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Denominação de Origem


  André Freire de Carvalho - Médico e enófilo

ARTIGO DO DIA 17/09/2004

 Foto:Arquivo
   Saber se o preço pedido por determinado vinho é correto ou abusivo, identificar qual o melhor vinho a ser comprado, determinar se aquele produto é ou não fidedigno, são questões freqüentes para quem compra vinhos. Para os que acham que isto é tarefa para “expertises”, vai uma grande dica: Verifique qual a Denominação de Origem do vinho! No início do século os produtores de vinho na Europa ainda enfrentavam a crise criada pelo aparecimento da Filoxera que lhes destruiu as plantações, fazendo com que houvesse escassez de matéria para a produção do suco de uva. Para piorar a situação, invernos rigorosos e o início da Primeira Guerra Mundial quase paralisaram a indústria de vinho. A crise americana de 1929 comprometeu ainda mais a situação dos exportadores de vinhos europeus. Neste contexto histórico, com a necessidade diária de sobrevivência,os produtores se depararam com uma questão crucial: Elevar a quantidade de vinho produzido em detrimento da qualidade ou manter-se fiel à tradição dos bons vinhos?
  Boa parte dos produtores optou por utilizar métodos discutíveis, dizendo o mínimo, para produzir vinhos de “sobrevivência”, encharcando o mercado mundial com produtos de baixa qualidade enquanto outros, apesar da pressão econômica, mantinham-se fiéis à qualidade do produto. Para o público em geral era quase impossível diferenciar os bons dos maus produtos. Na França, o vinho, orgulho nacional, encontrava-se em descrédito. Visando evitar práticas abusivas por parte de produtores que desejavam apenas o lucro e elevar a qualidade do vinho francês, agora em queda, o governo daquele país, em 1935, resolve criar o INAO (Institut National des Appéllations d’Origine) que tinha como missão criar um sistema de classificação que pudesse auxiliar o consumidor a escolher o melhor vinho para seu consumo, envitando assim os vinhos de baixa qualidade.
  Desta forma surgiu o sistema AOC (Appéllation d’Origine Contrôlée) que classifica vinhos que obedecem regras rígidas quanto a sua área de produção, variedade e proporções das uvas, rendimento por hectare, teor alcoólico,práticas de produção, entre outras, sendo freqüentemente testados laboratorialmente e degustado por experientes fiscais para que possam manter sua classificação. Este conceito serviu de modelo para vários sistemas em todo mundo. Entendê-lo, mesmo que superficialmente, abre uma imensa porta para saber separar joio de trigo, podendo ajudar a economizar algum dinheiro e evitar as “armadilhas do mercado”. No sistema AOC existem quatro categorias:
   AOC (Appéllation d’Origine Contrôlée), onde encontramos os produtos de melhor qualidade. Quanto mais específica for a citação de onde foi produzido melhor ele é. Os melhores dos melhores chegam a ter o nome da videira citado em seu rótulo. Portanto, se um vinho tem em seu rótulo a frase Appéllation Bourgogne Contrôlée (referência à região) pertence a uma categoria inferior a um vinho cujo rótulo estampa “Appéllation Côte de Beaune Contrôlée“ (referência ao distrito) e este será de categoria inferior a um “Appéllation Côte de Beaune –Villages Contrôlée “ (referência ao sub distrito).
  VDQS (Vins Délimités de Qualité Supériéure), que são vinhos que têm qualidade inferior ao AOC e se enquadram em regras menos rígidas de produção.
  Vins de pays , vinhos de qualidade inferior ao VDQS , mas que a depender da região produtora são excelente opção de compra .
   Vin de table, vinhos de mesa comuns sem indicação geográfica, que por lei apenas trazem no rótulo o nome do país produtor, não devendo indicar nem safra nem o nome da uva.
  O sistema italiano classifica seus vinhos, em ordem decrescente de qualidade, em DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), DOC (Denominazione di Origine Controllata), IGT (Indicazione Geográfica Típica). O vinho de mesa sem indicação geográfica é chamado de Vino da távola. Na Alemanha, QmP (Qualitätswein mit Prädikat ), ou vinho de qualidade com predicados, QbA (Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete), vinho de qualidade de região específica, Landwein, vinho da terra. O vinho de mesa sem indicação geográfica é chamado de Deutscher tafelwein.
  Na Espanha, DOCa (Denominación de Origem Calificada), DO (Denominación de Origem), Vino de la tierra,Vino de mesa (para o vinho sem indicação geográfica).. Em Portugal DOC ( Denominação de Origem Controlada ), IPR (Indicação de Proveniência Regulamentada), Vinho de mesa regional para os que possuem indicação geográfica e Vinho de mesa para os que não possuem.
  Vale ressaltar uma sutil diferença na classificação dos vinhos de Bordeaux em relação a outras regiões da França. Em 1855 quando da Exposição Internacional de Paris, a Câmara de comércio de Bordeaux, a mais proeminente região produtora da época, elaborou uma lista dos considerados melhores vinhos da região para que fossem apresentados no evento. Foram relacionados 61 vinhos,entre os mais de 20.000 produzidos à época, em cinco categorias chamadas “Crus”, sendo apenas cinco Châteaux classificados como Premier Cru . Esta lista, conhecida como Classificação de 1855, é importante até hoje. Os vinhos que dela fizeram parte, ainda hoje estampam em seus rótulos sua classificação, às vezes citados como Grands Crus Classés. Em Borgonha,como em outras regiões, a especificação “Cru “tem sentido totalmente diverso. Relaciona-se a áreas geográficas delimitadas, vinhedos de qualidade superior que podem receber esta denominação. Existem em Borgonha 561 vinhedos que podem utilizar o termo Premier Cru e 32 vinhedos Grand Cru.
  A Denominação de Origem é como um certificado de garantia do vinho, não sendo contudo a garantia de que você vai gostar do produto. Cada pessoa tem gostos diferentes e diferentes níveis de informação sobre vinhos. Quanto mais informado é um indivíduo maior sua capacidade de descortinar todos os sabores e nuances que um bom vinho pode apresentar e, portanto, maior é sua capacidade de definir o que lhe agrada. No mundo do vinho, como em tudo na vida, existem as boas e más opções .
  O grande segredo para não errar nas escolhas é desprover-se de preconceitos e falsas certezas, estar sempre disposto a tentar conhecer profundamente o que se apresenta enveredando-se no caminho escolhido,doando-se sem reservas, lembrando-se sempre que algo sem valor para alguém pode ser extremamente valioso para outrem.


Gattinara
Artigo de 31/03/2006


  Este é o nome de um excelente vinho, que apesar de presente há muito no Brasil é pouco conhecido. Produzido com a Nebbiolo, é um vinho interessante e uma opção mais barata e imediata a vinhos como o Barolo e o Barbaresco. Na região de Piemonte, Itália, em sua porção mais ao norte, próximo aos Alpes, nas colinas situadas entre Novara e Vercelli é onde está localizada a região produtora do Gatinnara. Está área recebeu sua D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita, em 1967 e é uma das mais famosas da Itália. Especula-se que o nome Gattinara seja oriundo da expressão “Catuli Ara” ou Altar de Catullus. Lutatios Catullus, Proconsul romano, durante guerra na região, em 101 AC, utilizou a área como seu acampamento principal.
  Sabe-se que vinho era produzido ali desde o Império Romano e que as técnicas de produção foram incrementadas com o passar das décadas agregando qualidade ao produto. A qualidade do Gattinara é reconhecida desde a época do Imperador Carlos V, quando o detentor da região, o Cardeal Mercurino Arbório, Marquês de Gattinara, enviava seu vinho como presente diplomático a vários dignatários. O vinho que geralmente é produzido com 100% Nebbiolo, uva usualmente conhecida nesta região por Spanna, pode ser feito também com um blend de 90% de Nebbiolo, até 10% de Bonarda e ou até 4% de Vespolina.
   O Gattinara é um vinho delicioso, poderoso, e muitas vezes agressivo. Se comparado aos seus primos Barolo e Barbaresco é um vinho mais simples, austero, e menos encorpado, em decorrência principalmente do frio que ocorre na região. Algo realmente interessante é notar como este vinho interage perfeitamente com carnes vermelhas e caças, tornando-se mais delicado, sendo uma ótima opção para um almoço ou jantar especiais. O Gattinara reserva pode ser envelhecido em tonéis de carvalho por 36 ou 48 meses, o que em muito intensifica suas características. Nas safras muito ruins o Gattinara chega a ser intragável mais isto acontece muito raramente. O mais comum é a ocorrência de safras medianas com vinhos um pouco menos encorpados, mais nas grandes safras o vinho é muito interessante e se aproxima mais dos seus primos ricos. Grandes safras foram as de 1982, 1985, 1990, 1997 e 2000. Existem grandes produtores de Gattinara, mas o mais conhecido no Brasil é o Travaglini, que com sua garrafa algo entortada se transformou e atração à parte.
   O Gattinara é uma das boas opções custoxbenefício qua a Itália tem a oferecer. Se não possui a opulência do Barolo e do Barbaresco, apresenta um preço que muitas vezes é um quinto do apresentado por eles. Um vinho adequado para os que querem conhecer a expressão do Piemonte sem gastar muito, para os que não possuem o paladar pronto para vinhos mais complexos e para aqueles que desejam beber vinhos que não precisem de muito tempo de guarda, mas que mesmo assim apresentam características sofisticadas. Para os menos esclarecidos o vinho pode parecer muito áspero. E realmente o é ocasionalmente, mas escolhendo uma boa safra, um bom produtor e observando a temperatura correta, este vinho é quase uma dádiva, outra bebida para estar na lista obrigatória de compra de que ama vinhos.

  CONFRARIA

   l Em justa homenagem, Ng Cheuk Kin, nosso Kin, recebe o título de Cidadão Soteropolitano em ato solicitado pelo Vereador Giovanni. A cerimônia ocorrerá na Câmara Municipal de Salvador nesta segunda-feira, coincidentemente data de aniversário do homenageado. Um presente adequado para alguém da estirpe de Kin Kin.
  l Quem estiver passeando por São Paulo não deve perder a chance de conhecer a nova loja conceito da Vivo no Shopping Morumbi. Alta tecnologia, lançamentos e inovações à disposição dos clientes, além de vários mimos.
  l A Bonnie realiza desfile beneficente em prol do Hospital Martagão Gesteira ao dia 09 de abril. O evento ocorrerá no Hotel do Convento do Carmo e contará com o apoio da joalheria Carlos Rodeiro que ofertará brindes para sorteio.
  l Semana que vem é a vez de Janete Freitas reunir amigos para a comemoração de seu aniversário, acontecimento sempre muito prestigiado. Janete, além de várias outras qualidades, é apaixonada por um bom vinho.
  l Larry Prusak, pesquisador americano, participa hoje da conferência internacional “Cultivando conhecimento e capital relacional nas organizações”, promovida pela Fundação Luis Eduardo Magalhães, evento que reúne executivos, de várias áreas.
  l A TV Bahia, através de seus diretores João Gomes e Marcelo Lyra, apresentou, em almoço no restaurante Pereira, as novidades da sua programação para 2006.
  l Bruno Castelo Branco assumiu a Diretoria Médica da Alclin em cerimônia realizada ontem no Hotel Fiesta.
  l O bar Dona Flor, na Barra, está fazendo sucesso entre os descolados que querem apreciar o pôr-do-sol na Bahia de Todos os Santos e os que desejam uma boa conversa noite adentro.
  l O Amado está movimentadíssimo. O restaurante vem se transformando em ponto de encontro para quem busca enogastronomia de alto nível. Na ultima semana, em mesa animada estavam Lena e Jean Gaston Humbert, Nena Barreto de Araújo e Paulo Sérgio Tourinho apreciando os vinhos da casa.
  l A designer Regina Aon estará presente, dia 06 de abril, na Just Brasil à convite de Scheila Ciqueira, no Shopping Boulevard, para o lançamento de sua marca na Bahia.
  l Professor assistente de Economia da PUC-RJ e executivo com larga experiência, Roberto Guezburger assumiu a diretoria de marketing nacional da Claro.
  l O arquiteto baiano Assis Reis assina a maquete de Salvador que está em exposição no Shopping Barra.


