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Opinião

Mais luz!

O autor é professor da Escola Politécnica, Departamento de Engenharia Química e do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da UFBA

por
Marcio Luis Ferreira Nascimento
Publicada em 13/03/2017 22:01:48

Em 1865 o mundo foi assombrado pela proposta de um brilhante físico e matemático escocês, que unificou a eletricidade, a ótica e o magnetismo numa única e bela teoria. Seu nome: James Clerk Maxwell (1831 - 1879). Propôs-se a reescrever algumas equações já conhecidas, e descobriu outras tantas a partir de puro raciocínio matemático e evidências experimentais, principalmente a partir de dados do célebre físico e químico inglês Michael Faraday (1791 - 1867).

Assim, descreveu como partículas carregadas atuam vias forças elétricas e magnéticas, definindo a relação entre tais forças e cargas elétricas por “campos”. Mais: mostrou como campos elétricos podem gerar campos magnéticos e vice-versa, além de demonstrar que tais campos elétricos e magnéticos se propagam com a velocidade da luz, no elegante e notável trabalho: “A Dynamical Theory of the Electromagnetic Field” (“Uma Teoria Dinâmica do Campo Eletromagnético”), na prestigiosa Phil. Trans. R. Soc. Lond155, págs. 459-512.

Por que estas descobertas são importantes, em particular a última? Pelo simples fato que a vida moderna utiliza e necessita a todo o momento da compreensão da luz e tudo o que ela envolve: muito provavelmente o leitor deve ter acesso às estas linhas a partir da luz do sol, que viaja por pouco mais de 8 minutos, se propagando no espaço como quaisquer outras ondas eletromagnéticas, até refletir no texto e atingir os incríveis e formidáveis detectores de luz que são nossos olhos. Se for de noite, a eletricidade das casas se converte diretamente em luz visível para, de forma similar, tornar possível a leitura.

Mais: a partir de sua teoria, foi possível predizer, e depois verificar a existência das ondas de rádio, que propiciou as telecomunicações, como TV e telefonia. Entre outras coisas, propôs e comprovou pela primeira vez a possibilidade de registro permanente de cores numa fotografia, em idos de 1861. Foi reconhecido como um dos três maiores físicos de todos os tempos, atrás apenas de Sir Isaac Newton (1642 - 1727) e Albert Einstein (1879 - 1955).

Escreveu um magistral trabalho em dois volumes: “A Treatise on Electricity and Magnetism” (“Um Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo”) em 1873, compilando suas idéias sobre o eletromagnestimo, teoria que modestamente mudou o mundo desde então. Tal trabalho é apenas comparável ao Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (1687) de Newton, simplesmente outro marco da ciência.

Pessoa de costumes simples, tímido, cristão fervoroso, casado com Katherine Mary Dewar (depois Maxwell, 1838 - 1886), costumava levar seu cão Toby ao trabalho – por sinal, ele dava o mesmo nome a todos seus cachorros... Faleceu precocemente de câncer abdominal (assim como havia acontecido com sua mãe), e não deixou descendentes.

Impressionado com a extensão, simplicidade e elegância da proposta de Maxwell, o físico e filósofo austríaco Ludwig Eduard Boltzmann (1844 - 1906) perguntou-se, parafraseando o fantástico escritor e estadista alemão Johann Wolfgang Goethe (1749 - 1832) em seu célebre Fausto: “War es ein Gott, der diese Zeichen schrieb?” (“Terá sido um Deus, quem escreveu esses sinais?” – Quadro II, Cena I).

Em seu leito de morte, Goethe teria dito: “Mehr Licht!” (“Mais Luz!”). De forma similar, as equações de Maxwell também vieram à luz para promover o conhecimento, o progresso e o bem-estar da humanidade. Que haja mais luz!

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