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Denominação de Origem
André Freire de Carvalho - Médico e enófilo
ARTIGO DO DIA 17/09/2004
Foto:Arquivo
Saber se o preço pedido por determinado vinho é correto ou abusivo, identificar qual o melhor vinho a ser comprado, determinar se aquele produto é ou não fidedigno, são questões freqüentes para quem compra vinhos. Para os que acham que isto é tarefa para “expertises”, vai uma grande dica: Verifique qual a Denominação de Origem do vinho!
No início do século os produtores de vinho na Europa ainda enfrentavam a crise criada pelo aparecimento da Filoxera que lhes destruiu as plantações, fazendo com que houvesse escassez de matéria para a produção do suco de uva. Para piorar a situação, invernos rigorosos e o início da Primeira Guerra Mundial quase paralisaram a indústria de vinho. A crise americana de 1929 comprometeu ainda mais a situação dos exportadores de vinhos europeus. Neste contexto histórico, com a necessidade diária de sobrevivência,os produtores se depararam com uma questão crucial: Elevar a quantidade de vinho produzido em detrimento da qualidade ou manter-se fiel à tradição dos bons vinhos?
Boa parte dos produtores optou por utilizar métodos discutíveis, dizendo o mínimo, para produzir vinhos de “sobrevivência”, encharcando o mercado mundial com produtos de baixa qualidade enquanto outros, apesar da pressão econômica, mantinham-se fiéis à qualidade do produto. Para o público em geral era quase impossível diferenciar os bons dos maus produtos. Na França, o vinho, orgulho nacional, encontrava-se em descrédito.
Visando evitar práticas abusivas por parte de produtores que desejavam apenas o lucro e elevar a qualidade do vinho francês, agora em queda, o governo daquele país, em 1935, resolve criar o INAO (Institut National des Appéllations d’Origine) que tinha como missão criar um sistema de classificação que pudesse auxiliar o consumidor a escolher o melhor vinho para seu consumo, envitando assim os vinhos de baixa qualidade.
Desta forma surgiu o sistema AOC (Appéllation d’Origine Contrôlée) que classifica vinhos que obedecem regras rígidas quanto a sua área de produção, variedade e proporções das uvas, rendimento por hectare, teor alcoólico,práticas de produção, entre outras, sendo freqüentemente testados laboratorialmente e degustado por experientes fiscais para que possam manter sua classificação. Este conceito serviu de modelo para vários sistemas em todo mundo. Entendê-lo, mesmo que superficialmente, abre uma imensa porta para saber separar joio de trigo, podendo ajudar a economizar algum dinheiro e evitar as “armadilhas do mercado”.
No sistema AOC existem quatro categorias:
AOC (Appéllation d’Origine Contrôlée), onde encontramos os produtos de melhor qualidade. Quanto mais específica for a citação de onde foi produzido melhor ele é. Os melhores dos melhores chegam a ter o nome da videira citado em seu rótulo. Portanto, se um vinho tem em seu rótulo a frase Appéllation Bourgogne Contrôlée (referência à região) pertence a uma categoria inferior a um vinho cujo rótulo estampa “Appéllation Côte de Beaune Contrôlée“ (referência ao distrito) e este será de categoria inferior a um “Appéllation Côte de Beaune –Villages Contrôlée “ (referência ao sub distrito).
VDQS (Vins Délimités de Qualité Supériéure), que são vinhos que têm qualidade inferior ao AOC e se enquadram em regras menos rígidas de produção.
Vins de pays , vinhos de qualidade inferior ao VDQS , mas que a depender da região produtora são excelente opção de compra .
Vin de table, vinhos de mesa comuns sem indicação geográfica, que por lei apenas trazem no rótulo o nome do país produtor, não devendo indicar nem safra nem o nome da uva.
O sistema italiano classifica seus vinhos, em ordem decrescente de qualidade, em DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), DOC (Denominazione di Origine Controllata), IGT (Indicazione Geográfica Típica). O vinho de mesa sem indicação geográfica é chamado de Vino da távola.
Na Alemanha, QmP (Qualitätswein mit Prädikat ), ou vinho de qualidade com predicados, QbA (Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete), vinho de qualidade de região específica, Landwein, vinho da terra. O vinho de mesa sem indicação geográfica é chamado de Deutscher tafelwein.
Na Espanha, DOCa (Denominación de Origem Calificada), DO (Denominación de Origem), Vino de la tierra,Vino de mesa (para o vinho sem indicação geográfica)..
Em Portugal DOC ( Denominação de Origem Controlada ), IPR (Indicação de Proveniência Regulamentada), Vinho de mesa regional para os que possuem indicação geográfica e Vinho de mesa para os que não possuem.
Vale ressaltar uma sutil diferença na classificação dos vinhos de Bordeaux em relação a outras regiões da França. Em 1855 quando da Exposição Internacional de Paris, a Câmara de comércio de Bordeaux, a mais proeminente região produtora da época, elaborou uma lista dos considerados melhores vinhos da região para que fossem apresentados no evento. Foram relacionados 61 vinhos,entre os mais de 20.000 produzidos à época, em cinco categorias chamadas “Crus”, sendo apenas cinco Châteaux classificados como Premier Cru . Esta lista, conhecida como Classificação de 1855, é importante até hoje. Os vinhos que dela fizeram parte, ainda hoje estampam em seus rótulos sua classificação, às vezes citados como Grands Crus Classés.
Em Borgonha,como em outras regiões, a especificação “Cru “tem sentido totalmente diverso. Relaciona-se a áreas geográficas delimitadas, vinhedos de qualidade superior que podem receber esta denominação. Existem em Borgonha 561 vinhedos que podem utilizar o termo Premier Cru e 32 vinhedos Grand Cru.
A Denominação de Origem é como um certificado de garantia do vinho, não sendo contudo a garantia de que você vai gostar do produto. Cada pessoa tem gostos diferentes e diferentes níveis de informação sobre vinhos. Quanto mais informado é um indivíduo maior sua capacidade de descortinar todos os sabores e nuances que um bom vinho pode apresentar e, portanto, maior é sua capacidade de definir o que lhe agrada.
No mundo do vinho, como em tudo na vida, existem as boas e más opções . O grande segredo para não errar nas escolhas é desprover-se de preconceitos e falsas certezas, estar sempre disposto a tentar conhecer profundamente o que se apresenta enveredando-se no caminho escolhido,doando-se sem reservas, lembrando-se sempre que algo sem
valor para alguém pode ser extremamente valioso para outrem.
Gattinara
Artigo de 31/03/2006
Este é o nome de um excelente vinho, que apesar de presente há muito no Brasil é pouco conhecido. Produzido com a Nebbiolo, é um vinho interessante e uma opção mais barata e imediata a vinhos como o Barolo e o Barbaresco.
Na região de Piemonte, Itália, em sua porção mais ao norte, próximo aos Alpes, nas colinas situadas entre Novara e Vercelli é onde está localizada a região produtora do Gatinnara. Está área recebeu sua D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita, em 1967 e é uma das mais famosas da Itália. Especula-se que o nome Gattinara seja oriundo da expressão “Catuli Ara” ou Altar de Catullus. Lutatios Catullus, Proconsul romano, durante guerra na região, em 101 AC, utilizou a área como seu acampamento principal.
Sabe-se que vinho era produzido ali desde o Império Romano e que as técnicas de produção foram incrementadas com o passar das décadas agregando qualidade ao produto. A qualidade do Gattinara é reconhecida desde a época do Imperador Carlos V, quando o detentor da região, o Cardeal Mercurino Arbório, Marquês de Gattinara, enviava seu vinho como presente diplomático a vários dignatários.
O vinho que geralmente é produzido com 100% Nebbiolo, uva usualmente conhecida nesta região por Spanna, pode ser feito também com um blend de 90% de Nebbiolo, até 10% de Bonarda e ou até 4% de Vespolina.
O Gattinara é um vinho delicioso, poderoso, e muitas vezes agressivo. Se comparado aos seus primos Barolo e Barbaresco é um vinho mais simples, austero, e menos encorpado, em decorrência principalmente do frio que ocorre na região. Algo realmente interessante é notar como este vinho interage perfeitamente com carnes vermelhas e caças, tornando-se mais delicado, sendo uma ótima opção para um almoço ou jantar especiais. O Gattinara reserva pode ser envelhecido em tonéis de carvalho por 36 ou 48 meses, o que em muito intensifica suas características.
Nas safras muito ruins o Gattinara chega a ser intragável mais isto acontece muito raramente. O mais comum é a ocorrência de safras medianas com vinhos um pouco menos encorpados, mais nas grandes safras o vinho é muito interessante e se aproxima mais dos seus primos ricos. Grandes safras foram as de 1982, 1985, 1990, 1997 e 2000. Existem grandes produtores de Gattinara, mas o mais conhecido no Brasil é o Travaglini, que com sua garrafa algo entortada se transformou e atração à parte.
O Gattinara é uma das boas opções custoxbenefício qua a Itália tem a oferecer. Se não possui a opulência do Barolo e do Barbaresco, apresenta um preço que muitas vezes é um quinto do apresentado por eles. Um vinho adequado para os que querem conhecer a expressão do Piemonte sem gastar muito, para os que não possuem o paladar pronto para vinhos mais complexos e para aqueles que desejam beber vinhos que não precisem de muito tempo de guarda, mas que mesmo assim apresentam características sofisticadas. Para os menos esclarecidos o vinho pode parecer muito áspero. E realmente o é ocasionalmente, mas escolhendo uma boa safra, um bom produtor e observando a temperatura correta, este vinho é quase uma dádiva, outra bebida para estar na lista obrigatória
de compra de que ama vinhos.
CONFRARIA
l Em justa homenagem, Ng Cheuk Kin, nosso Kin, recebe o título de Cidadão Soteropolitano em ato solicitado pelo Vereador Giovanni. A cerimônia ocorrerá na Câmara Municipal de Salvador nesta segunda-feira, coincidentemente data de aniversário do homenageado. Um presente adequado para alguém da estirpe de Kin Kin.
l Quem estiver passeando por São Paulo não deve perder a chance de conhecer a nova loja conceito da Vivo no Shopping Morumbi. Alta tecnologia, lançamentos e inovações à disposição dos clientes, além de vários mimos.
l A Bonnie realiza desfile beneficente em prol do Hospital Martagão Gesteira ao dia 09 de abril. O evento ocorrerá no Hotel do Convento do Carmo e contará com o apoio da joalheria Carlos Rodeiro que ofertará brindes para sorteio.
l Semana que vem é a vez de Janete Freitas reunir amigos para a comemoração de seu aniversário, acontecimento sempre muito prestigiado. Janete, além de várias outras qualidades, é apaixonada por um bom vinho.
l Larry Prusak, pesquisador americano, participa hoje da conferência internacional “Cultivando conhecimento e capital relacional nas organizações”, promovida pela Fundação Luis Eduardo Magalhães, evento que reúne executivos, de várias áreas.
l A TV Bahia, através de seus diretores João Gomes e Marcelo Lyra, apresentou, em almoço no restaurante Pereira, as novidades da sua programação para 2006.
l Bruno Castelo Branco assumiu a Diretoria Médica da Alclin em cerimônia realizada ontem no Hotel Fiesta.
l O bar Dona Flor, na Barra, está fazendo sucesso entre os descolados que querem apreciar o pôr-do-sol na Bahia de Todos os Santos e os que desejam uma boa conversa noite adentro.
l O Amado está movimentadíssimo. O restaurante vem se transformando em ponto de encontro para quem busca enogastronomia de alto nível. Na ultima semana, em mesa animada estavam Lena e Jean Gaston Humbert, Nena Barreto de Araújo e Paulo Sérgio Tourinho apreciando os vinhos da casa.
l A designer Regina Aon estará presente, dia 06 de abril, na Just Brasil à convite de Scheila Ciqueira, no Shopping Boulevard, para o lançamento de sua marca na Bahia.
l Professor assistente de Economia da PUC-RJ e executivo com larga experiência, Roberto Guezburger assumiu a diretoria de marketing nacional da Claro.
l O arquiteto baiano Assis Reis assina a maquete de Salvador que está em exposição no Shopping Barra.
Brunello, o terceiro B!
Artigo de 24/03/2006
Toscana, esta bela região da Itália, imortalizada nas músicas e DVDs de Andréa Bocelli, é lar de um importante vinho, conhecido como um dos três grandes Bs da Itália, o Brunello di Montalcino.
O Brunello di Montalcino é feito com 100% de uvas Sangiovese, conhecidas na região de Montalcino por Brunello, belo moreno, o que explica seu nome. A aldeia de Montalcino está localizada em uma colina, dominando todo o vale, uma cidade medieval, toda em pedra, bela e aprazível. Passar por sua via única de acesso a carros, uma via que sobe a colina, descendo-a depois em sentido único, é experiência memorável. A cidade foi por muito tempo uma importante fortaleza e berço de vários grandes nobres italianos.
A Itália produz vinhos há mais de 3500 anos, mas o Brunello surgiu apenas em 1870, quando um viticultor chamado Ferrucio Biondi-Santi encontrou uma forma de produzir um clone da Sangiovese que fosse mais resistente ao ataque da Filoxera. Inicialmente chamada de Grosso, para distinguir da Sangiovese plantada em Chianti, que era menor, o clone foi chamado posteriormente de Brunello.
Apesar do mercado da época demandar vinhos jovens, leves e frutados, Biondi passou a buscar uma forma de produzir um vinho encorpado, tânico, elegante e equilibrado, com envelhecimento em carvalho, acabando por fazer história, pois em 1880 lançou um vinho com este perfil, e que em 1888 teve sua primeira safra de alta qualidade reconhecida, e em 1980 recebeu a sua D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita.
Garrafas de Brunello de 1888, abertas recentemente, ainda restam cinco, e que mostraram todo esplendor que este vinho alcança, provam a grande capacidade de guarda que possui.
Apesar de em grande parte o sucesso atual do Brunello se dever a uma bem engendrada campanha de marketing, suas qualidades são inegáveis. A ressalva que se faz é que a Itália produz vinhos tão bons quanto o Brunello e que, por não terem uma divulgação tão eminente, apresentam preços muito inferiores ao que este toscano apresenta se tornando excelentes opções na que tange relação custo x benefício, algo que o Brunello efetivamente não dispõe.
O vinho apresenta aromas e sabores de amoras, cerejas, chocolate, couro e violeta, tendo grande complexidade e elegância. Para atender a legislação local, o vinho deverá amadurecer dois anos em barris de carvalho e dois anos em garrafa antes de ser liberado para consumo. O Reserva deve amadurecer dois anos e meio em barris e o mesmo tempo em garrafa.
Os produtores mais tradicionais utilizam barris de carvalho da Eslovênia para amadurecer seus vinhos sem interferir no seu caráter, enquanto que os produtores mais modernos utilizam barris de carvalho francês, o que lhe confere uma nota de baunilha. É comum ainda que se utilize uma combinação de barris dos dois países, gerando um terceiro estilo de Brunello. De qualquer forma, esperar alguns anos para bebê-lo é de bom alvitre, pois este vinho só melhora com o passar dos anos, se tornando excepcional em algumas décadas.
Boas safras deste vinho foram as de 1985, 1988, 1990, 1997, 1999 e produtores como Argiano, Altesino, Poggio, além do lendário Biondi-Santi, são altamente recomendáveis.
O Brunello di Montalcino é isto, prazer e elegância. Felicidade a compartilhar, pois a real felicidade não se encontra na cama ou na sociedade, felicidade é estar com quem se ama, vivendo as pequenas coisas da vida e enfrentando as dificuldades que teremos que enfrentar, de uma forma ou outra, neste longo aprendizado que é viver
com responsabilidade tendo a verdade como norte.
CONFRARIA
l Continua o brechó beneficente da Fundação Erick Loef , com renda revertida em prol das crianças com câncer, que funciona no Shopping Boulevard 405, na Pituba, e que conta com o apaixonado apoio de Vera Luedy.
l Parabéns para Antônio Luedy, sênior, e Alfeu Luedy que aniversariaram na última sexta-feira e sábado, respectivamente.
l Mônica Lima, orgulhosa com toda razão, comemora o sucesso da filha, Clara Portela como DJ do Nêgo Lôro na Barra.
O Terranoble Gran Reserva Merlot 2003 obteve 88 pontos na avaliação da Revista Wine & Spirit do mês passado, enquanto que o Terranoble Gran Reserva Carmenére 2003 foi considerado um dos TOP chilenos pela Wine Enthusiast deste mês, feito comemorado pela Decanter, importadora das bebidas para o Brasil.
l Na Vinalies 2006, concurso que ocorreu recentemente na França, o Viu Manent SV Cabernet Sauvignon 2004, recebeu medalha de Ouro, enquanto o Cabernet Sauvignon Reserve 2004, o Malbec Reserve 2004 e o Malbec SV 2004 receberam medalha de Prata. Estes vinhos foram apresentados aqui na Bahia, em agosto passado, durante a Wine Bahia, por José Miguel Viu Bottini, proprietário da vinícola, que comemorou aqui os 70 anos de sua empresa.
l Balé Mulato, o show de Daniela Mercury no Canecão, que iniciou turnê na semana passada, alcançou grande sucesso. No gargarejo estavam os amigos Luiza Brunet, Cacá Diegues, Orlando Moraes, Lucia Veríssimo, Carlinhos de Jesus e outros mais.
l O Concurso “Chardonnay du Monde”, realizado em Borgonha, França, premiou com medalha de Prata o Aurora Chardonnay Reserva 2005, que concorreu com 936 amostras de 36 países.
l A iContent recebeu o prêmio Colunistas Promoção Norte-Nordeste 2006, na área Cases de Marketing Promocional, na categoria Produto Cultural ou de Lazer, pelo Festival de Verão,maior evento musical do Brasil.
l Soraya Brito se prepara para inaugurar a Home Gift assim que terminar a reforma da Home Center.
l O show de Marcelo Bacellar no Teatro Isba está atraindo os amantes da música pop contemporânea. Quem ainda não viu tem mais uma chance no dia 30.
Barolo e Barbaresco, dois dos três Bs!
Artigo de 17/03/2006
É comum dizermos que a Itália é a terra dos três grandes Bs. Barolo, Barbaresco e Brunello de Montalcino, três dos melhores vinhos do mundo provêm daquele país e fazem a alegria dos amantes dos vinhos complexos e encorpados. Na região de Piemonte, onde se planta a uva Nebbiolo, produz-se dois dos grandes Bs: O Barolo e o Barbaresco.
Para se entender estes vinhos é necessário entender a uva que o origina e o clima da região sudeste de Piemonte, de onde eles provém. Esta região, próxima aos Alpes, é muito fria, sendo comum que as uvas não tenham condições ideais de amadurecimento, o que contribui para um alto grau de acidez no vinho por elas gerado. A Nebbiolo, de Nebbia, neblina em italiano, é uma uva negra, com alto teor de açúcar e que é extremamente tânica. Somando estes dados pode-se imaginar que o produto final é um vinho ácido, muito tânico e com alto grau alcoólico, além de muito encorpado e de cor intensa. Um vinho para pessoas experientes, a ser evitado pelos iniciantes.
No passado era comum, em algumas safras, que o frio impedisse a fermentação do vinho, tendo o produtor que esperar vários meses por um aumento na temperatura ambiente. Durante todo este tempo as cascas estavam em contato com o suco, transferindo ainda mais tanino para o vinho, o transformando em algo intragável, que só poderia ser bebido após vinte ou trinta anos de guarda, tempo necessário para que os taninos fossem suavizados. Com o advento das técnicas modernas de produção esta situação ficou para trás, mas ainda sim esperar 10 anos para beber um bom exemplar destes vinhos é algo recomendável.
Barolo e Barbaresco recebem os nomes de vilas existentes em suas zonas de produção, ambas D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita. Apesar de semelhantes, possuem diferenças importantes. Ambos são vinhos poderosos, encorpados e austeros, mas o Barolo, por ser originário de uma zona mais fria e íngreme tende a ser mais robusto que o Barbaresco. Outra diferença está no tamanho da zona de produção e na quantidade de vinho produzido. O Barbaresco é produzido em apenas três aldeias, enquanto que o Barolo em 11, com volume final superior ao dobro da produção do Barbaresco. Como a zona de produção do Barolo é maior, está sujeita a maior variedade de micro-climas , o que implica apresentar maior variabilidade que o Barbaresco.
Para atender a legislação italiana, o Barolo deve envelhecer no mínimo, três anos, entre barril e garrafa, e o Reserva cinco anos. O Barbaresco deve envelhecer dois anos, e no caso do reserva, quatro.
Estes potentes vinhos trazem fortes aromas e sabores. O Alcatrão é sua marca registrada, sendo comum que os fumantes os tenham em alta conta. Além do alcatrão, couro, chocolate, tostado, rosa, violeta, alcaçuz, ameixa e figos fazem parte da sua descrição. Como são muito tânicos e próprios para a mesa, são ideais para acompanhar comidas ricas em gorduras, como assados, caças, risotos e massas com molhos complexos.
Apesar das versões mais simples serem bastante diretas e indicadas para os apreciadores que possuem alguma experiência, os melhores Barolos e Barbarescos são vinhos para os muito experientes. Bebê-los sem estar apto a apreciá-los pode ser o caminho para odiá-los. Os bons Barolos, por serem mais complexos e potentes, podem chegar a preços astronômicos. Investir muito para apenas se decepcionar é coisa que pode gerar traumas eternos. Para não errar na escolha é bom estar atento ao produtor. Vietti, Gaja, Renato Ratti, Prunotto, Bruno Giagosa, Giácomo Conterno são alguns produtores de alto nível que lançam no mercado produtos admiráveis. Todos eles são facilmente encontrados no Brasil e podem fazer com que o contato com estes vinhos fortes e ásperos, masculinos e austeros, possa se tornar uma experiência inesquecível. Afinal de contas por que algo tem que ser delicado, calmo e sem graça para ser escolhido? As vezes esta personalidade em turbilhão é a melhor escolha, e se desprezados por uns, podem ser desejados, e amados, por outros!
