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Cidade

Operários da construção civil param obras e travam o trânsito de Salvador

por
Kelly Cerqueira
Publicada em 25/03/2014 06:20:47

Os canteiros de obras de Salvador amanheceram vazios nesta segunda-feira (24), devido à greve deflagrada na sexta-feira, após assembleia realizada na Praça de São Bento, pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira no Estado da Bahia (Sintracom). Cerca de 40 mil operários estão de braços cruzados só em Salvador, de acordo com o sindicato.

Durante toda a manhã de ontem, grupos de trabalhadores saíram de seus canteiros de obras, fazendo manifestações isoladas em vários pontos da cidade, entre eles na região do supermercado Extra, na Paralela, provocando a paralisação, por algumas horas, no trânsito da região do Iguatemi e AV. Antônio Carlos Magalhães e, à tarde, no centro da cidade, conforme a Transalvador.  Eles seguiram a pé até o Largo de São Bento, onde uma nova assembleia foi realizada para discutir os rumos da greve. .

De acordo com o presidente do Sintracom, José Ribeiro, o número de trabalhadores parados em todo o estado, nos próximos dias, deve chegar a 200 mil. “Alguns sindicatos ainda estão em fase inicial de paralisação, e só vão deflagrar a greve de vez nos próximos dias”, contou. Em Salvador, os principais canteiros de grandes obras, inclusive os dos bairros considerados nobres, estão parados por tempo indeterminados. O último encontro entre o sindicato operário e o patronal aconteceu na última semana, mas sem acordo.

“Na última reunião nós avançamos muito pouco nas negociações. O patronato aumentou a oferta de 3% para apenas 5.56% de reajuste salarial e nenhum avanço foi feito nas causas sociais da categoria”, contou Ribeiro. Entre as reivindicações dos trabalhadores estão o reajuste salarial de 10%, acréscimo de R$ 40 na cesta básica para todos os trabalhadores e correção do piso salarial. Eles também exigem a manutenção do aviso prévio indenizado, a redução do contrato de experiência para um mês e a não instalação do banco de horas. 

Para o presidente do Sintracon, a falta de discussão direta entre os sindicatos está dificultando as negociações. “Os diretores do Sinduscon não participam das negociações. Eles enviam um corpo de negociadores para conversar com a gente, pessoas contratadas para isso, sem nenhum poder de decisão. Este é um dos motivos que estão travando o avanço das negociações”, opinou Ribeiro.

Negociação

Em nota, o Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (SINDUSCON-BA) informou que está aberto a dar continuidade à negociação da Campanha Salarial 2014, em andamento desde dezembro passado. O sindicato patronal confirmou oferta de 5,56% de reajuste referente à reposição da inflação no período (INPC/IBGE).

Já em relação ao ganho real exigido pelos trabalhadores, o sindicato alegou dificuldades financeiras para atender à solicitação. “As empresas enfrentam um ambiente econômico de desaquecimento, com tendência de piora, o que não permite um reajuste com ganho real, conforme pleiteiam os trabalhadores”, diz nota oficial.

 A Sinduscon acrescentou ainda que nos últimos anos, foram incorporados aos salários dos trabalhadores da construção reajustes com ganhos reais que variam de 18% a 38%, a depender da função. “Neste momento, é importante manter a saúde financeira das empresas para que a situação não se agrave implicando na redução de vagas no setor”, alertou o sindicato patronal.

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