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Cidade

Mais de mil viciados em crack perambulam pelas ruas de Salvador

por
Naira Sodré
Publicada em 19/08/2013 01:48:05
Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 “Hoje, a população em situação de rua em Salvador é de 3.500 pessoas, segundo o IBGE. Desses, 10% são menores e pelo menos metade usa crack. A criança é  muito mais susceptível à influência da  droga”, diz o secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, Maurício Trindade. Partindo dessa estimativa, há pelo menos 175 menores viciados em crack vivendo espalhados pelas ruas da capital baiana.

O mapeamento da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Semps) indica que a maioria das crianças e adolescentes que consomem a droga - assim como os usuários de todas as faixas etárias – está concentrada onde o dinheiro circula. “Para alimentar o vício é a forma que elas encontram, na abordagem dos turistas ou em bairros nobres”, de acordo com a coordenadora da Proteção Social Especial da Semps, Dinsjani Pereira, que indica o Centro Antigo como área de maior concentração.

Para o secretário, o maior problema da cidade é o enorme contingente de moradores de rua que perambulam pela cidade. Um grave problema social, que nos últimos anos ninguém quis saber. “40% dos moradores de rua usam crack ou álcool. Para internamento só temos o hospital Juliano Moreira, que está superlotado. O problema é grande e estamos nos preparando para enfrentá-lo. A prefeitura já está preparando cinco prédios para transformá-los em abrigos – Estão em obras um na San Martin, dois na Suburbana, um na Baixa dos Sapateiros e um nas Sete Portas”, afirmou.

As crianças e adolescentes em situação de rua em Salvador têm no crack um refúgio. O secretário Maurício Trindade, afirma que pelo menos 50% deles usam a droga. Ele acredita que a política desenvolvida até agora para atendimento a esse contingente de pessoas esteve equivocado. Os Caps – Centros de Atendimento Psicossocial – realizam apenas atendimento ambulatorial. Quer dizer: a pessoa tem que procurar, para ser atendido por consulta. Muitos vão e não voltam para continuar o tratamento, observou.

De acordo com levantamento feito pela Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate a Pobreza – SEMPS, os lugares que mais concentram viciados em crack são: Pelourinho, Baixa dos Sapateiros, Sete Portas, Nazaré, Barbalho, Avenida Sete, Rua Chile, Carlos Gomes, Dois de Julho, Piedade, Forte de São Pedro. Graça, Vitória Campo Grande, Canela e Centenário. Comércio Roma, Mares e Ribeira, Barra, Ondina, Rio Vermelho, Pituba, Iguatemi e Paralela. Baixa do Fiscal, Suburbana e Base Naval. Cabula, Pernambuém, Liberdade, Pau Miúdo, IAPI, Pero Vaz. Patamares, Imbuí, Mussurunga, São Cristóvão, Itapuã, Stella Maris, Aeroporto, Federação, Vasco da Gama, Tororó, Bonocô e Brotas,. Pirajá. São Caetano, Fazenda Grande, Marechal Rondon e Largo do Tanque. São Rafael, Pau da Lima, São Marcos, Cajazeiras, Águas Clara e Boca da Mata.

Prevenção, combate e educação

O combate às drogas é um desafio para todos os gestores municipais. Qualquer ação de enfrentamento às drogas tem de ser pensada em nível de prevenção, combate e educação. Os municípios, em dezembro de 2012, teve seu poder de ação ampliado pela alteração da Lei Nacional Antidrogas (Lei 11.343/06). Com isto as redes de serviço de saúde municipais ganharam condição de desenvolverem programas de atenção ao usuário e ao dependente de drogas. Os municípios também ganharam direito de conceder benefícios às instituições privadas que desenvolverem programas de reinserção no mercado de trabalho, do usuário e do dependente de drogas encaminhados por órgão oficial. Diante destas condições e da realidade vivenciada em toda a Bahia do aumento do consumo de crack e outras drogas é preciso cada vez mais uma articulação dos poder público para enfrentamento deste problema.

Trata-se de um programa do governo federal que articula a ação nos três eixos: prevenção, combate e educação. A área de prevenção ou cuidado como é chamado na cartilha do programa, apresenta as diretrizes que devem ser tomadas como medida de prevenção: serviços diferentes para necessidades distintas, ampliação da oferta de serviços, rede SUS preparada para atendimento, reinserção do usuário, apoio integral aos usuários e família.  Este é um trabalho que vem sendo realizado em conjunto.