CONFRARIA
l A Fundação Erick Loef está promovendo um Brechó que começará amanhã e se estenderá por um mês, com renda revertida em prol das crianças com câncer. Em loja cedida pela empresária Vera Luedy, no Shopping Boulevard 405, na Pituba, estarão á venda, a preços simbólicos, roupas masculinas e femininas, nacionais e importadas, novas e semi-novas, bijouterias e outros acessórios doados por ilustres senhoras e senhores da sociedade local, cientes das necessidades que estes seres humanos atravessam. Algo para aplaudir, prestigiar, propagar, reverenciar e repetir.
l Entre os dias 20 e 26 de março o Restaurante Les Saveurs D´Itapuã, do Hotel Sofitel estará realizando um Festival de Bacalhau, sempre a partir das 19 horas. Mais uma vez o Chef Torres oferecerá aos baianos sua culinária impecável. Agora é só conferir.
l A inauguração do Amado, nesta última quarta-feira foi um imenso sucesso. Licia Fábio e Edinho Engel fizeram uma festa para não ser esquecida.
l Semana de comemoração pelo aniversário do Hospital São Rafael. 16 anos apoiando a comunidade baiana e trazendo alívio aos necessitados.
l Ontem um jantar no Solar do Unhão marcou a conclusão da pintura do Mercado Modelo, financiada pela Suvinil, e o lançamento do documentário que conta a história do espaço.
l A Miolo conquistou medalha de ouro no Concurso Vinalies Internationale, realizado na França. A premiação foi pelo Cuvée Giuseppe 2004.
l Ethel e Suca Baratz realizaram mais um coquetel na sua Veruska. O evento, muito badalado, contou com a presença de figuras ilustres da sociedade local.
l A Cooperativa Aurora lançou o vinho Aurora 75 em comemoração aos 75 anos de sua fundação. O vinho é um corte bordelês, da safra de 2002, de uvas selecionadas dos parreiras da empresa.
l Foi grande o sucesso do coquetel de lançamento da nova coleção da Zion. Parabéns para Júlia Leite que recebeu amigos e clientes em alto estilo.
l O TCA será palco para a peça “A Casa dos Budas Ditosos”, adaptação para o teatro do livro de João Ubaldo Ribeiro, estrelada por Fernanda Torres.
Asti e Moscato
Artigo de 10/03/2006
Na Itália, a uva Moscato origina bons vinhos. Mas especificamente na região de Piemonte, em 52 comunidades de três Provinciais italianas, as Províncias de Asti, Alessandria e Cuneo, se elabora dois vinhos baratos, saborosos e que facilmente chegam ao Brasil: O Asti e o Moscato d‘Asti.
Tanto o Asti quanto o Moscato d’Asti são originados em regiões de D.O.C.G., Denominazione di Origine Controllata e Garantita, estabelecidas desde 1993. A legislação italiana não é tão rígida quanto a francesa, mas é nela baseada e órgãos governamentais supervisionam todas as etapas de produção dos vinhos, controlando o tipo de uva, área de plantação, e práticas de vitivinicultura.
Por terem nomes, aromas e sabores parecidos é comum no Brasil que as pessoas confundam um com o outro, apesar de serem vinhos totalmente diferentes. O Asti é considerado vinho espumante, enquanto que o Moscato é um frisante. A diferença está na quantidade de dióxido de carbono que é adicionada ao vinho durante a fermentação. Durante o método de vinificação de espumantes chamado de Charmat, a fermentação ocorre em cuba resfriada, selada e pressurizada. O dióxido de carbono, subproduto do processo fermentativo é mantido em contato com o mosto, dissolvendo-se na própria bebida. É este dióxido que é o responsável pelas bolhas que encontramos nos espumantes. As partículas sólidas, resíduos do processo de fermentação são eliminadas através de adição de clarificantes, centrifugação, filtragem, tudo feito em temperaturas baixas para prevenir uma indesejável fermentação adicional. Tanto para o Asti quanto para o Moscato, o processo de vinificação é o mesmo. A diferença está no momento no qual o processo de fermentação é interrompido. No caso do Moscato isto se dá de forma precoce quando apenas 5% de álcool foi produzido a partir do açúcar do mosto, o que por um lado permite um alto nível de açúcar residual, mas que por outro forma pouco Co2, sendo comum a pressão final na garrafa ser menor que 1.7 bars. Como o Asti tem mais dióxido de carbono, apresenta maior efervescência, é considerado espumante e recebe a rolha padrão para vinhos gaseificados, aquela aramada utilizada no Champagne. O Moscato d’Asti como tem menos gás recebe uma rolha comum.
Como o Asti é feito de maneira prolífera, e para consumo imediato, a safra não é citada no rótulo. Já o Moscato d’Asti é produzido com uvas selecionadas, em pequenas quantidades, a produção chega apenas a cinco ou seis milhões de garrafas, e possui safra declarada. O primeiro deve ser servido em torno dos 8º. C, em taça alta, tipo flûte, geralmente como Welcome Drink, e o segundo em torno dos 10º. C, em taças de vinho branco, como vinho de aperitivo ou vinho de sobremesa, para acompanhar tanto comidas salgadas, quanto com frutas ou doces.
Os dois vinhos são leves e possuem baixo grau alcoólico e alto açúcar residual, não sendo adequados para guarda e sim para um consumo mais imediato. O Asti apresenta entre 7 e 9% de álcool, enquanto que o Moscato d’Asti apresenta em torno de 5% de álcool.
O Asti é um vinho frutado,com aromas e sabores marcantes de laranja, pêssego, damasco, acácia e mel. O Moscato possui aromas e sabores de lima, limão, pêssego, laranja, e damasco, sendo menos floral e mais frutado que o Asti.
Estes vinhos são simples, acessíveis e prazerosos. Despretensiosos, se prestam àqueles que procuram apenas o prazer de beber um vinho saboroso e franco, nada tendo de sofisticado, intrigante ou reflexivo. Uma boa experiência para
momentos descontraídos.
CONFRARIA
l A Expand lançou sua programação de cursos de vinhos para março. No dia 13 e 14 haverá cursos básicos, e no dia 15 e 16 cursos avançados, todos ministrados pelo sommelier paulista Eduardo Lopes. São apenas vinte lugares disponíveis. Informações pelo tel. Tel. (71) 3264 5348
l Salvador ganha mais uma advogada. Na ultima semana Fabiana Cotias recebeu seu diploma pela conclusão do curso de Direito.
l O soft-open do Amado está longe de ser soft. A casa anda lotada e não raro existe fila de espera. Coisa boa mostra pro que veio logo de cara. Dia 15 ocorre a abertura oficial do restaurante.
l Cultura para todos, algo que o Brasil precisa. O Cine Pelô, um projeto patrocinado pela Telemar, exibirá a partir de amanhã o filme “Domésticas”, dirigido por Fernando Meireles.
l Um grande programa para hoje é o show de Mariene de Castro no Solar do Unhão que contará com uma homenagem da cantora aos 21 anos da TV Bahia.
l cantor Jay Kay, líder da banda britânica Jamiroquai, confirmou sua participação na corrida de celebridades que acontecerá no circuito de Sakhir, no Bahrein, como um dos eventos de apoio ao GP inaugural da Fórmula 1 na temporada 2006, que ocorre no próximo domingo.
l Entre os dias 18 a 26 de março, no Shopping Barra, ocorrerá o Festival de Arte e Cultura da Tailândia com apresentação de danças típicas, técnicas de massagem, filmes e comercialização de objetos típicos dos país.
l Queijos e vinhos portugueses foram escolhidos pela empresária Júlia Leite para serem oferecidos durante o lançamento da nova coleção da Zion, na próxima terça-feira.
l Recém-fugidos do Carnaval, voltam à cidade Solange e Sérgio Carneiro, que depois do merecido descanso se prepara para o ano eleitoral que terá pela frente.
Gevrey Chambertin
Artigo de 03/03/2006
Em Borgonha, França, na sub-região de Cotes de Nuits, existe uma apelação que traz consigo a fama de produzir o vinho predileto de Napoleão. O Imperador francês, conhecido por ser disciplinado e fiel aos seus gostos, leonino clássico, após conhecer o vinho ali produzido não mais dele se afastou. Em suas campanhas a bebida era item obrigatório de seu inventário de guerra. Usualmente, o misturava com água e bebia às refeições. Durante a mal sucedida invasão da Rússia, que precipitou sua queda, afirmava que a garrafa de seu Chambertin era, além de alimento fundamental de seu corpo, um alento para sua alma.
A História do Chambertin remonta ao século VII, e está diretamente ligada a ordem religiosa dos cistercienses. Estes monges introduziram a noção de que um Climat com nome específico, vinhedo com nome específico, deveria determinar a qualidade, estilo e preço de um vinho. Monges da Abadia de Beze produziam um excelente vinho para consumo próprio. Como o vinho era realmente muito bom, os religiosos logo expandiram a plantação das vinhas para terras próximas à abadia, propriedade de um senhor chamado Bertin, aumentando assim a produção. Em pouco tempo o vinho produzido nos Champs de Bertin, ganhou fama e passou a se chamar Chambertin, se tornando um Climat bastante famoso.A partir de 1860, uma lei permitiu que as vilas, desconhecidas para maioria das pessoas, utilizassem o nome dos seus vinhedos mais famosos, saindo assim do ostracismo. Desta forma, a desconhecida Gevrey, sede do vinhedo de Chambertin, passou a se chamar Gevrey-Chambertin, nome também adotado pelos vinhos ali produzidos.
O vinho originalmente feito em terras da abadia hoje é conhecido como Chambertin-Clos de Beze. Além deste, Chapelle-Chambertin, Charmes-Chambertin, Griotte-Chambertin, Le Chambertin, Latriciéres-Chambertin, Mazis-Chambertin, Ruchottes-Chambertin são outros vinhedos Grand Cru de Gevrey-Chambertin, possuindo assim denominação própria.
Como todo bom Borgonha, os vinhos feitos em Gevrey-Chambertin, 100% Pinot Noir, são de cor intensa, ricos em aromas e sabores de frutas pretas e vermelhas, com notas de almíscar. Apresentam bons níveis de acidez, taninos finos e bom corpo, evoluindo muito bem com a guarda, desenvolvendo maravilhosos aromas e sabores com alguns anos de amadurecimento, tornando-se extremamente terrosos, ricos, opulentos e com extrema persistência.
A região possui 399 hectares em produção, sendo 84 hectares de premier cru. Cada hectare pode produzir no máximo 40 hectolitros segundo as regras de AOC para o local. A média anual de produção é de 19.800 hectolitros, sendo 3.750 hectolitros de premier cru. A produção, relativamente pequena, explica o fato do Gevrey não ser tão facilmente encontrado no Brasil e os altos preços que mesmo os vinhos mais simples alcançam.
O Gevrey-Chambertin é um vinho sensual e romântico para ser bebido em ocasiões especiais. Com nobre passado e futuro ainda mais promissor é um dos bons vinhos do mundo a se degustar, de preferência a dois, em um final de tarde ou noite, seja
de lua ou de chuva.
CONFRARIA
l No Camarote de Daniela Mercury um dos grandes sucessos foi o D.O., vinho feito com Cabernet Franc, no Chile, através de uma parceria da Miolo com a Via Wines. Lícia Fábio como sempre mostrou sua competência e organizou o melhor camarote do carnaval baiano cheio de pessoas interessantes que puderam desfrutar de toda estrutura por ela concebida.
l O espaço mais VIP deste carnaval, sem dúvida alguma, foi o Amaralina Beach Lounge.Astrid, Marcelo Checon e Ed Sá organizaram um serviço impecável em um dos locais mais belos da cidade, com infra-estrutura perfeita. Luiza Brunet, Fause Haten, Álvaro Garnero, Sabrina Sato e Otávio Mesquita foram alguns dos privilegiados. O comentário geral era que só havia gente muito bonita, inteligente e descolada.
l Menendez e Amerino, este é um nome para não esquecer. A competência da produção foi tamanha que vários convidados não tinham a camisa-convite para vestir, outros tantos ao sair do camarote não podiam mais voltar por superlotação, mesmo que toda sua família ainda lá estivesse, enquanto outros nem puderam entrar. Sem falar do calor infernal. A Área VIP, também não foi diferente, e de VIP só tinha o nome. Os seguranças contratados eram tão educados que nem os organizadores se atreviam a solicitar que fossem mais civilizados. Talvez a única razão para ainda existir uma armadilha destas em nossa cidade é por ser ela montada por pessoas de outros estados para convidados, em sua maioria, de outros estados. Quem gostar de desorganização, seguranças trogloditas, espaço acanhado, quente, enfumaçado, já sabe onde reservar vaga no próximo ano. Quem quiser ver sua marca na lama já sabe a quem patrocinar.
l O Restaurante Amado, do restauranteur Edinho Engel, aberto em Soft-Open, foi um grande sucesso neste carnaval. A sua carta de vinho deverá ser apresentada em sua inauguração oficial, prevista para o próximo dia 15. Edinho foi o responsável pelo welcome cocktail em homenagem a Bono Vox, The Edge e Larry Mullen, integrantes do U2, além do produtor da banda, o maestro Quincy Jones, no lounge montado no jardim da casa em que se hospedaram, em Busca Vida.
l Em pleno carnaval, nada melhor do que comemorar o aniversário em plena folia. Foi assim que o Camarote de Daniela Mercury foi palco de comemoração dos aniversários de Camila e Paulo Mecchia no sábado e do neurocirurgião Orlando Freire de Carvalho, na segunda-feira.
l O destaque do Ara Ketu na terceira-feira foi a presença de Roberto Justus e Ticiane Pinheiro.
Classificação de Borgonha
Artigo de 17/02/2006
A Borgonha apresenta uma situação geográfica tal que a composição dos solos, ensolação, drenagem e incidência de ventos é extremamente diferente em áreas extremamente próximas. Não é de se estranhar que um vinho produzido com as uvas de uma determinada vinha seja muito diferente do gerado por outra vinha localizada a alguns centímetros da primeira.
É na Borgonha que o conceito de Terroir se faz mais presente. Pode-se dizer que o Terroir da Borgonha é a união de milhares de Terroirs, cada um representando uma determinada área com características geo-climáticas idênticas. Para entender esta diversidade basta imaginar uma colina. Em Borgonha os vinhos feitos no alto serão diferentes dos feitos no meio e diferentes dos feitos na base da colina. Além disto, os vinhos feitos no alto, no meio ou na base, serão diferentes entre si.
É por conta desta diversidade que a AOC em Borgonha contempla a qualidade do Terroir e não do produtor. Além do que, geralmente um vinhedo é propriedade de dezenas de produtores, todos eles produzindo seus próprios vinhos, uma verdadeira confusão, que decorre da própria História da França.
Assim sendo, quanto mais específica for a denominação existente no rótulo do vinho, de melhor qualidade é o produto. Muitas vezes chega-se a citar o vinhedo que originou as uvas utilizadas na criação daquele vinho, fato que só ocorre na classificação de vinhos de Borgonha.
Lá se utiliza as denominações Premier Cru e Grand Cru, como em Bordeaux, mas com um sentido totalmente diferente, pois não são símbolos de status concedidos a uma propriedade e sim um certificado de qualidade concedido a vinhedos especiais geradores de vinhos de alto nível. Em Borgonha, os Premier Cru, ou primeiro caldo, são vinhos excepcionais, feitos em vinhedos específicos, 562 vinhedos podem utilizar esta denominação, e Grand Cru, ou excelentes caldos, são vinhos ainda melhores, apenas 33 vinhedos utilizam esta denominação.
Portanto, ao ler um rótulo de Borgonha podemos encontrar as seg que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua
fascinante diversidade. As seguintes Appéllation d’Origine Contrôlée, ordem crescente de qualidade:
· AOC de Borgonha ou Appéllation Bourgogne Contrôlée.
· AOC de Aldeia, que recebe o nome da aldeia de origem do vinhedo, por exemplo, Appéllation Gevrey-Chambertain Contrôlée.
· Premier Cru, que recebe o nome da aldeia e do vinhedo, por exemplo, Appéllation Morey- St. Denis Les Charrières Contrôlée
· Grand Cru, que recebe o nome do vinhedo, por exemplo, Appéllation La Tache Contrôlée. Para saber distinguir os vinhos Premier Cru dos Grand Cru, quando não há a especificação no rótulo deve-se saber geografia, ou conhecer muito sobre vinhos. O fato é que não é tarefa das mais fáceis, o que não deixa de ser inspirador e atrativo.
Entendo um pouco mais da classificação dos vinhos de Borgonha já se pode aventurar a escolher um bom vinho e degustar os prazeres desta excelente região, desde que evidentemente se tenha condições financeiras para tanto.
Afinal de contas são os vinhos desta região que alcançam os maiores preços no mercado mundial de vinho.
CONFRARIA
lA Feijoada Dona Flor da família Amado, organizada por Alexandre Bacelar, lotou a cobertura do Hotel Pestana. O evento, apenas para convidados, adentrou pela noite em um clima claramente pré-carnavalesco.
lO Empório Oriente foi o local escolhido por Roberto Chaves para o lançamento do movimento Maniçoba Hype no carnaval de Salvador, que contará com um trio elétrico independente no circuito Barra-Ondina, na segunda-feira de carnaval. O projeto, nascido em Paris no ano passado tem como padrinhos o músico Carlinhos Brown e a socialite Lilibete Monteiro de Carvalho.
lQuem está nos Estados Unidos fazendo seu fellowship na University of Miami é a Oftalmologista Alessandra Urbano, filha de Ivan Urbano. A Médica se especializa em doenças da córnea.
l Antes de ser inaugurado, o Amado já virou lugar de moda em que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua
fascinante diversidade. O chef e Restauranteur Edinho Engel, vem reunindo pequenos grupos de convidados para experiências enogastronômicas. Recentemente Nizan Guanaes levou um grupo de vinte amigos para comemorar o aniversário da mulher, Donata Meirelles, no local, mesmo em obras. Sérgio Amado foi outro que festejou aniversário no futuro restaurante da Contorno. A previsão é que o Amado seja inaugurado no início da segunda quinzena de fevereiro.
l “Cine Teatro Daniela Mercury” é o nome escolhido pela cantora para batizar a 11ª edição de seu badalado camarote.Com produção de Licia Fábio, e decoração, mais uma vez, assinada pelo artista plástico Joaozito, o espaço terá referências à história da sétima arte e os tons predominantes serão o dourado e vermelho. A folia por lá começa no dia 23 com o tradicional baile infantil que terá como tema o Cinema Brasileiro Infantil.
lAs exportações da Miolo em 2005 cresceram 267% em comparação a 2004, quando foram exportadas 262.026 garrafas. A previsão para 2006 é ultrapassar as 500 mil garrafas. É uma gota no oceano, mas já é um começo.
lO TerraNoble Gran Reserva Carmenere 2003, trazido ao Brasil pela Decanter, foi considerado pela revista Wine Enthusiast o 35º vinho do mundo na opção boa compra.
lOutra boa opção que chega agora ao Brasil é o “Quinta do Valdoeiro Touriga Nacional” que ganhou a Medalha de Ouro 2005 da revista inglesa Decanter. Uma excelente opção para quem gosta de vinhos portugueses, é claro!
lA lavagem do Pátio do Café Cancun foi um grande sucesso, para a felicidade do empresário Pillar Calomeni. Érica Saraiva, festeira de carteirinha, esteve por lá.
lJosinha Pacheco foi a anfitriã no lançamento da Revista Go Where, nesta última quarta-feira. Compareceram ao evento Juca e Elisinho Lisboa, Olga e Alfeu Luedy, Vera Luedy, Lia Ferreira, Carlos Rodeiro,
entre outros.
Classificação de Bordeaux
Artigo de 13/01/2006
Quando se fala em Bordeaux, maior ícone do mercado mundial de vinho, há que se entender que tudo é diferente. Apesar de estar submetida às regras de A.O.C., Appéllation d’Originé Contrôlée, ostentadas nos rótulos de seus vinhos, Bordeaux não segue regras, dita regras. Ali, tudo é singular, até mesmo a classificação de seus vinhos. Como se não bastasse uma classificação específica da região, cada sub-região tem sua própria classificação e, apesar dos termos utilizados serem parecidos, significam coisas distintas em áreas que distam muitas vezes poucos metros umas das outras.
Há duas formas primárias de classificação: a que se baseia na terra, e consequentemente no Terroir, e a que se baseia na posse da terra. Quando a classificação se baseia na terra, uma propriedade classificada como Petit Chateâu continua tendo a mesma denominação, mesmo que comprado por um Grand Chateâu. Quando a classificação se baseia na posse, um Petit Chateâu comprado por um Grand Chateâu passa também a ser um Grand Chateâu, como ocorre em Médoc e Graves. Os Grand Châteaux são, originariamente, grandes propriedades produtoras de vinhos de alta qualidade e preço, enquanto que os Petit Châteaux são pequenas propriedades produtoras de vinhos simples, baratos e de consumo imediato.