Brunello, o terceiro B!
Artigo de 24/03/2006


   Toscana, esta bela região da Itália, imortalizada nas músicas e DVDs de Andréa Bocelli, é lar de um importante vinho, conhecido como um dos três grandes Bs da Itália, o Brunello di Montalcino. O Brunello di Montalcino é feito com 100% de uvas Sangiovese, conhecidas na região de Montalcino por Brunello, belo moreno, o que explica seu nome. A aldeia de Montalcino está localizada em uma colina, dominando todo o vale, uma cidade medieval, toda em pedra, bela e aprazível. Passar por sua via única de acesso a carros, uma via que sobe a colina, descendo-a depois em sentido único, é experiência memorável. A cidade foi por muito tempo uma importante fortaleza e berço de vários grandes nobres italianos.
  A Itália produz vinhos há mais de 3500 anos, mas o Brunello surgiu apenas em 1870, quando um viticultor chamado Ferrucio Biondi-Santi encontrou uma forma de produzir um clone da Sangiovese que fosse mais resistente ao ataque da Filoxera. Inicialmente chamada de Grosso, para distinguir da Sangiovese plantada em Chianti, que era menor, o clone foi chamado posteriormente de Brunello. Apesar do mercado da época demandar vinhos jovens, leves e frutados, Biondi passou a buscar uma forma de produzir um vinho encorpado, tânico, elegante e equilibrado, com envelhecimento em carvalho, acabando por fazer história, pois em 1880 lançou um vinho com este perfil, e que em 1888 teve sua primeira safra de alta qualidade reconhecida, e em 1980 recebeu a sua D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita.
  Garrafas de Brunello de 1888, abertas recentemente, ainda restam cinco, e que mostraram todo esplendor que este vinho alcança, provam a grande capacidade de guarda que possui. Apesar de em grande parte o sucesso atual do Brunello se dever a uma bem engendrada campanha de marketing, suas qualidades são inegáveis. A ressalva que se faz é que a Itália produz vinhos tão bons quanto o Brunello e que, por não terem uma divulgação tão eminente, apresentam preços muito inferiores ao que este toscano apresenta se tornando excelentes opções na que tange relação custo x benefício, algo que o Brunello efetivamente não dispõe.
  O vinho apresenta aromas e sabores de amoras, cerejas, chocolate, couro e violeta, tendo grande complexidade e elegância. Para atender a legislação local, o vinho deverá amadurecer dois anos em barris de carvalho e dois anos em garrafa antes de ser liberado para consumo. O Reserva deve amadurecer dois anos e meio em barris e o mesmo tempo em garrafa. Os produtores mais tradicionais utilizam barris de carvalho da Eslovênia para amadurecer seus vinhos sem interferir no seu caráter, enquanto que os produtores mais modernos utilizam barris de carvalho francês, o que lhe confere uma nota de baunilha. É comum ainda que se utilize uma combinação de barris dos dois países, gerando um terceiro estilo de Brunello. De qualquer forma, esperar alguns anos para bebê-lo é de bom alvitre, pois este vinho só melhora com o passar dos anos, se tornando excepcional em algumas décadas.
  Boas safras deste vinho foram as de 1985, 1988, 1990, 1997, 1999 e produtores como Argiano, Altesino, Poggio, além do lendário Biondi-Santi, são altamente recomendáveis. O Brunello di Montalcino é isto, prazer e elegância. Felicidade a compartilhar, pois a real felicidade não se encontra na cama ou na sociedade, felicidade é estar com quem se ama, vivendo as pequenas coisas da vida e enfrentando as dificuldades que teremos que enfrentar, de uma forma ou outra, neste longo aprendizado que é viver com responsabilidade tendo a verdade como norte.

  CONFRARIA

   l Continua o brechó beneficente da Fundação Erick Loef , com renda revertida em prol das crianças com câncer, que funciona no Shopping Boulevard 405, na Pituba, e que conta com o apaixonado apoio de Vera Luedy.
  l Parabéns para Antônio Luedy, sênior, e Alfeu Luedy que aniversariaram na última sexta-feira e sábado, respectivamente.
  l Mônica Lima, orgulhosa com toda razão, comemora o sucesso da filha, Clara Portela como DJ do Nêgo Lôro na Barra.
   O Terranoble Gran Reserva Merlot 2003 obteve 88 pontos na avaliação da Revista Wine & Spirit do mês passado, enquanto que o Terranoble Gran Reserva Carmenére 2003 foi considerado um dos TOP chilenos pela Wine Enthusiast deste mês, feito comemorado pela Decanter, importadora das bebidas para o Brasil.
  l Na Vinalies 2006, concurso que ocorreu recentemente na França, o Viu Manent SV Cabernet Sauvignon 2004, recebeu medalha de Ouro, enquanto o Cabernet Sauvignon Reserve 2004, o Malbec Reserve 2004 e o Malbec SV 2004 receberam medalha de Prata. Estes vinhos foram apresentados aqui na Bahia, em agosto passado, durante a Wine Bahia, por José Miguel Viu Bottini, proprietário da vinícola, que comemorou aqui os 70 anos de sua empresa.
  l Balé Mulato, o show de Daniela Mercury no Canecão, que iniciou turnê na semana passada, alcançou grande sucesso. No gargarejo estavam os amigos Luiza Brunet, Cacá Diegues, Orlando Moraes, Lucia Veríssimo, Carlinhos de Jesus e outros mais.
  l O Concurso “Chardonnay du Monde”, realizado em Borgonha, França, premiou com medalha de Prata o Aurora Chardonnay Reserva 2005, que concorreu com 936 amostras de 36 países.
  l A iContent recebeu o prêmio Colunistas Promoção Norte-Nordeste 2006, na área Cases de Marketing Promocional, na categoria Produto Cultural ou de Lazer, pelo Festival de Verão,maior evento musical do Brasil.
  l Soraya Brito se prepara para inaugurar a Home Gift assim que terminar a reforma da Home Center.
  l O show de Marcelo Bacellar no Teatro Isba está atraindo os amantes da música pop contemporânea. Quem ainda não viu tem mais uma chance no dia 30.


Barolo e Barbaresco, dois dos três Bs!
Artigo de 17/03/2006


   É comum dizermos que a Itália é a terra dos três grandes Bs. Barolo, Barbaresco e Brunello de Montalcino, três dos melhores vinhos do mundo provêm daquele país e fazem a alegria dos amantes dos vinhos complexos e encorpados. Na região de Piemonte, onde se planta a uva Nebbiolo, produz-se dois dos grandes Bs: O Barolo e o Barbaresco. Para se entender estes vinhos é necessário entender a uva que o origina e o clima da região sudeste de Piemonte, de onde eles provém. Esta região, próxima aos Alpes, é muito fria, sendo comum que as uvas não tenham condições ideais de amadurecimento, o que contribui para um alto grau de acidez no vinho por elas gerado. A Nebbiolo, de Nebbia, neblina em italiano, é uma uva negra, com alto teor de açúcar e que é extremamente tânica. Somando estes dados pode-se imaginar que o produto final é um vinho ácido, muito tânico e com alto grau alcoólico, além de muito encorpado e de cor intensa. Um vinho para pessoas experientes, a ser evitado pelos iniciantes.
  No passado era comum, em algumas safras, que o frio impedisse a fermentação do vinho, tendo o produtor que esperar vários meses por um aumento na temperatura ambiente. Durante todo este tempo as cascas estavam em contato com o suco, transferindo ainda mais tanino para o vinho, o transformando em algo intragável, que só poderia ser bebido após vinte ou trinta anos de guarda, tempo necessário para que os taninos fossem suavizados. Com o advento das técnicas modernas de produção esta situação ficou para trás, mas ainda sim esperar 10 anos para beber um bom exemplar destes vinhos é algo recomendável. Barolo e Barbaresco recebem os nomes de vilas existentes em suas zonas de produção, ambas D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita. Apesar de semelhantes, possuem diferenças importantes. Ambos são vinhos poderosos, encorpados e austeros, mas o Barolo, por ser originário de uma zona mais fria e íngreme tende a ser mais robusto que o Barbaresco. Outra diferença está no tamanho da zona de produção e na quantidade de vinho produzido. O Barbaresco é produzido em apenas três aldeias, enquanto que o Barolo em 11, com volume final superior ao dobro da produção do Barbaresco. Como a zona de produção do Barolo é maior, está sujeita a maior variedade de micro-climas , o que implica apresentar maior variabilidade que o Barbaresco.
  Para atender a legislação italiana, o Barolo deve envelhecer no mínimo, três anos, entre barril e garrafa, e o Reserva cinco anos. O Barbaresco deve envelhecer dois anos, e no caso do reserva, quatro. Estes potentes vinhos trazem fortes aromas e sabores. O Alcatrão é sua marca registrada, sendo comum que os fumantes os tenham em alta conta. Além do alcatrão, couro, chocolate, tostado, rosa, violeta, alcaçuz, ameixa e figos fazem parte da sua descrição. Como são muito tânicos e próprios para a mesa, são ideais para acompanhar comidas ricas em gorduras, como assados, caças, risotos e massas com molhos complexos.
  Apesar das versões mais simples serem bastante diretas e indicadas para os apreciadores que possuem alguma experiência, os melhores Barolos e Barbarescos são vinhos para os muito experientes. Bebê-los sem estar apto a apreciá-los pode ser o caminho para odiá-los. Os bons Barolos, por serem mais complexos e potentes, podem chegar a preços astronômicos. Investir muito para apenas se decepcionar é coisa que pode gerar traumas eternos. Para não errar na escolha é bom estar atento ao produtor. Vietti, Gaja, Renato Ratti, Prunotto, Bruno Giagosa, Giácomo Conterno são alguns produtores de alto nível que lançam no mercado produtos admiráveis. Todos eles são facilmente encontrados no Brasil e podem fazer com que o contato com estes vinhos fortes e ásperos, masculinos e austeros, possa se tornar uma experiência inesquecível. Afinal de contas por que algo tem que ser delicado, calmo e sem graça para ser escolhido? As vezes esta personalidade em turbilhão é a melhor escolha, e se desprezados por uns, podem ser desejados, e amados, por outros!

  CONFRARIA

   l A Fundação Erick Loef está promovendo um Brechó que começará amanhã e se estenderá por um mês, com renda revertida em prol das crianças com câncer. Em loja cedida pela empresária Vera Luedy, no Shopping Boulevard 405, na Pituba, estarão á venda, a preços simbólicos, roupas masculinas e femininas, nacionais e importadas, novas e semi-novas, bijouterias e outros acessórios doados por ilustres senhoras e senhores da sociedade local, cientes das necessidades que estes seres humanos atravessam. Algo para aplaudir, prestigiar, propagar, reverenciar e repetir.
  l Entre os dias 20 e 26 de março o Restaurante Les Saveurs D´Itapuã, do Hotel Sofitel estará realizando um Festival de Bacalhau, sempre a partir das 19 horas. Mais uma vez o Chef Torres oferecerá aos baianos sua culinária impecável. Agora é só conferir.
  l A inauguração do Amado, nesta última quarta-feira foi um imenso sucesso. Licia Fábio e Edinho Engel fizeram uma festa para não ser esquecida.
  l Semana de comemoração pelo aniversário do Hospital São Rafael. 16 anos apoiando a comunidade baiana e trazendo alívio aos necessitados.
  l Ontem um jantar no Solar do Unhão marcou a conclusão da pintura do Mercado Modelo, financiada pela Suvinil, e o lançamento do documentário que conta a história do espaço.
  l A Miolo conquistou medalha de ouro no Concurso Vinalies Internationale, realizado na França. A premiação foi pelo Cuvée Giuseppe 2004.
  l Ethel e Suca Baratz realizaram mais um coquetel na sua Veruska. O evento, muito badalado, contou com a presença de figuras ilustres da sociedade local.
  l A Cooperativa Aurora lançou o vinho Aurora 75 em comemoração aos 75 anos de sua fundação. O vinho é um corte bordelês, da safra de 2002, de uvas selecionadas dos parreiras da empresa.
  l Foi grande o sucesso do coquetel de lançamento da nova coleção da Zion. Parabéns para Júlia Leite que recebeu amigos e clientes em alto estilo.
  l O TCA será palco para a peça “A Casa dos Budas Ditosos”, adaptação para o teatro do livro de João Ubaldo Ribeiro, estrelada por Fernanda Torres.


