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A burguesia burra e seus netinhos
Por acaso, estava eu, ontem, por volta do meio-dia, passando nas proximidades da Reitoria da Ufba, quando dei de cara com o protesto dos estudantes contra a total insegurança que reina no campus da Federação, refletindo a insegurança total da nossa (dos bandidos, aliás) cidade. Haviam atacado uma garota no PAF, em Ondina.
Exultei! Finalmente os estudantes começam a sair da toca guardada pela UNE e outras lideranças cooptadas pelo governo “de esquerda” de Lula e resolvem se manifestar. E tive a oportunidade de ver e ouvir muita coisa interessante. Por exemplo, um cidadão, aparentando cerca de 50 e poucos anos, dentro do carro, travado, como centenas de outros, no trânsito paralisado, xingando os estudantes. Abordado por alguns alunos da Ufba que lhes mostraram cartazes com ditos a respeito do protesto, o senhor esbravejou, disse que aquilo era “coisa de suburbano” (olha o preconceito do sujeito!) e que sua netinha o estava esperando para almoçar. Recebeu a resposta que merecia: ”O senhor diz isso porque não foi sua netinha quem sofreu o ataque.”
Mais adiante, no balcão de uma loja, uma moça cheia de maquiagem, enquanto observava suas unhas detalhadamente, perguntou-me o que estava acontecendo. Eu disse que era um protesto de estudantes por causa de um ataque sexual a uma estudante e a falta de segurança no campus da Ufba. E ela: “Ah, meu Deus! Tudo isso por causa de um ataque desses?!”
Aí, eu entendi tudo e encaminhei-me para casa, discretamente, sem querer mais olhar para a cara de tanta gente estúpida que não entende que só estamos na m...porque somos “um povo pacífico”, ou seja, cordeiros de Deus que deixamos os pecados
rolarem.
Os netinhos
E aí que o espaço acabou e eu não justifiquei o título principal. O cidadão que lamentava não poder chegar a tempo para o almoço com a netinha e achava, por isso, que os estudantes estavam errados e sendo radicais, mal sabe que futuro está reservado para sua netinha e tantos outros netinhos deste mundo cruel.
A violência absurda, o descaso absoluto das autoridades (que só marcam presença em eventos festivos como inauguração de ferry e coisas que tais e se ausentam da zona de perigo), somados à alienação do que só pensam em si, estão adubando a mais violenta e cruel sociedade que se possa imaginar.
E, num futuro próximo, quando os netinhos ou netinhas que hoje esperam para o almoço em vão estiverem crescidinhos, morarão em condomínios absolutamente fechados e cercados pela fúria da horda enfurecida ou estarão, coitados, do lado da horda enfurecida, fumando crack, cheirando cocaína ou, quem sabe,
experimentando novas drogas ainda desconhecidas.
Viva Paris!
O senhor que xingou os estudantes porque queria almoçar com a netinha certamente adoraria morar em Paris (e quem não gostaria, hein?). Uma cidade cheia de charme, belíssima, civilizada. Pois é.
Mas foi lá, em Paris, há pouco mais de um ano, que estudantes e outros setores da população apedrejaram e queimaram mais de dois mil carros, num protesto que faria o da Ufba, de ontem, parecer uma quermesse de senhoras idosas de alguma irmandade. E a democracia não acabou na França, tudo voltou ao normal e as reivindicações foram atendidas.
Viram aí, reaças?!
Fantasmas
.Da série: apoiando quem, cara pálida? A propaganda eleitoral do PT e do PMDB e correligionários de “esquerda” esbraveja sobre o apoio de Lula aos seus candidatos. Todos falam que o presidente está do seu lado. Também dizem o mesmo do governo estadual.
Mas eu ainda não ouvi uma palavra, uma sequer, de Lula dizendo que apóia Fulano ou Sicrano. Nosso governador, já sabemos, apóia três...
Olha, me deixe, viu!
Analfas
E por falar em propaganda eleitoral no rádio e TV, começaram as pérolas do tipo “vamo organizá as finança”, “estou aqui para abençoar vocês” e “a gente somo candidatos”.
Juro que ouvi! E olha que a zorra é gravada!
Oito anos
Já que o papo é eleição, sou inteiramente a favor do mandato de oito anos para prefeito. Acontece que com o mandato atual, de quatro anos, não há tempo para fazer nada, porque o prefeito passa os dois primeiros anos empregando quem os apoiou e os dois últimos lutando contra os que querem abandoná-lo, além da preocupação com a campanha para a reeleição.
Então, com oito anos, pelo menos sobrariam quatro para cuidar de verdade da cidade.
Tende piedade!
A Praça da Piedade, que ficou tão bonita depois daquela reforma feita por Imbassahy, virou um mangue. O gradeado, por exemplo, é hoje um imenso varal, onde secam roupas de uma pequena multidão que reside no local.
E tem mais: as crianças, muitas aparentando menos de 10 anos, filhas dessas famílias, são claramente usadas para angariar dinheiro dos motoristas nas sinaleiras.
Esse Galvão! (I)
Galvão Bueno é demais! Ontem, quando as seleções brasileira e argentina entraram em campo, ele descreveu, cor por cor, o uniforme de cada uma.
Dispensável: estávamos assistindo pela TV. E a cores!
Esse Galvão! (II)
E o incrível locutor da Globo deu uma de poeta. No início da competição, ainda acreditando em uma vitória do Brasil, chamava a atenção para o clima do jogo e dizia:
“Pode até ser jogo de esquina / mas será sempre Brasil e Argentina.”
De matar de inveja Carlos Drummond de Andrade, não?
Hehehe...
Violência
O bairro de Stella Maris está cada vez pior. A maioria dos comerciantes tem fechado as portas cedo, muito antes do horário normal, porque o local virou paraíso de assaltantes.
Ronda da Polícia, que é bom, nada.
Aliás, acho que a galera de lá nem sabe as novas cores das viaturas.
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