Em 1855, foi solicitada por Napoleão III uma classificação dos melhores vinhos de Bordeaux, tidos à época como os melhores da França, a Câmara de Comércio da Região. Desta forma os vinhos foram classificados em cinco categorias, sendo quatro deles enquadrados como Premiers Crus, catorze como Deuxiémes Crus, catorze como Troisiémes Crus, dez Quatriémes Crus e dezoito Cinquiémes Crus. Curiosamente, quase todos os vinhos classificados eram originários de Médoc, Sauternes, Barsac e Graves, com um único representante, o Château Haut-Brion. Os vinhos de Sauternes e Barsac foram enquadrados em uma classificação ligeiramente diferente, se dividindo em Premiers Cru Supérieur Classé , aplicável exclusivamente ao Château d'Yquem, Premier Cru Classé e Deuxiémes Cru Classe. A classificação de 1855 é utilizada até hoje e recebeu uma única modificação, que foi a inclusão, em 1979, na categoria de Premier Cru, do Chateâu Mouton-Rothschild.
Em 1953, houve uma classificação específica para os vinhos de Graves, com revisão em 1959, enquadrando os melhores vinhos da sub-região em Crus Classés, sem definir uma hierarquia entre eles. Hoje existem 21 vinhos, 13 tintos e oito brancos, que recebem esta denominação.
Em 1954, foi a vez do St-Émilion elaborar uma classificação própria, com o grande diferencial de se realizar revisão a cada dez anos. Assim é que os vinhos da área são classificados em Premiers Grand Cru Classe, subdivididos em grupo A e grupo B, Grand Cru Classe e Cru Classe.
Alguns Châteaux de Médoc, cerca de 200, produtores de vinhos que ficaram fora da classificação de 1855 passaram a utilizar a denominação de Crus Bourgeois. Muitos dos vinhos enquadrados nesta denominação são óbvios e desinteressantes, mas os melhores Crus Bourgeois rivalizam com alguns vinhos classificados em
1855, custando menos da metade do preço.
CONFRARIA
O Restaurante do Yacht foi o palco para o encontro no qual a Skol revelou suas ações no verão e carnaval da Bahia em 2006. A cerveja, que tem aumentado muito suas vendas em nosso estado, resolveu investir maciçamente para transformar sua marca em campeã de vendas.
Hoje é dia de festa na Barraca do Lôro. Aloísio Melo e Rosana Imbassahy comemoram os dez anos de seu empreendimento.
Naildo Macedo segue para Nova York afim de participar do National Retail Federation, um dos maiores eventos mundiais do varejo, onde terá contato com novos conceitos que certamente serão aplicados aqui em nosso Shopping Barra.
Ontem foi dia de devoção para muitos baianos. Enquanto Luzia Santana e Vevé Calazans seguiam a pé para a Igreja do Bomfim, Ozana Barreto tinha o mesmo destino com um grupo de amigos que, como todo ano, se reuniram para um café da manhã antes de seguir para a caminhada.
Os convites para o Baile da Vila, dia 22 de fevereiro, já estão disponíveis. Os primeiros compradores terão um preço especial de venda para este que é um evento pré-carnavalesco de altíssima qualidade.
A partir de amanhã e até o dia 14 de fevereiro será realizada a Primeira Mostra de Pintura do Hotel Canto do Mar em Guarajuba.
A Claro realiza um concurso que levará os vencedores para assistir ao show dos Rolling Stones, no Rio de Janeiro, dia 18 de fevereiro, com direito a tratamento VIP para os felizardos. A empresa que acaba de lançar uma belíssima campanha publicitária utilizando fotos de animais que migram durante o verão, continua investindo pesado na Bahia.
Calazans Neto é o responsável pelo design da camisa do Feijão Vip da Dadá, a feijoada que acontece dia 19 de fevereiro, no Hotel Pestana.
De hoje até domingo, a MTV realiza em Vilas do Atlântico seu projeto musical-esportivo, Praia & Goool. Diversão na certa!
Retratos da Bahia, primeiro livro que o fotógrafo francês Pierre Verger publicou no Brasil, há 25 anos, acaba de ganhar uma nova edição. O livro reúne 251 fotografias em preto e branco tiradas por Verger entre 1946 e 1952 e é um verdadeiro documentário fotográfico do nosso estado.
A Expand Store da Villa da Barra reservou uma sala climatizada com capacidade para 20 pessoas, onde confrarias de enófilos podem se reunir para degustar vinhos com uma estrutura completa de Wine Bar.
Epaminondas Castro e Antônio Andrade comemoraram o lançamento do empreendimento Casas de Praia do Forte no último final de semana
Bordeaux
Artigo de 06/01/2006
Talvez não exista no mundo região mais emblemática de bons vinhos que a região de Bordeaux, oeste da França. Mesmo que tenhamos regiões que produzam vinhos melhores e até mesmo mais caros é Bordeaux a região que está no inconsciente coletivo como fonte suprema de vinhos de alta qualidade, o que obviamente não é realidade.
Bordeaux, na Idade Média apenas um porto para escoamento da produção de vinhos francesa, tornou-se a principal região do país, produzindo quase 1/3 dos AOC franceses. Lar de bons vinhos tintos, 15% da produção da região é de vinhos brancos e 2% de doces, como o Sauternes.
A região produtora de Bordeaux é dividida em sub-regiões delimitadas pelo estuário do Gironde e de outros dois rios que lá desaguam: o Garrone e o Dordogne. Se imaginarmos um “Y” deitado com sua base voltada para o mar, oeste, a linha de cima seria o Dordogne, a de baixo, o Garrone, e a base o Gironde. A subregião situada a oeste do rio Garonne é chamada de “Margem Esquerda”, e a situada ao norte e leste do Dordogne é chamada de “Margem Direita”. Entre os dois rios está a área conhecida como “Entre Deux-Meurs”, famosa por seus vinhos brancos.
É importante ter em mente estas regiões, pois a diferença de solo entre cada uma delas faz com que o produto gerado seja extremamente diferente. O solo da Margem Esquerda é composto principalmente de cascalho e o da Margem Direita de barro. Assim é que a Cabernet Sauvignon, por exemplo, é mais adaptada à Margem Esquerda que à direita, enquanto que em relação à Merlot a situação é inversa.
A Margem Esquerda se subdivide principalmente em:
l Médoc e Haut-Médoc, composto de importantes distritos como St-Estéphe, Paulliac, St-Julien, Listrac, Moulis, Margaux e Péssac-Leognan.
l Graves
A Margem Direita se subdivide principalmente em:
t St-Emilion
t Pomerol
Outras importantes regiões das duas margens são: Premiéres Côtes de Blaye, Côtes de Bourg, Fronsac, Côtes de Francs, Cânon-Fronsac, Côtes de Castillon, Barsac e Sauternes.
Em Bordeaux são plantadas as uvas brancas Muscadelle, Sauvignon, Blanc, Sémillon e Ugni Blanc, e as tintas Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Petit Verdot. A mistura de uvas conhecida como Corte Bordelês é uma mistura de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, ocasionalmente com uma pequena quantidade das outras duas tintas.
De uma forma geral podemos dizer que os vinhos da Margem Esquerda, feitos geralmente a partir da Cabernet Sauvignon, são mais tânicos e pesados, com marcante sabor de groselha e voltados basicamente para guarda e para os paladares mais treinados. Os vinhos da Margem Direta, produzidos a partir principalmente de Merlot, são mais macios e imediatos, com sabores de ameixa e notas de chocolate, que podem ser consumidos mais rapidamente e mais adequados aos iniciantes .
Alguns pensam que todos os vinhos de Bordeaux são Grand Vins, mas, na verdade, apenas uma pequena parcela é de vinhos do nível de um Lafite ou Petrus. Estes vinhos são conhecidos como “Vinhos de Terroir”, pois expressam o máximo que aquele pedaço de chão pode oferecer, são feitos com técnicas modernas e com todos os meios disponíveis para produção de um vinho de alta qualidade, sendo, por isto, muito caros, comparáveis a obras de arte e disputados ferrenhamente pelo mercado e por colecionadores. Porém, boa parte dos vinhos produzidos em Bordeaux é feita com uvas de várias regiões e recebem a A.O. C de Bordeaux ou Bordeaux Supérieur, são acessíveis e adequados para um consumo imediato.
Bordeaux é um destino turístico fascinante e um celeiro de bons vinhos. Viajar pelos seus rótulos é conhecer um pouco da história da França, sua geografia e seus hábitos. Devo admitir que é minha região produtora predileta, berço de vinhos difíceis de entender, assim como seus rótulos. É algo como um país, dentro da França, com leis e costumes específicos que só um profundo estudo pode desvendar. Deixe os vinhos de Bordeaux para quando tiver conhecimento e prática de degustação suficiente para poder bem avaliá-los, mas, assim que puder, mergulhe em toda sua
fascinante diversidade.
CONFRARIA
l Como esperado, o Réveillon de Lícia Fábio foi um grande sucesso. Muita gente bonita, boa comida e excelente serviço garantiram o divertimento até às oito horas da manhã do dia 1o. Glória Pires, Orlando Moraes, Antonia e Cléo Pires, Daiane dos Santos, Letícia Birkheuer, Eri Jonhson , Luís Salem, Milla Christie, Paula Mott, Mariana Weickert, Alicinha Cavalcanti e Fause Haten foram alguns dos VIPs que estiveram por lá.
l Outro importante acontecimento foi o Réveillon do Hotel Sofitel Salvador. João Pollack, Cristina Mendonça e Marcos Palmeira receberam VIPs locais e nacionais com a elegância, cortesia e animação de sempre.
l Recém-inaugurado, o Restaurante Yacht mostra que estará em constante aperfeiçoamento. O chef Laurent Resette e a restaurateur Tereza Paim incluíram novidades para diversificar ainda mais o já excelente cardápio da casa.
l Os convites para o primeiro dia do Festival de Verão, 1o de fevereiro, no Camarote VIP já estão esgotados. Quem não quiser ficar de fora também dos outros dias terá de correr.
Felipe Venâncio, considerado o melhor DJ de house music do país, estará até amanhã animando a balada do Clube Lotus Salvador.
l Preparando-se para o Carnaval que se aproxima Daniela Mercury lançará mundialmente, ao final de janeiro, um DVD chamado Baile Barroco que levará as imagens da grande festa baiana além de nossas fronteiras.
l Depois de abrir filiais em Praia do Forte (BA), Morro de São Paulo (BA), Praia da Pipa (RN) e Porto de Galinhas (PE), a designer de moda, Petúnia Maciel, leva suas criações até Trancoso.
l Começa hoje e vai até o domingo a liquidação do Shopping Barra com descontos de até 70%.
l A América Móvil, controladora da Claro no Brasil, apresentou grande crescimento no mercado mundial de telefonia. Boa parte deste desenvolvimento se deve ao resultado apresentado pela empresa em nosso país, especialmente na Bahia.
l Jorge Carrara, crítico e colunista da Folha de São Paulo e um dos grandes especialistas do Brasil, escolheu o vinho chileno Santa Carolina Barrica Selection Shiraz 2003, como um dos Destaques do Ano 2005.
l O ensaio do Ara Ketu continua atraindo muita gente ao Aeroclube. Ontem foi a vez da banda baiana se apresentar junto com a banda Biquíni Cavadão.
l Um dos grandes pontos de encontro de Salvador é a Côco Bahia na Pituba. É quase impossível não encontrar a casa lotada de gente interessante e bonita. Não dá pra creditar o sucesso apenas à boa comida, serviço ou ambientação separadamente.
O conjunto é imbatível.
Retrospectiva 2005
Artigo de 30/12/2005
Chegamos ao fim de mais este ano com um grande incremento no mercado de vinhos em Salvador. O número de pontos de comércio aumentou, assim como a estruturação das lojas já existentes, o que gerou um claro aumento das vendas. Outro sinal relevante foi a oferta de cursos, que aumentou em direta proporção à procura pelo público local. A melhoria das cartas de vinhos dos restaurantes foi outro indicador de que o interesse pela bebida está cada vez mais intenso. Algo importante também de se notar foi que o valor gasto por garrafa aumentou. Seguindo uma tendência mundial, o baiano está disposto a gastar mais por garrafa, desde que isto implique boa relação
custo x benefício. Para acompanhar toda esta evolução do público consumidor baiano, as importadoras e vinícolas nacionais se voltaram de forma bem clara para nosso mercado, um dos mais promissores do país. Vários lançamentos foram feitos na cidade, em especial durante a Wine Bahia, realizada em agosto, a maior feira de vinhos do Norte-Nordeste, que atraiu comerciantes, produtores e especialistas de várias nacionalidades.
Vinhos que há algum tempo atrás não estariam disponíveis em nossa cidade, agora não são impossíveis de achar. Assim, qualquer um que tenha poder aquisitivo para comprar garrafas de Petrus, Romanée Contí, Lafite ou um dos vários Premier Cru ou Cru Classes, do mundo pode fazê-lo sem ter que recorrer a lojas em São Paulo ou Rio de Janeiro.
A oferta de vinhos cresceu em todas as faixas de preço, não contemplando apenas os vinhos mais caros. Este ano chegaram ao mercado local vários vinhos de altíssima qualidade que, independente da faixa de preço, trazem prazer a quem os aprecia.
Foram destaques este ano o De Martino Grand Família 2002 (R$ 150,00), um dos melhores vinhos chilenos da atualidade, os portugueses Muros Antigos 2004 (R$ 80,00) e o Muros de Melgaço 2004 (R$ 120,00), Dorina Lindemann 2004 (R$ 150,00), o chileno Estampa Carmenére 2003 (R$ 70,00) e o italiano Cerviolo 2000 (R$ 200,00), todos comercializados pela Decanter através do seu representante local, Vinde Vinos (Tel.34844612). Pela K.M.M, Tel.8867-3104, o Cover Drive 2002 (R$ 149,00), Lodge Hill Shiraz 2002 (R$ 149,00), os chilenos Casa Patronales Carmenére 2003 (R$ 42,00), Botalcura El Delírio 2003 (R$ 64,00) e o argentino Saurus Patagônia Select Malbec 2003, da vinícola Família Schroeder. A importadora Wine Company, representada pela Via Bahia, Tel. 3230-7229, trouxe-nos o português Adega de Pegões 2001 (R$ 114,00), e o Miguel Escorihuela Gascón 2001 (R$ 169,00). Também representada pela Via Bahia, a Premier Cru, nos trouxe o argentino Noemía 2002 (R$ 480,00), um dos melhores vinhos da América do Sul, o Acrux 2001 (R$ 175,00), o Bcrux 2001(R$ 97,00) e o Argiano Suolo (R$ 680,00).
A Expand,Tel.32645348, que além de manter a loja no Trapiche Adelaide, agora sob a forma de franquia, abriu uma nova loja no Vila da Barra, se concentrou no nicho que é mais forte no país, o dos vinhos do velho mundo, sem esquecer de trazer novidades do novo mundo. Assim é que novas safras dos milhares de rótulos que representa vieram para nossa cidade, havendo hoje a mesma disponibilidade de rótulos que existe em São Paulo. Além dos vinhos, a empresa resolveu investir também em acessórios e equipamentos e agora disponibiliza duas linhas de adegas. A exclusiva da casa, produzida pela empresa Joshua, especializada em adegagem e climatização, e a da Art des Caves, a quem representa em Salvador.
Em resumo Salvador está se transformando em uma das mais importantes capitais do país no que concerne ao mercado de vinhos, algo já previsto pelos críticos e especialistas da área. A tendência é que o mercado cresça ainda mais, tanto em quantidade quanto em qualidade, e o público local se torne cada vez mais técnico e exigente. Estamos vivendo um crescente processo de evolução do mercado de vinho local e pode-se
esperar evolução ainda maior nos próximos anos.
CONFRARIA
l Silvinha e Marcelo Gama Lobo receberam amigos em sua casa de Interlagos para almoço em homenagem ao seu filho Lucas , médico, que reside em São Paulo e realiza especialização em Radiologia.
l Um grande número de amigos prestigiou o aniversário de Nino Nogueira na última semana. Estiveram lá Michelle Marie, Juju Luz, Malú Brígido, Paulo Pedreira e Ana Valéria, Giselle, Paula e Tati Moreno, Natalie e Alberto Pinheiro, Lena Lebram, Jacqueline Costa Lino, Mônica Lima, Yve Cerqueira, Fábio Sande, entre outros.
l O Réveillon começa hoje, pelo menos no Clube Lótus. A partir das 23 horas começa o pré-Réveillon da boate com o som do DJ nova-iorquino Spin Easy e presença confirmada do estilista Fause Haten, da modelo Mariana Weickert, da promoter Priscila Borgonovi, e do produtor Paulo Borges.
l Finalmente algo de novo no ar. O restaurante Jóia Sushi Lounge tem atraído os amantes da comida oriental, tanto locais quanto importados, que apreciam boa comida e respeito ao cliente. Esta semana estiveram por lá o estilista quase baiano Fause Haten, Antônio Salomão, José Simão, Paula e Arnaldo Gusmão, Carol Magalhães, Claudia Leite, Daniela Nasser, entre muitos outros. Este é realmente o novo point da cidade.
l O Réveillon da Alegria deverá ser a melhor festa de virada do ano de Salvador. Esta é a aposta das mais de 3.500 pessoas que estarão no Bahia Marina deixando 2005 para trás, radiantes com a chegada de 2006, comemorando as felizes escolhas que realizaram e traçando metas para alcançarem a paz desejada no tão esperado ano que se aproxima. Entre eles estará o chef Edinho Engel que vai mostrar durante a festa alguns pratos que estarão disponíveis no Amado, restaurante que será aberto em fevereiro.
l O grande programa para o primeiro dia do ano será o pôr-do-sol no Farol da Barra com show de Daniela Mercury e os seus convidados, Chico César, Marcio Mello e Toni Garrido.
l O ensaio do Ara Ketu está cada vez mais concorrido e festivo. Sempre no Hangar do Aeroclube, o show da banda contou com a participação do grupo Harmonia do Samba na semana passada e de Jorge Aragão esta semana.
l Duas opções para quem não escolheu onde passar o Réveillon ao lado das pessoas que lhe são importantes são o Oceania e o Café Cancun. Neste último a banda Negra Cor, comandada pelo cantor Adelmo Casé, e o DJ Hugo garantem a animação com um repertório pra lá de apimentado.
l Quem procura um jeito diferente de se vestir para a chegada de 2006 tem na loja Empório Oriente, na Barra, um forte aliado. A empresária e designer de moda Petúnia Maciel tem em sua coleção de verão várias peças no melhor estilo hippie-chic.
l Quem esteve em Salvador para prestigiar a pré-estréia do mais novo filme de Daniel Filho, a comédia ”Se Eu Fosse Você”, foi o ator Tony Ramos, protagonista do longa que conta ainda com a participação de grandes estrelas como Glória Pires, Thiago Lacerda, Glória Menezes, Maria Gladys,
Daniele Winits, Lavínia Vlasak.
ARTIGO DO DIA 20/08/2004
A vez do vinho
Com a chegada do inverno e a diminuição da temperatura, o hábito de beber vinhos torna-se especialmente prazeroso para nós baianos, contemplados que somos com altas temperaturas em quase todo o ano. Neste momento, a escolha do vinho, seja para acompanhar uma refeição ou para um happy hour com os amigos, pode tornar-se matéria para várias dúvidas. Tendo em mente algumas regras e conceitos fundamentais, até mesmo o mais inexperiente pode navegar em uma carta de vinho ou passear por lojas especializadas como se fosse um expert.
Os vinhos podem ser divididos basicamente em brancos e tintos (grupo ao qual pertencem os rosés) e podem apresentar diversos sabores e perfumes (bouquet). esta diversidade ocorre devido às diferentes castas de uvas que podem fazer parte de sua composição, do tipo do solo em que foram plantadas estas uvas, do clima da região do plantio, do processo de preparação do vinho, da forma com que foi ou não amadurecido, entre outras variáveis. Por isto, informações como país, região, produtor e safra são tão valorizadas.
Podemos encontrar vinhos que recebem o nome da região que os produz, como por exemplo o vinho francês Vosne – Romanée que é elaborado naquele vilarejo de Borgonha com uvas Pinot Noir, outros que recebem o nome da uva principal e nestes casos são chamados de Varietais, como os Chardonnay produzidos pelo americano Robert Mondavi, ou ainda os que recebem um nome fantasia.
Os maiores países produtores adotaram regras rígidas de controle de qualidade, classificando seus vinhos de acordo com critérios que levam em conta desde o plantio da vinha até ao preparo do vinho. Esta classificação é estampada no rótulo da garrafa e portanto de fácil observação, apesar de sua interpretação não ser tão fácil assim, pois ela varia de um país para outro. Escolha preferencialmente os vinhos que façam parte destas classificações de qualidade.
No modelo francês de classificação, datado de 1935 e que serviu de base para outros sistemas em todo o mundo, chamado de AOC (Appellation d’Origine Contrôlée ou Denominação de Origem Controlada), quanto melhor o vinho mais detalhada a informação sobre sua origem. Portanto, um vinho apresentando em seu rótulo a frase Appellation Bordeaux Contrôlée (referência à região) pertence a uma categoria inferior a um vinho cujo rótulo estampa “Appellation Haut-Médoc Contrôlée“ (referência ao distrito) e este será de categoria inferior a um “Appellation Pauillac Contrôlée“ (referência ao município).
Os rótulos dos vinhos apresentam além do nome e classificação, informações como o ano de sua safra ( alguns vinhos são de safra indefinida ou Non Vintage), o nome do produtor, do engarrafador entre outras. Prefira os vinhos que são produzidos e engarrafados na propriedade, o que denota maior comprometimento com a qualidade do vinho produzido.
É necessário entender que vinho é “substância viva“ e portanto sofre transformações mesmo após ser engarrafado, podendo ter o sabor alterado pelo frio, calor, umidade, vibração e outros fatores externos, sendo este o principal motivo para que haja tanto cuidado com sua armazenagem. Muito recentemente a Vinícola Gallo, um dos maiores produtores de vinhos dos Estados Unidos, teve parte de sua produção comprometida pela substância química TCA ( 2,4,6, trichloranisole) que, descobriu-se mais tarde, estava presente em produtos usados para limpeza de uma área de armazenagem de barris de vinho. Portanto, antes de comprar seu vinho, seja em restaurantes,lojas ou mesmo supermercados informe-se sobre como esta mercadoria estava sendo estocada. Na ausência de condições adequadas de climatização escolha vinhos que tenham custo menor e portanto apresentam maior rotatividade.