Asti e Moscato
Artigo de 10/03/2006


   Na Itália, a uva Moscato origina bons vinhos. Mas especificamente na região de Piemonte, em 52 comunidades de três Provinciais italianas, as Províncias de Asti, Alessandria e Cuneo, se elabora dois vinhos baratos, saborosos e que facilmente chegam ao Brasil: O Asti e o Moscato d‘Asti. Tanto o Asti quanto o Moscato d’Asti são originados em regiões de D.O.C.G., Denominazione di Origine Controllata e Garantita, estabelecidas desde 1993. A legislação italiana não é tão rígida quanto a francesa, mas é nela baseada e órgãos governamentais supervisionam todas as etapas de produção dos vinhos, controlando o tipo de uva, área de plantação, e práticas de vitivinicultura.
  Por terem nomes, aromas e sabores parecidos é comum no Brasil que as pessoas confundam um com o outro, apesar de serem vinhos totalmente diferentes. O Asti é considerado vinho espumante, enquanto que o Moscato é um frisante. A diferença está na quantidade de dióxido de carbono que é adicionada ao vinho durante a fermentação. Durante o método de vinificação de espumantes chamado de Charmat, a fermentação ocorre em cuba resfriada, selada e pressurizada. O dióxido de carbono, subproduto do processo fermentativo é mantido em contato com o mosto, dissolvendo-se na própria bebida. É este dióxido que é o responsável pelas bolhas que encontramos nos espumantes. As partículas sólidas, resíduos do processo de fermentação são eliminadas através de adição de clarificantes, centrifugação, filtragem, tudo feito em temperaturas baixas para prevenir uma indesejável fermentação adicional. Tanto para o Asti quanto para o Moscato, o processo de vinificação é o mesmo. A diferença está no momento no qual o processo de fermentação é interrompido. No caso do Moscato isto se dá de forma precoce quando apenas 5% de álcool foi produzido a partir do açúcar do mosto, o que por um lado permite um alto nível de açúcar residual, mas que por outro forma pouco Co2, sendo comum a pressão final na garrafa ser menor que 1.7 bars. Como o Asti tem mais dióxido de carbono, apresenta maior efervescência, é considerado espumante e recebe a rolha padrão para vinhos gaseificados, aquela aramada utilizada no Champagne. O Moscato d’Asti como tem menos gás recebe uma rolha comum.
  Como o Asti é feito de maneira prolífera, e para consumo imediato, a safra não é citada no rótulo. Já o Moscato d’Asti é produzido com uvas selecionadas, em pequenas quantidades, a produção chega apenas a cinco ou seis milhões de garrafas, e possui safra declarada. O primeiro deve ser servido em torno dos 8º. C, em taça alta, tipo flûte, geralmente como Welcome Drink, e o segundo em torno dos 10º. C, em taças de vinho branco, como vinho de aperitivo ou vinho de sobremesa, para acompanhar tanto comidas salgadas, quanto com frutas ou doces. Os dois vinhos são leves e possuem baixo grau alcoólico e alto açúcar residual, não sendo adequados para guarda e sim para um consumo mais imediato. O Asti apresenta entre 7 e 9% de álcool, enquanto que o Moscato d’Asti apresenta em torno de 5% de álcool.
  O Asti é um vinho frutado,com aromas e sabores marcantes de laranja, pêssego, damasco, acácia e mel. O Moscato possui aromas e sabores de lima, limão, pêssego, laranja, e damasco, sendo menos floral e mais frutado que o Asti.
  Estes vinhos são simples, acessíveis e prazerosos. Despretensiosos, se prestam àqueles que procuram apenas o prazer de beber um vinho saboroso e franco, nada tendo de sofisticado, intrigante ou reflexivo. Uma boa experiência para momentos descontraídos.

  CONFRARIA

   l A Expand lançou sua programação de cursos de vinhos para março. No dia 13 e 14 haverá cursos básicos, e no dia 15 e 16 cursos avançados, todos ministrados pelo sommelier paulista Eduardo Lopes. São apenas vinte lugares disponíveis. Informações pelo tel. Tel. (71) 3264 5348
  l Salvador ganha mais uma advogada. Na ultima semana Fabiana Cotias recebeu seu diploma pela conclusão do curso de Direito.
  l O soft-open do Amado está longe de ser soft. A casa anda lotada e não raro existe fila de espera. Coisa boa mostra pro que veio logo de cara. Dia 15 ocorre a abertura oficial do restaurante.
  l Cultura para todos, algo que o Brasil precisa. O Cine Pelô, um projeto patrocinado pela Telemar, exibirá a partir de amanhã o filme “Domésticas”, dirigido por Fernando Meireles.
  l Um grande programa para hoje é o show de Mariene de Castro no Solar do Unhão que contará com uma homenagem da cantora aos 21 anos da TV Bahia.
  l cantor Jay Kay, líder da banda britânica Jamiroquai, confirmou sua participação na corrida de celebridades que acontecerá no circuito de Sakhir, no Bahrein, como um dos eventos de apoio ao GP inaugural da Fórmula 1 na temporada 2006, que ocorre no próximo domingo.
  l Entre os dias 18 a 26 de março, no Shopping Barra, ocorrerá o Festival de Arte e Cultura da Tailândia com apresentação de danças típicas, técnicas de massagem, filmes e comercialização de objetos típicos dos país.
  l Queijos e vinhos portugueses foram escolhidos pela empresária Júlia Leite para serem oferecidos durante o lançamento da nova coleção da Zion, na próxima terça-feira.
  l Recém-fugidos do Carnaval, voltam à cidade Solange e Sérgio Carneiro, que depois do merecido descanso se prepara para o ano eleitoral que terá pela frente.


Gevrey Chambertin
Artigo de 03/03/2006


   Em Borgonha, França, na sub-região de Cotes de Nuits, existe uma apelação que traz consigo a fama de produzir o vinho predileto de Napoleão. O Imperador francês, conhecido por ser disciplinado e fiel aos seus gostos, leonino clássico, após conhecer o vinho ali produzido não mais dele se afastou. Em suas campanhas a bebida era item obrigatório de seu inventário de guerra. Usualmente, o misturava com água e bebia às refeições. Durante a mal sucedida invasão da Rússia, que precipitou sua queda, afirmava que a garrafa de seu Chambertin era, além de alimento fundamental de seu corpo, um alento para sua alma. A História do Chambertin remonta ao século VII, e está diretamente ligada a ordem religiosa dos cistercienses. Estes monges introduziram a noção de que um Climat com nome específico, vinhedo com nome específico, deveria determinar a qualidade, estilo e preço de um vinho. Monges da Abadia de Beze produziam um excelente vinho para consumo próprio. Como o vinho era realmente muito bom, os religiosos logo expandiram a plantação das vinhas para terras próximas à abadia, propriedade de um senhor chamado Bertin, aumentando assim a produção. Em pouco tempo o vinho produzido nos Champs de Bertin, ganhou fama e passou a se chamar Chambertin, se tornando um Climat bastante famoso.A partir de 1860, uma lei permitiu que as vilas, desconhecidas para maioria das pessoas, utilizassem o nome dos seus vinhedos mais famosos, saindo assim do ostracismo. Desta forma, a desconhecida Gevrey, sede do vinhedo de Chambertin, passou a se chamar Gevrey-Chambertin, nome também adotado pelos vinhos ali produzidos.
  O vinho originalmente feito em terras da abadia hoje é conhecido como Chambertin-Clos de Beze. Além deste, Chapelle-Chambertin, Charmes-Chambertin, Griotte-Chambertin, Le Chambertin, Latriciéres-Chambertin, Mazis-Chambertin, Ruchottes-Chambertin são outros vinhedos Grand Cru de Gevrey-Chambertin, possuindo assim denominação própria. Como todo bom Borgonha, os vinhos feitos em Gevrey-Chambertin, 100% Pinot Noir, são de cor intensa, ricos em aromas e sabores de frutas pretas e vermelhas, com notas de almíscar. Apresentam bons níveis de acidez, taninos finos e bom corpo, evoluindo muito bem com a guarda, desenvolvendo maravilhosos aromas e sabores com alguns anos de amadurecimento, tornando-se extremamente terrosos, ricos, opulentos e com extrema persistência.
  A região possui 399 hectares em produção, sendo 84 hectares de premier cru. Cada hectare pode produzir no máximo 40 hectolitros segundo as regras de AOC para o local. A média anual de produção é de 19.800 hectolitros, sendo 3.750 hectolitros de premier cru. A produção, relativamente pequena, explica o fato do Gevrey não ser tão facilmente encontrado no Brasil e os altos preços que mesmo os vinhos mais simples alcançam.
  O Gevrey-Chambertin é um vinho sensual e romântico para ser bebido em ocasiões especiais. Com nobre passado e futuro ainda mais promissor é um dos bons vinhos do mundo a se degustar, de preferência a dois, em um final de tarde ou noite, seja de lua ou de chuva.

  CONFRARIA

   l No Camarote de Daniela Mercury um dos grandes sucessos foi o D.O., vinho feito com Cabernet Franc, no Chile, através de uma parceria da Miolo com a Via Wines. Lícia Fábio como sempre mostrou sua competência e organizou o melhor camarote do carnaval baiano cheio de pessoas interessantes que puderam desfrutar de toda estrutura por ela concebida.
  l O espaço mais VIP deste carnaval, sem dúvida alguma, foi o Amaralina Beach Lounge.Astrid, Marcelo Checon e Ed Sá organizaram um serviço impecável em um dos locais mais belos da cidade, com infra-estrutura perfeita. Luiza Brunet, Fause Haten, Álvaro Garnero, Sabrina Sato e Otávio Mesquita foram alguns dos privilegiados. O comentário geral era que só havia gente muito bonita, inteligente e descolada.
  l Menendez e Amerino, este é um nome para não esquecer. A competência da produção foi tamanha que vários convidados não tinham a camisa-convite para vestir, outros tantos ao sair do camarote não podiam mais voltar por superlotação, mesmo que toda sua família ainda lá estivesse, enquanto outros nem puderam entrar. Sem falar do calor infernal. A Área VIP, também não foi diferente, e de VIP só tinha o nome. Os seguranças contratados eram tão educados que nem os organizadores se atreviam a solicitar que fossem mais civilizados. Talvez a única razão para ainda existir uma armadilha destas em nossa cidade é por ser ela montada por pessoas de outros estados para convidados, em sua maioria, de outros estados. Quem gostar de desorganização, seguranças trogloditas, espaço acanhado, quente, enfumaçado, já sabe onde reservar vaga no próximo ano. Quem quiser ver sua marca na lama já sabe a quem patrocinar.
  l O Restaurante Amado, do restauranteur Edinho Engel, aberto em Soft-Open, foi um grande sucesso neste carnaval. A sua carta de vinho deverá ser apresentada em sua inauguração oficial, prevista para o próximo dia 15. Edinho foi o responsável pelo welcome cocktail em homenagem a Bono Vox, The Edge e Larry Mullen, integrantes do U2, além do produtor da banda, o maestro Quincy Jones, no lounge montado no jardim da casa em que se hospedaram, em Busca Vida.
  l Em pleno carnaval, nada melhor do que comemorar o aniversário em plena folia. Foi assim que o Camarote de Daniela Mercury foi palco de comemoração dos aniversários de Camila e Paulo Mecchia no sábado e do neurocirurgião Orlando Freire de Carvalho, na segunda-feira.
  l O destaque do Ara Ketu na terceira-feira foi a presença de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro.


