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Salvador tem reforço da Guarda Municipal

   Espalhados por mais de 40 pontos da cidade, os guardas municipais são os mais novos reforços na área da segurança pública em Salvador Parte dos 1.478 aprovados em concurso público este ano já está em patrulhamento ostensivo nas ruas da cidade. De acordo com o prefeito João Henrique Carneiro, a Guarda Municipal não terá apenas caráter patrimonial, educativo e preventivo, mas funcionará, também como força de proteção à vida humana. “O objetivo da Guarda Municipal é trabalhar de forma integrada com a Polícia Militar. O efetivo receberá treinamento especial, inclusive para o uso de arma de fogo”, disse o prefeito.
  Para Fábio Mota, secretário de Serviços Públicos, a Guarda Municipal protege atos que atentem contra os bens, serviços e instalações do poder público municipal. “Além de todas essas funções , o efetivo da Guarda também tem poder de polícia, resolve conflitos de trânsito, ordena-mento do comércio informal, e futuramente, na regularização do som, por meio de um convênio com a Sucom.”, afirmou o secretário.
  Fábio Mota ressaltou que o poder de polícia assegurado à Guarda Municipal permite o uso de cassetetes e algemas. No próximo ano, os guardas sairão armados, após curso para manuseio de armas de fogo exigido pela legislação federal. “A escolta armada é um item exigido em cidades com mais de 500 mil habitantes.”, disse. O secretário ainda declarou que a implantação da Guarda Municipal é um esforço da prefeitura mesmo sabendo que a segurança pública é um dever do Estado. “Salvador vive momentos críticos na segurança. Diante de tal situação, tornou-se necessário esse reforço”, afirmou. Essa medida se soma a outras já adotadas, como a instalação de câmeras nos ônibus e o banho de luz.
  As atividades da Guarda Municipal são divididas em patrulhamento motorizado com um efetivo de 100 veículos, sendo 50 carros e 50 motos, patrulhamento com bicicletas nos circuitos da orla (Barra até Itapuã) e o patrulhamento especial que conta com apoio de cães. “O patrulhamento especial é em casos mais graves, como de vandalismo. Na primeira semana após a inauguração da Avenida Centenário, a pia do banheiro foi roubada. Então colocamos a Guarda Municipal para evitar danos contra o patrimônio público.”, disse.
  João Lima, de 29 anos, foi um dos primeiros aprovados no concurso da Guarda Municipal. Nas ruas desde do último dia 2 de julho, ele faz vigilância na Avenida Suburbana. “Nesses três meses de profissão nunca tive grandes problemas. As ocorrências mais comuns são brigas entre vizinhos e confusões no trânsito.”, disse. João ainda lembrou que o caso mais grave nesse período foi quando teve que conduzir um cidadão à delegacia. “Ele estava embriagado e cometia atos de vandalismo. Dei uma advertência, mas ele continuou cometendo o mesmo ato. Então fui obrigado a retirá-lo daquele local e levá-lo a uma delegacia para prestar depoimento”, disse. João também falou da importância e complexidade da profissão.
  “O guarda municipal pode atuar em diversas áreas. Tanto como um reforço à Polícia Militar quanto como um agente protetor de bens públicos, ordenamento do trânsito, dentre outras funções de relevância para a sociedade.”, afirmou.
  O secretário Fábio Mota anunciou a contratação de mais 1.500 guardas municipal para o próximo ano. “O edital do concurso prevê 3.000 contratados. Como já recrutamos 1.478, a prefeitura realizará mais uma prova para o restante das vagas.”, concluiu. (Por Tatiana Ribeira)



