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Opinião

Temer, o otimista, a lista de Janot, e Millôr

O autor é jornalista

por
Vitor Hugo Soares
Publicada em 11/03/2017 07:14:30

No meio desta semana ardente de março, antes do alvoroço quase pânico se estabelecer em Brasília, e no resto do País, na expectativa da divulgação das planilhas que registram pagamento de propina a centenas de políticos, - antigos e atuais donos do poder - quase tudo acompanhado de vídeos e áudios arrasadores -, li na área de comentários do site blog que edito, em Salvador, uma observação tão perspicaz quanto bem encaixada sobre o tortuoso e imprevisível momento nacional. 

O irônico apontamento - digno de atenção e reflexão não apenas de estudiosos e analistas dos desvãos insondáveis da mente humana - é sobre a psicologia arrevesada do mandatário da vez, no Palácio do Planalto, diante da cada dia mais preocupante realidade que o cerca (na política, no governo, na economia, na ética e nos bons costumes) e o faz balançar, perigosamente. 

“Temer parece aquele sujeito que caiu da janela do trigésimo oitavo andar e quando estava passando em queda livre pelo vigésimo andar gritou: Até aqui tudo bem”, assinala o comentário, postado por Taciano Lemos de Carvalho, editor do site político Gama Livre, no Distrito Federal, cuja leitura recomendo vivamente, a começar pela frase - lema, da lavra do genial Millôr Fernandes, no alto da publicação: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Em síntese, o editor do Gama Livre se refere a uma frase do presidente, destacada largamente, no correr da semana, pelos blogs e sites políticos do país e nas redes sociais, a começar pelo Blog do Noblat, que a elegeu como “Frase do Dia”. Antes das gafes primárias (reveladoras também de completa falta de assessoramento político do chefe maior da “República do PMDB), no desconjuntado discurso no Dia Internacional da Mulher.

“Não tenho medo de perder o mandato. O que nós vamos fazer é levantar o país, a economia está numa onda excepcional. Vamos continuar trabalhando para levantar o país sem nos preocupar com esses outros fatos.

A recuperação está melhor do que eu esperava”, disse Temer, parecendo flutuar como nunca em seu universo irreal de divagações e enganos, em seguida à surreal reunião do Conselhão, no começo da semana.

Aí bate com força a saudade e o sentimento de ausência de Millôr Fernandes. Mas, felizmente, logo se percebe que segue presente a marcante memória, ao lado da influência do pensamento e da obra do criador da histórica coluna  “Pif Paf”, marco do humorismo gráfico e de textos curtos e fulminantes, na imprensa brasileira, desde a revista O Cruzeiro.

Isto é o que fica patente no comentário e no trabalho do blogueiro baiano, que há décadas vive em Brasília  e observa criticamente as mazelas do poder e dos poderosos em seu entorno, no planalto central do Brasil.

Sem perder o humor, como determinam as lições e os mandamentos do mestre carioca. Coisa de sangue também, imagino. Afinal, Taciano é irmão de Ivan de Carvalho, o saudoso colunista político da Tribuna da Bahia, por décadas. Inteligente, culto, plural . Bem informado e bem humorado sempre. Brilhante e íntegro profissional de jornalismo com quem tive a honra de conviver nos bancos acadêmicos da UFBA e, depois, no batente diário na sucursal do Jornal do Brasil na Bahia.

Conferindo bem, o comentário do editor do Gama Livre é, na verdade, um livre pensar que vem de Millôr, adaptado à era Temer. Reproduz ao seu modo – e com alguns andares a mais na construção – um dos pensamentos mais antológicos de Millôr Fernandes, que diz: “Otimismo é atirar-se do 20° andar e, ao passar pelo 18°, constatar: até aqui, tudo bem”.  
Na mosca, ontem como hoje!

Na quarta-feira, 8, data da sentença do juiz federal Sérgio Moro (condutor da Lava Jato), somando mais 11 anos de prisão para José Dirceu (ex ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula); da ameaça do ministro da Fazenda, Henrique Meireles, ao cidadão contribuinte em geral, com a possibilidade de aumento de impostos, além das gafes presidências, no Dia Internacional da Mulher, julgo mais que oportuno o registro crítico do otimismo meio suicida de Michel Temer. No meio do dilúvio que parece se aproximar cada vez mais do Palácio do Jaburu.

A semana termina com fortes tremores de terra no centro do poder, e em seus arredores, indicativos de terremotos de grande magnitude. O tamanho do estrago das delações premiadas da Odebrecht pode ser imaginado pelo furdunço da noite e madrugada de quinta-feira, em Brasília, a partir do comunicado do STF, informando que o jornal que quisesse a lista (e seu conteudo explosivo em textos, áudios e vídeos), teria que entregar dois HDs de 1 terabyte para receber “A Lista de Janot”, que estará circulando em breve.

Haja “otimismo”, de Temer e de muita gente mais, para aguentar o tranco que está a caminho. A conferir.
 

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