As cartas de vinhos em restaurantes são preparadas seguindo critérios de classificação. Os vinhos podem ser agrupados por país, por região produtora ou por castas das uvas predominantes no seu preparo. Os mais simples antecedem aos mais sofisticados. Nem sempre o vinho mais caro é o melhor ou mais adequado para aquele momento. Procurar uma boa relação de custo-benefício é tarefa das mais gratificantes. Por exemplo, os grandes vinhos como os produzidos na região de Bordeaux, na França, demoram vários anos para amadurecer e ficar “prontos“ demonstrando todos os seus sabores e perfumes. logicamente estes custam muito mais caro do que os vinhos de safras recentes e que ainda não se desenvolveram. Caso deseje um vinho da região muito mais barato conservando alguma qualidade, opte pelos “Petits Châteaux “que produzem vinhos para serem consumidos de imediato. Uma boa dica para acompanhar as refeições são os vinhos italianos que casam primorosamente com um belo almoço ou jantar. Nos dias mais quentes os brancos e rosés são especialmente refrescantes.
A idéia de que os tintos acompanham as carnes e os brancos os peixes não é de todo correta. o melhor é harmonizar comida e bebida de tal forma que uma realce a outra ao invés de encobrí-la. Em restaurantes, nunca se acanhe em solicitar as indicações do Sommelier ou do Mâitre. Uma dica prática é sempre evitar os Tintos ao escolher pratos que contenham peixes de água salgada ou frutos do mar pois o sabor metálico será quase inevitável. Ao escolher vinhos para beber em casa, será necessário alguma experiência ou seguir a sugestão de funcionários de lojas especializadas.
Existe todo um protocolo ao servir vinhos. O que à primeira vista pode parecer um ritual desnecessário é na verdade uma seqüência de atos que visam garantir todo o prazer que um bom vinho pode oferecer. O primeiro passo é a apresentação da garrafa para que se tenha certeza que o vinho a ser aberto foi o solicitado. Neste momento é interessante tocar a garrafa para sentir se a temperatura está adequada. A seguir o vinho é aberto e a rolha deve ser inspecionada para verificar sinais de desgaste ou odores desagradáveis, o que pode sugerir entrada de ar na garrafa e oxidação do vinho. Logo após o vinho é servido em pequena quantidade para que seja verificado sua coloração, a presença ou não de sedimentos, seu bouquet e seu sabor. Quando o vinho é aprovado, pode passar a ser servido.
Os vinhos de melhor qualidade evoluem seu sabor à medida que entram em contato com o ar e por esta razão existem aquelas grandes taças para vinho. Caso esteja em um restaurante que utilize taças pequenas para servir vinho, não se acanhe em solicitar que sirvam o seu vinho em taças para água.
Em nossa cidade não é incorreto resfriar o vinho, seja tinto ou branco, pois nossa temperatura ambiente é extremamente alta. O ideal é servir os tintos leves e frutados entre 14 a 16 graus. Tintos de maior qualidade entre 16 e 18 graus. Brancos simples entre 10 e 12 graus. Brancos sofisticados entre 14 e 16 graus. Vinho do Porto entre 16 e 18 graus, Espumantes e Champagne entre 7 e 9 graus. Os rosés entre 10 e 12 graus.Vale lembrar que o nome Champagne ( com “C” maiúsculo) é restrito aos vinhos produzidos na região de mesmo nome, na França. os vinhos produzidos em outras partes recebem a denominação genérica de Espumantes. O Prosecco por exemplo é um espumante, produzido com a uva de mesmo nome, na Itália, mais precisamente no distrito de Valdobbiadene, região de Vêneto.
Caso pretenda degustar mais de um tipo de vinho inicie sempre pelo vinho mais simples e lembre-se: evite o consumo excessivo.
ARTIGO DO DIA 27/08/2004
A origem do vinho
A origem do vinho é tão controversa e imprecisa que situá-la em uma linha de tempo é muito difícil e as suposições nos levam até nossa pré-história.Podemos imaginar que o homem primitivo , animal que aprendia constantemente com a natureza , tenha se deparado com o suco gerado pela queda de cachos de uva da videira e em algum momento tenha tentado reproduzir tal acontecimento, observando as alterações fermentativas sofridas por este suco ao passar dos dias .Especula-se que o homem de Cro-Magnon que habitava a área que hoje chamamos de França já possuia habilidades para criar um vinho rudimentar.
Existem indícios de que havia produção de vinho com espécies silvestres em 8000 a.C. nas regiões que hoje chamamos de Turquia , Síria, Líbano e Jordânia e produção de vinho de videiras cultivadas em 7000 a.C. na hoje Geórgia Soviética .Contudo ,especula-se que o primeiro vinho de uvas silvestres foi produzido no sopé das montanhas do Cáucaso , mais precisamente na Geórgia.
No Egito, em 3000 a.C. já existia um método para classificar os vinhos que eram elaborados e, em 1500 a.C, estes já eram identificados com safra, vinhedo, proprietário e responsável pela fabricação, não muito diferente da identificação atual que além destas informações apresenta também a casta da uva
Em seus primórdios, os vinhos eram extremamente diferentes dos que bebemos nos dias de hoje. Acredita-se que eram espessos , com alto teor alcoólico e com muitos sedimentos. Frequentemente eram diluídos em água ,às vezes do mar , em proporções de até uma parte de vinho para 20 partes de água.
Tecnicamente o vinho é resultado da fermentação do açúcar existente no suco produzido com uvas. Além do álcool decorrente de tal processo , o etanol , encontramos açúcares , acetatos ,ácidos e várias outras substâncias . Por sua composição singular o vinho foi utilizado no passado como medicamento, substância anti-séptica, anestésico e até mesmo como método químico para tornar a água potável. Hipócrates, o precursor da medicina , no século IV a.C já prescrevia vinho para tratamento de reações alérgicas , como antitérmico ,diurético e reenergizante .
Na antiguidade o álcool era tido como método importante tanto para conectar-se com os deuses quanto para aliviar as agruras de uma vida curta e, não raro, violenta. Na Grécia antiga , a depender da dose ingerida ,o vinho podia ser considerado remédio ou veneno. Difundia-se que até três doses de vinho era o recomendado para desfrutar dos benefícios do vinho . É interessante notar que o tamanho adotado para a maioria das garrafas de vinho atuais comporta seis doses , ou seja , três doses para duas pessoas
A primeira menção de vinho de qualidade superior de um vinhedo específico ( Premier Cru ) data de 121 a.C. e refere-se ao Opimiano de Falerno , vinho da Campânia , na Itália, que de tão raro e caro era considerado um vinho para reis.
O vinho era tão importante para as civilizações antigas que havia um deus que o representava , o deus Dionísio (chamado de Baco na Lídia e em Roma) . Vários festivais eram realizados e templos construidos em seu nome .
Na maioria das civilizações era proibido às mulheres beber o vinho , apesar de ser função quase exclusivamente feminina a venda de tal produto.
Esta bebida também era importante mercadoria no comércio entre as civilizações antigas e frequentemente considerado uma espécie de ouro líquido . Nem mesmo a cerveja , muito consumida na antiguidade , conseguia o status do vinho . Este era considerado divino , tratado com distinção e associado aos momentos especiais , de prazer e de amor. Nada diferente do que é hoje .
Apesar de ser de conhecimento público os malefícios ocasionados pelo consumo excessivo de álcool , existem hoje vários estudos mostrando os efeitos benéficos do vinho , especialmente o tinto ,quando ingerido de forma moderada, comprovando as antigas crenças sobre os poderes e auspícios desta bebida.
Durante a segunda guerra mundial , tanto o exército francês quanto o alemão distribuiam uma cota diária de vinho a seus soldados . Era tomado frio no verão e quente no inverno e ,segundo o relato de alguns destes soldados, esta bebida os aproximava de casa , lhes trazia alento e dava-lhes ânimo para a batalha
No século 18 ,o Duque de Savoia , em Piemonte, Itália , criou o cargo de ‘Somigliere di Bocca e di Corte “ para designar o profissional responsável pela seleção dos vinhos a serem tomados na Corte, por sua estocagem , bem como pela orientação da melhor forma de serví-los . A partir do século 19 a palavra “Somigliere” passa a ser utilizado na França , sendo adaptada á lingua local , passando a ser pronunciada como “ Sommelier” . Esta palavra , em sua forma francesa, é usada hoje para designar o responsável pela administração de vinhos em uma empresa ou garçom especializado. Difere-se portanto do Viticultor , que é o profissional relacionado aos processos de seleção, plantação e colheita das uvas , de Enólogo que é o individuo formado nas técnicas de elaboração do vinho em grau universitário e Enotécnico, que é o profissional com diploma técnico na mesma área. Enófilo é o apreciador e estudioso de todos os assuntos que envolvam o vinho e sua produção.
Milhares de anos depois , após várias modificações em seu sabor e aparência , mesmo com a concorrência de outras bebidas , o vinho continua gerando o mesmo efeito e despertando o mesmo fascínio na humanidade. Por mais que queiramos simplificar-lhe o sentido e considerá-lo apenas um suco de uva fermentado, a verdade é que realmente existe algo de divino nesta bebida.
A partir desta semana esta coluna publicará sugestões de vinhos que podem ser encontrados facilmente no comércio local . Para selecionar tais bebidas levaremos em conta sua relação “Custo X Benefïcio” . Além do nome do vinho e país produtor, citaremos o seu preço médio no varejo.
Os vinhos serão apresentados em três classes a saber: vinhos até R$ 25,00 , vinhos até R$ 75,00 e vinhos acima de R$ 75,00.
Caro leitor , caso deseje fazer sugestões ou comentários envie e-mail para andrefc@clifort.com.br
Vinhos recomendados esta semana
* Até R$ 25,00 - Espumante Argentino Mumm Brut NV (R$ 24,00)
* Até R$ 75,00 – Beaulieu Vineyard Chardonnay California 1998 (R$ 65,00)
* Acima de R$ 75,00 – Klein Constantia Marlbrook África do Sul 1996 (R$ 76,00)
ARTIGO DO DIA 02/09/2004
Degustação: A hora da verdade
Degustar é antes de tudo explorar. Ter a mente aberta para as sensações que virão e atenção para saber identificá-las e quantificá-las. É necessário também conhecer, minimamente que seja, alguns dados básicos sobre os vinhos.
Tudo começa no momento da produção do vinho onde podem ser utilizadas tanto uvas tintas , de cor roxa ou preta, como as não tintas, também chamadas de brancas, apesar de serem de cor esverdeada ou amarelada.
Quando o produtor deseja criar vinhos brancos, ele utiliza o suco extraído de uvas brancas ou , mais raramente , o suco de uvas tintas que não tenha tido contato com as cascas ,caso da maioria dos “Champagnes “ que é feita com duas uvas tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier , e uma uva branca, Chardonnay. Para criar vinhos tintos utiliza-se unicamente uvas tintas , permitindo que o suco das uvas entre em contato com as cascas durante a fermentação (caso o período de contato seja curto, produz-se vinhos rosés). Este processo, além de proporcionar a cor, transfere para o vinho tinto uma importante substância chamada tanino .
O tanino é um fenol presente na semente e na casca das uvas . É o elemento responsável pela complexidade e diversidade dos tintos e , sendo um conservante natural ,influi na longevidade da bebida . Afirma-se que o tanino é o maior responsável pelos efeitos benéficos do vinho no corpo humano.
Uvas maiores ,como a Pinot Noir, ou Merlot, possuem uma relação entre casca e polpa tal , que tendem a produzir vinhos menos tânicos, de cor mais suave. Uvas menores, como a Cabernet Sauvignon, com muita casca em relação à polpa , tendem a transferir muito tanino para o suco e freqüentemente produzem vinhos mais tânicos e de cor mais escura.
Além do tanino só presente nos tintos, duas outras substâncias são importantes para criar um vinho: o ácido e o açúcar. A chave da avaliação correta de um vinho está em saber quantificar o peso de cada um destes componentes no produto final, coisa que apenas se aprende co?m experiência e atenção.
Durante o processo de maturação da uva,o nível de ácido presente em sua polpa vai progressivamente diminuindo, enquanto que o conteúdo de açúcar vai aumentando. A depender da característica que o produtor deseja para seu vinho, a uva pode ser colhida no momento ideal de maturação, quando os níveis de ácido e açúcar se equivalem, um pouco antes ou após este momento. A acidez é importante elemento para os vinhos, principalmente os brancos , que não contam com o tanino. É ela a responsável pela firmeza e sabor, evitando que um vinho pareça flácido. Vinhos com pouco ácido tendem a deteriorar com muita facilidade e tendem a não durar muitos anos.
Quando da fermentação ,o açúcar presente no suco de uva é gradualmente transformado em álcool . Quanto mais doces forem as uvas, maior será o potencial alcoólico do vinho produzido. Isto explica porque os vinhos de sobremesa têm teor alcoólico maior que os vinhos de mesa. Alguns vinhos recebem adição de álcool durante a fermentação, como o Xerez., e por isto, costumam ser chamados de “ Fortificados “. No intuito de tentar equilibrar alguns Produtos de menor qualidade, às vezes se adiciona açúcar ou suco de uva não fermentado, onde o açúcar natural ainda não se transformou em álcool, prática chamada de Süssreserve na Alemanha.
Costuma-se também, principalmente em vinhos brancos e doces , acrescentar uma substância chamada Sulfito que tem a função de agente antioxidante e antibacteriano, evitando que o açúcar residual do vinho sofra novas fermentações depois de engarrafado. Algumas pessoas têm alergia a esta substância e, por este motivo , alguns países obrigam a colocação de um alerta sobre seu uso nos rótulos dos vinhos.
Beber vinho é bastante diferente de degustá-lo. Para se realizar uma degustação é necessário além de muita atenção, alguma informação. De forma simplificada, na primeira fase da degustação observa-se a cor do vinho,de preferência contra um fundo branco, a presenç?a de sedimentos e, após agitá-lo, de que forma a bebida escorre na lateral da taça, o que fornece pistas sobre o índice de evaporação do álcool,aspecto muito técnico para levarmos em conta no momento. Após agitar ainda mais o vinho, devemos mergulhar o nariz na taça, e não no vinho( imagine fazer isto em um daqueles copos minúsculos ), para tentar identificar o aroma nele contido. Por este motivo o cheiro ou bouquet do vinho é comumente chamado de nariz (le neuz du vin).
Os aromas dos vinhos são muito diversos. Podemos identificar os aromas frutosos como, por exemplo, ameixa,abacaxi ou manga, aromas florais como jasmim, rosas, ou violetas, aromas vegetais ou herbáceos como grama, pimenta ou menta, entre muitos outros. Algumas vezes é preciso aguardar alguns minutos para que o vinho colocado na taça revele todos os seus aromas.
O passo seguinte é levar o vinho à boca tendo o cuidado de não engoli-lo. Através das papilas gustativas existentes na língua podemos perceber certas características dos vinhos. Em sua parte anterior detectamos principalmente a doçura, a acidez é percebida em suas laterais e o amargor é detectado em sua parte posterior. Este é o momento de observar as características gerais do vinho e verificar se ele nos sugere peso ou leveza, aspereza ou maciez.
Uma dica prática para distinguir se um vinho tinto tem característica ácida ou tânica é observar a sensação que fica na boca depois que o vinho é engolido. Ambos vão deixar uma sensação de boca seca, porém só o ácido vai estimular, após alguns segundos, a salivação.
Com alguma experiência , ainda sem engolir o vinho , consegue-se aspirar um pouco de ar pela boca sem deixar o líquido escorrer por entre os lábios (autêntico ato de equilibrismo ), fazendo com que o ar vaporize os aromas do vinho e os leve através da passagem retro-nasal, uma comunicação entre boca e nariz, para serem percebidos . Portanto, não é necessário engolir o vinho para degustá-lo e? comumente os degustadores profissionais desprezam o vinho que está na boca ao invés de engoli-lo, evitando com isto a embriaguez e a diminuição de sua capacidade sensitiva . Particularmente considero que ninguém em sã consciência, expert ou não, pode sequer pensar em não engolir um Chatêau Petrus ou um Romanée Contí que esteja em sua boca, apesar de haver outros vinhos que não deveriam sequer ser produzidos.
Para descrever a impressão do vinho na boca é importante saber que quanto à doçura o vinho pode ser seco, meio seco e doce. Quanto à acidez pode ser acre,vigoroso ou suave e quanto ao tanino pode ser descrito como adstringente, firme ou macio. A impressão global do vinho é chamada de corpo. Alguns deixarão na boca uma sensação de plenitude de volume intenso, a estes chamaremos de encorpados, enquanto que outros parecem menos volumosos. Portanto, quanto ao corpo, o vinho pode ser classificado como pouco encorpado, medianamente encorpado, ou muito encorpado.
Ao tentarmos avaliar a relação de todos estes componentes, açúcar, álcool, tanino e ácido, entre si, determinamos o que se chama de “Equilíbrio ”. Quando o vinho avaliado atinge todas as diferentes áreas sensitivas da língua dizemos que este apresenta um bom “Alcance”. Caso ele apresente diferentes camadas de sabor, o descrevemos como tendo boa “Profundidade”. Se possuir características diversas que vão se revelando aos poucos o chamamos de “ Complexo”.Quando a impressão que o vinho deixa na boca se mantém, mesmo depois de ingerido, dizemos que este possui boa “Persistência”. Quando apresenta sabores típicos dos vinhos produzidos com determinada casta de uva o descrevemos como sendo de boa “Tipicidade”.
Como perceber tudo isto em alguns segundos é algo que todas as pessoas que entram no mundo do vinho se perguntam e coisa que só aprendemos fazendo. É necessário atenção e concentração nas primeiras vezes,mas, depois de um certo tempo, os aromas e sabores mais comuns tornam-se rotineiros e o cér?ebro passa a analisar estas variáveis de forma muito rápida. Alguns dizem que é perder muito tempo para apenas o prazer de um gole, porém para aqueles que têm paciência não é preciso sequer um gole para ter muito prazer. Para os afoitos o importante é beber para os pacientes o importante é degustar. O bom vinho é como um bom amigo, que conforta e ajuda, que estará ao seu lado nos bons e maus momentos e que, acima de tudo, sempre te ouvirá e nunca te abandonará.
* A partir desta semana publicaremos, sempre que possível, promoções de vinhos em restaurantes recomendados da cidade. Para desfrutar de tal benefício basta informar ao Sommelier ou garçom, no momento do pedido, ser leitor desta coluna e a senha da semana .
Caso deseje fazer sugestões ou comentários envie e-mail para andrefc@clifort.com.br
Promoção da semana
Senha: Enófilo
Para que os leitores possam verificar as diferenças de sabores citadas nesta matéria , o Restaurante Baby-Beef ( Tel. 2703000 ), oferece , até o dia 09 de setembro, 50% de desconto sobre o preço publicado em sua Carta de Vinhos, nas seguintes Garrafas:
* Cono Sur Reserve Cabernet Sauvignon 2002, Chile
Vigoroso Cabernet Sauvignon com uma bonita cor vermelha rubi e notas intensas de ameixa, cassis, amora e pimenta negra, envelhecido 12 meses em barril de carvalho francês.
Uvas: 85% Cabernet Sauvignon, 9% Merlot, 4% Cabernet Franc, 2% Aspiran Bouche.
* Casa Silva Merlot Gran Reserva 2001,Chile.
Vinho de elegância e caráter expressivo, de cor vermelho profundo, no nariz junta notas de ameixas, cassis, temperos e toque de café e chocolate. Ao paladar mostra-se: Redondo macio, com taninos aveludados e equilibrados com grande persistencia. Envelhecido 12 meses em barril de carvalho francês.
Uvas: Merlot 100%
ARTIGO DO DIA 10/09/2004
Terroir
Até para os menos informados é fácil entender que um vinho feito com uva Cabernet Sauvignon é diferente de um vinho feito com uma uva Pinot Noir, sejam eles produzidos em qualquer região do mundo. Um pouco mais difícil é entender porque um vinho produzido com a Cabernet Sauvignon na Itália é diferente do produzido com a mesma uva na França. Porém, entender que vinhos feitos com a mesma uva, de videiras plantadas no mesmo país, região e, às vezes, na mesma colina, com diferença de apenas alguns metros entre as plantas, possam ocasionar vinhos de sabores extremamente distintos, chega a ser impensável.
Os Franceses denominaram de “terroir “ ( pron. terruá ) o conjunto de variáveis que podem influenciar a característica final da uva plantada em determinada região. O conceito de terroir abrange o tipo de solo, sub-solo, o clima, a altitude e até mesmo a inclinação de uma colina. Imaginando que dificilmente duas plantas terão a incidência destes fatores de forma idêntica , é fácil concluir que dois vinhos feitos de uvas de videiras distintas, mesmo que na mesma safra, não terão as mesmas características . É por este motivo que algumas áreas do planeta são supervalorizadas para produção de vinho enquanto que outras a poucos metros de distância não têm o mesmo grau de valorização. Se levarmos em conta que as condições climáticas em cada região variam de ano para ano podemos entender o porque da informação sobre a safra ter tanta importância na valorização de um vinho.
