Onde está a dita consciência social?
De uns tempos para cá, e ainda bem, o discurso sobre consciência social virou a tônica de todos os que tem voz neste País. E, é claro, foi rapidamente incorporado às falas de todos os políticos e candidatos a tal. Fazendo um parênteses, antes de mais nada, quero transmitir meus parabéns ao meu amigo e mestre Joaci Góes pelo vigoroso e realista artigo publicado ontem nesta Tribuna sobre a questão das barracas e que inspira-me a mais este comentário sobre o tema.
Falo sobre a falta de consciência social de alguns administradores e da Justiça, ambos seguindo discutíveis rigores da lei e passando por cima do justo.
O caso da derrubada das barracas de praia é emblemático. Dentro de um gabinete, um juiz, de uma só canetada, resolve que os estabelecimentos devem ser derrubados, doa a quem doer; dentro de outro gabinete, o prefeito ordena que seja cumprida a injusta ordem da Justiça; dentro de um gabinete, chefes de polícias diversas determinam imediato cumprimento da ordem judicial e enviam exércitos para enfrentar uma maioria de barraqueiros humildes (há os barões, sei disso, mas são poucos), auxiliados por empregados maltrapilhos, quando não o são também os próprios donos da barraca, nesta capital que é uma das mais pobres do País, apesar da pujança arquitetônica em curso. E lá vão máquinas - suficientes para derrubar prédios, como bem pontuou Joaci -, esmagar frágeis construções que poderiam (e muitas o foram) ser desmontadas por três ou quatro pessoas.
No bojo de tudo isso, vazando por todos os lados, está a arrogância, a brutalidade, o poder pelo poder, a total insensibilidade social. Não houve qualquer preocupação anterior à derrubada para estabelecer um plano de auxílio social IMEDIATO aos barraqueiros. Foi no estilo “peguem seus destroços e sumam daqui”.
Tais bestialidades, infelizmente, parecem não ter ficado nos tempos obscuros da ditadura, quando o então prefeito Antônio Carlos Magalhães foi à frente dos tratores expulsar pessoalmente os moradores (se é que podem ser chamados assim) da invasão do Bico de Ferro, na Orla.
Se em ambos os casos era necessário que se fizesse uma “assepsia”, o que constrange, causa indignação, é a semelhança na brutalidade do método.
O juiz tem
razão (I)
Vi no despacho do juiz D’Ávila, o homem que ordenou a demolição sumária das barracas de praia soteropolitanas, observações sobre o aspecto imundo ou algo assim dos equipamentos e da Orla da capital.
Tem razão, o juiz. Fazem parte da paisagem “imunda”, meritíssimo, os resultados de uma miséria sem par que insiste em vicejar na terceira maior cidade do País. E não só nas barracas. Em toda parte, excelentíssimo juiz, Vossa Excelência poderá encontrar miseráveis, dormindo nas praças, vestindo molambos e pedindo restos de comida.
É o resultado, meritíssimo, de décadas de injustiça social contra a qual, infelizmente, não são banidas as canetas da Justiça.
O juiz tem
razão (II)
E o meritíssimo que se prepare, junto com seus pares, para a necessidade de novas canetadas, num futuro bem próximo, para ordenar a retirada sumária das ruas da capital baiana da horda de miseráveis, que certamente crescerá com a adesão dos milhares de humildes empregados (e muitos donos) de barracas que ficaram na rua da amargura. Essa gente enfeia demais a capital do turismo, senhores!
Greve preventiva?
Ninguém mais a favor de greve do que eu. Direito inalienável do trabalhador. Agora, greve preventiva eu nunca tinha visto. Os servidores municipais fizeram uma greve “com medo” de o salário não ser pago em dia. Ora, a lei é clara: o empregador tem até o quinto dia útil do mês posterior para pagar os salários. No caso, a Prefeitura tem até o dia 8 de setembro para pagar rigorosamente em dia - e se contarmos o feriadão, com o dia 6, ainda está na legalidade se pagar até o dia 9. Então, por que a greve por “atraso”? Não há atraso.
Grevistas suicidas
Agora, dentro dos servidores municipais, os mais tragicômicos são os da antiga SET, hoje chamada Transalvador. Eles já têm 100% da antipatia dos baianos, usuários de ônibus e proprietários de automóveis. E ainda param terça e quarta como advertência, e, depois, resolvem parar também quinta e sexta, emendando com o feriadão. Só voltam dia 8. É por essas e outras que Mário Kertész endossou as palavras dos ouvintes da Metrópole na quarta à noite: “Deviam emendar até dezembro. Ninguém vai sentir falta”.
Quebra de sigilo
Emblemática a foto de O Globo, ontem: ao lado da candidata Dilma, Palocci olha, como que envergonhado, para o chão. Para quem não se lembra, foi Palocci, como ministro da Fazenda, quem ordenou a quebra do sigilo fiscal de um humilde caseiro, o Francenildo. E agora, em meio a mais um escândalo do gênero, está difícil manter a posição de cotado para dirigir a Fazenda se Dilma vencer.
1PROJETOS - Os Correios informam que foram prorrogadas as inscrições de projetos para o Sistema Aberto de Seleção de Patrocínio dos Correios – Área Cultural 2011/2012 e Centros e Espaços Culturais Correios 2011/2012. A inscrição eletrônica poderá ser feita até o próximo dia 7. Outras informações: www.correios.com.br.
2BIBLIOTECA - Hoje, a partir das 9h, a população do município de Esplanada ganha a Biblioteca Professor Jorge Luiz Pereira Macedo, na Rua José Joaquim Seabra s/n - Centro, fruto da parceria entre o Ministério da Cultura, governo do Estado e Prefeitura Municipal.
3ESPECIAIS - Em comemoração ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 próximo), a Fundação Pedro Calmon/Secult preparou para este mês uma programação especial voltada para a acessibilidade na Biblioteca Pública do Estado, nos Barris. As atividades começam neste domingo, dia 5, com o Projeto Domingos Culturais.
4FILOSOFIA- O Cepa - Círculo de Estudo Pensamento e Ação - Movimento Educativo Cultural realiza neste sábado, 4, a partir das 14h, na Faculdade 2 de Julho (Garcia), palestra do curso de extensão em filosofia com o tema “Idade Moderna: Bacon - Descartes - Malebranche - Pascal.”