Classificação de Borgonha
Artigo de 17/02/2006


   A Borgonha apresenta uma situação geográfica tal que a composição dos solos, ensolação, drenagem e incidência de ventos é extremamente diferente em áreas extremamente próximas. Não é de se estranhar que um vinho produzido com as uvas de uma determinada vinha seja muito diferente do gerado por outra vinha localizada a alguns centímetros da primeira. É na Borgonha que o conceito de Terroir se faz mais presente. Pode-se dizer que o Terroir da Borgonha é a união de milhares de Terroirs, cada um representando uma determinada área com características geo-climáticas idênticas. Para entender esta diversidade basta imaginar uma colina. Em Borgonha os vinhos feitos no alto serão diferentes dos feitos no meio e diferentes dos feitos na base da colina. Além disto, os vinhos feitos no alto, no meio ou na base, serão diferentes entre si.
  É por conta desta diversidade que a AOC em Borgonha contempla a qualidade do Terroir e não do produtor. Além do que, geralmente um vinhedo é propriedade de dezenas de produtores, todos eles produzindo seus próprios vinhos, uma verdadeira confusão, que decorre da própria História da França. Assim sendo, quanto mais específica for a denominação existente no rótulo do vinho, de melhor qualidade é o produto. Muitas vezes chega-se a citar o vinhedo que originou as uvas utilizadas na criação daquele vinho, fato que só ocorre na classificação de vinhos de Borgonha.
   Lá se utiliza as denominações Premier Cru e Grand Cru, como em Bordeaux, mas com um sentido totalmente diferente, pois não são símbolos de status concedidos a uma propriedade e sim um certificado de qualidade concedido a vinhedos especiais geradores de vinhos de alto nível. Em Borgonha, os Premier Cru, ou primeiro caldo, são vinhos excepcionais, feitos em vinhedos específicos, 562 vinhedos podem utilizar esta denominação, e Grand Cru, ou excelentes caldos, são vinhos ainda melhores, apenas 33 vinhedos utilizam esta denominação. Portanto, ao ler um rótulo de Borgonha podemos encontrar as seg que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua fascinante diversidade. As seguintes Appéllation d’Origine Contrôlée, ordem crescente de qualidade:
  · AOC de Borgonha ou Appéllation Bourgogne Contrôlée.
  · AOC de Aldeia, que recebe o nome da aldeia de origem do vinhedo, por exemplo, Appéllation Gevrey-Chambertain Contrôlée.
  · Premier Cru, que recebe o nome da aldeia e do vinhedo, por exemplo, Appéllation Morey- St. Denis Les Charrières Contrôlée
  · Grand Cru, que recebe o nome do vinhedo, por exemplo, Appéllation La Tache Contrôlée. Para saber distinguir os vinhos Premier Cru dos Grand Cru, quando não há a especificação no rótulo deve-se saber geografia, ou conhecer muito sobre vinhos. O fato é que não é tarefa das mais fáceis, o que não deixa de ser inspirador e atrativo. Entendo um pouco mais da classificação dos vinhos de Borgonha já se pode aventurar a escolher um bom vinho e degustar os prazeres desta excelente região, desde que evidentemente se tenha condições financeiras para tanto. Afinal de contas são os vinhos desta região que alcançam os maiores preços no mercado mundial de vinho.

  CONFRARIA

   lA Feijoada Dona Flor da família Amado, organizada por Alexandre Bacelar, lotou a cobertura do Hotel Pestana. O evento, apenas para convidados, adentrou pela noite em um clima claramente pré-carnavalesco.
  lO Empório Oriente foi o local escolhido por Roberto Chaves para o lançamento do movimento Maniçoba Hype no carnaval de Salvador, que contará com um trio elétrico independente no circuito Barra-Ondina, na segunda-feira de carnaval. O projeto, nascido em Paris no ano passado tem como padrinhos o músico Carlinhos Brown e a socialite Lilibete Monteiro de Carvalho.
  lQuem está nos Estados Unidos fazendo seu fellowship na University of Miami é a Oftalmologista Alessandra Urbano, filha de Ivan Urbano. A Médica se especializa em doenças da córnea.
  l Antes de ser inaugurado, o Amado já virou lugar de moda em que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua fascinante diversidade. O chef e Restauranteur Edinho Engel, vem reunindo pequenos grupos de convidados para experiências enogastronômicas. Recentemente Nizan Guanaes levou um grupo de vinte amigos para comemorar o aniversário da mulher, Donata Meirelles, no local, mesmo em obras. Sérgio Amado foi outro que festejou aniversário no futuro restaurante da Contorno. A previsão é que o Amado seja inaugurado no início da segunda quinzena de fevereiro.
  l “Cine Teatro Daniela Mercury” é o nome escolhido pela cantora para batizar a 11ª edição de seu badalado camarote.Com produção de Licia Fábio, e decoração, mais uma vez, assinada pelo artista plástico Joaozito, o espaço terá referências à história da sétima arte e os tons predominantes serão o dourado e vermelho. A folia por lá começa no dia 23 com o tradicional baile infantil que terá como tema o Cinema Brasileiro Infantil.
  lAs exportações da Miolo em 2005 cresceram 267% em comparação a 2004, quando foram exportadas 262.026 garrafas. A previsão para 2006 é ultrapassar as 500 mil garrafas. É uma gota no oceano, mas já é um começo.
  lO TerraNoble Gran Reserva Carmenere 2003, trazido ao Brasil pela Decanter, foi considerado pela revista Wine Enthusiast o 35º vinho do mundo na opção boa compra.
  lOutra boa opção que chega agora ao Brasil é o “Quinta do Valdoeiro Touriga Nacional” que ganhou a Medalha de Ouro 2005 da revista inglesa Decanter. Uma excelente opção para quem gosta de vinhos portugueses, é claro!
  lA lavagem do Pátio do Café Cancun foi um grande sucesso, para a felicidade do empresário Pillar Calomeni. Érica Saraiva, festeira de carteirinha, esteve por lá.
  lJosinha Pacheco foi a anfitriã no lançamento da Revista Go Where, nesta última quarta-feira. Compareceram ao evento Juca e Elisinho Lisboa, Olga e Alfeu Luedy, Vera Luedy, Lia Ferreira, Carlos Rodeiro, entre outros.


Classificação de Bordeaux
Artigo de 13/01/2006


  Quando se fala em Bordeaux, maior ícone do mercado mundial de vinho, há que se entender que tudo é diferente. Apesar de estar submetida às regras de A.O.C., Appéllation d’Originé Contrôlée, ostentadas nos rótulos de seus vinhos, Bordeaux não segue regras, dita regras. Ali, tudo é singular, até mesmo a classificação de seus vinhos. Como se não bastasse uma classificação específica da região, cada sub-região tem sua própria classificação e, apesar dos termos utilizados serem parecidos, significam coisas distintas em áreas que distam muitas vezes poucos metros umas das outras. Há duas formas primárias de classificação: a que se baseia na terra, e consequentemente no Terroir, e a que se baseia na posse da terra. Quando a classificação se baseia na terra, uma propriedade classificada como Petit Chateâu continua tendo a mesma denominação, mesmo que comprado por um Grand Chateâu. Quando a classificação se baseia na posse, um Petit Chateâu comprado por um Grand Chateâu passa também a ser um Grand Chateâu, como ocorre em Médoc e Graves. Os Grand Châteaux são, originariamente, grandes propriedades produtoras de vinhos de alta qualidade e preço, enquanto que os Petit Châteaux são pequenas propriedades produtoras de vinhos simples, baratos e de consumo imediato.
  Em 1855, foi solicitada por Napoleão III uma classificação dos melhores vinhos de Bordeaux, tidos à época como os melhores da França, a Câmara de Comércio da Região. Desta forma os vinhos foram classificados em cinco categorias, sendo quatro deles enquadrados como Premiers Crus, catorze como Deuxiémes Crus, catorze como Troisiémes Crus, dez Quatriémes Crus e dezoito Cinquiémes Crus. Curiosamente, quase todos os vinhos classificados eram originários de Médoc, Sauternes, Barsac e Graves, com um único representante, o Château Haut-Brion. Os vinhos de Sauternes e Barsac foram enquadrados em uma classificação ligeiramente diferente, se dividindo em Premiers Cru Supérieur Classé , aplicável exclusivamente ao Château d'Yquem, Premier Cru Classé e Deuxiémes Cru Classe. A classificação de 1855 é utilizada até hoje e recebeu uma única modificação, que foi a inclusão, em 1979, na categoria de Premier Cru, do Chateâu Mouton-Rothschild. Em 1953, houve uma classificação específica para os vinhos de Graves, com revisão em 1959, enquadrando os melhores vinhos da sub-região em Crus Classés, sem definir uma hierarquia entre eles. Hoje existem 21 vinhos, 13 tintos e oito brancos, que recebem esta denominação.
  Em 1954, foi a vez do St-Émilion elaborar uma classificação própria, com o grande diferencial de se realizar revisão a cada dez anos. Assim é que os vinhos da área são classificados em Premiers Grand Cru Classe, subdivididos em grupo A e grupo B, Grand Cru Classe e Cru Classe. Alguns Châteaux de Médoc, cerca de 200, produtores de vinhos que ficaram fora da classificação de 1855 passaram a utilizar a denominação de Crus Bourgeois. Muitos dos vinhos enquadrados nesta denominação são óbvios e desinteressantes, mas os melhores Crus Bourgeois rivalizam com alguns vinhos classificados em 1855, custando menos da metade do preço.

  CONFRARIA

   O Restaurante do Yacht foi o palco para o encontro no qual a Skol revelou suas ações no verão e carnaval da Bahia em 2006. A cerveja, que tem aumentado muito suas vendas em nosso estado, resolveu investir maciçamente para transformar sua marca em campeã de vendas.
  Hoje é dia de festa na Barraca do Lôro. Aloísio Melo e Rosana Imbassahy comemoram os dez anos de seu empreendimento.
  Naildo Macedo segue para Nova York afim de participar do National Retail Federation, um dos maiores eventos mundiais do varejo, onde terá contato com novos conceitos que certamente serão aplicados aqui em nosso Shopping Barra.
   Ontem foi dia de devoção para muitos baianos. Enquanto Luzia Santana e Vevé Calazans seguiam a pé para a Igreja do Bomfim, Ozana Barreto tinha o mesmo destino com um grupo de amigos que, como todo ano, se reuniram para um café da manhã antes de seguir para a caminhada.
  Os convites para o Baile da Vila, dia 22 de fevereiro, já estão disponíveis. Os primeiros compradores terão um preço especial de venda para este que é um evento pré-carnavalesco de altíssima qualidade.
  A partir de amanhã e até o dia 14 de fevereiro será realizada a Primeira Mostra de Pintura do Hotel Canto do Mar em Guarajuba.
  A Claro realiza um concurso que levará os vencedores para assistir ao show dos Rolling Stones, no Rio de Janeiro, dia 18 de fevereiro, com direito a tratamento VIP para os felizardos. A empresa que acaba de lançar uma belíssima campanha publicitária utilizando fotos de animais que migram durante o verão, continua investindo pesado na Bahia.
  Calazans Neto é o responsável pelo design da camisa do Feijão Vip da Dadá, a feijoada que acontece dia 19 de fevereiro, no Hotel Pestana.
  De hoje até domingo, a MTV realiza em Vilas do Atlântico seu projeto musical-esportivo, Praia & Goool. Diversão na certa!
  Retratos da Bahia, primeiro livro que o fotógrafo francês Pierre Verger publicou no Brasil, há 25 anos, acaba de ganhar uma nova edição. O livro reúne 251 fotografias em preto e branco tiradas por Verger entre 1946 e 1952 e é um verdadeiro documentário fotográfico do nosso estado.
  A Expand Store da Villa da Barra reservou uma sala climatizada com capacidade para 20 pessoas, onde confrarias de enófilos podem se reunir para degustar vinhos com uma estrutura completa de Wine Bar.
  Epaminondas Castro e Antônio Andrade comemoraram o lançamento do empreendimento Casas de Praia do Forte no último final de semana