Geralmente, as videiras da espécie Vitis Vinífera se adaptam melhor a zonas de clima temperado, entre os paralelos 30 e 50 no hemisfério norte, 30 e 40 no hemisfério sul, em altitudes entre 300 e 600 metros acima do nível do mar
Solos arenosos estão comumente relacionados a vinhos com sabores e aromas mais frescos para serem bebidos jovens enquanto que solos calcáreos geram vinhos mais encorpados e que melhoram com o envelhecimento. A maioria dos bons vinhedos do mundo ,ao contrário do que se pensa, não esta localizada em zonas férteis. Alguns deles estão em áreas tão áridas que é difícil imaginar que algo consiga nascer no local . Para a videira é importante que o solo possua uma formação geológica tal que propicie uma boa drenagem, cabendo à planta aprofundar suas raízes em busca de uma fonte de água regular e de nutrientes . O solo da região de Haut-Medóc em Bordeaux , na França , onde se planta Cabernet Sauvignon , de tão inóspito gerou um dito local: “ Cabernet têm que sofrer para viver ”.
Em muitas partes do mundo as colinas produzem vinhos melhores que as planícies devido à drenagem , incidência do sol e dos ventos. As condições climáticas são tão determinantes que, caso haja alterações importantes no micro clima de determinada região, seus vinhos sofrem alterações imensas em suas características. Quando existe muita chuva as uvas produzem vinhos extremamente aguados, quando existe pouca disponibilidade de água as uvas não crescem nem amadurecem, quando há invernos prolongados ou muito frios as uvas também não chegam a amadurecer e ocasionam vinhos ácidos, quando há um verão muito intenso as frutas amadurecem muito rapidamente e ficam muito doces, o que também é indesejável. É de alta relevância a diferença de temperatura entre o dia e a noite, que ocasiona um equilíbrio entre o amadurecimento diurno e o retardamento deste, ocasionado pelo frescor da madrugada, preservando assim a acidez da fruta, ajudando a fixar aromas e sabores do vinho a ser produzido.
Na verdade, o ideal é que exista uma harmonia entre as estações do ano e que a cada uma delas exista uma temperatura média e indíces pluviométricos tais que as videiras possam produzir uvas com grau ideal de maturação. Com o passar dos anos os produtores aprenderam através de métodos empíricos quais as castas de uvas que se adaptavam melhor ao clima e solo de cada região do planeta. Portanto, o terroir é fator determinante para a exploração comercial das videiras. Interage com as uvas, podendo alterar ou potencializar a expressão típica de cada casta e portanto influi decisivamente nos aromas e sabores finais do vinho. É claro que antes do vinho estar pronto os produtores têm a possibilidade de burlar a natureza e alterar certas características indesejáveis, contudo algumas vezes é simplesmente impossível melhorar um vinho quando a natureza não ajudou na maturação das uvas .
Existe controvérsia entre alguns autores sobre a inclusão ou não das pragas em um conceito mais abrangente de terroir já que, a depender da região,clima e geografia, estas podem ou não acometer os vinhedos. De qualquer modo, para entendermos sobre vinhos, devemos ao menos conhecer algo sobre a mais importante das pragas, a Filoxera.
No século XIX um inseto minúsculo chamado Filoxera que se alimenta das raízes da parreira atacou e quase extinguiu a espécie Vitis Vinífera no mundo.A Filoxera (Dactylasphaera Vitifoliae ) existia nos Estados Unidos, mas era desconhecida pois as parreiras americanas lhes eram resistentes. Ela foi introduzida na Europa quando algumas plantas americanas foram levadas para o sul da França para uma experiência de adaptação. Como as parreiras européias não eram resistentes à praga foram atacadas, sendo exterminadas em muitas regiões. Até hoje não existe um meio de proteger a raiz da Vitis Vinífera do ataque da Filoxera. O que salvou a espécie da extinção foi a idéia de enxertar plantas européias, chamadas de enxertos, mudas ou rebentos, nas raízes das plantas americanas, chamados de rizomas ou bacelos, o que efetivamente não alterou a característica do fruto produzido e evitou o ataque da praga evitando o desaparecimento da Vitis Vinífera.
Em 1983 na região de Napa Valley, Califórnia, Estados Unidos, houve um novo ataque da Filoxera. As videiras da espécie Vitis Vinífera plantadas em bacelos americanos foram destruídas pela praga. Descobriu-se mais tarde que houve um erro de cruzamento genético na criação de um tipo de bacelo muito utilizado nos Estados Unidos nesta época. Utilizou-se um pai americano enquanto que o outro era europeu. Os prejuízos foram enormes.
Com tantas variáveis fica fácil agora entender porque os vinhos são tão diversos, mesmo quando feitos com uvas de uma mesma região, pois além de uma infinidade de métodos que o produtor pode utilizar para criar seu vinho, existem imensas variáveis desde o momento da plantação da videira até a obtenção do suco da uva.
* Para os que gostam de conferir “In Loco” as diferentes expressões do terroir nos vinhos, existem várias agências de turismo em Salvador que organizam excursões para as várias regiões produtoras de vinhos no mundo . Entre elas, a Meeting Tour (353-8744), de Maria Helena Félix, que promove o “Los vinos de los Andes “,
com saída para 26 de outubro e condições especiais para os leitores desta coluna.
O vinho e a saúde
Artigo de 07/01/2005
Todo ano começa com resoluções e esperanças. As pessoas definem objetivos e almejam situações que tornem suas vidas mais produtivas e prazerosas. Neste contexto, nada melhor que começar o ano falando sobre vinho e saúde.
Muito se fala sobre os benefícios do consumo moderado do álcool e especialmente do vinho tinto sobre o bem-estar do ser humano. Existem vários estudos realizados por conceituadas instituições médicas, material suficiente para que tracemos um perfil do efeito do vinho sobre a saúde. Ao decidir falar sobre o tema, o fiz pensando em um querido casal de amigos que, apesar de sempre terem sido abstêmios, já admitem em nome da saúde beber uma taça diária de vinho, mudando assim seus hábitos de vida.
Ressalto que nossa intenção não é fazer apologia ao consumo abusivo do álcool, substância que ainda que socialmente aceita, pode ser extremamente danosa ao corpo humano. Recomendamos a ingestão diária e moderada de álcool, preferencialmente na forma de vinho tinto, o que equivale a uma ou duas taças.
É importante deixar claro que apesar das diferenças quanto a sexo, tipo físico, condições de saúde e tolerância, além de outras variáveis, a dose diária de uma taça a duas que contém aproximadamente 15 a 30 gramas de álcool traz benefícios sem riscos à saúde. Nociva, contudo, é a ingestão de álcool em curtos períodos de tempo. Ou seja, você deve beber uma taça de vinho a cada dia da semana, mas não deve beber sete taças de vinho em um dia. Outro dado importante é que consumir álcool com alimento é mais
saudável que apenas beber, pois o alimento ajuda a metabolizar o álcool, diminuindo pela metade seu nível no sangue, e o álcool promove a metabolização mais eficiente das gorduras dos alimentos.
O uso moderado de álcool sob a forma de bebida fermentada ou destilada não traz os efeitos positivos apresentados pelo vinho, especialmente o tinto, pois este além do álcool apresenta mais de trezentas substâncias químicas em sua composição, entre elas os polifenóis, sendo, portanto a bebida alcoólica preferencial quando se busca benefícios a saúde. O Vinho promove:
- No coração, diminuição em até 50% o risco de doenças coronarianas como infarto, insuficiência cardíaca congestiva e doença vascular periférica. Tais efeitos ocorrem por aumento do bom colesterol, o HDL, alterações dos mecanismos de coagulação, diminuindo o risco de formação de trombos, e aumento da dissolução de trombos que circulam na corrente sanguínea.
- Diminuição de 45% no risco de desenvolver diabetes.
- Melhoria na capacidade da memória e de funções cognitivas, o que sugere que o vinho ofereça mecanismos de proteção à demência e doença de Alzheimer.
- Aumento de 5% na longevidade
- Nos olhos, prevenção da degeneração macular.
- Na pele diminuição do risco de câncer e da formação de quelóides
- Diminuição do risco de doença pulmonar crônica, possivelmente devido à presença de Revesratrol, substância presente apenas nos vinhos tintos.
- Diminuição do risco de aterosclerose
- No estômago, diminuição da flora bacteriana, proporcionando uma diminuição do risco de úlcera gástrica.
- No útero, diminuição do risco de câncer.
Algumas pessoas têm alergia a sulfito, substância utilizada principalmente no vinho branco e, portanto devem evitá-lo. São geralmente pessoas asmáticas ou em uso de esteróides e podem desenvolver dor abdominal ou problemas respiratórios. É recomendável àqueles que sentem dores de cabeça que ao beber, além de associar comida à bebida, utilizem um analgésico 30 minutos antes de beber.
Apesar de uma taça de vinho conter em torno de 150 calorias acredita-se que devido à ação de seus componentes sobre a insulina e a metabolização das gorduras, a bebida não concorre para obesidade quando utilizado às refeições.
É relevante notar que nas sociedades onde o consumo de álcool não é proibido ou é associado a cerimônias religiosas, datas festivas ou uso familiar e moderado o abuso do álcool por adolescentes
e a dependência do álcool em indivíduos adultos, é menos comum que nas culturas puritanas, nas quais existe a proibição do uso da substância e a sua associação a algo nocivo ou diabólico.
A desmistificação é ferramenta importante para evitarmos o abuso de bebidas alcoólicas. Em resumo, vinho consumido com parcimônia pode ser um grande remédio, algo que já se sabia há cente
nas de anos atrás.
CONFRARIA
l No Réveillon das Águas no Bahia Marina, organizado por Lícia Fábio e patrocinado pela Vivo, tido como o melhor Réveillon da cidade, a Somellier (Tel.354-6050), de Ricardo Portela, ofereceu uma mesa de queijos e serviu dois bons vinhos para os convidados. O Cabernet Sauvignon argentino, 2002, Gentile Collins e o Versus, 2003, sul africano, corte de Merlot, Pinotage e Shiraz. Bom gosto!
l Na última segunda-feira no Restaurante Trapiche Adelaide, Gilberto Braga, Edgar Moura Brasil e Elisabeth Silveira desfrutaram de um Chianti Rocca della Macie. O escritor promete voltar em breve a Salvador
l A Expand Salvador deixará de ser do grupo paulista e passará a ser loja franqueada. Esperamos que a qualidade de sempre se mantenha.
l Os cava Fleixenet foram escolhidos por Olga e Alfeu Luedy para serem a bebida deste Réveillon. Cristina Mendonça com certeza aprovou!
l As rolhas do tipo Stelvin estão assumindo papel cada vez mais importante no mercado. Sinais dos tempos?
l A Domaine Salvador continua com bons vinhos em promoção.
Retrospectiva
Artigo de 03/01/2005
O ano que terminou trouxe boas novidades para o consumidor de vinhos em Salvador. O maior interesse de importadores em trazer novos rótulos, a abertura de novos pontos de venda, o aumento do número de cursos e um consumo mais técnico demonstram a crescente importância que nossa cidade assume no cenário nacional.
Com as alterações econômicas que o país atravessou nos últimos anos, o crescimento do valor do dólar e conseqüentemente o aumento do preço dos produtos importados, além da saturação do mercado no sul do país, historicamente mais ligado ao consumo diário de vinho, os importadores e distribuidores nacionais voltaram suas atenções aos centros com possibilidade de expansão no consumo. Neste contexto, situa-se Salvador em uma posição de destaque. Como a idéia arraigada no inconsciente coletivo de que estamos em uma cidade muito quente para desfrutarmos de tal bebida está sendo paulatinamente desfeita, seja através da informação, indicação de vinhos mais leves e refrescantes ou pura e simplesmente pela criação de áreas para degustação, o baiano está cada vez mais se tornando um alvo importante na estratégia de venda de muitas empresas do Setor.
A abertura de lojas em pontos de grande fluxo de pessoas como a Domaine Salvador, que abriu uma filial no Shopping Iguatemi, popularizou o hábito de comprar e presentear vinhos. Iniciativas empresariais como a criação do Armazém Santa Maria que possui uma adega para 5000 garrafas e área específica para degustação de vinhos, torna este hábito mais comum em nosso meio. Empresas paulistas como a Premier Cru e a K.M.M. passaram a contar com representações em Salvador e a nos trazer novos rótulos do novo mundo, aumentando o nosso leque de opções.
É fato mundial que a valorização do euro frente ao dólar se por um lado torna os vinhos europeus mais caros, abre espaço para o maior consumo dos vinhos chilenos, argentinos, sul africanos e principalmente australianos que hoje apresentam uma das melhores relações custo x benefício do mundo. Também mudou em Salvador, seguindo outra tendência global, a relação de procura preço x qualidade. Hoje o consumidor baiano está disposto a comprar mais vinho e gastar um pouco mais por garrafa desde que o benefício valha o custo. A disponibilização de vinhos com preços acima de R$1000.00, normalmente só procurados por conhecedores e colecionadores que antes tinham que comprar estes vinhos em outras cidades, é outro sinal de evolução do mercado local apresentada em 2004. Hoje, já se pode encontrar em lojas como a Perini, garrafas de Château d’Yquem, Petrus, Cheval Blanc, situação impossível há alguns anos.
Os restaurantes têm buscado diminuir suas margens de lucro com os vinhos e ao mesmo tempo aumentar suas opções de rótulos para que os clientes se sintam estimulados a consumir vinhos. Investimentos em adegas climatizadas e na contratação de Somelliers também retratam este momento.
No que tange aos rótulos vendidos em Salvador em 2004 os grandes destaques do ano foram o Espumante Mumm, produzido por esta casa da região de Champagne, França, em sua propriedade na Argentina, que por ser refrescante e com preço acessível passou a fazer parte do dia a dia das recepções e festas em nossa cidade, sendo facilmente encontrado em lojas e supermercados. Outro destaque foram o Carmem Carmenére e o também chileno Montes Alpha, que podem ser encontrados na Perini e na Domaine Salvador. Os vinhos sul africanos da Morgenhof, encontrados na Expand, são também interessantes e devem ser citados, mas, a maior novidade fica por conta dos rótulos das vinícolas australianas Yalumba, especialmente o Oxford Landing Shiraz e o Serie Y Viognier, e Jim Barry, Lodge Hill Shiraz, vinhos que podem ser encontrados no armazém Santa Maria e apresentam bons preços.
Por todo o exposto, o ano de 2004 foi um ano de franca evolução. Basta aguardar as novidades de 2005.
CONFRARIA
lNo Réveillon das Águas no Bahia Marina, organizado por Lícia Fábio, houve vinhos espumantes e vinhos tintos. Os 2000 convidados contaram com uma mesa onde foram servidos queijos e vinhos tintos da Argentina e África do Sul selecionados pela empresa baiana Somellier, um espaço da Vivo, patrocinadora do evento, que distribuiu pouco antes da meia-noite flores para as oferendas a Iemanjá e disponibilizou aparelhos celulares para as felicitações de ano novo.
l A organização do Reveillon dos Encantos no Hotel Pestana informou que não foram servidos vinhos este ano, apenas Champagne. Cabem comentários? Sugiro a leitura de matérias passadas sobre vinho espumante e vinho de Champagne disponíveis no site www. tribunadabahia.com.br.
l Dia 29 Elisabeth Silveira comemorou em Interlagos seu aniversário, em festa surpresa organizada por Elíbia Portela, Isabel Góes e Daniela Lerner. O tema foi “Uma noite na Arábia” e contou com shows de dança do ventre, muita música, e gente bonita. Presentes Júlio César Habib, Tati Moreno, Luiz Caetano, Fátima e Luciano Visneviski, Cláudia e Dado Vidal, Norma e Renato Martins. Os vinhos escolhidos para a noite foram os australianos Bloody Good Red, Wombat Gully e Southern Tracks. Fotos a cargo do grande Kim Kim.
l Gilberto Braga e Edgar Moura Brasil estão em Salvador, hospedados na casa da amiga Elisabeth Silveira.
l Nice e Paulo Sampaio curtiram o Réveillon em Porto Seguro. Levaram uma garrafa de Champagne Mumm para comparar com o espumante Mumm.
l Tina Lima e Mirela Machado organizaram o Réveillon da Sorte, em Mar Grande, para 150 casais.
l Maria Emília e Sylvain Gardet passaram o Réveillon em família se preparando para a posse de Josealdo Rabelo, irmão dela, como prefeito da cidade de Adustina no interior do estado.
l Abdon e Marta Abreu passaram Réveillon em Itacimirim, com Aurediva, Márcio Freire de Carvalho e Alice Lima. Rolou espumante a noite inteira.
l Rogério Carneiro também passou o Reveillon em família em Itacimirim. Champagne Moet & Chandon foi a escolhida.
Nosso presentes
Artigo de 24/12/2004
Todo apreciador de vinho está muito ligado aos aromas e sabores, sendo um gourmet em potencial. Pedi à minha amiga Elíbia Portela que me ajudasse a oferecer aos nossos leitores um presente especial. Para cada receita escolhida por ela, indico os vinhos mais adequados para que vocês tenham um natal alegre, prazeroso e harmonioso.
SALADA TROPICAL
Ingredientes: Azeitonas pretas, palmito, manga cortada em cubos, uvas sem peles, maçãs em cubos, presunto em cubos, queijo de búfalo em cubos.
Modo de fazer: Combine todos os ingredientes em uma tigela e arrume em uma saladeira lardeada com folhas de alface. Decore com ovos de codorna cozido e tomatinhos cereja inteiros. Sirva acompanhado do molho de iogurte com maracujá que é preparado com
1 copo de iogurte natural, 1 colher de sopa de cebola ralada, 1 colher de sopa de salsinha picada, 2 colheres de sopa de azeite de oliva, 1 colher de sopa de mel de abelhas, 100ml de suco de maracujá, sal e pimenta branca a gosto. Ponha todos os ingredientes em um recipiente, e sirva acompanhando a salada.
Para esta salada as opções são os vinhos brancos alemães da uva Riesling, os vinhos Chardonnay do Chile ou África do Sul, de safras mais recentes de preferência, um vinho rosé americano chamado de Zinfandel Branco.
PERÚ RECHEADO
1 peru de mais ou menos 3 k, (lavar bem com água e limão),
Tempero: 3 a 4 dentes de alho socados, 1 colher de sobremesa de sal, 3 folhas de louro, 1 colher de café de pimenta branca em pó, ½ colher de café de cuminho, 2 copos de vinho tinto ou branco seco. Reservar por 4 horas ou temperar de véspera.
Pasta: 1 cebola grande ralada, ½ xícara de chá de maionese, 1 colher de sopa de margarina derretida, 1 colher de chá de fondor. Misture todos e aplique por dentro e por fora do peru.
Farofa para rechear: 50 g de bacon picado, 1 cebola pequena picada, 1/2 k de coração de ave picadinho e temperado com os mesmos ingredientes usados para o peru, ½ xícara de chá de cheiros verdes picados, ½ xícara de chá de azeitonas picadas, algumas castanhas de caju torradas, algumas passas embebidas em conhaque ou rum, farinha de mandioca que seja o suficiente para fazer uma farofa úmida. Recheie o peru com a farofa, revista o peito com tiras de bacon, cubra com papel lâmina e leve ao forno para que cozinhe por 1 hora. De vez em quando, levante o papel e vá regando com a vinha d’alho.
Retire o papel, e deixe que doure totalmente. Decore com frutas frescas e compotas a gosto.
Para este prato sugiro os brancos Albarinho, Sancerre, Chablis, Sauvignon Blanc da Califórnia ou Nova Zelândia, Espumantes, Champagne, Bordeaux Branco, Borgonha Branco, Chardonnay Californiano ou Australiano. As opções tintas são os Cotes du Rhone, Borgonha, Pinot Noir da Califórnia, Merlot do Chile ou Itália.
MOUSSE DE MANGAS COM CALDA DE CHOCOLATE
Ponha no copo do liquidificador: 2 latas de creme de leite com soro, 1 lata de leite condensado, 1 envelope de gelatina branca em pó sem sabor diluído em ½ xícara de chá de água morna, 2 xícaras de polpa de mangas.
Modo de fazer: Bater todos por 2 minutos. Despejar em uma tigela, juntando 2 claras batidas em neve firme. Levar a geladeira por mais ou menos 3 horas. Servir com calda de chocolate que é feita com 1/2 xícara de chá de chocolate em pó, 150ml de leite de vaca, ½ xícara de chá de glucose de milho, 1 colher de sopa de manteiga, 1 colher de café de essência de baunilha. Misturar todos em uma panela e levar ao fogo sempre mexendo até que ferva por um minuto.
Para esta sobremesa sugiro o Madeira, Porto, Sauternes ou Recioto della Valpolicella.
