Na semana passada, ao chegar à escola que as Obras Sociais de Irmã Dulce (OSID) mantêm em Simões Filho, para mais uma reunião de trabalho com dirigentes e professores daquela instituição de ensino, com o propósito de torná-la referência para o ensino público fundamental na Bahia e no Brasil, fui agradavelmente surpreendido pela tocante homenagem que recebi, alusiva ao transcurso do meu aniversário na semana anterior.
Um coro formado por dezenas de crianças, entre cinco e sete anos, cantava harmoniosamente uma composição do músico Edilton Souza Dias, o Didi. Na sequência, o padre Alex, da freguesia de São Miguel, celebrou uma animada missa pela minha vida, com a participação de centenas de estudantes, professores e diretores.
À proporção que o culto se desenvolvia, até como meio de conter a grande emoção que a cada momento me assoberbava, passei a refletir sobre a boa sorte daquelas crianças, retiradas da quase certeza da marginalidade existencial para percorrerem os caminhos da educação plena, porque bem nutridas de alimentação e carinho, e submetidas ao indispensável preparo intelectual, prévio a uma futura profissionalização que as habilitará ao exercício da verdadeira cidadania, como produtoras e usufrutuárias das messes que a sociedade moderna pode oferecer.
A felicidade das crianças, todas entre cinco e dezessete anos, se estampava em suas faces risonhas, pela ventura de haverem encontrado naquela escola, nascida do coração generoso da santa Irmã Dulce, tudo que lhes falta no humilde berço.
O projeto, liderado pela administradora Flávia Rosemberg, tem como diretoras as professoras Solange Santana, Rita Fróes e Rita Assis, que respondem ao comando maior de Maria Rita Pontes, sobrinha e herdeira das responsabilidades da Santa Baiana, cujo processo de canonização se encontra em avançado estágio no Vaticano.
Além do ensino convencional, o projeto, em regime de tempo integral, no modelo da escola-parque preconizado por Anísio Teixeira e defendido e posto em prática pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, oferece três refeições diárias, aulas de música, teatro, dança, pintura, artesanato e vários esportes, inclusive artes marciais. Não estranha o entusiasmo com que essas 750 crianças encaram a frequência, porque a escola é a sede dos melhores momentos de suas vidas.
O ânimo dos 52 professores cresceu ainda mais em face da última avaliação do MEC haver conferido à escola o primeiro lugar no município de Simões Filho, etapa inicial para alcançar até 2015 um desempenho à altura dos povos desenvolvidos. Os próprios professores estão engajados num processo de enriquecimento acadêmico, pela conquista de pós-graduações, mestrados e doutorados.
Ali, estava, pensei, a maquete, a miniatura, o embrião de que o País necessita para superar seus graves problemas, refletidos no quadro de intoleráveis desigualdades que comprometem a paz da família brasileira, na corrupção desenfreada e na violência galopante.
Na contramão das nações mais bem-sucedidas, continuamos a ignorar que a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade; o atraso e o desenvolvimento; a barbárie, em que nos encontramos, e a sociedade harmônica, pacífica e fraterna que desejamos construir. E o voto é o único instrumento capaz de operar essas transformações.
Não há dúvida: Cada povo tem os políticos e os governos que merece.
Agora, preciso desanuviar o espírito para saudar condignamente, esta noite, o novo imortal da Academia de Letras da Bahia, João da Costa Falcão.