Bordeaux
Artigo de 06/01/2006


  Talvez não exista no mundo região mais emblemática de bons vinhos que a região de Bordeaux, oeste da França. Mesmo que tenhamos regiões que produzam vinhos melhores e até mesmo mais caros é Bordeaux a região que está no inconsciente coletivo como fonte suprema de vinhos de alta qualidade, o que obviamente não é realidade. Bordeaux, na Idade Média apenas um porto para escoamento da produção de vinhos francesa, tornou-se a principal região do país, produzindo quase 1/3 dos AOC franceses. Lar de bons vinhos tintos, 15% da produção da região é de vinhos brancos e 2% de doces, como o Sauternes. A região produtora de Bordeaux é dividida em sub-regiões delimitadas pelo estuário do Gironde e de outros dois rios que lá desaguam: o Garrone e o Dordogne. Se imaginarmos um “Y” deitado com sua base voltada para o mar, oeste, a linha de cima seria o Dordogne, a de baixo, o Garrone, e a base o Gironde. A subregião situada a oeste do rio Garonne é chamada de “Margem Esquerda”, e a situada ao norte e leste do Dordogne é chamada de “Margem Direita”. Entre os dois rios está a área conhecida como “Entre Deux-Meurs”, famosa por seus vinhos brancos. É importante ter em mente estas regiões, pois a diferença de solo entre cada uma delas faz com que o produto gerado seja extremamente diferente. O solo da Margem Esquerda é composto principalmente de cascalho e o da Margem Direita de barro. Assim é que a Cabernet Sauvignon, por exemplo, é mais adaptada à Margem Esquerda que à direita, enquanto que em relação à Merlot a situação é inversa. A Margem Esquerda se subdivide principalmente em:
  l Médoc e Haut-Médoc, composto de importantes distritos como St-Estéphe, Paulliac, St-Julien, Listrac, Moulis, Margaux e Péssac-Leognan.
  l Graves
  A Margem Direita se subdivide principalmente em:
  t St-Emilion
  t Pomerol Outras importantes regiões das duas margens são: Premiéres Côtes de Blaye, Côtes de Bourg, Fronsac, Côtes de Francs, Cânon-Fronsac, Côtes de Castillon, Barsac e Sauternes. Em Bordeaux são plantadas as uvas brancas Muscadelle, Sauvignon, Blanc, Sémillon e Ugni Blanc, e as tintas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Petit Verdot. A mistura de uvas conhecida como Corte Bordelês é uma mistura de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, ocasionalmente com uma pequena quantidade das outras duas tintas. De uma forma geral podemos dizer que os vinhos da Margem Esquerda, feitos geralmente a partir da Cabernet Sauvignon, são mais tânicos e pesados, com marcante sabor de groselha e voltados basicamente para guarda e para os paladares mais treinados. Os vinhos da Margem Direta, produzidos a partir principalmente de Merlot, são mais macios e imediatos, com sabores de ameixa e notas de chocolate, que podem ser consumidos mais rapidamente e mais adequados aos iniciantes . Alguns pensam que todos os vinhos de Bordeaux são Grand Vins, mas, na verdade, apenas uma pequena parcela é de vinhos do nível de um Lafite ou Petrus. Estes vinhos são conhecidos como “Vinhos de Terroir”, pois expressam o máximo que aquele pedaço de chão pode oferecer, são feitos com técnicas modernas e com todos os meios disponíveis para produção de um vinho de alta qualidade, sendo, por isto, muito caros, comparáveis a obras de arte e disputados ferrenhamente pelo mercado e por colecionadores. Porém, boa parte dos vinhos produzidos em Bordeaux é feita com uvas de várias regiões e recebem a A.O. C de Bordeaux ou Bordeaux Supérieur, são acessíveis e adequados para um consumo imediato. Bordeaux é um destino turístico fascinante e um celeiro de bons vinhos. Viajar pelos seus rótulos é conhecer um pouco da história da França, sua geografia e seus hábitos. Devo admitir que é minha região produtora predileta, berço de vinhos difíceis de entender, assim como seus rótulos. É algo como um país, dentro da França, com leis e costumes específicos que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento e prática de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua fascinante diversidade.

  CONFRARIA

   l Como esperado, o Réveillon de Lícia Fábio foi um grande sucesso. Muita gente bonita, boa comida e excelente serviço garantiram o divertimento até às oito horas da manhã do dia 1o. Glória Pires, Orlando Moraes, Antonia e Cléo Pires, Daiane dos Santos, Letícia Birkheuer, Eri Jonhson , Luís Salem, Milla Christie, Paula Mott, Mariana Weickert, Alicinha Cavalcanti e Fause Haten foram alguns dos VIPs que estiveram por lá.
  l Outro importante acontecimento foi o Réveillon do Hotel Sofitel Salvador. João Pollack, Cristina Mendonça e Marcos Palmeira receberam VIPs locais e nacionais com a elegância, cortesia e animação de sempre.
  l Recém-inaugurado, o Restaurante Yacht mostra que estará em constante aperfeiçoamento. O chef Laurent Resette e a restaurateur Tereza Paim incluíram novidades para diversificar ainda mais o já excelente cardápio da casa.
  l Os convites para o primeiro dia do Festival de Verão, 1o de fevereiro, no Camarote VIP já estão esgotados. Quem não quiser ficar de fora também dos outros dias terá de correr.
  Felipe Venâncio, considerado o melhor DJ de house music do país, estará até amanhã animando a balada do Clube Lotus Salvador.
  l Preparando-se para o Carnaval que se aproxima Daniela Mercury lançará mundialmente, ao final de janeiro, um DVD chamado Baile Barroco que levará as imagens da grande festa baiana além de nossas fronteiras.
  l Depois de abrir filiais em Praia do Forte (BA), Morro de São Paulo (BA), Praia da Pipa (RN) e Porto de Galinhas (PE), a designer de moda, Petúnia Maciel, leva suas criações até Trancoso.
  l Começa hoje e vai até o domingo a liquidação do Shopping Barra com descontos de até 70%.
  l A América Móvil, controladora da Claro no Brasil, apresentou grande crescimento no mercado mundial de telefonia. Boa parte deste desenvolvimento se deve ao resultado apresentado pela empresa em nosso país, especialmente na Bahia.
  l Jorge Carrara, crítico e colunista da Folha de São Paulo e um dos grandes especialistas do Brasil, escolheu o vinho chileno Santa Carolina Barrica Selection Shiraz 2003, como um dos Destaques do Ano 2005.
  l O ensaio do Ara Ketu continua atraindo muita gente ao Aeroclube. Ontem foi a vez da banda baiana se apresentar junto com a banda Biquíni Cavadão.
  l Um dos grandes pontos de encontro de Salvador é a Côco Bahia na Pituba. É quase impossível não encontrar a casa lotada de gente interessante e bonita. Não dá pra creditar o sucesso apenas à boa comida, serviço ou ambientação separadamente. O conjunto é imbatível.


Retrospectiva 2005
Artigo de 30/12/2005


  Chegamos ao fim de mais este ano com um grande incremento no mercado de vinhos em Salvador. O número de pontos de comércio aumentou, assim como a estruturação das lojas já existentes, o que gerou um claro aumento das vendas. Outro sinal relevante foi a oferta de cursos, que aumentou em direta proporção à procura pelo público local. A melhoria das cartas de vinhos dos restaurantes foi outro indicador de que o interesse pela bebida está cada vez mais intenso. Algo importante também de se notar foi que o valor gasto por garrafa aumentou. Seguindo uma tendência mundial, o baiano está disposto a gastar mais por garrafa, desde que isto implique boa relação custo x benefício. Para acompanhar toda esta evolução do público consumidor baiano, as importadoras e vinícolas nacionais se voltaram de forma bem clara para nosso mercado, um dos mais promissores do país. Vários lançamentos foram feitos na cidade, em especial durante a Wine Bahia, realizada em agosto, a maior feira de vinhos do Norte-Nordeste, que atraiu comerciantes, produtores e especialistas de várias nacionalidades.
  Vinhos que há algum tempo atrás não estariam disponíveis em nossa cidade, agora não são impossíveis de achar. Assim, qualquer um que tenha poder aquisitivo para comprar garrafas de Petrus, Romanée Contí, Lafite ou um dos vários Premier Cru ou Cru Classes, do mundo pode fazê-lo sem ter que recorrer a lojas em São Paulo ou Rio de Janeiro. A oferta de vinhos cresceu em todas as faixas de preço, não contemplando apenas os vinhos mais caros. Este ano chegaram ao mercado local vários vinhos de altíssima qualidade que, independente da faixa de preço, trazem prazer a quem os aprecia.
  Foram destaques este ano o De Martino Grand Família 2002 (R$ 150,00), um dos melhores vinhos chilenos da atualidade, os portugueses Muros Antigos 2004 (R$ 80,00) e o Muros de Melgaço 2004 (R$ 120,00), Dorina Lindemann 2004 (R$ 150,00), o chileno Estampa Carmenére 2003 (R$ 70,00) e o italiano Cerviolo 2000 (R$ 200,00), todos comercializados pela Decanter através do seu representante local, Vinde Vinos (Tel.34844612). Pela K.M.M, Tel.8867-3104, o Cover Drive 2002 (R$ 149,00), Lodge Hill Shiraz 2002 (R$ 149,00), os chilenos Casa Patronales Carmenére 2003 (R$ 42,00), Botalcura El Delírio 2003 (R$ 64,00) e o argentino Saurus Patagônia Select Malbec 2003, da vinícola Família Schroeder. A importadora Wine Company, representada pela Via Bahia, Tel. 3230-7229, trouxe-nos o português Adega de Pegões 2001 (R$ 114,00), e o Miguel Escorihuela Gascón 2001 (R$ 169,00). Também representada pela Via Bahia, a Premier Cru, nos trouxe o argentino Noemía 2002 (R$ 480,00), um dos melhores vinhos da América do Sul, o Acrux 2001 (R$ 175,00), o Bcrux 2001(R$ 97,00) e o Argiano Suolo (R$ 680,00).
  A Expand,Tel.32645348, que além de manter a loja no Trapiche Adelaide, agora sob a forma de franquia, abriu uma nova loja no Vila da Barra, se concentrou no nicho que é mais forte no país, o dos vinhos do velho mundo, sem esquecer de trazer novidades do novo mundo. Assim é que novas safras dos milhares de rótulos que representa vieram para nossa cidade, havendo hoje a mesma disponibilidade de rótulos que existe em São Paulo. Além dos vinhos, a empresa resolveu investir também em acessórios e equipamentos e agora disponibiliza duas linhas de adegas. A exclusiva da casa, produzida pela empresa Joshua, especializada em adegagem e climatização, e a da Art des Caves, a quem representa em Salvador. Em resumo Salvador está se transformando em uma das mais importantes capitais do país no que concerne ao mercado de vinhos, algo já previsto pelos críticos e especialistas da área. A tendência é que o mercado cresça ainda mais, tanto em quantidade quanto em qualidade, e o público local se torne cada vez mais técnico e exigente. Estamos vivendo um crescente processo de evolução do mercado de vinho local e pode-se esperar evolução ainda maior nos próximos anos.

  CONFRARIA

   l Silvinha e Marcelo Gama Lobo receberam amigos em sua casa de Interlagos para almoço em homenagem ao seu filho Lucas , médico, que reside em São Paulo e realiza especialização em Radiologia.
  l Um grande número de amigos prestigiou o aniversário de Nino Nogueira na última semana. Estiveram lá Michelle Marie, Juju Luz, Malú Brígido, Paulo Pedreira e Ana Valéria, Giselle, Paula e Tati Moreno, Natalie e Alberto Pinheiro, Lena Lebram, Jacqueline Costa Lino, Mônica Lima, Yve Cerqueira, Fábio Sande, entre outros.
  l O Réveillon começa hoje, pelo menos no Clube Lótus. A partir das 23 horas começa o pré-Réveillon da boate com o som do DJ nova-iorquino Spin Easy e presença confirmada do estilista Fause Haten, da modelo Mariana Weickert, da promoter Priscila Borgonovi, e do produtor Paulo Borges.
  l Finalmente algo de novo no ar. O restaurante Jóia Sushi Lounge tem atraído os amantes da comida oriental, tanto locais quanto importados, que apreciam boa comida e respeito ao cliente. Esta semana estiveram por lá o estilista quase baiano Fause Haten, Antônio Salomão, José Simão, Paula e Arnaldo Gusmão, Carol Magalhães, Claudia Leite, Daniela Nasser, entre muitos outros. Este é realmente o novo point da cidade.
  l O Réveillon da Alegria deverá ser a melhor festa de virada do ano de Salvador. Esta é a aposta das mais de 3.500 pessoas que estarão no Bahia Marina deixando 2005 para trás, radiantes com a chegada de 2006, comemorando as felizes escolhas que realizaram e traçando metas para alcançarem a paz desejada no tão esperado ano que se aproxima. Entre eles estará o chef Edinho Engel que vai mostrar durante a festa alguns pratos que estarão disponíveis no Amado, restaurante que será aberto em fevereiro.
  l O grande programa para o primeiro dia do ano será o pôr-do-sol no Farol da Barra com show de Daniela Mercury e os seus convidados, Chico César, Marcio Mello e Toni Garrido.
  l O ensaio do Ara Ketu está cada vez mais concorrido e festivo. Sempre no Hangar do Aeroclube, o show da banda contou com a participação do grupo Harmonia do Samba na semana passada e de Jorge Aragão esta semana.
  l Duas opções para quem não escolheu onde passar o Réveillon ao lado das pessoas que lhe são importantes são o Oceania e o Café Cancun. Neste último a banda Negra Cor, comandada pelo cantor Adelmo Casé, e o DJ Hugo garantem a animação com um repertório pra lá de apimentado.
  l Quem procura um jeito diferente de se vestir para a chegada de 2006 tem na loja Empório Oriente, na Barra, um forte aliado. A empresária e designer de moda Petúnia Maciel tem em sua coleção de verão várias peças no melhor estilo hippie-chic.
  l Quem esteve em Salvador para prestigiar a pré-estréia do mais novo filme de Daniel Filho, a comédia ”Se Eu Fosse Você”, foi o ator Tony Ramos, protagonista do longa que conta ainda com a participação de grandes estrelas como Glória Pires, Thiago Lacerda, Glória Menezes, Maria Gladys, Daniele Winits, Lavínia Vlasak.