CONFRARIA
l Ainda repercute a recepção oferecida na última quinta-feira por Elisabeth Silveira em sua casa em Interlagos ao Embaixador dos Estados Unidos no Brasil John Danilovich, noticiada semana passada. Tom Silveira, Benito Gama, Carlos Sodré, Mônica Baldacci foram alguns dos presentes.
l A festa de aniversário de Renato Martins Filho, em Interlagos no último sábado, foi uma comunhão de bom gosto. A seleção de vinhos foi primorosa e os convidados tiveram à disposição um bom espumante de “welcome drink”, um ótimo Chablis para primeiro vinho e um excelente tinto, Château Ducasse, como vinho principal. Tudo conforme as regras das melhores recepções em todo mundo. Estavam presentes, entre outros não menos importantes que não citaremos por absoluta falta de espaço, Verinha Luedy, Olga e Alfeu Luedy, Adriano Grangeon, Elisabeth Silveira, Elíbia Portela, Jacques de Beauvoir, July, Margarida Luz, Cristiana e Luciana Garcia, Sandra e Rodrigo Maciel, Olívia Barradas, Lena e Jean Gaston Humbert.
l Tina Lima e José Renato aguardam a chegada de seu filho Alexandre para as festas em família. Na lista dos vinhos a serem tomados o Bloody Good Red, 2000, da Austrália.
l Fim de ano intenso para o casal Maria Olívia e Delfin Gonzalez. Sua filha Thais se forma em Medicina dia 27. A comemoração será com Champagne Mumm.
l Adriano Grangeon prepara festa natalina em sua nova casa na Vitória. Vinhos tintos franceses e australianos darão a tônica da noite.
l Nice e Paulo Sampaio se retiram para Porto Seguro onde passarão as festas. Com Cris e Paulo Junior. Garantem tomar vinho todas as noites.
l Cristiana Garcia chega esta quinta-feira de São Paulo a tempo de passar o natal em família. Entre um gole e outro de Champagne garante contar as novidades de seu programa de televisão.
l Aurediva Freire de Carvalho promove festa natalina em sua casa no Quinta do Candeal. Cerdite e Antônio Flavio Crusoé, Marta Abreu, Márcio Freire de Carvalho e Alice Lima são presenças confirmadas para degustarem os vinhos da anfitriã.
l Michelle Marie é outra personalidade que organiza festa natalina. Passará a data entre parentes, amigos e bons vinhos espumantes.
l Confraria significa irmandade regida por compromisso. Um grupo de pessoas que por coincidência do destino se interligou por laços de amizade. Cabe, portanto, aqui manifestar nosso incondicional apoio ao casal Vera e Antônio Luedy que tão bem souberam criar seus filhos, instilando todos os grandes sentimentos pertinentes aos grandes homens que, a vida cuidou de mostrar-lhes, não habitam em todos os homens. Por muitas vezes me foi dito que, por afinidade, fazia parte desta família. Sinto-me honrado em dizer publicamente que me sinto parte dela e com ela comungo os
sentimentos de felicidade e também os de tristeza.
A hora dos presentes
Artigo de 17/12/2004
O natal está chegando e é hora de presentear. Para facilitar a vida de quem convive com os amantes dos vinhos, daremos algumas sugestões para agradar aqueles que já foram despertados para este agradável hábito.
Além das taças, já apresentadas em outra oportunidade, existem vários acessórios que compõem o dia-a-dia dos apreciadores de vinhos. Talvez o mais importante deles seja a bomba de vácuo, conhecida usualmente como vac-au-vin. Quando uma garrafa é aberta e o ar entra em contato com o vinho, tende a oxidá-lo transformando-o em vinagre. A função do vac-au-vin é retirar o ar e manter a garrafa fechada com uma rolha especial, propiciando que o vinho aberto possa ser guardado por vários dias sem perda importante de sua qualidade.
Para guardar uma garrafa de vinho por longos períodos é importante que esta seja mantida a uma temperatura adequada, em torno de 14 graus, umidade em torno dos 80 %, em ambiente escuro. As geladeiras não são adequadas para tal fim pois, além de haver inconstância na temperatura, não existe controle da umidade, e a trepidação ocasionada pelo seu motor pode gerar uma perda importante de qualidade da bebida. A adega climatizada é a primeira escolha no que concerne à guarda de vinhos, especialmente em nossa quente cidade, propiciando isolamento térmico e acústico, protegendo da luminosidade, mantendo uma temperatura que varia entre os 12 e os 16 graus e umidade entre 70 e 85 %.
A garrafa de decantação é outro item a ser pensado como um útil presente. Tem a função de aerar vinhos que necessitem de tal artifício para exibir suas melhores qualidades e é importante para repousar alguns vinhos que apresentam matérias sólidas adquiridas com o envelhecimento. Existem garrafas de vários formatos e materiais e portanto de várias faixas de preço.
Como é cada vez mais comum que se leve o próprio vinho a restaurantes (desde que seu vinho seja realmente especial ou a carta do restaurante seja realmente inadequada) ou à casa de amigos, um regalo interessante é o estojo de transporte de garrafas. Existem desde os modelos mais simples de uma garrafa, aos sofisticados modelos em couro com espaço inclusive para as taças e abridor. Esta prática é tão comum no exterior que alguns veículos importados, como o C5 da francesa Citröen, possuem refrigeração independente e um rack para vinhos no porta luvas. Em Salvador, alguns restaurantes, a exemplo dos melhores restaurantes em todo o mundo, cobram uma taxa pelo serviço, uso de taças e infra-estrutura do estabelecimento aos clientes que desejam beber seu próprio vinho, o que usualmente se chama de “taxa de rolha”. Nada mais justo.
O taste du vin, pequena concha com correntes para se pendurar no pescoço e facilitar a prova de vinhos é algo que todo enófilo deseja. Existem desde baratos modelos em inox aos trabalhados modelos em prata.
Para os que querem presentes mais baratos e não menos úteis, as tampas para espumantes, que evitam que o gás saia rapidamente da garrafa é outro item importante. As etiquetas chamadas de “win tags” que são utilizadas para marcar o vinho e evitar que se mexa na garrafa a todo o momento de forma desnecessária, termômetros de garrafa para aferir corretamente a temperatura ideal de serviço, os sempre importantes e esquecidos livros sobre vinhos, tabelas de safras e assinaturas de revistas nacionais especializadas, são outras grandes opções. As duas revistas mais conceituadas do mundo são a Wine Spectator e a Wine Advocate, de Robert
Parker e suas assinaturas podem ser feitas pela internet, mas não tem um custo baixo.
CONFRARIA
lElíbia Portela foi a responsável pela recepção oferecida nesta quinta-feira por Elisabeth Silveira em sua casa em Interlagos ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilo Vich. Boa comida, excelentes vinhos e companhia agradável. Tudo perfeito.
l Célia Szalay ausentou-se da sua rotina como proprietária da loja carioca de tapetes orientais, Casa Júlio, para visitar seu sócio da filial de Salvador, Flávio Fiúza. Comemoraram o sucesso de sua nova loja no Shopping Cidade com um almoço no Armazém Santa Maria. À mesa, Lodge Hill Shiraz, apontado como um dos 100 melhores vinhos do mundo em sua faixa de preço pela crítica especializada.
l Maria Emilia e Sylvain Gardet recebem hoje convidados em comemoração ao aniversário dele. Aos contemplados serão servidos o branco Jean Guillot, grand vin de Bordeaux, Sauvignon Blanc, e os tintos Lucy de Fossarieu, AOC de Bordeaux, e Le Grand Cailhau AOC de Médoc. Os vinhos foram importados diretamente por Sylvain de sua terra natal, a França.
l A nova linha Seleção da Miolo, lançada em novembro, já chegou movimentando o mercado. Os vinhos serão exportados para a Itália, marcando, assim, a entrada da Miolo em um tradicional consumidor de vinhos. A vinícola fechou a venda de 5.850 garrafas da Linha do Novo Seleção (branco e tinto), Gamay e espumante Brut.
l Mais uma boa nova para os apreciadores de vinhos. Um estudo recente que compara os pacientes hipertensos que bebem aos que não bebem, promovido pelo Centro Médico de Worchester, Massachusets, EUA, revela que existe uma diminuição de 44% do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nos homens que tomam uma taça diária da bebida. Para os que bebem semanalmente a diminuição de risco foi de 39% e para os que bebem mensalmente de 17%.
l Aos colecionadores de plantão. Fiquem atentos á safra 2003 de Bordeaux, ainda a ser lançada. Os melhores vinhos prometem ser excelentes, como atestam as provas
em barril.
A importância do Champagne
Artigo de 10/12/2004
É muito comum vermos as pessoas chamarem de forma genérica os espumantes de Champagne, com “C” maiúsculo em alusão à região ou com “c” minúsculo em alusão ao tipo da bebida. Esta confusão foi em boa parte criada por produtores inescrupulosos que queriam associar a imagem de seus vinhos de qualidade inferior a esta importante região produtora de vinhos de qualidade. Tal situação, apesar de corriqueira, é de tal importância para os franceses que passou a ser considerado assunto de Estado, suscitando do Governo Francês ações junto a Organização Mundial do Comércio (OMC) e diretamente junto aos paises produtores de espumante para que fosse respeitada uma reserva em relação ao uso do nome. Desta forma o termo Champagne, (com “C” maiúsculo ou minúsculo) é restrito aos vinhos espumantes feitos na região de mesmo nome, localizada a nordeste da França, que sigam as regras de A.O.C. (Appellation d’Origine Contrôlée). Em todo o mundo, os produtores deixaram de denominar seus vinhos espumantes de champagne e passaram a chamá-los apenas de vinho espumantes ou adotaram denominações locais, como na Espanha com o seu espumante Cava. Para poder ser chamado de Champagne, o vinho além de ser feito na região de Champagne, deve ter produzido com as uvas tintas Pinot Noir e Pinot Meunier, e a uva branca Chardonnay. O método de produção obrigatoriamente deve ser o método clássico e o envelhecimento mínimo de 15 meses. As exceções ocorrem ao se produzir a champagne só com uvas brancas, Chardonnay, e neste caso a bebida leva o nome de Blanc de blancs ou só com uvas tintas, normalmente a Pinot Noir, quando então passa a se chamar Blanc de Noir. O espumante francês feito pelo método tradicional, em outra região que não Champagne, feito com as uvas específicas de cada região, usualmente recebe o nome de Crémant.
A fama desta região em produzir vinho espumante de qualidade não reside apenas nas tradições ou pioneirismo. Além do fato do método tradicional de produção de espumante ter sido inventada em Champagne, o solo calcário, o clima muito frio no inverno e quente no verão tornam a bebida ali produzida um dos melhores vinhos de todo o mundo. As uvas utilizadas provêm de mais de trezentos vinhedos, cada um deles com características específicas que podem ser utilizadas para gerar este ou aquele aroma e sabor. Ademais, as adegas da região, formadas no solo calcáreo, muitas delas com mais de dois mil anos de existência, profundas e frias, são extremamente propícias à estocagem, guarda, e envelhecimento dos vinhos.
Um nome lendariamente ligado á Champagne é o de Pierre Pérignon, que apesar de não ter descoberto o método tradicional de vinificação como pensam alguns, foi o responsável direto por alguns aprimoramentos. O clérigo beneditino conhecido como Dom Pérignon nasceu em 1640 e aos 28 anos foi designado Mestre de Adega da abadia de Hautvillers. Fez estudos e ensaios sobre viticultura e vinificação, ensinando a muitos discípulos a arte de misturar os vários sucos de uvas da região para formar o Blend que compunha o Champagne. Especula-se que tenha utilizado em suas experiências a rolha de cortiça, feita a partir da casca do sobreiro, árvore existente no sul da Espanha, para selar garrafas do vinho de Champagne. O interessante é que além de abstêmio, Dom Pérignon buscava criar um vinho totalmente diferente do vinho que hoje conhecemos como Champagne. Procurava inicialmente criar um tinto, não espumante, de qualidade, em uma época na qual os vinhos espumantes começavam a agradar o mercado consumidor. Em 1920 a casa Moet et Chandon criou um Champagne prestige cuvée que usa seu nome e é um sucesso até hoje. Vinho especial para todas as ocasiões, segue aqui a citação de uma importante senhora francesa, Madame Lily Bollinger, sobre o Champagne: “O bebo quando feliz e quando triste. Quando sozinha e quando acompanhada. Distraio-me com Champagne quando estou sem fome e bebo quando estou com fome. A não ser nestas situações, não toco no vinho... A não ser que esteja com sede”. Em contraponto vale também lembrar o famoso inglês, Sir John Harington, diplomata e humorista, formado em Eton e no King’s College, afilhado da rainha Elizabeth, que em torno de 1600 dizia: “Vinho, mulheres, banhos, calorosos por via artificial ou natural,
usados ou abusados, fazem aos homens muito bem ou grande mal.”.
CONFRARIA
l Especialmente para o casal D. Yeda e Dr. João Durval Carneiro, que tem se interessado por informar-se sobre os benefícios do vinho à saúde, cito o NIAAA (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism), orgão governamental dos Estados Unidos, que estuda os efeitos do álcool no corpo humano. Comprovando estudos anteriores que mostravam uma diminuição do risco de doenças cardíacas em pessoas que fazem uso moderado de vinho, recomenda em seu guia dietético uma a duas doses diárias de vinho, particularmente tinto.
l Chega ao fim a saga degustativa de Nice e Paulo Sampaio. Chegaram cheios de saudade e estórias para contar.
l O restaurante Baby-Beef prepara uma nova carta de vinhos para seus clientes. Garante novidades.
l A Domaine Salvador realiza promoção com bons descontos para compra de adegas climatizadas. Tel. 263-0050.
l Os principais restaurantes da cidade preparam jantares especiais e almoços de confraternização de final de ano, com boa seleção de vinhos e pratos. Informe-se antes de decidir.
l A conceituada revista Wine Spectator divulgou sua lista de 2004 dos melhores restaurantes para se tomar vinho em todo o mundo. No Brasil elegeram como possuidores das melhores listas de vinhos o Eau e o Fogo de Chão, em São Paulo, e o Laguiole, no Rio de Janeiro. Eu incluiria o D.O.M., de Alex Atala, e o Figueira Rubaiyat, ambos em São Paulo.
l E por falar em vinhos e restaurantes, na Bahia vale mencionar o restaurante Galpão, o Trapiche Adelaide e o novo Armazém Santa Maria, que possuem boas cartas de vinhos.
l Prosecco e gente bonita. Esta foi a fórmula do sucesso da inauguração da nova loja da Sport Brasil no Shopping Iguatemi
Expovinis 2005
Artigo de 29/04/2005
A Expovinis 2005, a maior feira de vinhos da América Latina reuniu entre os dias 3 e 5 de maio, em São Paulo, profissionais do setor de vinicultura, hotelaria, enogastronomia, varejo, apreciadores de vinhos e mais de 300 jornalistas de todo o mundo, inclusive Steven Spurrier, consultor de vinhos, escritor e assessor editorial da revista Decanter Magazine, uma das mais renomadas publicações mundiais especializadas em vinho, e Saul Galvão, autor de livros especializados no assunto, um dos maiores experts do Brasil. Em sua 9ª edição, a Expovinis ocupou um espaço de 11 mil m² do ITM Expo e teve como parceira a revista Prazeres da Mesa, publicação oficial da feira. Além da cobertura especial, a revista realizou eventos e degustações dirigidas. Criada há 18 meses, ela já é considerada uma das mais respeitadas publicações do setor.
Nesta edição, a feira reuniu mais de 160 expositores , representando cerca de 600 vinícolas e centenas de rótulos de países como África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, EUA, França, Itália, Portugal, Nova Zelândia, entre outros. Estima-se que o evento recebeu mais de 12 mil pessoas, das quais 8 mil eram profissionais do mercado, que puderam conhecer os últimos lançamentos nacionais e internacionais, consolidando a Expovinis como o mais importante encontro do setor, com o claro compromisso de fomentar o mercado brasileiro e disseminar a cultura do consumo do vinho no Brasil. Além dos stands dos produtores e importadores de vinhos, havia os stands com exposição de acessórios para o serviço do vinho, taças, decanteres, adegas climatizadas e outros equipamentos.
Com características de um evento extremamente técnico, a Expovinis contou com degustações e workshops com conaisseurs de renome internacional. Muito interessante foi a degustação conduzida por Jonathan Nossiter, diretor do documentário Mondovino, que estréia hoje no Brasil, na qual foram apresentados os vinhos citados no seu longa-metragem, uma agradável reunião de enófilos e cinéfilos.
Atenção especial foi dada à infra-estrutura da feira. Além de toda segurança comum a este tipo de evento, os stands foram montados com extremo bom gosto, muitos deles com ambientações temáticas que exigiram altos investimentos dos participantes, muitos deles tendo gasto mais de R$ 50.000,00 para elaborar seus espaços. A sala de imprensa, especialmente projetada pelo arquiteto Silvio Heilbut, um ambiente sofisticado e elegante, dispunha de todos os meios mais modernos de comunicação e conectividade, permitindo que os inúmeros jornalistas que cobriram a feira transmitissem informações em tempo real.
Os expositores em geral tiveram como objetivo em sua participação na Expovinis a obtenção de visibilidade, apresentação dos seus produtos, incremento dos contatos com potenciais clientes, representantes e distribuidores em todo o Brasil e a expansão dos seus negócios. Para os convidados, foi uma chance única de conhecer as novidades do mercado mundial, ter acesso aos mais variados vinhos de vários países, trocar experiências com especialistas do setor e manter-se informado sobre as tendências do mercado. Segundo Saul Galvão, a Expovinis 2005 se mostrou mais técnica que a do ano anterior, com um aumento tanto na quantidade quanto na qualidade dos vinhos apresentados. Já o importador Australiano Keneth Marshal, considerou a feira um importante marco para o mercado de vinho em nosso país.
Espantosa foi a presença dos produtores portugueses nesta feira. Com uma delegação de 83 empresas, os portugueses deixaram claro seu interesse no mercado brasileiro. Para Jaime Quendera, da Pegões, uma das maiores vinícolas de Portugal, este fato é reflexo de uma recente pesquisa encomendada pelo governo português ao especialista Michel Porter, que indicou os países-alvo mais importantes do mundo para expansão do mercado de vinhos, sendo eles os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Brasil e os países Nórdicos. O também português, Miguel Remédio, da José Maria da Fonseca, detentora do rótulo Periquita, o vinho europeu mais vendido no Brasil, reforça esta idéia afirmando que a venda de seus vinhos para o Brasil em 2004 dobraram em relação ao ano anterior. Segundo ele, como o consumo per capita no Brasil é muito baixo, menos de 3 litros/ano, enquanto em Portugal está em torno de 48 litros/ano, existe um imenso potencial a ser explorado, principalmente na região nordeste e em especial na Bahia onde a ascendência portuguesa é muito presente. A Expovinis foi assim um encontro singular. Uma babilônia onde foram faladas várias línguas, onde diversas culturas interagiram e onde o vinho, o personagem principal, foi tratado com a devida reverência. Onde vinícolas tradicionais dividiram o espaço e a atenção com emergentes produtores. Onde estratégias foram postas em prática, negócios foram gerados e amizades foram criadas...
E tudo isto com os auspícios de Baco!
CONFRARIA
l A Domaine Salvador realiza a promoção “Volta ao mundo em oito dias”. De 29 de Abril até 07 de Maio, estará disponibilizando 5 rótulos de vinhos para degustação por R$ 35,00 por pessoa. Os vinhos são o Encosteira, de Portugal, Finca El Portillo, Argentina, Jacques & François Lurton, França, Domaine Conte, Chile, The Stump Jump, Austrália. Reservas pelos telefone 3263-0050.
l A casa Valduga recebeu 2 medalhas no Concurso Mundial de Bruxelas. Uma de ouro pelo Cabernet Sauvignon Premium 2002 e uma de prata pelo Duetto Cabernet Sauvignon /Merlot 2002.
l A Osteria Dell Agazzi, especializada em comida italiana, está reformulando sua carta de vinhos e trazendo novidades para os apreciadores da bebida. Para quem quiser conferir, as reservas podem ser feitas pelo tel.3245-9069.
l A Perini sempre pronta a estimular o consumo da boa bebida e da boa comida, promoveu na última segunda-feira o lançamento do livro de Sandra Gordilho.
l O Hotel Sofitel Salvador reuniu convidados nesta última terça-feira para o lançamento da segunda edição do seu concurso de Chefs amadores.
l Dia 11 de maio, no Hotel Grand Hyatt São Paulo, será realizado um leilão de vinho. Os lances podem ser dados no local ou pela internet, através do site www.superbid.net.
Hungria
Artigo de 29/04/2005
Apesar de desconhecida como produtora de vinho nos dias de hoje por boa parte do público, fato devido em parte aos anos sob dominação da antiga União Soviética, a Hungria foi, no passado, entre os séculos XVII e XVIII, uma das três mais importantes regiões do mundo. A cultura vinícola que se discute ter sido implantada pelos celtas ou gregos foi desenvolvida, posteriormente, pelos romanos e recebeu a influência dos vários povos que ocuparam sucessivamente a área, como os hunos, vândalos, godos, tártaros e turcos.
A produção atingiu nível técnico elevado na Idade Média quando a igreja, maior instrumento fomentador de conhecimento na viticultura da época, passou a cultivar suas propriedades na região com o incentivo da monarquia. Os melhores vinhedos eram cercados, os viticultores possuíam direitos sobre a terra cultivada e fazia-se clara distinção entre a qualidade dos vinhos, o que se configura na verdade como o primeiro esboço de sistema de classificação de vinhos baseado em qualidade, muitos anos antes do que haveria de se desenvolver em Bordeaux. Produzia-se tanto vinho verde quanto vinho doce, sendo o mais célebre deles o vinho produzido inicialmente no castelo de Tokaj, na região de Tokaji-Hegyalja. Feito com uvas atacadas pelo fungo Botrytis Cinérea, o que lhes concentrava o açúcar, passou a ser conhecido como Tokay.
Nos dias atuais, além do famoso Tokay, a Hungria produz bons vinhos tintos e brancos secos. A partir de 1990, com a queda do comunismo e, consequentemente, a substituição das grandes cooperativas estatais que controlavam a produção por vinícolas privadas, houve um incremento na produção vinícola do país, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, sendo mais de 60% da produção de vinhos brancos. Foram adotadas leis vinícolas similares ao sistema A.O.C. francês e o país iniciou um processo de inserção no mercado mundial de vinhos. Hoje a Hungria é o décimo quarto país do mundo em área plantada de parreiras, totalizando mais de 300 mil acres cultivados.
As principais uvas plantadas, além da nativa Olsaszrizling, branca, e das Kékofrankos e Zweigelt, tintas, são as brancas Chardonnay, Pinot Blanc, Sauvignon Blanc, Sémillon, Furmint, Hárslevelü, Muscat Lunel, Oremus, Szürkebarát e as tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Merlot, Kékoporto, Kadarka.
As principais regiões vinícolas são:
t Tokaj-Hegyalja: a região de maior prestígio, donde procede o Tokay;
t Eger: lar do mais famoso tinto seco húngaro, o Egri Bikavér, feito com as uvas Kékfrankos; produz também tintos comerciais, pouco encorpados;
t Mátra: Origina bons brancos feitos com a Olaszrizling e a Muscat;
t Somló: pequena região produtora que se destaca por seus vinhos brancos quase artesanais, amadurecidos em tonéis de madeira;
t Bradacsony: produz bons vinhos brancos secos, sendo as principais uvas da região a Chardonnay e a Sauvignon Blanc;
t Grande Alföld: onde se localiza mais da metade dos vinhedos do país, produz basicamente vinhos comerciais, de baixa qualidade;
t Szekszárd: tem na Kadarka sua especialidade; berço dos melhores tintos do país, as vinícolas desta região têm investido largamente em tecnologia e melhorias de vários aspectos da produção;
t Villány-Siklós: outra área produtora de bons tintos, especialmente com as uvas Cabernet Sauvignon, Kékfrankos e Kékoporto.
Apesar de termos hoje pouco acesso aos vinhos húngaros não se surpreenda em encontrá-los em alguma prateleira de nossa cidade em um futuro próximo. O mercado de vinhos tem se expandido enormemente e alguns rótulos, antigamente limitados ao eixo Rio-São Paulo, já são facilmente encontrados em várias outras cidade do Brasil. Com o aumento da produção húngara devido ao uso de tecnologias mais avançadas e a busca de novos mercados que sempre acompanham estes mecanismos de evolução, em breve, facilmente teremos ao nosso
dispor vinhos com nomes basicamente impronunciáveis, mas com sabores admiráveis.
CONFRARIA
l Clarí e Patrícia Paganin, leia-se Tonederme e Relicatte Cosmetics, reuniram empresários de todo o país para um jantar enogastronômico no Château Lacave. Na pauta, os planos de investimento no Brasil e o incremento dos negócios das empresas na Bahia.
l Adriano Luedy passou o último final de semana em família, na casa de Interlagos, para a especial alegria de Vera e Antônio Luedy. Logo após o descanso voltou ao trabalho em Minas Gerais .
l Cristina Mendonça aproveitou o feriado de Tiradentes e seguiu para a Feira de Hotelaria em Recife. Trará novidades para o Sofitel Salvador.
l Em recente degustação na sede da Miolo em Bento Gonçalves, o enólogo Ubiratã Milchareck apresentou a nova safra dos vinhos da empresa.
l A Miolo está construindo, no vale dos vinhedos, RS, ao lado do seu famoso lote 43, um belíssimo Hotel - Spa. Quando estiver pronto oferecerá, além das boas acomodações, tratamentos de beleza e estética com produtos derivados de vinho, tratamentos convencionais de estética e cursos sobre a bebida.
l A Domaine Salvador lançou uma nova promoção de vinhos brancos com excelentes descontos. Celso Mathias continua trazendo boas opções para o mercado local.
Aústria
Artigo de 22/04/2005
A Viticultura na região que hoje chamamos de Áustria é muito antiga. Atribui-se aos Celtas, em torno de 400 a.C., o início do cultivo e aos romanos a expansão das áreas cultivadas. Apesar de séculos de história, a vitivinicultura do país só ganhou maior destaque a partir da Idade Média. A Áustria, quando parte do Império Austro –Húngaro, dominava o comércio de vinho da região, controlando também vinhedos na Hungria, na região do Tirol e na costa oriental do Adriático, totalizando uma área cultivada duas vezes maior que a italiana. Contudo, seus vinhos em sua maioria não possuíam grande qualidade e eram comercializados basicamente dentro da região, com exceção dos bons tintos feitos artesanalmente e dos vinhos doces produzidos principalmente na Hungria, extremamente cobiçados, sendo freqüentemente exportados. Com a divisão do império e, posteriormente, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial houve um estímulo para que vinhos baratos e comerciais, feitos em escala industrial, fossem produzidos para incrementar as exportações, a fim de gerar divisas para o país. A partir de 1990, a Áustria mudou o caminho de sua produção. Buscou-se qualidade em detrimento à quantidade e paulatinamente seus vinhos passaram a ser reconhecidos. A produção atual gera uma minoria de vinhos tintos, cerca de 20% do total, encorpados ou medianamente encorpados, frutados, com notas de condimentos. A maioria é de vinhos brancos secos ou doces, de caráter muito específico e muito atraentes.
Apesar da boa qualidade dos vinhos secos, são os vinhos doces, especialmente os vinhos de colheita tardia, feitos com uvas deixadas o máximo possível ao sol para concentrar o açúcar, e os vinhos botrytisados, que sofreram a ação do fungo Botrytis cinerea, que também concentra o açúcar, as maiores estrelas da produção austríaca.
Existem mais de trinta variedades de uvas sendo plantadas atualmente na Áustria, mas as principais são as tintas Blaufränkisch, Blauburgunder (Pinot Noir), Zweigelt, St. Laurent, Cabernet Sauvignon e as brancas, Grüner Veltliner, Muskateller( Muscat Blanc), Morillon ( chardonnay), Furmint, Weissburgunder( Pinot Blanc), Welschriesling, Neuburger, Sauvignon Blanc, Traminer, Riesling e Sämling.
As principais áreas viticultoras do país são:
s Baixa Áustria, com as sub regiões de Kamptal-Donauland, Weinviertel, Wachau, Donauland-Carnuntum, Thermenregion, localiza-se na verdade ao norte, porém recebe o seu nome em alusão à porção baixa do rio Danúbio que a percorre. Detém a metade da área produtora austríaca e é de onde provêm os vinhos brancos secos mais refinados.
sBurgerland, segunda maior região produtora, famosa por bons vinhos tintos secos e excelentes vinhos doces.
sEstíria, célebre por seus Sauvignon Blanc, produz um bom tipo de rosé chamado Schilcher.
sViena, a única cidade do mundo também considerada área vinícola. Os vinhedos localizam-se nos subúrbios e arredores.
As leis vinícolas austríacas são similares às alemãs, apesar de muito mais rígidas. O sistema de classificação é também bastante parecido e baseado no grau de maturação das uvas. Desta forma os vinhos austríacos podem ser classificados em:
sLandwein ou Deutscher Tafelwein, vinhos de mesa com indicação geográfica.
sQbA ou Qualitätswein bestimmter Anbaugebiet, vinho de qualidade das melhores regiões.
sQmP ou Qualitätswein mit Prädikat, vinhos de qualidade com atributos específicos de maturidade.
Os QmP, nos quais não é permitida a utilização de métodos artificiais para torná-los mais doces, são classificados pelo grau de amadurecimento das uvas em cinco “Prädikat”:
s Spätlese, feito com uvas colhidas tardiamente e, portanto, mais amadurecidas, o que lhe confere mais álcool e corpo.
sAuslese, vinho feito com as uvas maduras de cachos selecionados em anos nos quais o clima permite um amadurecimento suficiente.
sBeerenauslese, vinho feito com uvas atacadas pela Botrytis cinerea, um fungo que torna as uvas mais secas e conseqüentemente mais doces, com aroma e sabor de mel. As uvas são selecionadas uma a uma.
sTrockenbeerenauslese, vinho feito com uvas atacadas pela Botrytis cinerea até quase se tornarem passas, selecionadas uma a uma, e apenas em anos excepcionais.
sEiswein, feito com uvas muito maduras colhidas tardiamente, quando estão congeladas. Ao serem prensadas, o gelo formado pela água presente nas uvas é separado do sumo concentrado que não congela e produz um vinho raro.
Os vinhos austríacos são interessantes opções que devem ser experimentadas. Os tintos são exóticos, os brancos secos em nada lembram os produzidos na vizinha Alemanha, e os doces são soberbos. Não são vinhos a serem degustados de forma desleixada. Merecem observação e uma certa contemplação. Os vinhos produzidos atualmente são tão diferentes dos produzidos no passado que devem ser tratados como algo novo.
Estes não carecem rótulos ou estereótipos e sim de conhecimento.
CONFRARIA
l Sylvain Gardet retornou ontem de seu tour pela Europa. Trouxe várias garrafas de vinho e bons contatos para futuros negócios na Bahia.
l Quem prepara viagem à Europa para visitar zonas produtoras na Itália é Gilka Paixão.
l A Escola de Vinho da Miolo, que funciona na sede da vinícola, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, RS, promoverá cursos aos dias 23 de abril, 28 de maio, 11 de junho, 25 de junho, 9 de julho, 23 de julho, 20 de agosto, 17 de setembro, 15 de outubro e 12 de novembro. Os cursos têm duração de 4 horas e são compostos de parte teórica e prática.
l A Vinícola Miolo acaba de fechar seu maior contrato individual de exportação. Trata-se da venda de 68.460 garrafas de vinho para a França. O negócio foi fechado com a rede Pão de Açúcar que enviará os produtos para as lojas da rede francesa Casino, sócia do Pão de Açúcar no Brasil. Serão 49.740 garrafas de Shiraz e 18.720 de Muskadel. Os dois vinhos são produzidos na Fazenda Ouro Verde, na Bahia. Com o negócio, a Miolo chega ao mês de abril com exportações superiores a todo o ano passado.
l Os vinhos El Delírio, Syrah/Malbec, 2004, e La Porfia, Carmenére, 2003, da vinícola chilena Botalcura receberam medalhas de ouro no Concurso de Bruxelas, um dos mais importantes do mundo. Os vinhos são comercializados na Bahia pela K.M.M (Tel.81225278).
l Teremos em breve na Bahia uma nova opção de vinhos argentinos vindos da região da Patagônia. São as linhas Saurus, Saurus Patagônia Select e Família Schroeder, da Bodega Família Schroeder (www.familiaschroeder.com). No Concurso Mundial de Bruxelas, o vinho Pinot Noir Saurus Patagônia Select 2003 recebeu medalha de ouro e os vinhos Pinot Noir Saurus Varietal 2004, Malbec Saurus Patagônia Select 2003, Sauvignon Blanc Saurus Patagônia Select 2004 e Especial Blend Família Schroeder Pinot/
Malbec 2003 receberam medalhas de prata.
Moscatel de Setúbal
Artigo de 15/04/2005
Ao sul de Lisboa, na região de Azeitão, está a cidade de Setúbal, famosa pelo vinho que produz. O clima da região é misto, subtropical e mediterrâneo, com amplitudes térmicas médias, recebendo influência do mar e das bacias hidrográficas dos rios Tejo e Sado, condições propícias a um bom amadurecimento das uvas e uma alta concentração de açucares, o que se reflete no vinho produzido. Doce e saboroso, o Moscatel de Setúbal sempre agradou muito o paladar feminino e aqueles que apreciam um vinho aromático e voluptuoso.
A vinicultura na região é muito antiga, datando dos tempos dos Fenícios e do Império Romano. Séculos mais tarde, quando da ocupação árabe, a vitivinicultura foi estimulada e a região se consolidou como um importante pólo produtor.
O Moscatel de Setúbal é produzido principalmente nas zonas de Palmela, Sesimbra e Setúbal, com as uvas Muscat d’Alexandria, também conhecida como Moscatel de Setúbal, e a Moscatel Roxo. Outras uvas nativas podem ser misturadas às anteriores até a porcentagem de 33% para produzir o vinho. Evite confundi-lo com o Moscatel do Douro, produzido na região de mesmo nome, nas zonas de Favaios e Alijo. Ali o vinho geralmente tem qualidade bastante inferior e é produzido com a uva Moscatel Galego, conhecida na França como Muscat de Beaume de Venise.
Em 1907 foi demarcada a região de produção do “vinho generoso Moscatel de Setúbal”. A legislação portuguesa prevê que para receber as designações tradicionais de “Moscatel de Setúbal” os vinhos deverão possuir, pelo menos, 85% de mosto proveniente destas castas. A denominação “Superior” pode ser utilizada para explicitar maior qualidade.
O Setúbal é um vinho doce e fortificado, feito à semelhança do Porto, podendo ser tinto ou branco, produzido com cortes de vinho de vários anos ou ser de uma única safra. Seu forte aroma se deve ao período, de até seis meses, que as cascas ficam em contato com o suco durante a maceração. Os melhores exemplares podem envelhecer por mais de 40 anos, tendo suas características extremamente realçadas. Quando o rótulo apresenta uma explicitação de tempo, por exemplo, 10 anos, o vinho foi produzido com vinhos-base cujo tempo médio de amadurecimento é de dez anos.
Os Setúbal tintos são muito pouco produzidos e difíceis de serem encontrados fora de Portugal. São mais complexos e envelhecem bem. Já os brancos, a grande maioria, são vinhos licorosos, aromáticos e saborosos.
O Moscatel de Setúbal é um vinho generoso, de cor topázio, teor alcoólico entre 18 e 20 graus, com aromas florais e notas de laranja, mel, caramelo, ervas e tâmaras. Excelente com bolos brancos, castanhas e nozes. Ao comprá-lo é importante evitar os vinhos mais comerciais e baratos. Apesar dos vinhos de maior qualidade e envelhecimento poderem apresentar preços exorbitantes, existem vinhos de boa qualidade, feitos por produtores reconhecidos, com preços excelentes.
Alguns produtores recomendados são José Maria da Fonseca, J.P. Vinhos e Caves Velhas.
CONFRARIA
l A pizzaria Cheiro de Pizza está estruturando uma nova carta de vinhos e prepara-se para uma mudança na estratégia de comercialização da bebida. Mostrará aos seus clientes que nada combina melhor com comida italiana que um bom vinho.
l A Expovinis, que acontecerá no início de maio em São Paulo, está movimentando o mercado de vinho no Brasil. A participação de vários produtores de todo o mundo e o grande interesse por parte do público fazem com que a feira seja bastante concorrida. A montagem de um stand custa em média R$30.000,00.
l O Hotel Sofitel Salvador pretende retomar a sua “Noite de Queijos e Vinhos”, sob os auspícios de Cristina Mendonça e Marcos Palmeira.
l A agência de turismo Meeting Tour está organizando grupos para viagens a regiões vinícolas no Chile e Argentina, o emergente Eno-Turismo. Tel. 33538744
l Sylvain Gardet, que estava na França visitando alguns produtores de vinhos, seguiu para a Itália. Deverá encontrar-se com Arnaldo Botter, um dos maiores produtores daquele país.
l Elisabeth Silveira embarcou esta semana para Portugal. A visita ao Porto já está agendada.
l A Vinícola Miolo recebeu medalha de Prata pelo Miolo Reserva Cabernet Sauvignon 2002 no Concurso Mundial de Bruxelas, realizado entre os dias 31 de março e 2 de abril. Com o resultado, a Miolo acumula 119 medalhas conquistadas no Brasil e em concursos internacionais desde 1990, em especial a partir de 1996.
l A família Luedy comemora com felicidade e bons vinhos o retorno de Adriano. Os amigos lhe desejam boas vindas. para este tipo de vinho. Esta bebida que custa na França em torno de
R$ 9,00, está sendo vendida nos Estados Unidos por R$ 18,00.
O Madeira
Artigo de 08/04/2005
Da Ilha da Madeira provém uma estrela da produção vinícola de Portugal, o vinho Madeira. A ilha, situada entre Portugal e o continente africano, a 640 km da costa marroquina, foi uma das mais importantes fontes de vinhos entre os séculos XVI e XVIII, sendo sua produção exportada para a Europa, África, Américas e Índia. No início do século XIX, as pragas, principalmente a Filoxera, devastaram os vinhedos. O replantio com uva de qualidade inferior às originais contribuiu para que o Madeira perdesse boa parte de seu mercado e não mais conseguisse a posição de destaque que possuía no mercado internacional de vinhos.
Em seus primórdios, o Madeira não era um vinho fortificado, porém, como frequentemente estragava durante as viagens, passou-se a acrescentar aguardente de vinho, como no vinho do Porto. Com a fortificação, a graduação alcoólica atingiu 20%, tornando-se mais estável e apto ao transporte. Frequentemente era enviado às colônias portuguesas e inglesas das Índias e da América, sofrendo no caminho a ação das intempéries, do intenso calor e do balanço do mar. Descobriu-se que o vinho chegava ao destino mais saboroso e vigoroso do que quando de seu embarque e postulou-se a teoria de que se a travessia do oceano Atlântico e ou da linha do Equador fazia bem ao vinho, duas travessias fariam ainda melhor. Assim foi que a Inglaterra passou a determinar que os navios que se dirigissem às colônias primeiro, fizessem uma parada na ilha da Madeira e se abastecessem de pipas de vinho que seriam utilizadas como lastro do navio e apenas seriam descarregadas quando do retorno à Europa. Este vinho especial e voluptuoso passou a ser chamado de vinho de “Torna-Viagem”. Por ser um método caro de aquecimento buscou-se uma alternativa às travessias oceânicas. No final do século XIX, passou a ser utilizado o método de estufa, no qual um grande fogão e um sistema de circulação de água quente instalados em um armazém aqueciam os vinhos que ali descansavam durante meses.
Nos dias atuais utilizam-se dois processos distintos. No primeiro, o vinho-base fortificado depois de acondicionado em tanques ou tonéis é aquecido a temperaturas em torno 40º por até seis meses, processo chamado de estufagem artificial. No segundo, utilizado apenas nos melhores vinhos, o vinho base depois de acondicionado é colocado nos sótãos dos produtores para sofrerem com o calor natural da ilha por 20 anos ou mais, processo chamado de estufagem natural.
Após o aquecimento os vinhos passam por um processo de resfriamento, que no caso dos “Top” dura até um ano. Caso o vinho aquecido e resfriado tenha qualidade para tanto, passa ao processo de amadurecimento em tonéis de madeira, processo que pode durar mais 20 anos. Ao final, um bom Madeira pode levar mais de 40 anos para ficar pronto.
Os melhores Madeira podem ser produzidos com as uvas brancas Bual, Malmsey, Sercial e Verdelho e a maioria dos vinhos comerciais é produzido com a uva tinta Negra Mole. Como as uvas são plantadas em regiões distintas, com distintas temperaturas e consequentemente diferentes graus de maturação da fruta, convencionou-se utilizar o nome da uva para definir o estilo do vinho que pode ser classificado em:
s Sercial, estilo mais seco e áspero, pois esta casta é proveniente dos vinhedos mais altos e frios, com pouca maturação da uva e consequentemente maior acidez.
s Verdelho, meio-seco, vinhos encorpados e elegantes, pois estas uvas alcançam um maior grau de maturação.
s Bual, vinho mais voluptuoso, doce. Uvas com bom grau de maturação.
s Malmsey, como são plantadas nas áreas mais quentes da ilha, ocasionam um vinho extremamente doce, opulento e saboroso.
Além do estilo, quando falamos em Madeira é importante atentar para a qualidade que o vinho apresenta. Para efeitos de classificação o Madeira pode ser dividido em:
t Madeira a Granel, vinho comercial, feito com a uva Negra Mole. Cortes de vinhos de baixa qualidade, com aquecimento de três meses e amadurecidos por até dezoito meses em tanques. Frequentemente se utiliza corante para conferir-lhe cor característica.
t Madeira de três anos, vinho com características similares ao anterior, aquecido até seis meses e amadurecido por três anos em tanques. Pode ser chamados também de fino ou Especial.
t Madeira de cinco anos, produzido com cortes de vinhos que amadureceram pelo menos cinco anos em barril. Se a uva for citada no rótulo, pelo menos 85% do vinho final deverá ter sido produzido com esta casta. Pode ser chamado também de Reserva.
t Madeira de dez anos, como o anterior, com amadurecimento mínimo de dez anos. Também chamado de Reserva Especial.
t Madeira de quinze anos, com amadurecimento mínimo de quinze anos. Também chamado de Reserva Extra.
t Vintage, feito apenas com uvas brancas colhidas em um único ano. O nível máximo de qualidade.
O Madeira é um vinho extremamente singular. Elegante e saboroso, de intenso sabor residual, talvez o mais persistente entre todos os vinhos do mundo. Ao procurá-lo deve-se evitar a compra dos vinhos mais baratos e comerciais, mais propícios à culinária que ao consumo e que em nada lembram o Madeira que descrevemos. No mercado podem-se encontrar vinhos recentes de excelente qualidade e bom preço e também exemplares de 1780 ou 1800, com o frescor de um vinho recém produzido e sem a exorbitância de preços que haveria em outros vinhos de mesma safra.
Ao comprar um Madeira esteja atento às informações contidas no rótulo e, escolhendo um bom vinho, prepare-se para provar algo realmente único.
CONFRARIA
l A vinícola Argentina Bodegas Callia, da empresa Sallentein, produz no Valle de Tulúm , província de San Juan, região de Cuyo, duas linhas de vinhos, a Signos e a Callia Alta. A linha Signos apresenta vinhos mais simples e baratos enquanto a linha Callia Alta apresenta vinhos mais complexos, envelhecidos em barris de carvalho. Estes vinhos são importados pela Decanter e estão disponíveis em Salvador
l Maior ilha da Itália, a Sicília tem delícias de sabor único. E foram algumas dessas especialidades que a chef Maria Montanarini preparou para os freqüentadores da Cantina Panzone na última sexta-feira. Estiveram presentes ao jantar o casal Nice e Paulo Sampaio, a empresária Denise Pimentel e o colunista Michel Telles. Comandando o evento, Constantino Amato apoiado pela competente Cristina Barude.
l Parabéns especiais para Kin-Kin, o ilustre aniversariante do último domingo.
l Marcos Pinheiro apesar de reconhecer a classe dos vinhos franceses e o sabor dos italianos se declara apaixonado pela bebida americana , em especial a safra de 82.
l Um reconhecido artista baiano prepara-se para inaugurar uma grande loja de vinhos em Salvador. Algo para sacudir o mercado local.
l A Expovinis, maior feira de vinhos da América Latina será realizada em São Paulo entre 3 e 5 de maio.
