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Pólo é âncora do desenvolvimento da Bahia
Com mais de 90 empresas (incluindo as sistemistas da Ford), o maior complexo industrial integrado do hemisfério sul continua se posicionando como âncora do desenvolvimento da Bahia, responsável por 30% do PIB estadual e 35% das exportações baianas. Sua capacidade instalada está acima de 11,5 milhões de toneladas/ano de produtos químicos e petroquímicos básicos, intermediários e finais. A produção no segmento químico/petroquímico atende a mais da metade das necessidades do País.
Este ano, no mês de junho, o Pólo completou 30 anos de instalado, marca que foi comemorada com o anúncio de investimentos. A trajetória do Pólo foi acompanhada e documentada pela Tribuna da Bahia, testemunha do crescimento e das crises em decorrência da economia internacional. Agora, a Tribuna vê o Pólo como âncora da onda de desenvolvimento do Estado.
Em 2007, o faturamento bruto do Pólo alcançou US$ 15 bilhões. A contribuição em ICMS para o Estado é da ordem de R$ 1 bilhão/ano. O Pólo é responsável por mais de 90% da arrecadação tributária do município de Cama-çari, que detém a segunda maior receita de ICMS do Estado (com cerca de R$215 milhões no último exercício), superado apenas por Salvador.
Os investimentos sociais das empresas do Pólo são superiores a R$13 milhões/ano. Emprega um total de 35.000 pessoas, sendo 15.000 diretamente e 20.000 através de empresas contratadas. A média salarial é de R$4.000,00 per capita no segmento químico/petroquímico.
Entre as empresas do Pólo, estão algumas líderes em seus segmentos, como a Braskem (maior empreendimento privado do Brasil), a Caraíba (principal produtor de cobre eletrolítico do País), a Bahia Pulp (única indústria que produz celulose solúvel com alto teor de pureza em toda a América Latina), a Deten (única produtora no País de LAB – Linear Alqui-benzeno, matéria-prima básica para produção de detergentes biode-gradáveis), a Dow Química (única produtora no País de TDI – diisocianato de tolueno) e a Ford (com produção de 250 mil veículos/ano), além da Continental
(primeira unidade no Brasil) e a Bridgestone/Firestone (que juntas produzem nove milhões de pneus/ano.
Cofic atua com os olhos voltados para o futuro
Perspectivas positivas aliadas a muitos desafios. Desse modo, o futuro do Pólo Industrial é visto pelo Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic). Para o grupo, a marca de 30 anos do primeiro complexo industrial da América Latina, comemorada em junho último, pode ser traduzida num recomeço, num novo ciclo para o Pólo Industrial de Camaçari.
Neste sentido, diversos investimentos estão sendo feitos com intuito de aperfeiçoar os aspectos relacionados à logística, tecnologia, capacitação e outras questões.
Entre os desafios a serem enfrentados pelas indústrias do Pólo estão acabar com a acumulação de crédito de ICMS, promover maior integração entre a Petrobrás e o Pólo de Camaçari, desenvolver uma política industrial para a competitividade da nafta petroquímica e viabilizar área para futura expansão, que deverá ainda ser legalizada e protegida pelo governo do Estado, através da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Sudic).
Conforme a “Carta do Pólo Industrial de Camaçari”, entregue ao governador Jaques Wagner, os 35 mil profissionais atuantes no Pólo, entre parceiros, clientes e acionistas das empresas, trabalham no presente, porém com olhos para o futuro.
O documento faz um balanço dos avanços do Pólo durante seus 30 anos e das suas necessidades para prosseguir por, pelo menos, mais 30. “Trabalhamos com olhos no futuro para que essa história de sucesso se repita por mais 30 anos, e a Bahia permaneça na vanguarda do desenvolvimento do Nordeste e do País.
A sua vocação natural para atrair novos empreendimentos sinaliza, no entanto, para a necessidade de superação de certos desafios, como forma de assegurar a competitividade atual e futura do Complexo Industrial”.
Nos diversos segmentos em que as empresas integrantes do Pólo atuam são previstos investimentos, conforme o presidente de Cofic – Marcelo Lyra, de mais de US$ 4 bilhões até 2011. “O levantamento compreende todas as áreas de atuação, sendo papel e celulose, química e petroquímica, metalúrgica e automotiva”, completou.
A área automotiva e as de química e petroquímica somam a maior parcela dos investimentos presumidos: nos próximos anos de investimentos das indústrias de química e petroquímica somarão mais de dois bilhões de dólares, enquanto a área automotiva irá totalizar quase US$1,5 bilhão.
De acordo com Grubisich, muitas das 60 empresas em operação no Pólo Industrial têm certificado ISO14000 e OHSAS18000. Além disso, todas contam com ótima estrutura de prevenção, como brigadas de combate a incêndio e profissionais treinados para atuar em situações de emergência. “Nossos índices de acidentes de trabalho estão em igualdade com os índices de milhares de empresas no mundo”, completou.
Modernização e grandes investimentos em tecnologia também fazem parte da realidade do Pólo. “Quem passa por Camaçari e olha todas aquelas indústrias pode ter a impressão de que nada mudou nesses 30 anos, de que tudo aquilo é velho, porém se entrar em uma sala de controle de qualquer uma daquelas empresas irá encontrar o que há de melhor e mais avançado no que diz respeito à tecnologia”, garantiu Grubisich.
Para Grubisich e outros empresários do Pólo, a comemoração dos 30 anos deve significar o início de um novo ciclo. “Esses 30 anos representam um novo ciclo para o Pólo, é o início dos desafios para os próximos 30 anos, hora de colocar em prática os novos projetos”,
considerou.
Cinco mil novos empregos serão gerados
A mão-de-obra também faz parte das preocupações das empresas do Pólo Industrial. Para os próximos anos, é estimada uma necessidade de, no mínimo, 5.029 profissionais. “Nossos empregados estão se aposentando e é preciso renovar esses profissionais, contratar novos profissionais qualificados. Esta é uma das nossas grandes preocupações para os próximos anos”, afirmou Lyra.
Para garantir a qualificação dos seus novos e futuros profissionais, o Pólo tem contribuído com programas de incentivo às formações em Química, Mecânica e Engenharia Química, as indústrias também têm apoiado os cursos de Pós-graduação nessas áreas.
Além disso, têm estimulado a formação de operadores, programas de estágio e a carreira técnica. “O que precisamos ainda é intensificar a integração das empresas com as entidades de ensino público e privado. Aos governos municipais e estadual o nosso pedido e exigência é que intensifiquem a melhoria do ensino os níveis Fundamental e Médio”, considerou.
Para o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, é preciso olhar atento para um pólo de geração de 15 mil empregos diretos, que representa 30% do Produto Interno Bruto (PIB) Estadual e 13,5% do PIB do País.
“A Bahia tem o maior Pólo Petroquímico da América Latina e isso é importante que se diga. É importante que as pessoas estejam atentas a isso, pois o Pólo é, realmente, um grande motor da indústria nacional. Cada vez que o PIB cresce 3%, a indústria do Pólo cresce 10% ou mais”, disse.
Grubisich afirmou ainda que a área tem crescido em exportação e muitas das empresas atuantes no Pólo já competem com empresas de outros países e outras têm se preparado para participar do mercado mundial.
“Nos últimos anos essas indústrias cresceram acima dos 10% ao ano e temos tido uma exportação com crescimento de 4%.
Nossas indústrias estão na terceira posição das Américas, porém começaremos a incomodar rapidamente, pois as indústrias estão se preparando para isso, estão se globalizando, se modernizando”, afirmou.
Produção de vinho estimula o Enoturismo
A Bahia ganha uma rota do Enoturismo na região de Juazeiro – conhecida como Lagos do São Francisco - o mais novo produto turístico da Bahia. “Todo novo empreendimento é sinal de esperança de desenvolvimento econômico, social ou tecnológico. Para o povo do sertão, que tem uma capacidade enorme de superação, torna-se ainda mais promissor”, afirmou o governador Jaques Wagner. O governador anunciou, também, o aeroporto de Casa Nova, que passará por uma reforma completa com o objetivo de impulsionar ainda mais o enoturismo na região.