ARTIGO DO DIA 20/08/2004

A vez do vinho

   Com a chegada do inverno e a diminuição da temperatura, o hábito de beber vinhos torna-se especialmente prazeroso para nós baianos, contemplados que somos com altas temperaturas em quase todo o ano. Neste momento, a escolha do vinho, seja para acompanhar uma refeição ou para um happy hour com os amigos, pode tornar-se matéria para várias dúvidas. Tendo em mente algumas regras e conceitos fundamentais, até mesmo o mais inexperiente pode navegar em uma carta de vinho ou passear por lojas especializadas como se fosse um expert. Os vinhos podem ser divididos basicamente em brancos e tintos (grupo ao qual pertencem os rosés) e podem apresentar diversos sabores e perfumes (bouquet). esta diversidade ocorre devido às diferentes castas de uvas que podem fazer parte de sua composição, do tipo do solo em que foram plantadas estas uvas, do clima da região do plantio, do processo de preparação do vinho, da forma com que foi ou não amadurecido, entre outras variáveis. Por isto, informações como país, região, produtor e safra são tão valorizadas.
   Podemos encontrar vinhos que recebem o nome da região que os produz, como por exemplo o vinho francês Vosne – Romanée que é elaborado naquele vilarejo de Borgonha com uvas Pinot Noir, outros que recebem o nome da uva principal e nestes casos são chamados de Varietais, como os Chardonnay produzidos pelo americano Robert Mondavi, ou ainda os que recebem um nome fantasia. Os maiores países produtores adotaram regras rígidas de controle de qualidade, classificando seus vinhos de acordo com critérios que levam em conta desde o plantio da vinha até ao preparo do vinho. Esta classificação é estampada no rótulo da garrafa e portanto de fácil observação, apesar de sua interpretação não ser tão fácil assim, pois ela varia de um país para outro. Escolha preferencialmente os vinhos que façam parte destas classificações de qualidade.
   No modelo francês de classificação, datado de 1935 e que serviu de base para outros sistemas em todo o mundo, chamado de AOC (Appellation d’Origine Contrôlée ou Denominação de Origem Controlada), quanto melhor o vinho mais detalhada a informação sobre sua origem. Portanto, um vinho apresentando em seu rótulo a frase Appellation Bordeaux Contrôlée (referência à região) pertence a uma categoria inferior a um vinho cujo rótulo estampa “Appellation Haut-Médoc Contrôlée“ (referência ao distrito) e este será de categoria inferior a um “Appellation Pauillac Contrôlée“ (referência ao município). Os rótulos dos vinhos apresentam além do nome e classificação, informações como o ano de sua safra ( alguns vinhos são de safra indefinida ou Non Vintage), o nome do produtor, do engarrafador entre outras. Prefira os vinhos que são produzidos e engarrafados na propriedade, o que denota maior comprometimento com a qualidade do vinho produzido.
  É necessário entender que vinho é “substância viva“ e portanto sofre transformações mesmo após ser engarrafado, podendo ter o sabor alterado pelo frio, calor, umidade, vibração e outros fatores externos, sendo este o principal motivo para que haja tanto cuidado com sua armazenagem. Muito recentemente a Vinícola Gallo, um dos maiores produtores de vinhos dos Estados Unidos, teve parte de sua produção comprometida pela substância química TCA ( 2,4,6, trichloranisole) que, descobriu-se mais tarde, estava presente em produtos usados para limpeza de uma área de armazenagem de barris de vinho. Portanto, antes de comprar seu vinho, seja em restaurantes,lojas ou mesmo supermercados informe-se sobre como esta mercadoria estava sendo estocada. Na ausência de condições adequadas de climatização escolha vinhos que tenham custo menor e portanto apresentam maior rotatividade. As cartas de vinhos em restaurantes são preparadas seguindo critérios de classificação. Os vinhos podem ser agrupados por país, por região produtora ou por castas das uvas predominantes no seu preparo. Os mais simples antecedem aos mais sofisticados. Nem sempre o vinho mais caro é o melhor ou mais adequado para aquele momento. Procurar uma boa relação de custo-benefício é tarefa das mais gratificantes. Por exemplo, os grandes vinhos como os produzidos na região de Bordeaux, na França, demoram vários anos para amadurecer e ficar “prontos“ demonstrando todos os seus sabores e perfumes. logicamente estes custam muito mais caro do que os vinhos de safras recentes e que ainda não se desenvolveram. Caso deseje um vinho da região muito mais barato conservando alguma qualidade, opte pelos “Petits Châteaux “que produzem vinhos para serem consumidos de imediato. Uma boa dica para acompanhar as refeições são os vinhos italianos que casam primorosamente com um belo almoço ou jantar. Nos dias mais quentes os brancos e rosés são especialmente refrescantes.
  A idéia de que os tintos acompanham as carnes e os brancos os peixes não é de todo correta. o melhor é harmonizar comida e bebida de tal forma que uma realce a outra ao invés de encobrí-la. Em restaurantes, nunca se acanhe em solicitar as indicações do Sommelier ou do Mâitre. Uma dica prática é sempre evitar os Tintos ao escolher pratos que contenham peixes de água salgada ou frutos do mar pois o sabor metálico será quase inevitável. Ao escolher vinhos para beber em casa, será necessário alguma experiência ou seguir a sugestão de funcionários de lojas especializadas. Existe todo um protocolo ao servir vinhos. O que à primeira vista pode parecer um ritual desnecessário é na verdade uma seqüência de atos que visam garantir todo o prazer que um bom vinho pode oferecer. O primeiro passo é a apresentação da garrafa para que se tenha certeza que o vinho a ser aberto foi o solicitado. Neste momento é interessante tocar a garrafa para sentir se a temperatura está adequada. A seguir o vinho é aberto e a rolha deve ser inspecionada para verificar sinais de desgaste ou odores desagradáveis, o que pode sugerir entrada de ar na garrafa e oxidação do vinho. Logo após o vinho é servido em pequena quantidade para que seja verificado sua coloração, a presença ou não de sedimentos, seu bouquet e seu sabor. Quando o vinho é aprovado, pode passar a ser servido.
  Os vinhos de melhor qualidade evoluem seu sabor à medida que entram em contato com o ar e por esta razão existem aquelas grandes taças para vinho. Caso esteja em um restaurante que utilize taças pequenas para servir vinho, não se acanhe em solicitar que sirvam o seu vinho em taças para água. Em nossa cidade não é incorreto resfriar o vinho, seja tinto ou branco, pois nossa temperatura ambiente é extremamente alta.
   O ideal é servir os tintos leves e frutados entre 14 a 16 graus. Tintos de maior qualidade entre 16 e 18 graus. Brancos simples entre 10 e 12 graus. Brancos sofisticados entre 14 e 16 graus. Vinho do Porto entre 16 e 18 graus, Espumantes e Champagne entre 7 e 9 graus. Os rosés entre 10 e 12 graus.Vale lembrar que o nome Champagne ( com “C” maiúsculo) é restrito aos vinhos produzidos na região de mesmo nome, na França. os vinhos produzidos em outras partes recebem a denominação genérica de Espumantes. O Prosecco por exemplo é um espumante, produzido com a uva de mesmo nome, na Itália, mais precisamente no distrito de Valdobbiadene, região de Vêneto. Caso pretenda degustar mais de um tipo de vinho inicie sempre pelo vinho mais simples e lembre-se: evite o consumo excessivo.

ARTIGO DO DIA 27/08/2004

A origem do vinho

   A origem do vinho é tão controversa e imprecisa que situá-la em uma linha de tempo é muito difícil e as suposições nos levam até nossa pré-história.Podemos imaginar que o homem primitivo , animal que aprendia constantemente com a natureza , tenha se deparado com o suco gerado pela queda de cachos de uva da videira e em algum momento tenha tentado reproduzir tal acontecimento, observando as alterações fermentativas sofridas por este suco ao passar dos dias .Especula-se que o homem de Cro-Magnon que habitava a área que hoje chamamos de França já possuia habilidades para criar um vinho rudimentar. Existem indícios de que havia produção de vinho com espécies silvestres em 8000 a.C. nas regiões que hoje chamamos de Turquia , Síria, Líbano e Jordânia e produção de vinho de videiras cultivadas em 7000 a.C. na hoje Geórgia Soviética .Contudo ,especula-se que o primeiro vinho de uvas silvestres foi produzido no sopé das montanhas do Cáucaso , mais precisamente na Geórgia.
  No Egito, em 3000 a.C. já existia um método para classificar os vinhos que eram elaborados e, em 1500 a.C, estes já eram identificados com safra, vinhedo, proprietário e responsável pela fabricação, não muito diferente da identificação atual que além destas informações apresenta também a casta da uva Em seus primórdios, os vinhos eram extremamente diferentes dos que bebemos nos dias de hoje. Acredita-se que eram espessos , com alto teor alcoólico e com muitos sedimentos. Frequentemente eram diluídos em água ,às vezes do mar , em proporções de até uma parte de vinho para 20 partes de água.
  Tecnicamente o vinho é resultado da fermentação do açúcar existente no suco produzido com uvas. Além do álcool decorrente de tal processo , o etanol , encontramos açúcares , acetatos ,ácidos e várias outras substâncias . Por sua composição singular o vinho foi utilizado no passado como medicamento, substância anti-séptica, anestésico e até mesmo como método químico para tornar a água potável. Hipócrates, o precursor da medicina , no século IV a.C já prescrevia vinho para tratamento de reações alérgicas , como antitérmico ,diurético e reenergizante . Na antiguidade o álcool era tido como método importante tanto para conectar-se com os deuses quanto para aliviar as agruras de uma vida curta e, não raro, violenta. Na Grécia antiga , a depender da dose ingerida ,o vinho podia ser considerado remédio ou veneno. Difundia-se que até três doses de vinho era o recomendado para desfrutar dos benefícios do vinho . É interessante notar que o tamanho adotado para a maioria das garrafas de vinho atuais comporta seis doses , ou seja , três doses para duas pessoas
  A primeira menção de vinho de qualidade superior de um vinhedo específico ( Premier Cru ) data de 121 a.C. e refere-se ao Opimiano de Falerno , vinho da Campânia , na Itália, que de tão raro e caro era considerado um vinho para reis. O vinho era tão importante para as civilizações antigas que havia um deus que o representava , o deus Dionísio (chamado de Baco na Lídia e em Roma) . Vários festivais eram realizados e templos construidos em seu nome .
  Na maioria das civilizações era proibido às mulheres beber o vinho , apesar de ser função quase exclusivamente feminina a venda de tal produto. Esta bebida também era importante mercadoria no comércio entre as civilizações antigas e frequentemente considerado uma espécie de ouro líquido . Nem mesmo a cerveja , muito consumida na antiguidade , conseguia o status do vinho . Este era considerado divino , tratado com distinção e associado aos momentos especiais , de prazer e de amor. Nada diferente do que é hoje .
  Apesar de ser de conhecimento público os malefícios ocasionados pelo consumo excessivo de álcool , existem hoje vários estudos mostrando os efeitos benéficos do vinho , especialmente o tinto ,quando ingerido de forma moderada, comprovando as antigas crenças sobre os poderes e auspícios desta bebida. Durante a segunda guerra mundial , tanto o exército francês quanto o alemão distribuiam uma cota diária de vinho a seus soldados . Era tomado frio no verão e quente no inverno e ,segundo o relato de alguns destes soldados, esta bebida os aproximava de casa , lhes trazia alento e dava-lhes ânimo para a batalha
  No século 18 ,o Duque de Savoia , em Piemonte, Itália , criou o cargo de ‘Somigliere di Bocca e di Corte “ para designar o profissional responsável pela seleção dos vinhos a serem tomados na Corte, por sua estocagem , bem como pela orientação da melhor forma de serví-los . A partir do século 19 a palavra “Somigliere” passa a ser utilizado na França , sendo adaptada á lingua local , passando a ser pronunciada como “ Sommelier” . Esta palavra , em sua forma francesa, é usada hoje para designar o responsável pela administração de vinhos em uma empresa ou garçom especializado. Difere-se portanto do Viticultor , que é o profissional relacionado aos processos de seleção, plantação e colheita das uvas , de Enólogo que é o individuo formado nas técnicas de elaboração do vinho em grau universitário e Enotécnico, que é o profissional com diploma técnico na mesma área. Enófilo é o apreciador e estudioso de todos os assuntos que envolvam o vinho e sua produção. Milhares de anos depois , após várias modificações em seu sabor e aparência , mesmo com a concorrência de outras bebidas , o vinho continua gerando o mesmo efeito e despertando o mesmo fascínio na humanidade. Por mais que queiramos simplificar-lhe o sentido e considerá-lo apenas um suco de uva fermentado, a verdade é que realmente existe algo de divino nesta bebida.  
  A partir desta semana esta coluna publicará sugestões de vinhos que podem ser encontrados facilmente no comércio local . Para selecionar tais bebidas levaremos em conta sua relação “Custo X Benefïcio” . Além do nome do vinho e país produtor, citaremos o seu preço médio no varejo. Os vinhos serão apresentados em três classes a saber: vinhos até R$ 25,00 , vinhos até R$ 75,00 e vinhos acima de R$ 75,00. Caro leitor , caso deseje fazer sugestões ou comentários envie e-mail para andrefc@clifort.com.br

  Vinhos recomendados esta semana

     * Até R$ 25,00 - Espumante Argentino Mumm Brut NV (R$ 24,00)

   * Até R$ 75,00 – Beaulieu Vineyard Chardonnay California 1998 (R$ 65,00)

   * Acima de R$ 75,00 – Klein Constantia Marlbrook África do Sul 1996 (R$ 76,00)


  

ARTIGO DO DIA 02/09/2004

Degustação: A hora da verdade

   Degustar é antes de tudo explorar. Ter a mente aberta para as sensações que virão e atenção para saber identificá-las e quantificá-las. É necessário também conhecer, minimamente que seja, alguns dados básicos sobre os vinhos. Tudo começa no momento da produção do vinho onde podem ser utilizadas tanto uvas tintas , de cor roxa ou preta, como as não tintas, também chamadas de brancas, apesar de serem de cor esverdeada ou amarelada.
  Quando o produtor deseja criar vinhos brancos, ele utiliza o suco extraído de uvas brancas ou , mais raramente , o suco de uvas tintas que não tenha tido contato com as cascas ,caso da maioria dos “Champagnes “ que é feita com duas uvas tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier , e uma uva branca, Chardonnay. Para criar vinhos tintos utiliza-se unicamente uvas tintas , permitindo que o suco das uvas entre em contato com as cascas durante a fermentação (caso o período de contato seja curto, produz-se vinhos rosés). Este processo, além de proporcionar a cor, transfere para o vinho tinto uma importante substância chamada tanino . O tanino é um fenol presente na semente e na casca das uvas . É o elemento responsável pela complexidade e diversidade dos tintos e , sendo um conservante natural ,influi na longevidade da bebida . Afirma-se que o tanino é o maior responsável pelos efeitos benéficos do vinho no corpo humano.
  Uvas maiores ,como a Pinot Noir, ou Merlot, possuem uma relação entre casca e polpa tal , que tendem a produzir vinhos menos tânicos, de cor mais suave. Uvas menores, como a Cabernet Sauvignon, com muita casca em relação à polpa , tendem a transferir muito tanino para o suco e freqüentemente produzem vinhos mais tânicos e de cor mais escura. Além do tanino só presente nos tintos, duas outras substâncias são importantes para criar um vinho: o ácido e o açúcar. A chave da avaliação correta de um vinho está em saber quantificar o peso de cada um destes componentes no produto final, coisa que apenas se aprende co?m experiência e atenção.
  Durante o processo de maturação da uva,o nível de ácido presente em sua polpa vai progressivamente diminuindo, enquanto que o conteúdo de açúcar vai aumentando. A depender da característica que o produtor deseja para seu vinho, a uva pode ser colhida no momento ideal de maturação, quando os níveis de ácido e açúcar se equivalem, um pouco antes ou após este momento. A acidez é importante elemento para os vinhos, principalmente os brancos , que não contam com o tanino. É ela a responsável pela firmeza e sabor, evitando que um vinho pareça flácido. Vinhos com pouco ácido tendem a deteriorar com muita facilidade e tendem a não durar muitos anos. Quando da fermentação ,o açúcar presente no suco de uva é gradualmente transformado em álcool . Quanto mais doces forem as uvas, maior será o potencial alcoólico do vinho produzido. Isto explica porque os vinhos de sobremesa têm teor alcoólico maior que os vinhos de mesa. Alguns vinhos recebem adição de álcool durante a fermentação, como o Xerez., e por isto, costumam ser chamados de “ Fortificados “. No intuito de tentar equilibrar alguns Produtos de menor qualidade, às vezes se adiciona açúcar ou suco de uva não fermentado, onde o açúcar natural ainda não se transformou em álcool, prática chamada de Süssreserve na Alemanha.
  Costuma-se também, principalmente em vinhos brancos e doces , acrescentar uma substância chamada Sulfito que tem a função de agente antioxidante e antibacteriano, evitando que o açúcar residual do vinho sofra novas fermentações depois de engarrafado. Algumas pessoas têm alergia a esta substância e, por este motivo , alguns países obrigam a colocação de um alerta sobre seu uso nos rótulos dos vinhos. Beber vinho é bastante diferente de degustá-lo. Para se realizar uma degustação é necessário além de muita atenção, alguma informação. De forma simplificada, na primeira fase da degustação observa-se a cor do vinho,de preferência contra um fundo branco, a presenç?a de sedimentos e, após agitá-lo, de que forma a bebida escorre na lateral da taça, o que fornece pistas sobre o índice de evaporação do álcool,aspecto muito técnico para levarmos em conta no momento. Após agitar ainda mais o vinho, devemos mergulhar o nariz na taça, e não no vinho( imagine fazer isto em um daqueles copos minúsculos ), para tentar identificar o aroma nele contido. Por este motivo o cheiro ou bouquet do vinho é comumente chamado de nariz (le neuz du vin).
  Os aromas dos vinhos são muito diversos. Podemos identificar os aromas frutosos como, por exemplo, ameixa,abacaxi ou manga, aromas florais como jasmim, rosas, ou violetas, aromas vegetais ou herbáceos como grama, pimenta ou menta, entre muitos outros. Algumas vezes é preciso aguardar alguns minutos para que o vinho colocado na taça revele todos os seus aromas. O passo seguinte é levar o vinho à boca tendo o cuidado de não engoli-lo. Através das papilas gustativas existentes na língua podemos perceber certas características dos vinhos. Em sua parte anterior detectamos principalmente a doçura, a acidez é percebida em suas laterais e o amargor é detectado em sua parte posterior. Este é o momento de observar as características gerais do vinho e verificar se ele nos sugere peso ou leveza, aspereza ou maciez.
  Uma dica prática para distinguir se um vinho tinto tem característica ácida ou tânica é observar a sensação que fica na boca depois que o vinho é engolido. Ambos vão deixar uma sensação de boca seca, porém só o ácido vai estimular, após alguns segundos, a salivação. Com alguma experiência , ainda sem engolir o vinho , consegue-se aspirar um pouco de ar pela boca sem deixar o líquido escorrer por entre os lábios (autêntico ato de equilibrismo ), fazendo com que o ar vaporize os aromas do vinho e os leve através da passagem retro-nasal, uma comunicação entre boca e nariz, para serem percebidos . Portanto, não é necessário engolir o vinho para degustá-lo e? comumente os degustadores profissionais desprezam o vinho que está na boca ao invés de engoli-lo, evitando com isto a embriaguez e a diminuição de sua capacidade sensitiva . Particularmente considero que ninguém em sã consciência, expert ou não, pode sequer pensar em não engolir um Chatêau Petrus ou um Romanée Contí que esteja em sua boca, apesar de haver outros vinhos que não deveriam sequer ser produzidos.
  Para descrever a impressão do vinho na boca é importante saber que quanto à doçura o vinho pode ser seco, meio seco e doce. Quanto à acidez pode ser acre,vigoroso ou suave e quanto ao tanino pode ser descrito como adstringente, firme ou macio. A impressão global do vinho é chamada de corpo. Alguns deixarão na boca uma sensação de plenitude de volume intenso, a estes chamaremos de encorpados, enquanto que outros parecem menos volumosos. Portanto, quanto ao corpo, o vinho pode ser classificado como pouco encorpado, medianamente encorpado, ou muito encorpado. Ao tentarmos avaliar a relação de todos estes componentes, açúcar, álcool, tanino e ácido, entre si, determinamos o que se chama de “Equilíbrio ”. Quando o vinho avaliado atinge todas as diferentes áreas sensitivas da língua dizemos que este apresenta um bom “Alcance”. Caso ele apresente diferentes camadas de sabor, o descrevemos como tendo boa “Profundidade”. Se possuir características diversas que vão se revelando aos poucos o chamamos de “ Complexo”.Quando a impressão que o vinho deixa na boca se mantém, mesmo depois de ingerido, dizemos que este possui boa “Persistência”. Quando apresenta sabores típicos dos vinhos produzidos com determinada casta de uva o descrevemos como sendo de boa “Tipicidade”.
  Como perceber tudo isto em alguns segundos é algo que todas as pessoas que entram no mundo do vinho se perguntam e coisa que só aprendemos fazendo. É necessário atenção e concentração nas primeiras vezes,mas, depois de um certo tempo, os aromas e sabores mais comuns tornam-se rotineiros e o cér?ebro passa a analisar estas variáveis de forma muito rápida. Alguns dizem que é perder muito tempo para apenas o prazer de um gole, porém para aqueles que têm paciência não é preciso sequer um gole para ter muito prazer. Para os afoitos o importante é beber para os pacientes o importante é degustar. O bom vinho é como um bom amigo, que conforta e ajuda, que estará ao seu lado nos bons e maus momentos e que, acima de tudo, sempre te ouvirá e nunca te abandonará.
   * A partir desta semana publicaremos, sempre que possível, promoções de vinhos em restaurantes recomendados da cidade. Para desfrutar de tal benefício basta informar ao Sommelier ou garçom, no momento do pedido, ser leitor desta coluna e a senha da semana . Caso deseje fazer sugestões ou comentários envie e-mail para andrefc@clifort.com.br

   Promoção da semana

   Senha: Enófilo

   Para que os leitores possam verificar as diferenças de sabores citadas nesta matéria , o Restaurante Baby-Beef ( Tel. 2703000 ), oferece , até o dia 09 de setembro, 50% de desconto sobre o preço publicado em sua Carta de Vinhos, nas seguintes Garrafas:

   * Cono Sur Reserve Cabernet Sauvignon 2002, Chile

   Vigoroso Cabernet Sauvignon com uma bonita cor vermelha rubi e notas intensas de ameixa, cassis, amora e pimenta negra, envelhecido 12 meses em barril de carvalho francês. Uvas: 85% Cabernet Sauvignon, 9% Merlot, 4% Cabernet Franc, 2% Aspiran Bouche.

   * Casa Silva Merlot Gran Reserva 2001,Chile.

