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Bahia

Dona Marisa: maiô com estrela do PT e Lula diante de Moro

por
Vitor Hugo Soares
Publicada em 13/05/2017 07:20:52

Na quarta-feira histórica (sim, um fato sem precedentes no Brasil republicano antes deste 10 de maio de 2017): o interrogatório de quase cinco horas de duração do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva que, na condição de réu, compareceu diante do juiz federal Sérgio Moro, condutor do processo da Lava Jato para quem não tem foro privilegiado.

Milhões de brasileiros, de todas as regiões, tiveram a rara oportunidade de, em um só dia, testemunhar as múltiplas faces de Lula, no exercício doe estado quase permanente de representação, de um de seus mais destacados líderes políticos. Mal (ou bem?) comparando, o que se viu e ouviu, uma espécie de reedição do clássico filme de suspense “Lon Chaney, o homem das mil  faces”, em hom enagem a uma das maiores legendas do cinema mudo.Havia até o ditado famoso: “não pise nessa aranha, ela pode ser Lon Chaney. 

Antes das dez da manhã, já se aproximando do horário do encontro previamente marcado, mas ainda cercado de recursos, manobras, chicanas e dúvidas jurídicas sobre sua efetiva realização, Lula embarcou no aeroporto de Congonhas (SP), com destino à capital paranaense. Voou em um jatinho particular de empresa pertencente ao empresário de Minas Gerais, Walfrido dos Mares Guia, ex-deputado do PTB, seu ex-ministro em duas pastas diferentes – Relações Institucionais e Turismo -, apontado, entre outros trambiques (para usar uma expressão bem soteropolitana), como um dos idealizadores do chamado mensalão mineiro. Mares Guia, diga-se, sempre negou de mãos juntas seu envolvimento.

Até que, de protelação em protelação, de recurso em recurso, de chicana em chicana, em 2014, a Justi&cced il;a suspendeu as investigações do caso, depois da prescrição do prazo para punição pelo “suposto crime” (para usar uma expressão da moda).
Lula desembarcou em Curitiba, do avião Cesna 525, de prefixo PR-BIR, pertencente à Samos Participações Ltda, uma holding de Mares Guia. Como é de conhecimento de quem acompanhou mais de perto o caso, que de tempos em tempos volta a incomodar e meter medo em muita gente, a empresa teve os sigilos bancários e fiscal quebrados durante as investigações do esquema de corrupção operado por Marcos Valério (preso e condenado) em Minas Gerais. Valério sabe muito e seus movimentos, na cadeia, ainda tiram o sono de muitos de Minas a Brasília.

Momentos depois Lula estava sentado frente a frente ao juiz da Lava Jato. Aí, por mais de quatro horas, se sucederiam cenas dignas do filme famoso sobre Lon Channney, o homem de inumeráveis caras e expressões.

“Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”, diriam irônicos franceses, agora um pouco mais relaxados com o afastamento, mesmo que temporário, do pesadelo representado por Marine Le Pen, com a eleição de Emmanuel Macron, domingo passado, para conduzir os destinos da simbólica nação europeia da liberdade, igualdade e fraternidade. 

Na abertura do interrogatório de quarta-feira (10), que ainda mexe com os nervos de multidões em Curitiba, no resto do País e em boa parte do mundo – em razão da relevância jornalista do fato em si, associado a inumeráveis alternativas de avaliações políticas, éticas e polêmicas que o caso comporta -, deu-se uma situação exemplar, que iria pontuar praticamente o tempo inteiro da audiência criminal.

Revelados em detalhes mais que expressivos, a exemplo do nervoso e freqüente abrir e fechar da garrafinha de plástico, por Lula, para beber água. O roçar da sobrancelha com a ponta do dedo.

Ou, ainda, o afagar do bigode nervosamente. Este, para quem conhece o senhor ex- presidente mais de perto e intimamente, um sinal perigoso de alerta de quando o ex-mandatário e fundador do PT “est&aa cute; puto”, como ele próprio disse, literalmente, em um dos momentos mais tensos e contraditórios de seu depoimento, em uma das diversas versões que utilizou para tentar explicar o seu estranho encontro com o criminoso diretor da Petrobras, Renato Duque, intermediado pelo ex-tesoureiro do PT, Vaccari Neto (agora condenado do Petrolão e cumprindo pena em Curitiba), em pleno andamento das investigações da Lava Jato.

Na tentativa de desanuviar o ambiente, na sala do prédio da Justiça Federal do Paraná, carregado de tensão exposta na face e nos gestos e palavras dos presentes – a começar pelo réu e centro das atenções -, o magistrado disse não ter qualquer desavença pessoal” com o interrogado, mas alertou que seriam feitas perguntas difíceis.

“Quando alguém quer falar a verdade, não tem pergunta difícil”, reagiu Lula , movendo então, uma das peças principais de seu jogo político e comportamental, marcado pela retórica de palanque, que domina como poucos e onde busca refugio diante das graves acusações criminais e morais que pesam sobre ele, nos diferentes processos a que responde.

O resto é o que se viu e o que se sabe. Mas vale um corte para registrar um flagrante de Lula, em seguida, já outra vez em se papel preferido de palanqueiro de comício eleitoral, que não conseguiu exercer como pretendia diante do juiz.

“Se um dia tiver que mentir para vocês, eu prefiro que um ônibus me atropele em qualquer rua deste país”, bradou entre lágrimas o senhor ex-presidente, mas sem perder o jeito matreiro de quem sabe da probabilidade mínima de ser alcançado por sentença  deste tipo de jura. Que fez, entes de voltar de jatinho para casa, em São Bernardo,  para militantes do PT, em Curitiba, aparentemente tão cansados e abatidos quanto o próprio Lula, depois da refrega com Moro. 

De Salvador, a Cidade da Bahia de onde escrevo este artigo semanal, reflito sobre a jura de Lula no comício, e no que ele falou no interrogatório. Penso, principalmente, nas referências do vivo e encrencado ex-presidente sobre sua falecida esposa e ex - primeira dama do País, dona Marisa Letícia, em referência às estranhas transações do triplex na praia do Guarujá. Penso até na afirmativa de Lula de que dona Marisa “detestava praia”.

Pode até ser verdade, mas esta não parece ser a mesma Marisa Letícia, de cujas coberturas jornalísticas tantas vezes participei, em suas inúmeras visitas à capital baiana. Antes e, principalmente, depois da chegada do casal ao poder no Palácio do Planalto.

Primeiro, quando no tempo de vacas magras do sindicalismo política, o casal visitava Salvador e era ciceroneado, desde o aeroporto, pelo falecido líder sindical petroleiro, Mário Lima, deputado constituinte como Lula. Ele recordava sempre de dona Marisa e de sua paixão pelos banhos de mar na Ilha de Itaparica, vestida em seu maiô comprado nas lojas mais simples de São Paulo.


Depois, nas seguidas visitas anuais do casal presidencial, para descansar na fulgurante e protegida praia de Inema, na área da Base Naval de Aratu. Dona Marisa, então, ao lado do marido, era uma das mais animadas frequentadoras dos passeios e banho de mar nas mansas águas da praia baiana.

Em uma das temporadas de verão, a primeira dama até lançou moda praieira, ao vestir um polêmico maiô, com a estrela do PT bordada no peito. E paro por aqui, em relação à passagem do senhor ex-presidente por Curitiba esta semana, o resto (principalmente o resultado) a conferir. Principalmente depois das explosivas delações dos marqueteiros João Santana e Mônica Mouro, cujos áudios liberados começam a abalar o Brasil.
 

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