TRÂNSITO AO VIVO
domingo, 28 de maio de 2017
FIQUE SABENDO AGORA
PUBLICIDADE
Bahia

STF- Máquina da impunidade

por
Luiz Holanda
Publicada em 02/05/2017 08:22:23

O país não aguenta mais as decisões de alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) garantindo a impunidade dos corruptos.

 Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello são os mais notórios, com destaque para Mendes, que, ultimamente, não perde uma oportunidade para posar defronte das TVs deitando falação a respeito de assunto que estão sob julgamento.


Indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para ocupar uma vaga no Supremo, Mendes sofreu fortes críticas dos profissionais do direito. Chegou a processar o jurista Dalmo de Abreu Dallari por causa das críticas que este fez à sua conduta moral e jurídica.

Em 2008, uma importante revista publicou que os negócios da empresa da qual ele é sócio (Instituto Brasiliense de Direito Público-IDP), aumentaram muito depois de sua ida para o STF.

Mendes acusou a reportagem de lhe “denegrir a imagem” e “macular sua credibilidade”. Alegou, ainda, que a leitura da reportagem atacava não somente a ele, mas serviria, ainda, para “desestimular alunos e entidades que buscam seu ensino”.

Em 26 de novembro de 2010, a juíza Adriana Sachsida Garcia, do Tribunal de Justiça de São Paulo, julgou improcedente a ação proposta por Gilmar e extinguiu o processo. Segundo ela “As informações divulgadas são verídicas, de notório interesse público e escritas com estrito animus narrandi.

A matéria publicada apenas suscita o debate sob o enfoque da ética, em relação à situação narrada pelo jornalista. (…) A população tem o direito de ser informada de forma completa e correta. (…) A documentação trazida com a defesa revela que a situação exposta é verídica; o que, aliás, não foi negado pelo autor”.

Mesmo sendo contestado desde a sua indicação para a Corte, Mendes continua desafiando a sociedade com suas decisões contraditórias. Recentemente, ele, Lewandowski e Dias Toffoli libertaram o ex-tesoureiro João Cláudio Genu, condenado pelo mensalão e na Lava Jato. A liberdade foi concedida pela Segunda Turma, da qual o ministro faz parte, sob o argumento de que ainda falta a confirmação da sentença condenatória pelo Tribunal Regional Federal.

 José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e condenado na Operação Lava Jato após ter atuado como avalista de um empréstimo fraudulento usado para camuflar propina, também foi beneficiado.

Nesse caso, além de Mendes e a sua turma, participou do julgamento o verborrágico ministro Celso de Mello, graças a quem Renan continua senador. Eike Batista também foi para casa, praticamente livre.

O problema agora é saber se isso vai continuar ou algum corrupto vai ou não permanecer preso. Organizada estruturalmente para a defesa dos valores das elites, nossa sociedade adaptou o judiciário para atuar seletivamente, preservando o patrimônio dos poderosos em detrimento da proteção das camadas sociais menos favorecidas.

Todo mundo sabe que nossa justiça criminaliza a pobreza. A empregada doméstica, Maria Aparecida, ficou quatro anos presa no “Cadelão de Pinheiros” por tentar roubar um xampu. Saiu de lá cega de um olho, face as torturas sofridas.

O povo sabe quem são os garantistas da impunidade. Eles aparecem diariamente na mídia defendendo os poderosos. Só que agora começa a indagar por que uma pessoa que rouba milhões pode ficar em liberdade enquanto uma pobre, que tenta  roubar apenas um xampu, perde um olho por causa das torturas sofridas? Com a palavra o ministro Gilmar Mendes, ou, se preferirem, o próprio STF, uma máquina de impunidade.

SIGA A TRIBUNA
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
EDIÇÃO ONLINE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE