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Cultura e história afro são valorizadas na Bahia

  O secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, reafirmou o compromisso do governo em valorizar e disseminar a História e Cultura Afro-Brasileira nas 1.753 escolas da rede estadual, efetivando assim o cumprimento da Lei 10.639. Sancionada este ano pelo governo estadual, a Lei já vem sendo colocada em prática nas escolas da rede
  “A Bahia é o Estado com o maior contingente de afro-brasileiros, por isso nós temos o dever e a obrigação de ampliar esta discussão, valorizando e difundindo as experiências que vêm sendo realizadas em sala de aula”, defende o secretário, que desafia os professores a realizarem publicações mostrando suas experiências, garantindo que elas terão o apoio da Secretaria Estadual da Educação (SEC).
  De acordo com a coordenadora de Diversidade, Nádia Cardoso, a proposta é incorporar as experiências exitosas desenvolvidas pelos professores em sala de aula como política educacional da secretaria. “Todos nós temos o compromisso de promover uma educação anti-racista, que contemple a cultura da diversidade”, pontuou Cardoso.
  Em toda a Bahia, a média de notas dos alunos das escolas particulares, no último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), foi quase 20 pontos mais alta que a dos alunos de colégios públicos. Mas, na capital, ao menos em um quesito as instituições municipais de ensino estão mais avançadas que as privadas: no cumprimento à lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história da África e cultura afro-brasileira em todo o Brasil.
  Buscando reverter esta situação, o Ministério Público da Bahia (MP-BA), através do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Educação (Geduc) e do Grupo de Atuação Especial de Combate à Discriminação (Gedis), instaurou um inquérito civil, no ano passado, notificando as escolas particulares sobre a necessidade do cumprimento da lei 10.639/03.
  As instituições submeteram ao MP seus projetos pedagógicos, os quais estão sob análise de peritos da área educacional. O objetivo deste trabalho é minimizar as possibilidades de interpretação da lei, uniformizando a aplicação do conteúdo nas escolas. A situação do ensino de história da África e cultura afro-brasileira no território baiano progrediu pouco desde a criação da lei.

  
Delegacia virtual oferece comodidade

   Os últimos 40 anos foram marcados por uma grande revolução nas áreas da ciência e tecnologia. Grandes avanços na área da segurança pública permitiram uma maior agilidade na investigação de crimes e uma maior precisão de dados.
  A delegacia digital é a mais nova realidade para quem deseja registrar ocorrências sem sair de casa. Inspirada nos modelos utilizados nos grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Rio Grande do Sul, a delegacia virtual pode registrar pela internet, furto de veículos, objetos e documentos, perda e extravio de documentos e objetos e desaparecimento de pessoas maiores de idade.
  Para o secretário de Segurança Pública, César Nunes, uma equipe, formada por um delegado titular e outros três delegados plantonistas, irão investigar as queixas. A pessoa que utilizar o sistema receberá em meia hora um boletim de ocorrência que será enviado por e-mail. O secretário ainda disse que o objetivo da delegacia digital é desafogar o grande número de ocorrências nas unidades convencionais. “A única restrição desse sistema é a impossibilidade de registrar ocorrências de roubo quando há ameaça à vítima, ou furto ou perda de produtos controlados pela polícia, como armas, explosivos, carteira funcional policial e coletes”, disse.
  Conforme Joselito Bispo, delegado chefe da Polícia Civil, hoje não se admite mais uma polícia cartorialista como era antes, em que toda ocorrência era necessária ter uma certidão assinada por um delegado e firmada por um escrivão. “Não é preciso sair de casa para registrar o furto de um celular, comunicar o desaparecimento de uma pessoa ou veículo, dentre outros registros.”, afirmou. Ainda segundo o delegado-chefe, delegacia digital barateia custos de operações da própria polícia. “Após a ocorrência, é feito todo um trabalho de investigação por profissionais que estão trabalhando na base da delegacia digital. Eles vão consultar todos os bancos de dados que dispõem no Instituto Pedro Melo, Detran e outros órgãos. Por último, será emitida uma certidão pela internet.” disse.
  O secretário César Nunes ressalta a importância da delegacia digital “Funciona 24 horas e tem tanta credibilidade quanto uma unidade convencional. Contamos com um efetivo de três delegados e 24 agentes, distribuídos pelos três turnos.” concluiu.
  Transformar uma informação em conhecimento que permite traçar ações e planejamentos. César Nunes ressaltou que a evolução da inteligência policial, é o avanço mais significativo da segurança pública nos últimos anos. “O georeferenciamento de ocorrências policiais que consiste na aplicação de softwares que servirão como referências para aplicações de medidas estratégicas. Por meio desse dispositivo, fazemos nossas estatísticas policiais e tomamos conhecimento do local onde ocorre maior incidência de furtos, assaltos e homicídios.”, afirmou. Câmeras de vigilância para identificar as pessoas que estão agindo, interceptação telefônica, escuta ambiente, ronda nos bairros são outros avanços a área de segurança citados pelo secretário de Segurança. “Essas tecnologias na área de segurança tiveram que acompanhar o aumento da criminalidade e da violência nos últimos anos”, ressaltou.
  De acordo com Raul Barreto, diretor do Departamento de Polícia Técnica, a Bahia é um dos estados pioneiros em inovações tecnoló-gicas na área criminal. “Um laboratório central de excelente qualidade em Salvador. Os estados da Bahia, RJ, RG e a Polícia Federal assinaram um convênio com o FBI para criar banco de dados de DNA forense. Ele tem três certifica-ções internacionais. A Bahia só pôde participar porque tem equipamentos e técnicos especializados nesse tipo de exame”, disse o diretor. Barreto ainda explicou como funciona o sistema em caso de estupro.” O esperma do autor do crime é colhido e armazenado no banco de dados. Se houver um outro tipo de ação criminosa do mesmo sujeito que praticou a anterior será apontado no banco de dados.”, exemplificou. (Por Tatiane Ribeiro)

  
A Bahia continua alimentando um caldeirão sonoro

   A fama de Salvador como uma cidade musical é conhecida em todo território nacional. Mas afinal de contas, que som mexe com a maioria dos baianos? De um lado está o axé music e o pagodão quebradeira, que se profissionalizaram de verdade e contam com apoio de impérios em forma de produtoras e gravadoras. Já do outro, estão o psy trance e algumas demais ramificações da música eletrônica, que fazem a cabeça da moçada em raves do “Oiapoque ao Chuí”.
   E, no meio disto tudo ainda existem o arrocha (uma espécie de seresta brega), o rock (do pop ao metal), o jazz e a MPB – que reúnem os chamados cults – e ainda os músicos que fazem o velho ”voz e violão”, misturando num só repertório todos os gêneros, que servem apenas como trilha sonora para conversas em mesas de barzinhos.
  Os tipos de música estão fortemente ligados ao tipo de público, e sem medo de errar, este assunto daria uma ótima tese antropológica sobre o comportamento humano. Antes o som eletrônico era curtido apenas por clubbers, com roupas modernas e cabelos não tão usuais. Depois que virou moda, todo mundo passou a gostar e já até criaram um jeito de dançar chamado “rebolation”. Nada de álcool, a onda desta galera é outra: muita água e alguns aditivos para agüentar o pique de pelo menos 12h.
  O som eletrônico é tão popular em Salvador, que até o Carnaval na Avenida se rendeu à ele através das pick ups de Fatboy Slim e foi muito bem aceito pelos foliões - tanto que ele veio fazer o som na capital baiana pelo menos duas vezes.
  Como estamos em Salvador, não tem como deixar de citar a axé music. Nascido através das guitarras de Luiz Caldas na canção “fricote” e popularizado por Sarajane - praticamente uma residente do “Cassino do Chacrinha -, o gênero baiano que mesclava inicialmente samba e ska sofreu bastante modificações para se manter vivo até hoje.
  O estilo musical, que evoluiu para trilha sonora de muita pegação (uma paquera mais avançadinha sem troca de olhares) que rola nas Micaretas, é dividido em dois gêneros e curtido por tipos de público diferentes.
  Quem está a fim de beijar muito e dançar prefere geralmente a pegada mais pop. Chiclete com Banana e Asa de Águia se inserem neste tipo de público, que também curte o eletrônico Psy Trance, por estar na moda.
  Alguns deles se acabam também ao som do pagodão quebradeira e ao teclado “multimidia” do arrocha. Este tipo de público está em toda parte de Salvador, entre eles alguns playboys, uns que se acham playboys e aqueles que não gostam de playboys.
  O axé antigo, por sua vez, também conhecido como Samba-reggae agrada mais os que gostam de prestar atenção nas letras, preferem cantar com o artista de que apenas estarem nos shows. Entre as vozes que mais chamam a atenção deste público estão a de Daniela Mercury - não apenas a voz, mas todo seu trabalho; Margareth Menezes; Sarajane e há quem curta neste nicho Luiz Caldas e Carlinhos Brown. Estes dois últimos artistas passeiam com facilidade entre o axé moderno, o antigo e são respeitados por outro tipo de público: os músicos.
  Alguns deles são exigentes, chatos, geralmente andam em bandos e acham defeitos em quase tudo, outros são mais tranqüilos e sempre encontram algo de positivo em meio tanto erro sonoro.
  O tipo de som que agrada os músicos dependerá de que escolas estes vieram. Do geral todos gostam de jazz e instrumental, mas nada muito pop. Eles vão para os shows, para analisarem o modo do colega de tocar. Agora se o músico for de formação “erudita ortodoxal”, a boa música faleceu com o pianista alemão Friederich Händel.
  Mas retornando aos estilos musicais, o rock também é dividido em subgêneros. O pop rock não fede e nem cheira, não desagrada ninguém. O glam e o novo rock - aqueles que embalam a programação da MTV - é voltada para uma galera mais antenada, que geralmente anda em bandos - alguns deles são até músicos e lotam casas de show como a boite Boomerangue, no Rio Vermelho. As referências para este público variam entre Marcelo Nova, Pitty, Nancyta, Retrofoguetes e Cascadura. Os sons de grupos como The Honkers e Movidos a Álcool também são forAE??????tes neste meio.
  O “Podrera”, como são conhecidos o punk e o hardcore, está atrelado à uma galera ligada a mais causas políticas e anárquicas. Eles são facilmente encontrados durante o Carnaval em Piatã, no Palco do Rock – local onde também rola metal, que chama mais a atenção daquela galera que anda de preto e também de músicos que ficam no pé do palco para verem a performance do artista.
  Quem mais sofre e ao mesmo tempo ganha com toda esta confusão sonora são os cantores de barzinho. Sofrem, porque quase ninguém presta atenção neles e ganham, pelo fato de tocarem tudo. Munidos algumas vezes de um violão ou de um teclado, eles têm a árdua tarefa de animar o local sem serem muito espalhafatosos. Talvez estes sejam os mais escutados artistas anônimos da capital do axé. (Por Alexandre Antunnes)


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