Dentro da previsão das ações conjuntas, começou a ser implantado no início deste mês, nove bases móveis de videomonitoramento para o enfrentamento do crack em seis municípios. A ação da Polícia Militar integra o programa do governo federal  “Crack, é possível vencer!”, com ações estruturadas nos eixos: cuidado, autoridade e prevenção. A medida foi anunciada no mês passado, em reunião no auditório do Quartel dos Aflitos, com a presença do comandante de Operações Policiais, coronel Nivaldo dos Anjos, e do coordenador do Policiamento Comunitário, tenente coronel Admar Fontes. A iniciativa alcança municípios com mais de 200 mil habitantes. Na Bahia, começaram a ser instaladas três bases em Salvador, duas em Feira de Santana e uma nas cidades de Camaçari, Itabuna, Juazeiro e Vitória da Conquista. O coordenador do Núcleo de Prevenção à Violência da Secretaria da Segurança Pública, major Elsimar Leão, destacou que o programa, já está pactuado em 13 estados e Distrito Federal.

Tratamento é especializado

Para o funcionamento das bases móveis serão disponibilizadas 180 câmeras; 9 viaturas; 18 motocicletas; 450 pistolas de condutividade elétrica e 1.350 espargi dores (gás de pimenta). Além disso, cada base contará com um efetivo de 40 policiais militares com ações integradas aos agentes das polícia Civil e Técnica, e profissionais da Guarda Municipal e das secretarias de Saúde do Estado e Município e Secretaria de Desenvolvimento Social.

Com o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários, enfrentar o tráfico de drogas e as organizações criminosas, profissionais das diversas áreas inseridos no processo serão capacitados com os cursos: Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária; Redes de Atenção e Cuidados; Abordagem Policial às Pessoas em Situação de Risco.

Por outro lado, policiais da Ronda Escolar e a coordenadora do projeto Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti (ARD-FC), serviço da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), desenvolvem ações ligadas à Central de Orientações e Referências em Atenção ao Uso de Álcool e Outras Drogas (TeleCorad). 

A iniciativa, desenvolvida pela Secretaria da Educação, em parceria com a Ufba, integra o projeto Prevenção do Uso Abusivo de Drogas em Ambientes Escolares do Estado da Bahia e busca dar suporte aos educadores da rede estadual para lidarem com situações relacionadas ao uso de drogas.

O Telecorad funciona como uma central telefônica, que oferece gratuitamente atendimento à comunidade escolar. O serviço pode ser acionado pelo telefone 0800-075-547 e disponibilizam ainda informações para encaminhamentos aos serviços de saúde, assistência social, assistência jurídica, entre outros. 

Para o coordenador de Acompanhamento da Rede Escolar, Sérgio Brachmans, o trabalho pioneiro envolve, justamente, o esclarecimento e ações educativas. “Esta é uma iniciativa inovadora. A ação deve ser vista não com um olhar punitivo ou repressivo, mas como um trabalho executado por profissionais que estão ao lado dos nossos jovens com o objetivo de educar”.

Uma questão de saúde pública

O major da Polícia Militar, Ricardo César Santana, coordenador da Ronda Escolar, ressaltou a importância de alinhar as ações de um projeto que traz, na sua essência, o debate sobre a prevenção. “Compreendemos que a prevenção do uso abusivo de drogas é também uma questão de saúde pública”. 

Segundo ele, o Telecorad é uma ferramenta importante nesse processo “e o trabalho da Ronda vem sendo aprimorado constantemente, principalmente no que se refere à nossa aproximação com os estudantes, a peça-chave desse processo, para que eles percebam que a polícia é amiga deles e que está ali para ajudá-los”.

O coordenador da Aliança de Redução de Danos (ARD), o professor e médico Tarcísio Matos de Andrade, fez uma exposição sobre o eixo de atuação e a metodologia de trabalho da ARD, criada em 2004, com o objetivo de oferecer à comunidade atividades de prevenção, assistência, ensino e pesquisa. De acordo com ele, é uma prática “que privilegia menos as intervenções e dá importância ao contato com o paciente e o cuidado com a saúde”.

Ronda escolar

A Secretaria da Educação, também desempenha o seu papel por meio do programa Todos pela Escola, com uma política de fortalecimento da educação básica que utiliza 10 compromissos. Dentro do eixo gestão escolar um dos projetos é a Ronda Escolar, “que assumiu papel de educador. É uma ação inovadora na Bahia”, como explica a diretora de Gestão Descentralizada do órgão, Euzelinda Dantas.

A Ronda Escolar, que atende a todas as escolas de Salvador, consiste na circulação das viaturas no entorno das escolas e no atendimento a chamados das unidades, apoiando e orientando o gestor na resolução de conflitos, além de outras atividades de prevenção. “Hoje existe uma polícia cidadã de proximidade com a comunidade escolar, que tem sido aprimorada para lidar com diferentes situações. Inclusive, já percebemos uma receptividade maior do nosso efetivo entre os estudantes”, diz a Euzelinda.

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