  
Juventude na luta pela liberdade individual


   Época de sonhos da mocidade e de grandes mudanças, das grandes lutas por um ideal de vida diferente da que então se apresentava com a ditadura. É como o sociólogo e professor da Ufba Gey Espinheira traduz “uma juventude que se engajou em diferentes lutas e frentes em busca da liberdade individual”. Mas eles também tinham seu momento de encanto e lazer em uma cidade em que tudo se concentrava no centro . Diferente de agora, com o grande advento dos shoppings espalhados pelos principais bairros onde a juventude tem uma série de opções tanto cultural como de lazer .
  Uma das opções preferidas dos jovens da época era assistir a um filme no Cinema Bahia,na Carlos Gomes, e depois lanchar no Edifício da Fundação Politécnica,com direito a desfrutar da grande novidade que era a primeira escada rolante da cidade,onde a paquera rolava solta. Ou ir em direção à Rua Chile, muito movimentada não só pela juventude como por políticos e intelectuais, para degustar um sorvete na Cubana.
  O encanto de “desfilar” com as roupas da época na Politécnica e na Chile foi mencionado pela bióloga Angelina Soares, 56 anos, como o desejo de toda a jovem da época. “Lembro que cada menina da época queria botar a roupa mais bonita para flertar (termo que a gente usava),pois a gente sabia que os meninos mais bonitos e inteligentes da época sempre estavam entre a Avenida Sete e a Chile”.
  De acordo com Soares, nesta época eram famosos os bailes de debutantes e a jovem só poderia freqüentar os salões depois do debut. “Nós morávamos no Largo Dois de Julho e freqüentávamos o Fantoches da Euterpe, clube que estava no auge na época”, informou.
  As lembranças são também rememoradas pelo arquiteto Arlindo Lemos, 57 anos, que na época ainda estudava no Colégio Central. “Era uma época de grandes sonhos, diferente da juventude de hoje. Lembro que tinha 17 anos, mas já era engajado nos movimentos sociais do colégio .”
  Lemos também fala dos momentos de lazer da juventude, que também sabia se divertir “a gente organizava festinhas nas casas dos amigos ou nas repúblicas da época, cada um colaborava com uma coisa, tipo assim os homens com as bebidas e as meninas com os comes e bebes”, revelou.
  Ele lembrou também dos grandes festivais estudantis de música e os do sul do País, em que havia a participação sempre de talentos baianos e que eram acompanhados pelos conterrâneos com grande expectativa,citando o exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia,embora tenham despontado antes de 1969. Quanto aos shows musicais,Lemos já tem ressalvas porque “ na época da ditadura, tudo era censurado. Muitos não sabem que em meados de 1973, já estudava Arquitetura e o Gonzaguinha estava despontando e foi censurado.Ele se apresentava a convite dos DCE (Diretórios de Estudantes) na “surdina”, ou seja escondido.”



  
Em 39 anos as mudanças foram radicais


   Tribuna da Bahia - O que mudou no comportamento das pessoas nestes 39 anos, quase 40?

  Gey Espinheira- Não foram 40 anos quaisquer, mas um período em que o mundo mudou radicalmente, despedindo da velha ordem da “sociedade disciplinar” e inaugurando um outro tempo em que as liberdades individuais se tornaram o grande centro das preocupações e das conquistas. À revolução industrial se seguiu à revolução da infor-mática, apenas a título de uma metáfora: da velha máquina de escrever ao computador. Apenas como ilustração para dizer que as tecnologias invadem as emoções e formas sociais de ser.

  TB - O que os jovens de 1969 faziam na época e o que fazem hoje é muito diferente?

  GE - Sim, há diferenças fundamentais. Parte significativa da juventude dos anos 60/70 se engajou em diferentes lutas e frentes em busca da liberdade individual, a exemplo do movimento hippie de múltiplas faces; mas considero um dos mais importantes o movimento das mulheres na concomitância de muitos fatores: o advento da pílula anticonceptiva; a revolução sexual; o individualismo pós-moderno, e liberação dos jovens das tradições e da família. Muitos jovens, pela via da participação política engajados contra a ditadura, mas também conjugando a arte, deram novas expressões, destituíram valores tradicionais da sociedade disciplinar e impuseram valores novos da sociedade da libertação política e do corpo, o direito individual de escolher o estilo de vida, inclusive o de usar substâncias psicoativas e de se representar do jeito que queria, revolucionando o vestuário, a moda etc.

  TB - Quais eram os points da modernidade da época ?

  GE - Modernidade significou ficar plugado no mundo e não apenas localmente na província. A música e as drogas foram dos grandes veículos e pontes para estabelecer uma conexão universal das juventudes, mesmo geograficamente distantes se tornaram uma ideologia, uma pátria de corpos e de sentimentos, foi quando sugiu a idéia de que “somos todos hermanos”, irmãos em juventude a desconfiar de qualquer pessoa com mais de 30 anos, dos seres “quadrados” e “enquadrados” na sociedade que se queria desfazer para que um mundo novo pudesse ter lugar. Londres, Ney York e Paris eram os grandes centros irradiado-res, mas também a cultura indiana entra em cena com seu orientalismo e a grande marca foi o ecletismo a pregar que cada qual tem o direito de acreditar no que quiser, todos são livres em suas subjetividades. Foi uma revolução de juventude que deu ao mundo atual a feição que tem.

  TB - E as músicas que se escutava. Havia uma única tendência?

  GE - Como disse, foi uma revolução de gerações, portanto de juventude. Todos abaixo de 30 anos, pois acima desta idade imperava a desconfiança. Foi um grande salto existencial, a superação da sociedade hierarquizada pela idade e pela ordem familiar, por uma sociedade mais móvel, pelas grandes migrações de jovens e difusão de uma contracultura que teve na música, na poesia, na literatura, enfim, em todas as artes grandes e xpressões de luta e de conquista da liberdade. As liberdades que temos hoje devemos aos jovens que hoje estão ou se aproximam dos 60 ou mais anos de vida e muitos dos quais são ainda jovens e revolucionários, enquanto outros se “enquadraram”, criaram arestas e envelheceram sem qualquer vigor emocional de juventude, este estágio da vida que é e será sempre o “nosso tempo”.





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