deve tornar-se presidente interino caso um chefe de Estado seja forçado a deixar o cargo dentro de três anos de seu mandato. Chávez foi reeleito em outubro.

Mas Chávez, antes de morrer, designou Maduro como seu sucessor, e o vice-presidente assumiu a presidência interina mesmo tendo sido indicado como candidato presidencial.

O Exército também tem mostrado sinais de forte apoio a Maduro . Em sua página no Twitter na terça-feira, a televisão estatal afirmou que o ministro da Defesa Diego Molero prometeu apoio militar à candidatura de Maduro contra a provável indicação de Henrique Capriles pela oposição, aumentando a preocupação entre os críticos sobre a imparcialidade da votação.

Capriles, governador de Miranda, perdeu de Chávez na eleição de outubro, e fez um comunicado na televisão sobre a morte do presidente . "Esse não é o momento para destacar o que nos diferencia", disse. "Essa não é o momento para as diferenças, é o momento para a união, é o momento para paz."

Outros opositores foram mais críticos em relação à posição do Exército. "Quando toda a Venezuela quer unidade e paz, e um clima de respeito predomina entre os venezuelanos, somos contrastados pelo que é inaceitável. As declarações do ministro da Defesa são, além de falsas, inconstitucionais", disse Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo da coalizão de oposição.

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-- iG São Paulo

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