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Brasil / Política

Pai de santo prepara ebó contra impeachment

A pedido do PT de Pernambuco, Pai Carlos veio à Bahia para comprar material para ebó

por
Albenísio Fonseca
Publicada em 07/03/2016 07:26:43
Foto: Divulgação

Em meio à conturbada condução coercitiva do presidente Lula, pela Polícia Federal e Ministério Público, para ser interrogado dentro da 24ª fase da Operação Lava Jato, na sexta-feira, 4, um personagem, a um só tempo folclórico e religioso de Recife (PE), o babalorixá Pai Carlos de Xangô estava em Salvador, com dois filhos, hospedado no Grande Hotel da Barra, de quatro estrelas. Ele disse ter vindo adquirir ingredientes, “somente encontráveis na capital baiana, para realizar um ebó para Exu a fim de acabar com o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff”, assegurou.

Pai Carlos afirmou ter sido “contratado pelo Diretório do PT em Recife. Mais precisamente pelo presidente do partido naquela capital, Oscar Paes Barreto. Ele revelou já ter feito trabalhos semelhantes para ex-governadores pernambucanos como Eduardo Campos (falecido em acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014); Marco Maciel (sobre quem lamentou estar sofrendo do mal de Alzheimer) e Joaquim Francisco (junto ao qual disse ter distribuído, filtros de água, máquinas de costura e de batatas fritas junto às comunidades pobres de Recife).

O babalorixá esteve na Feira de São Joaquim, na tarde da mesma e histórica sexta-feira, onde se predispunha a gastar R$ 1.200 na aquisição de ingredientes a serem utilizados no preparo do ebó, como o “sangue de aridan”, utilizado para o preparo do “pó de pemba” (que tem a força de um boi para fortalecer o orixá); “sementes de obin” (que gera o fruto sagrado africano ao qual é atribuído o poder de chamar um orixá à Terra); e “dadá da costa”, também uma semente usada nos rituais do Candomblé. O ebó, ainda segundo o “conselheiro religioso de políticos pernambucanos”, como ele se define, “envolverá mais dois cabritos, duas cabras, 16 frangos, duas galinhas da Guiné, um galo e um casal de pombo”.

O pai de santo revelou que, do mesmo modo, será oferecido um “amalá” – prato predileto de Xangô, orixá da Justiça – feito com bastante quiabo, rabada de boi, castanha, amendoim, gengibre e camarão. Com esta “comida sagrada”, segundo o babalorixá, “resolve-se qualquer problema que envolva relações amorosas ou com a Justiça”. Ele garantiu que “antes de cinco dias recebe-se os benefícios de Xangô”. Adiantou, além do mais, que “um carneiro será oferecido ao orixá, mas somente depois que a encomenda para Exu obtiver o resultado positivo de que ela [a presidenta] não cairá”.

Mesmo enfatizando que o propósito da macumba é “livrar Dilma do impeachment”, o pai de santo disse que “a presidente é pau mandado de Lula” e que “os adversários dela querem é o Michel Temer na presidência”. Ele afirmou ter jogado os búzios e visto que a presidente “se preocupa muito com a situação econômica do País e em melhorar as condições da Saúde para a população”. Pai Carlos garantiu que “após o ebó, o processo de impeachment vai cair ou será engavetado e a economia do Brasil voltará a crescer”. Ainda sobre a presidente, acentuou que “embora ela não tenha religião, seja laica, estou fazendo esse trabalho pelo ser humano e a mulher de fibra que ela é. Afinal, Dilma não é nenhuma cobra, mas uma pessoa muito humana”.

PT de Recife teria bancado a viagem de babalorixá

O babalorixá Pai Carlos de Xangô disse que o ebó será arriado no seu templo, o Oju Obá, no bairro de Jordão Baixo, em Recife. Acerca de quanto estaria recebendo pelo preparo da feitiçaria afirmou que “orixá não tem preço” e se mostrou “contra a cobrança feita por alguns babalorixás”. Revelou que atua “em troca de contribuições”, com que “ganho mais do que se cobrasse”, exemplificando com “pedidos de emprego a autoridades públicas”. Ele assegurou, contudo, que “os custos da viagem a Salvador e sua estadia correm por conta do Diretório do PT de Recife”.

O babalorixá pernambucano revelou que durante o governo Gustavo Krause, de 1986 a 1987, “quando dispunha de uma sala para atender e orientar pessoas no Palácio do Campo das Princesas [sede do governo pernambucano], mantive contato com ialorixás baianas, como Mãe Menininha e, atualmente, confesso minha admiração por Mãe Stella de Oxossi e por Mãe Carmem, sucessora de Menininha, no Terreiro do Gantois”. A todas essas, disse, “baixo minha cabeça e me curvo, em respeito à hierarquia, afinal, na frente delas sou uma criança”.

Pai Carlos revelou, ainda, que enquanto a maioria dos terreiros da Bahia são da nação, ou linhagem, Ketu, o dele, em Recife, é da nação Nagô, embora tanto na Bahia quanto em Pernambuco existam os da nação Jeje. Em Pernambuco, contou, “diferente da Bahia, não se diz ‘vou ao Candomblé’, mas ‘vou ao Xangô’”.  Apesar das inúmeras tentativas por telefones, não obtivemos contato com os diretórios municipal e estadual do PT em Pernambuco.

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