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Cidade

Ativista liberiana visita Salvador

Publicada em 11/09/2013 01:01:01

Uma história de vida sofrida e brilhante. Assim podemos definir a trajetória da ativista liberiana Leymah Gbowee que visitou a Bahia nessa terça-feira (10/9), para realização da conferência no Fronteiras do Pensamento Salvador, ocorrida no Teatro Castro Alves (TCA).  Para uma plateia atenta, Gbowee contou os horrores de uma guerra que durou 14 anos e resultou na morte de mais de 250 mil pessoas e estupros de 50% da população da Libéria, assim como os métodos utilizados para mobilizar liberianas de 30 etnias a orarem pela paz.

Horas antes da conferência, Leymah Gbowee concedeu entrevista coletiva na Santa Casa da Misericórdia, Pelourinho, e falou sobre a visita à capital baiana e a satisfação de ter alcançado  no país de origem após mais de uma década de guerra civil, porém ressaltou que os problemas sociais encontrados na Libéria ainda são os mesmos que desencadearam o conflito. “Estou muito feliz em vir para Salvador, um lugar onde meus ancestrais estiveram. O sucesso de termos vencido uma guerra é muito bom, mas não podemos celebrar por muito tempo. O silêncio das armas não significa que a guerra acabou. Ainda temos muitos desafios no nosso país: água, luz, e sistema educacional. Temos as mesmas condições que permitiram que a guerra se instalasse”, alertou.

Para conter a guerra liberiana, a ativista iniciou um movimento pela paz e convocou mulheres a vestirem roupas brancas e fazerem piquete num campo de futebol que ficava no trajeto diário do ditador da época, Charles.  Inicialmente, o grupo era formado por cerca de 30 mulheres, dois anos depois, viraram 23 mil. Após vários protestos, as mulheres perceberam que os homens nada faziam para reverter a situação de caos que tomava conta do país e decidiram que fariam uma greve de sexo.  “Anunciar uma greve de sexo foi a maneira que encontramos de chamar atenção da opinião pública”, explicou ressaltando que não imaginou a repercussão do ato. “Não éramos aquelas que tinham sido abusadas e estupradas. Vivíamos uma vida que não pensávamos em algo melhor para nós. Mudar a situação local foi um trabalho de amor. Nunca imaginei câmeras na minha direção e nem estar aqui na Bahia”, brincou.

A violência contra a mulher é um problema encontrado em algumas nações, inclusive a brasileira. “Umas das coisas que falamos e alguns líderes do mundo se orgulham em dizer é que ‘Somos um país civilizado’, mas na realidade o Brasil e qualquer outro país, só podem ser chamados de civilizado e se orgulhar disso quando, não só as mulheres, mas todas as minorias forem protegidas. A violência contra a mulher é um problema global. Esperamos ver que todas as nações que acreditam nos direitos humanos também acreditem no direito das mulheres”, disse, pontuando que a presença de mulheres na política fomenta sonhos ainda tímidos, já que o parlamento e o judiciário ainda são compostos por uma maioria masculina. “Ter uma mulher como presidente não significa que mudou o cenário político”, afirmou.

Sobre os movimentos sociais que tomam conta do país, Leymah Gbowee alertou para a possibilidade de os heróis serem vistos como vilãos, diante dos vandalismos provocados por uma minoria de manifestantes. “Estava em Portugal quando a primeira onda de protestos começou e logo me perguntaram o que achava disso tudo. Respondi que estas ações davam muita esperança já que nossos jovens não iriam se sentar e apenas observar as coisas acontecerem como fizeram os jovens do passado, mas é preciso escolher se querem ser noticiados em páginas violentas ou heróicas”, alertou.

Antes de seguir para o TCA, a ativista visitou o Olodum e a Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Ayê, Liberdade. Após conferência, Leymah Gbowee deixou o país.

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