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Política

Walter Pinheiro diz que corrida do PT à sucessão de Jaques Wagner está errada

Para Pinheiro, é preciso executar as obras e valorizar o legado dos 6 anos de Wagner à frente do estado antes de iniciar uma discussão sobre a sucessão do governador

por
Fernando Duarte
Publicada em 19/03/2013 04:53:54

Apontado como um dos pré-candidatos à sucessão do governador Jaques Wagner com mais cacife eleitoral, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) criticou duramente o debate antecipado sobre a escolha do nome indicado pelo PT para candidatura ao Palácio de Ondina em 2014.

A postura adotada pela executiva estadual do partido, que situou os secretários Rui Costa (Casa Civil) e José Sérgio Gabrielli (Planejamento), o ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, e o próprio Pinheiro como pré-candidatos, foi classificada como “um clube de corrida”, em que nem sempre quem sai na frente chega com vantagem no final.

“O PT tem quatro candidatos. Quem tem quatro candidatos não tem nenhum, porque gera mais confusão aí”, analisa.

“Está errado. Nós temos o ano de 2013 como o principal ano para executar as coisas. O governador Jaques Wagner está no governo ainda. Nós já estamos discutindo quem vai pro lugar dele? Já estamos tirando ele da cadeira?”, questionou o senador, em entrevista à rádio Tudo FM.

Para Pinheiro, é preciso executar as obras e valorizar o legado dos seis anos de Wagner à frente do estado antes de iniciar uma discussão sobre a sucessão do governador. “À medida que você introduz a disputa eleitoral precoce, não tem debate sobre gestão. O debate é a eleição. Esse debate provoca rupturas, provoca problemas para dentro do governo”, avaliou o petista.

Alçado à condição de uma das principais lideranças do Senado, Pinheiro opta por não falar em 2014, porém mantém seu nome aceso a partir de articulações para projetos na Bahia. “Este ano deveria ser um ano dedicado a executar, a botar o governo pra rodar. Nós captamos muitos recursos, precisamos executar essas obras no ano de 2013”, comenta o senador, que assumiu recentemente a relatoria de matérias importantes, como a redistribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM).

Sem minimizar o tom sobre as articulações para a indicação do sucessor de Wagner, o senador reclamou ainda da falta de negociação com outras forças que compõem a base de sustentação do governo petista na Bahia. “É importante que neste ano da gestão a gente cada vez mais busque afinar com os aliados e não se distanciar dos aliados. Discutir a gestão com vários aliados do governo do estado. Os partidos aliados vão dizer: ‘bom, nós estamos preocupado com a gestão e o principal partido da aliança está preocupado com a sucessão. E se a gente ficar quieto aqui, só tocando a gestão, nós não vamos ter nem chance de participar da discussão da eleição’. Você mesmo já provoca a cizânia interna. Esse tema não é um tema que contribui para ajudar. Só contribui para desagregar”, afirmou Pinheiro.

O senador, mesmo citado como um dos expoentes do PT baiano, é ligado a uma tendência interna da sigla mais à esquerda, a Democracia Socialista, que não esconde seus posicionamentos críticos com relação à condução do partido no país. E, na Bahia, a tensão ficou evidenciada com as colocações dele nessa segunda-feira (18/3). “A gente não pode pegar o tempo da política e misturar com o tempo do meu interesse. Porque isso vai dar choque. Vamos terminar botando um fim no governo antes da hora. Nós vamos acabando com o governo e nós temos ainda o ano de 2013 todo e o ano de 2014. Você encerra o governo precocemente para fazer a disputa de quem vai para o lugar dele”, completou.

Apesar de não concordar com a abordagem utilizada por outros virtuais candidatos ao governo em 2014, o senador mostra que não deve participar de articulações similares, por enquanto. “Não estou querendo proibir ninguém (de fazer articulações). Cada um conduz como achar melhor. Eu prefiro a condução da seguinte forma: fazer esse debate do governo. Se a gente chegar em 2014 com as coisas todas prontas, está na hora de dizer: ‘esse projeto foi tocado assim, a gente gostaria de continuar”, concluiu.

Jonas Paulo rebate afirmação de Walter Pinheiro

Provocado pela reportagem da Tribuna, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, afirmou que, em conversa prévia com os pré-candidatos petistas ao governo do estado, o senador Walter Pinheiro (PT-BA) não emitiu quaisquer críticas sobre o debate antecipado do nome indicado pelo partido para suceder o governador Jaques Wagner. De acordo com Paulo, o parlamentar incentivou o debate interno. “Não foi essa a opinião (contrária à antecipação) de Pinheiro na reunião da executiva estadual com os pré-candidatos ao governo, na semana passada”, rebateu o dirigente petista.

O desmentido, entretanto, é parcial. Segundo o presidente estadual da sigla, “não se pode contaminar o governo atual com o debate político sobre a candidatura”. Para o petista, nesse ponto há consonância entre as opiniões de Pinheiro e dos demais envolvidos no processo, os secretários Rui Costa (Casa Civil) e José Sérgio Gabrielli (Planejamento) e o ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano. “Partido é partido e governo é governo. O PT tem que definir o seu nome para negociar com os demais partidos da base aliada”, defendeu Jonas Paulo.

Apesar de ter afirmado anteriormente que o nome petista para lutar por viabilidade como cabeça na chapa majoritária de 2014 deveria ser definido até agosto, o dirigente adotou uma postura mais branda nessa segunda-feira (18/3). “Não é um calendário. Acho que a nossa negociação deveria ser feita até agosto, mas isso é uma impressão. Pode ser antes ou pode ser depois. Agora há uma tendência para que seja definido até agosto”, minimizou.

Por enquanto, o cabide de opções do PT possui quatro nomes, mas o horizonte de expectativa de Paulo é para que o afunilamento ocorra o quanto antes, seguindo um indicativo nacional. “Na próxima segunda-feira os presidentes estaduais do PT de todo o Brasil se reúnem com o presidente nacional, Rui Falcão, para definir as estratégias eleitorais de cada estado. Há o indicativo nacional para que a decisão sobre candidatura seja tomada o quanto antes, sempre com ajustes a partir de variáveis”, sugere.

Além dos petistas, figuram como virtuais candidatos ao governo da Bahia os aliados Otto Alencar (PSD), atual vice-governador e secretário de Infraestrutura, a senadora Lídice da Mata (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo (PDT), que tentam se viabilizar eleitoralmente – PSD e PSB dependem das conjunturas nacionais e podem vir ou não a ter candidatura própria em 2014.  

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