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Bahia

A moeda brasileira sobreviveu

por
Thaís Herédia
Publicada em 13/05/2017 08:34:08

O IPCA de abril bateu o martelo: inflação está controlada. O IPCA do mês passado ficou em 0,14%, fechando em 4,08% no acumulado em 12 meses.

A continuar nesta toada, em agosto o índice oficial da meta de inflação deve cair para abaixo de 4%. Desde 2009, quando o IPCA ficou em 4,31%, que isto não acontece. De lá para cá, até agora, a carestia flertou com o desastre, abusando da força do Real, uma moeda tão nova e tão frágil. 

O Brasil já viveu todo tipo de crise. As mais conhecidas por nós foram as crises causadas pela fragilidade externa. Muita dívida, muita exposição em dólar e qualquer crise de confiança provocava debandada de investidores. Isto já nos causou desde a moratória, nos anos 80, portanto antes de termos uma moeda, até a maxidesvalorização de 99, quando tínhamos o Real havia parcos cinco anos. 
 A crise de agora teve fundamento fiscal, ou seja, no desequilíbrio das contas públicas.

O aumento de gastos constante, muito acima do PIB, foi minando as bases da formação de preços na economia, dando musculatura à indexação – gatilho de proteção contra o fantasma da perda da renda – que por sua vez, realimentou o processo inflacionário indefinidamente.  

Acrescento, claro, a tentativa no mínimo desastrosa de controlar preços à força, como fez o governo de Dilma Rousseff com a energia, os combustíveis, o dólar e, por que não, os juros. Sim, porque ao exigir que o Banco Central baixasse a taxa de juros na marra, a ex-presidente também interferiu no “preço do dinheiro” que controla a demanda na economia. 

Com isso chego a mais uma causa do desequilíbrio recente que não está ligada apenas a fatores objetivos, como as contas externas, a estabilidade fiscal e as políticas econômicas adotadas por um governo.

Ela também responde pelo nome de credibilidade perdida. Em países onde há um Banco Central forte e atuante, a credibilidade é fator essencial na equação que define os juros e provoca a reação esperada pela taxa. 

Quem não acredita que o BC será responsável o suficiente para controlar a trajetória dos preços se protege contra ele. Isso se dá através da indexação de salários e contratos, mas também na exigência dos credores do país em receber cada vez mais pelos títulos comprados do Tesouro Nacional.

Quanto mais risco, mais prêmios, é a lógica de mercado. E quem tem algum dinheiro num fundo de renda fixa fez a mesma exigência e recebeu o mesmo benefício. 

Desde que assumiu o BC, em junho de 2016, o economista Ilan Goldfajn trouxe para a mesa uma carta que Alexandre Tombini, seu antecessor, havia perdido há tempos: a tal da credibilidade. Na tentativa de corrigir seus erros, Tombini salgou a taxa de juros básica, a Selic, mesmo diante de uma recessão profunda que começou a se instalar na economia já em 2014. 

A credibilidade aliada a Ilan reverteu muito rapidamente as expectativas quanto a eficiência da estratégia do antigo presidente do BC. Claro que a recessão fez a sua parte, e como! O desemprego galopante comprimiu a demanda, e também a coragem, pelo consumo. Mas sem uma virada na condução do BC, a conta teria sido muito mais salgada.

A trajetória dos juros esperada nunca foi tão positiva, podendo chegar a um dígito rapidamente e se manter lá por muito mais tempo. 
 A moeda brasileira sobreviveu a tudo e a todos.

Para o bem do futuro do país e da busca por um novo equilíbrio da economia. Os desafios que ameaçam o processo inflacionário continuam todos aí.

Com nosso histórico, eles vão nos rondar por anos a fio. A ameaça da não aprovação da reforma da Previdência que o diga. Nós temos uma moeda há exatos 23 anos. É pouco, mas parece que foi suficiente para não desistirmos dela.
 

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