   Vinho de elegância e caráter expressivo, de cor vermelho profundo, no nariz junta notas de ameixas, cassis, temperos e toque de café e chocolate. Ao paladar mostra-se: Redondo macio, com taninos aveludados e equilibrados com grande persistencia. Envelhecido 12 meses em barril de carvalho francês. Uvas: Merlot 100%

ARTIGO DO DIA 10/09/2004

Terroir 

   Até para os menos informados é fácil  entender que um vinho feito com uva  Cabernet  Sauvignon  é diferente de um vinho feito com uma uva  Pinot  Noir, sejam eles produzidos  em qualquer região do mundo. Um pouco mais difícil é entender porque um vinho produzido  com  a  Cabernet  Sauvignon  na Itália é  diferente do produzido com a mesma uva  na França. Porém, entender que   vinhos  feitos com  a mesma uva, de videiras plantadas no mesmo país, região e, às vezes, na mesma colina, com diferença de apenas  alguns metros entre as plantas, possam  ocasionar vinhos de sabores  extremamente distintos, chega a ser impensável.  Os  Franceses denominaram  de “terroir “ ( pron. terruá ) o conjunto de variáveis que podem influenciar a característica final da uva plantada em determinada região. O conceito de terroir  abrange  o tipo de solo, sub-solo, o clima,  a altitude  e  até mesmo a inclinação de uma colina. Imaginando  que dificilmente duas plantas terão a incidência destes fatores de forma idêntica  , é  fácil  concluir que dois vinhos feitos de uvas de videiras distintas, mesmo que na mesma safra, não terão as mesmas características . É por  este  motivo  que algumas áreas do planeta são supervalorizadas para produção de vinho enquanto que  outras  a poucos metros de distância  não têm  o mesmo grau de valorização.  Se levarmos  em conta   que as condições climáticas  em cada região  variam de ano para ano   podemos entender o porque da informação sobre a safra ter tanta  importância  na valorização de um vinho.
  Geralmente, as videiras da espécie  Vitis Vinífera se adaptam melhor a zonas de clima temperado, entre os paralelos 30 e 50 no hemisfério norte, 30 e 40 no hemisfério sul, em altitudes  entre  300 e  600 metros acima do nível do mar Solos arenosos  estão comumente relacionados a vinhos com sabores e aromas mais frescos  para serem bebidos jovens enquanto que  solos calcáreos  geram vinhos mais encorpados e que melhoram com o envelhecimento. A maioria dos bons vinhedos do mundo ,ao contrário do que se pensa, não esta localizada em zonas férteis. Alguns deles estão em áreas tão áridas que é difícil imaginar que algo consiga nascer  no local . Para a videira  é  importante  que o solo possua uma formação geológica tal que propicie uma boa drenagem, cabendo à planta aprofundar suas raízes em busca de  uma fonte de água regular e de  nutrientes . O solo da região de Haut-Medóc em Bordeaux , na França , onde se planta  Cabernet  Sauvignon , de tão  inóspito  gerou  um dito local:  “ Cabernet  têm que sofrer para viver ”. 
  Em muitas partes do mundo as colinas produzem vinhos melhores que as planícies  devido à  drenagem , incidência do sol e dos ventos. As condições climáticas são tão determinantes  que, caso haja alterações importantes  no micro clima de determinada região, seus vinhos sofrem alterações imensas  em suas características.  Quando existe muita chuva  as uvas produzem  vinhos  extremamente aguados, quando existe pouca disponibilidade de água as uvas não crescem nem amadurecem, quando há invernos prolongados ou muito  frios as uvas  também não chegam a  amadurecer e ocasionam  vinhos ácidos, quando há um verão muito intenso  as frutas amadurecem muito rapidamente e ficam muito doces, o que também é indesejável. É de alta relevância   a diferença de temperatura entre  o dia e a noite, que ocasiona um equilíbrio  entre o amadurecimento diurno   e  o retardamento deste, ocasionado  pelo frescor da madrugada, preservando assim a acidez da fruta, ajudando a  fixar  aromas e sabores do vinho a ser produzido. Na verdade, o ideal é que exista uma harmonia entre as estações do ano e que a cada uma delas exista uma  temperatura média e indíces  pluviométricos tais que as videiras possam produzir uvas com grau ideal de maturação. Com o passar dos anos os produtores  aprenderam através de métodos empíricos quais as castas de  uvas  que se adaptavam melhor  ao clima e solo de cada região do planeta. Portanto, o terroir é fator determinante para a exploração comercial das videiras. Interage com as uvas, podendo alterar ou potencializar a expressão típica de cada casta e portanto influi decisivamente nos aromas e sabores finais do vinho. É claro que antes do vinho estar pronto  os produtores têm a possibilidade de  burlar a natureza e alterar certas características indesejáveis, contudo algumas vezes é simplesmente impossível melhorar um vinho quando a natureza não ajudou na maturação das uvas .
  Existe controvérsia entre alguns autores sobre a inclusão ou não das pragas em um conceito mais abrangente de terroir  já que, a depender da região,clima e  geografia, estas  podem ou não  acometer os vinhedos. De qualquer modo, para entendermos  sobre vinhos, devemos ao menos conhecer algo sobre a mais importante das pragas, a  Filoxera.  No século XIX um inseto minúsculo chamado Filoxera que se alimenta das raízes da parreira  atacou  e quase extinguiu a espécie Vitis Vinífera no mundo.A  Filoxera (Dactylasphaera Vitifoliae ) existia nos Estados Unidos, mas era desconhecida  pois as parreiras americanas lhes eram resistentes. Ela  foi introduzida na  Europa quando algumas plantas americanas foram levadas para o sul da França para uma experiência de adaptação. Como as parreiras européias não eram resistentes à praga  foram atacadas, sendo exterminadas em muitas regiões. Até hoje não existe um meio de proteger a  raiz da  Vitis Vinífera do ataque da Filoxera. O que salvou a espécie da extinção foi a idéia de enxertar plantas européias, chamadas de enxertos, mudas ou rebentos, nas raízes das plantas americanas, chamados de rizomas ou bacelos, o que efetivamente não  alterou a característica do fruto produzido e evitou o ataque da praga evitando o  desaparecimento da Vitis Vinífera.
  Em 1983 na região de Napa Valley, Califórnia,  Estados Unidos, houve um novo ataque da Filoxera. As videiras da espécie Vitis Vinífera  plantadas em bacelos americanos foram destruídas  pela praga. Descobriu-se mais tarde que  houve  um  erro de cruzamento genético na criação de um tipo de bacelo muito utilizado nos Estados Unidos nesta época. Utilizou-se um pai americano enquanto que o outro era  europeu. Os  prejuízos foram enormes. Com tantas variáveis fica fácil agora entender porque os vinhos são tão diversos, mesmo quando feitos com uvas de uma mesma  região, pois além de uma infinidade de métodos que o produtor pode utilizar para criar seu vinho, existem imensas variáveis desde o momento da plantação da videira até a obtenção do suco da uva.
   * Para os que gostam de conferir  “In Loco” as diferentes expressões do terroir nos vinhos, existem várias agências de turismo em Salvador que organizam excursões para as várias regiões produtoras de vinhos no mundo . Entre elas, a Meeting  Tour (353-8744), de Maria Helena Félix,  que promove o “Los vinos de los Andes “, com saída para 26 de outubro e condições especiais para os leitores desta coluna.


O vinho e a saúde
Artigo de 07/01/2005


  Todo ano começa com resoluções e esperanças. As pessoas definem objetivos e almejam situações que tornem suas vidas mais produtivas e prazerosas. Neste contexto, nada melhor que começar o ano falando sobre vinho e saúde. Muito se fala sobre os benefícios do consumo moderado do álcool e especialmente do vinho tinto sobre o bem-estar do ser humano. Existem vários estudos realizados por conceituadas instituições médicas, material suficiente para que tracemos um perfil do efeito do vinho sobre a saúde. Ao decidir falar sobre o tema, o fiz pensando em um querido casal de amigos que, apesar de sempre terem sido abstêmios, já admitem em nome da saúde beber uma taça diária de vinho, mudando assim seus hábitos de vida. Ressalto que nossa intenção não é fazer apologia ao consumo abusivo do álcool, substância que ainda que socialmente aceita, pode ser extremamente danosa ao corpo humano. Recomendamos a ingestão diária e moderada de álcool, preferencialmente na forma de vinho tinto, o que equivale a uma ou duas taças. É importante deixar claro que apesar das diferenças quanto a sexo, tipo físico, condições de saúde e tolerância, além de outras variáveis, a dose diária de uma taça a duas que contém aproximadamente 15 a 30 gramas de álcool traz benefícios sem riscos à saúde. Nociva, contudo, é a ingestão de álcool em curtos períodos de tempo. Ou seja, você deve beber uma taça de vinho a cada dia da semana, mas não deve beber sete taças de vinho em um dia. Outro dado importante é que consumir álcool com alimento é mais saudável que apenas beber, pois o alimento ajuda a metabolizar o álcool, diminuindo pela metade seu nível no sangue, e o álcool promove a metabolização mais eficiente das gorduras dos alimentos. O uso moderado de álcool sob a forma de bebida fermentada ou destilada não traz os efeitos positivos apresentados pelo vinho, especialmente o tinto, pois este além do álcool apresenta mais de trezentas substâncias químicas em sua composição, entre elas os polifenóis, sendo, portanto a bebida alcoólica preferencial quando se busca benefícios a saúde. O Vinho promove:
  - No coração, diminuição em até 50% o risco de doenças coronarianas como infarto, insuficiência cardíaca congestiva e doença vascular periférica. Tais efeitos ocorrem por aumento do bom colesterol, o HDL, alterações dos mecanismos de coagulação, diminuindo o risco de formação de trombos, e aumento da dissolução de trombos que circulam na corrente sanguínea.
  - Diminuição de 45% no risco de desenvolver diabetes.
  - Melhoria na capacidade da memória e de funções cognitivas, o que sugere que o vinho ofereça mecanismos de proteção à demência e doença de Alzheimer.
  - Aumento de 5% na longevidade
  - Nos olhos, prevenção da degeneração macular.
  - Na pele diminuição do risco de câncer e da formação de quelóides
  - Diminuição do risco de doença pulmonar crônica, possivelmente devido à presença de Revesratrol, substância presente apenas nos vinhos tintos.
  - Diminuição do risco de aterosclerose
  - No estômago, diminuição da flora bacteriana, proporcionando uma diminuição do risco de úlcera gástrica.
  - No útero, diminuição do risco de câncer.
  Algumas pessoas têm alergia a sulfito, substância utilizada principalmente no vinho branco e, portanto devem evitá-lo. São geralmente pessoas asmáticas ou em uso de esteróides e podem desenvolver dor abdominal ou problemas respiratórios. É recomendável àqueles que sentem dores de cabeça que ao beber, além de associar comida à bebida, utilizem um analgésico 30 minutos antes de beber. Apesar de uma taça de vinho conter em torno de 150 calorias acredita-se que devido à ação de seus componentes sobre a insulina e a metabolização das gorduras, a bebida não concorre para obesidade quando utilizado às refeições. É relevante notar que nas sociedades onde o consumo de álcool não é proibido ou é associado a cerimônias religiosas, datas festivas ou uso familiar e moderado o abuso do álcool por adolescentes e a dependência do álcool em indivíduos adultos, é menos comum que nas culturas puritanas, nas quais existe a proibição do uso da substância e a sua associação a algo nocivo ou diabólico. A desmistificação é ferramenta importante para evitarmos o abuso de bebidas alcoólicas. Em resumo, vinho consumido com parcimônia pode ser um grande remédio, algo que já se sabia há cente nas de anos atrás.

  CONFRARIA

   l No Réveillon das Águas no Bahia Marina, organizado por Lícia Fábio e patrocinado pela Vivo, tido como o melhor Réveillon da cidade, a Somellier (Tel.354-6050), de Ricardo Portela, ofereceu uma mesa de queijos e serviu dois bons vinhos para os convidados. O Cabernet Sauvignon argentino, 2002, Gentile Collins e o Versus, 2003, sul africano, corte de Merlot, Pinotage e Shiraz. Bom gosto!
  l Na última segunda-feira no Restaurante Trapiche Adelaide, Gilberto Braga, Edgar Moura Brasil e Elisabeth Silveira desfrutaram de um Chianti Rocca della Macie. O escritor promete voltar em breve a Salvador
  l A Expand Salvador deixará de ser do grupo paulista e passará a ser