O secretário de Turismo, Domingos Leonelli, elogiou a decisão do governador e também destacou que outra boa novidade é a associação do turismo à atividade econômica local, algo que vem sendo incentivado em sua gestão. “Apostamos na regionalização e inovação das zonas turísticas de acordo com cada vocação local porque acreditamos que vamos dar um novo e grande salto de qualidade no setor. A iniciativa também se insere na política de interiorização do turismo baiano e na criação de novos e importantes segmentos, como o Enoturismo, o turismo étnico, turismo religioso, turismo de aventura e o turismo voltado aos aficcionados do Golfe”, diz Leonelli.
A vinícola investiu, desde 2001, cerca de R$ 30 milhões na plantação de 150 hectares irrigados por gotejamento com água do Rio São Francisco e na nova linha de engarrafamento, que deverá expandir a atual produção de 3 milhões de litros/ano para 10 milhões de litros/ano até 2012, gerando 300 empregos diretos. “Decidimos expandir nossa produção para atender à crescente demanda pelos vinhos da linha Terranova, que desde que chegou ao mercado vem conquistando um público fiel”, afirmou Adriano Miolo, diretor-superintendente da Miolo Wine Group, referindo-se à marca principal criada para tornar conhecidos mundialmente os vinhos produzidos na região do São Francisco. Ali, diz ele, são produzidas cerca de 8 variedades de uvas viníferas, como a moscatel, cabernet sauvignon e shiraz, destinadas à produção de espumantes, vinhos finos e brandies.
Segundo o sócio Eurico Benedetti, a beleza e vocação como produtora de vinhos finos tornam a região um ponto turístico potencial para o brasileiro e para os estrangeiros. Segundo ele, 15% dos vinhos finos produzidos atualmente no Brasil são oriundos do Vale do São Francisco. “Resolvi apostar no negócio porque aqui se produz uva de boa qualidade, num bom clima e temperatura e com irrigação do Rio São Francisco, que resulta na produção de um brandy de excelente qualidade”, afirma categoricamente Ignácio Osborne, presidente do Conselho da empresa.
O turismo do vinho surgiu há apenas 13 anos na Itália, e se disseminou em todo o mundo, sendo no Brasil a iniciativa mais bem sucedida a do Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul, que fomenta o fluxo de 130 mil visitantes por ano.
No Vale do São Francisco, que desponta como principal rota do enoturismo no Nordeste brasileiro, além da visita às vinícolas para conhecer os vinhedos e degustar os vinhos, o turista tem outras opções de lazer, como passeios pela ci dade de Juazeiro e no lago de Sobradinho, segundo maior lago artificial do mundo onde é feita a eclusagem para a elevação do nível das águas, permitindo o prosseguimento da navegação pelas embarcações.
Soma-se a isso, o folclore, o artesanato e a culinária da região - ancorada nos pratos à base de peixe e carne de bode. “O Enoturismo como produto tem tudo para agradar o turista estrangeiro, porque na região tem calor, sol, culinária local e a beleza natural do São Francisco, além é claro do vinho de qualidade que já é apreciado há muito tempo pelos europeus”, afirma Geraldo Bentes, chefe de gabinete da Embratur.
Além dos recursos da Fazenda Ouro Verde, o empreendimento teve o apoio do governo do Estado por meio da Desenbahia, Setur/ Bahiatursa, órgão responsável pela coordenação e execução de políticas de promoção, fomento e desenvolvimento do
turismo estadual. Com o enoturismo, estima-se que o número de visitantes na região dos Lagos do São Francisco, composta por Juazeiro, Casa Nova, Paulo Afonso, Remanso, Santa Brígida, Curaçá e Sobradinho, aumente para 5 mil po
r mês.
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