Porto
Artigo de 01/04/2005
O vinho do Porto, bebida produzida na região do Douro , era originalmente um vinho seco de mesa, algo parecido com o clarete francês, e que devido ás constantes disputas entre França e Inglaterra passou a ser de interesse vital para os ingleses. Como a produção francesa estava cada vez mais inacessível, seja pela elevação das taxas de exportação, seja pela guerra, a Inglaterra voltou-se para Espanha e Portugal como fontes de suprimento deste importante produto. Este interesse era de tal monta que ainda hoje se reflete nos nomes das principais vinícolas do Porto, como Graham, Taylor ou Sandeman.
Especula-se que para que não estragasse durante a viagem até a Inglaterra o vinho do Douro, durante a fermentação, recebia a adição de 5% de aguardente de uva, o que o tornava adocicado e resistente ao transporte. Com o sucesso da safra de 1820, na qual o clima proporcionou um raro amadurecimento das uvas e, portanto um vinho final ainda mais doce, resolveu-se elevar paulatinamente a porcentagem de aguardente até os atuais 20% e realizar esta adição em uma fase mais precoce da fermentação, criando um vinho doce e ao mesmo tempo fortificado. Como esta bebida era embarcada na cidade do Porto, passou a receber o emblemático nome de Vinho do Porto.
O vinho do Porto traz em si uma carga tão grande de exclusivismo que no passado, as mulheres eram obrigadas a retirarem-se dos salões para que os homens pudessem degustá-lo; Os pais costumavam encomendar barris deste vinho, produzidos no ano de nascimento de seus varões, para doar-lhes quando estes atingissem a maturidade, hábito ainda existente nas famílias mais abastadas e tradicionais da Inglaterra e Portugal.
O Porto é produzido principalmente com as uvas Tinta Cão, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Touriga Francesa, quando Porto tinto, ou Malmsey, Sercial, Bual e Verdelho, quanto Porto branco, porém existem cerca de oitenta castas que podem ser utilizadas para produzi-lo.O Porto pode ser criado utilizando-se vinhos de uma única safra ou vinhos ??õ???????????????????????????????????????????????????????????????????m??¸?aa??_???????????????? ?5??û????????????????????????de vários anos, de uma única propriedade ou de várias propriedades distintas.
Como as safras variam muito de qualidade de ano a ano, convencionou-se que cada produtor deve avaliar a safra que produziu e encaminhar ao Instituto do vinho do Porto, órgão regulador da região, amostras do seu vinho. Tal procedimento chama-se declaração de safra e só ocorre em safras excelentes. Quando aprovado pelo Instituto, o produtor pode rotular o vinho produzido com a denominação de Porto Vintage.
O Porto pode ser produzido para ser consumido de imediato, logo depois de engarrafado e neste caso é amadurecido em tanques de inox ou madeira, ou pode ser produzido para amadurecimento na garrafa, após um período de amadurecimento em barris. Os Porto mais sofisticados pertencem a este último grupo descrito, são longevos, recebem rolhas tradicionais de cortiça,devem ser guardados na posição horizontal e devem ser decantados ao serem abertos. Os Porto amadurecidos em tanques devem ser consumidos até dois anos após o engarrafamento, não necessitam decantação, recebem fechamento por tampa mista de cortiça e devem ser guardados na posição vertical.
O vinho do Porto apresenta vários estilos distintos, a saber: Branco, vinho feito com uvas brancas, suave, básico. Usualmente amadurece em tanques, mas, os melhores, recebem um curto período de amadurecimento em barris. Deve ser servido gelado, como aperitivo.
Ruby, vinho tinto, pouco complexo, feito com vinhos jovens de vários anos, envelhecido em tanques ou barris por até três anos. Frutado, simples e barato está pronto para consumo assim que engarrafado e deve ser bebido até três anos após chegar ao mercado. Quando recebe seis anos de amadurecimento, é denominado Reserve ou Special Reserve. Deve ser servido gelado, como aperitivo.
Tawny, de características parecidas com o Porto Ruby, também é envelhecido em tanques ou barris por até três anos. Sua cor, algo amarronzada, se deve em parte pelo contato com a madeira, mas, principalmente pelo corte das uvas utilizadas em sua fabricação. Quando o produtor deseja conferir-lhe uma cor ainda mais clara, diminui o tempo de contato do suco das uvas com as cascas durante a fermentação. Tawnys mais baratos são produzidos misturando-se Porto Ruby e Porto Branco. Deve ser servido gelado como aperitivo. Na Europa, nos dias mais quentes é comum servi-lo com gelo.
Aged Tawny, é o Porto produzido com vinhos de qualidade que amadureceram pelo menos dez anos em barris, o que lhe confere além da cor característica, sabores de baunilha e nozes. Em seus rótulos pode-se observar a designação 10 , 20, 30 ou 40 anos, referência ao tempo médio que os vinhos amadureceram em barris e ao paladar que apresenta. Deve ser servido com temperatura em torno de 14 graus.
Colheita, ou Reserva, é um raro tipo de Porto que se difere do Aged Tawny por ser feito com vinhos de uma única safra que devem envelhecer ao menos sete anos. Não confundi-lo com o Vintage. Temperatura de serviço em torno de 14 graus.
Vintage Character, denominação dada ao Porto Ruby feito com vinhos de boa qualidade e amadurecido na madeira por cinco anos. O termo ocasiona certa confusão pois o vinho não é feito de safra única como os Vintage, nem possuem suas características. Uma denominação mais correta seria Ruby Premuim ou Super Ruby. Prontos para serem bebidos depois de engarrafados , a temperatura de serviço fica em torno de 14 graus.
Late Bottled Vintage, é um Porto feito com vinhos de única safra, amadurecido na madeira por cinco anos, filtrado antes de engarrafado. Pronto para beber quando comercializado.
Tradicional Late Bottled Vintage, produzido como o Vintage em anos que a safra não é declarada apesar de ter sido de boa qualidade. Amadurece em madeira por quatro anos, não é filtrado e precisa ser decantado antes de servido.
Vintage, produzido com os melhores vinhos de safra única de um ano cuja safra tenha sido excelente. É o mais cobiçado entre os Porto. Recebe amadurecimento na madeira por dois anos e de dez anos a vinte anos na garrafa. Deve ser decantado antes de servido.
Single Quinta Vintage, Porto Vintage produzido com uvas de uma única propriedade. O Porto é sem dúvida alguma um dos vinhos mais importantes do mundo. Um vinho elegante e sofisticado, saboroso e agradável, elitista e único, responsável pela iniciação de muitos enófilos em todo o mundo, inclusive a minha. Pelo Porto tenho não apenas o respeito que dedico a todos os vinhos, produto de árduo trabalho de verdadeiros artistas, tenho também admiração, paixão e certa gratidão, sentimentos comuns a todos que devem a este vinho o despertar do interesse, da curiosidade, do desejo de melhor entender esta bebida tão especial, abrindo as portas para uma infinidade de informações e opções, expandindo horizontes, nos
trazendo à luz as tradições e hábitos de pessoas e regiões longínquas.
CONFRARIA
l Na última quarta-feira a chef italiana radicada em São Paulo, Maria Montanarini, lançou na Cantina Panzone, o livro “Os Sabores da Sicília”. Hoje, no mesmo local, realiza workshop sobre culinária siciliana e jantar com pratos típicos da região. Inscrições pelos telefones 3264-3644 ou 3267-3796.
l Após terem participado da feira Wine Austrália 2004, Ângela Mochi e Marcos Attilio, responsáveis pela importadora paulista Wine Company, decidiram trazer ao Brasil novos rótulos deste país cuja produção está em alta.
l A Casa Valduga lançou no mercado o Estações Outono Prosecco 2004, novidade da linha Estações que traz um espumante para cada estação do ano.
l O Senac de Bento Gonçalves realizou formatura dos alunos de seu curso de Sommelier. O curso, com duração de oito meses foi ministrado entre agosto de 2004 e março de 2005. Inscrições para o curso 2005/2006 serão abertas em breve.
l Dois vinhos da vinícola Aurora, o Aurora Reserva Chardonnay 2004 e espumante Aurora Chardonnay Brut assumiram posição de destaque entre os vinhos nacionais.
l Mais dois amantes do Whisky que lentamente aderem ao clube do vinho são os ortopedistas Rogério Jamil e Roberto Dórea.
Portugal
Artigo de 25/03/2005
O Vinho português não é sinônimo de vinho do Porto, vinho barato ou vinho Verde. Portugal produz todas estas espécies de vinho e muito mais: vinhos de mesa secos de excelente qualidade, vinhos rosés inebriantes, vinhos Madeira maravilhosos e delicados vinhos de sobremesa. É uma fonte de vinhos com excelente relação custo X benefício, alguns chegando a ser verdadeiras pechinchas em se tratando de Europa. A visão limitada, e muitas vezes até preconceituosa, sobre o potencial do vinho português, em parte se deve ao atraso na elaboração e aplicação de legislação vinícola específica, e em parte por fatores históricos que emblematizaram o vinho do Porto como único vinho português de qualidade. Outro fator importante foi o atraso na modernização das vinícolas, movimento que se iniciou apenas em 1980.
Portugal é um país no qual as tradições têm uma grande relevância, o que se reflete nos meios de plantio, nas cepas cultivadas, na forma de se fazer o vinho e até mesmo na forma de comercializá-lo. Os vinhos portugueses são feitos com misturas de algumas das 230 cepas de uvas existentes, a maioria de origem Fenícia, muitas delas atualmente exclusivas de Portugal, que possuem nomes incomuns como Tinta Cão, Periquita ou Tinta Negra Mole. As principais uvas utilizadas nos vinhos portugueses de mesa são as brancas Alvarinho, Encruzado, Malvásia Fina, Gouveio e Viosinho e as tintas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Trincadeira Preta, Periquita, Tinta Cão, Tinta Roriz e Aragonez.
As principais regiões produtoras de vinho em Portugal são:
s Minho, no noroeste de Portugal, berço dos vinhos verdes, assim denominados por estarem prontos para serem bebidos logo após serem feitos. Como seu consumo é quase imediato muitas vezes sua safra não é explicitada no rótulo. São refrescantes, leves, com pouco álcool e algo gaseificados pela adição de dióxido de carbono, e devem ser servidos com temperatura em torno de 8º C. Podem ser brancos ou tintos, produzidos com uma das 25 uvas permitidas na região ou com combinação destas uvas. Os melhores vinhos são feitos predominantemente com a Alvarinho
s Douro, a melhor região de vinhos de mesa secos, onde se pode plantar quase 40 castas diferentes de uvas. É também a região onde está a cidade do Porto, famosa pelos vinhos fortificados que de lá são expedidos. As principais uvas tintas são a Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinta da Barca. Os vinhos desta região vão do simples e frutado ao complexo e condimentado, com sabores e aromas de ameixas, framboesas e chocolate.
s Dão, região na qual se planta 50 tipos diferentes de uvas, tem na Touriga Nacional e na Tinta Roriz suas principais cepas. Quase 80% dos vinhos produzidos na região são tintos e os melhores recebem a designação Dão Nobre.
s Bairrada, a oeste do Dão, apresenta quase 20 variedades de uva, sendo a Baga sua principal cepa. Para receber a D.O.C. da região o vinho tem que ser produzido ao menos com 50% desta uva. Mais da metade de todos os espumantes portugueses provêm desta região.
s Alentejo é a maior região vinícola de Portugal e tem na uva Periquita sua principal casta. Produz vinhos de pouca complexidade, leves, com aromas e sabores frutados.
s Duas outras regiões, Setúbal e Madeira, são famosas pelos seus vinhos fortificados. A legislação vinícola portuguesa é semelhante à legislação francesa e permite hoje a existência de 40 D.O.C, Denominação de Origem Controlada, que correspondem às 40 regiões produtoras do país que são controladas pelo Instituto da Vinha e do Vinho. Existem ainda outras duas, a D.O.C. do Porto e a D.O.C. do Madeira que têm administração independente. A legislação prevê que seja indicado no rótulo a região que origina o vinho e determina que quando a uva é citada no rótulo, 85% do vinho seja feito com esta casta, detalhe interessante quando se imagina que muitos vinhos em Portugal são feitos com cortes de 30 ou mais diferentes tipos de uva.
Bons vinhos portugueses estão ao alcance dos baianos nas diversas lojas da cidade. Alguns produtores, contudo, são altamente recomendados e seus vinhos devem ser primeiras escolhas. Da região do Minho experimente a vinícola Quinta da Aveleda, que produz, entre outros, o Casal Garcia e o Aveleda Alvarinho. O Douro é o lar do melhor de todos os vinhos portugueses, o Barca Velha, da vinícola Ferreira. Com sabores de menta e chocolate é um vinho que está entre os melhores do mundo e, portanto, é bastante caro. Da região de Dão procure pelo tinto Grão Vasco e experimente os brancos feitos com a uva Encruzada. Da região da Bairrada merece destaque a vinícola de Luis Pato, produtor que há alguns anos esteve em Salvador divulgando seus bons vinhos a convite de Celso Mathias, proprietário da Domaine Salvador, em um jantar enogastronômico no restaurante
Galpão. Do Alentejo, merece destaque os vinhos da Quinta do Carmo. Experimente também o José de Souza do produtor J.M. da Fonseca.
CONFRARIA
l Alfeu Luedy comemorou em família seu aniversário, na última sexta-feira. Entre os presentes recebidos, uma garrafa De Martino Gran Família, 2001, considerado o melhor vinho do Chile em 2004.
l Emerson José é o responsável pela produção da “Noite do Flash Back”, dia primeiro de abril, na Albatroz.
l Vinho verde é a sugestão da Interfood para esta Páscoa, em especial os da Quinta Aveleda.
l A Vinde Vinhos (Tel. 3484-4612) está comercializando as linhas Signos e Callia Alta da vinícola argentina Callia. Bons vinhos por menos de R$ 35,00.
l A Domaine Salvador está realizando a promoção especial de Páscoa. Quase 30 rótulos com descontos de até 50%.Tel. 3263-0050.
l Será dia 29, no restaurante Alfredo di Roma, o jantar enogastronômico organizado pelo sommelier paulista Marcos Rodrigues, que apresentará uma seleção de vinhos australianos, atual destaque no cenário mundial. Reservas no 3331-7775.
l Almira e Dourival Machado, proprietários da Cheiro de Pizza, preparam surpresas em sua carta de vinhos.
Alemanha
Artigo de 18/03/2005
Apesar da imagem de vinhos adocicados e de baixa qualidade que nós brasileiros associamos ao vinho alemão, fruto principalmente de uma invasão de vinhos baratos ocorrida há alguns anos, este país produz excelentes vinhos, com elevado nível de qualidade e com aromas e sabores únicos. Devido a sua localização, muito ao norte, a Alemanha tem no seu clima o maior obstáculo à sua produção de vinhos. Seus produtores, assim como os produtores da região de Champagne, desenvolveram rotinas e métodos que permitem, mesmo em condições desfavoráveis e sem um bom amadurecimento das uvas, a elaboração de um produto final de qualidade. A produção se concentra principalmente nos vinhos brancos, cerca de 85%, pois as uvas tintas só alcançam um razoável amadurecimento nas regiões mais quentes do país, mais ao sul. Como o clima varia muito a cada ano, é comum se guardar parte da safra de um ano no qual as uvas obtiveram um bom amadurecimento para eventualmente ser misturada à produção de um ano no qual o clima não tenha sido propício à cultura. Outro método comum é o de separar parte do suco da uva e não fermentá-lo, deixando-o de reserva. O vinho produzido com a parte principal do suco, normalmente seco, com pouco álcool e muito ácido, é misturado à reserva não fermentada para que se torne mais doce e sua acidez original não seja tão percebida, sendo este método chamado de Süssreserve. A Chaptalização, adição de açúcar ao suco de uva antes da fermentação, é outro método muito utilizado.
As principais uvas brancas plantadas na Alemanha são a Silvaner, que produz bons vinhos, a Müller-Thurgau, a uva mais plantada e que produz vinhos normalmente de qualidade inferior, Gewürztraminer, pouco plantada, mas produzindo vinhos de alta qualidade, e a Riesling, a uva que está presente nos melhores vinhos alemães e é plantada nas melhores regiões produtoras do país. As principais uvas tintas são Spätburgunder, nome dado na Alemanha à Pinot Noir, e a Blauer Portugieser, que normalmente produz vinhos ácidos e pouco encorpados.
As leis vinícolas alemães classificam os vinhos em três categorias:
sLandwein ou Deutscher Tafelwein, vinhos de mesa com indicação geográfica.
sQbA ou Qualitätswein bestimmter Anbaugebiet, vinho de qualidade das melhores regiões.
sQmP ou Qualitätswein mit Prädikat, vinhos de qualidade com atributos específicos de maturidade.
Os QmP, nos quais não é permitida a utilização de métodos artificiais para torná-los mais doces, são classificados pelo grau de amadurecimento das uvas em seis “Prädikat”:
v Kabinett, que é um pouco mais seco, pouco encorpados e com pouco álcool. Feito com uvas obtidas em regiões especiais, tem qualidade um pouco superior aos vinhos QbA.
v Spätlese, feito com uvas colhidas tardiamente e, portanto, mais amadurecidas, o que lhe confere mais álcool e corpo.
v Auslese, vinho feito com as uvas maduras de cachos selecionados em anos nos quais o clima permite um amadurecimento suficiente.
v Beerenauslese, vinho feito com uvas atacadas pela Botrytis cinerea, um fungo que torna as uvas mais secas e conseqüentemente mais doces, com aroma e sabor de mel. As uvas são selecionadas uma a uma.
vTrockenbeerenauslese, vinho feito com uvas atacadas pela Botrytis cinerea até quase se tornarem passas, selecionadas uma a uma, e apenas em anos excepcionais.
vEiswein, feito com uvas muito maduras colhidas tardiamente, quando estão congeladas. Ao serem prensadas, o gelo formado pela água presente nas uvas é separado do sumo concentrado que não congela e produz um vinho raro.
As principais regiões produtoras de vinho da Alemanha são:
· Mosel-Saar-Ruwer, produz vinhos leves, delicados, fáceis de beber. A principal uva é a Riesling que ocupa 55% da área plantada. Por uma questão de tradição a garrafa dos vinhos tem a cor verde, e não marrom como em outras áreas.
sRheingau, devido a maior incidência de sol, origina vinhos mais encorpados e frutados, de maior grau de amadurecimento e também vinhos Eiswein. Tem 80% da área plantada ocupada pela Riesling.
sRheinhessen, maior região produtora do país. Produz vinhos baratos para consumo diário. A região de origem do Liebfraumilch, na qual se planta principalmente a Müller-Thurgau e a Silvaner.
sPfalz, que produz vinhos de qualidade um pouco superior aos da região de Rheinhessen e também alguns poucos vinhos excelentes. As uvas principais são as brancas Müller-Thurgau e Silvaner, e a tinta Spätburgunder.
Os vinhos alemães de qualidade são bebidas especiais, misteriosos, às vezes etéreos. Ao comprar os vinhos deste país é importante deixar o preconceito de lado e se deter nas informações dos rótulos para que uma escolha precipitada não traga surpresas desagradáveis e finde por confirmar estereótipos. Apesar de muitas vezes serem extremamente caros, os bons vinhos alemães tem características que não se apresentam em nenhum outro vinho do mundo, sendo comparáveis aos melhores produzidos na
França ou Itália.
CONFRARIA
l Márcia Meccia é a arquiteta responsável pela nova ambientação do restaurante Cheiro de Pizza de Dourival Machado. Além do novo visual, mudanças na carta de vinhos.
l A Domaine Salvador sugere o vinho tinto português, Encosteira 2001, para acompanhar o bacalhau desta Páscoa. O vinho tem desconto de 30% e preço final de R$ 28,00 durante o mês de março.
l O restaurante Baby-Beef apresentou sua nova carta de vinhos, preparada pelo sommelier Paulo César com a ajuda de um grande conhecedor local, Emílio Odebrecht.
l O Empório Santa Maria agregou à sua adega uma boa seleção de vinhos australianos que devem ser experimentados, em especial o Lodge Hill Shiraz. O lançamento da nova carta será em breve.
l Elisabeth Silveira organizou, no último sábado em Interlagos, uma festa pela passagem do Dia Internacional da Mulher regada a Southern Tracks 2001, um de seus vinhos prediletos.
l Sylvain Gardet está de malas prontas. Irá visitar vinícolas na França e Itália.
l O arquiteto Jean Gaston Humbert, admirador e conhecedor de vinhos, tem sido responsável pelos projetos de belíssimas adegas em nossa cidade.
Tornou-se um expert.
Chile
Artigo de 11/03/2005
O vinho é uma bebida que possui bem mais de dois mil anos de história, mas nada mudou tanto a realidade dos viticultores quanto a aparição da praga conhecida como Filoxera. Para conhecermos o vinho atual, que bebemos em nosso dia-a-dia, é necessário entender como este pequeno inseto pôde impactar a economia de todo um continente, mudar hábitos e tornar-se uma preocupação mundial. A Filoxera representa para o vinho contemporâneo o que a Segunda Grande Guerra representa para a história moderna, um divisor de águas.
Os primeiros registros da praga datam de 1863, na Provença, França. Alguns produtores notaram que sem razão aparente suas videiras perdiam o viço, suas folhas caiam, as uvas não se desenvolviam e após dois ou três anos as plantas morriam. A praga se alastrou e o mistério passou a despertar o interesse de cientistas e estudiosos. Em 1868 um cientista chamado Planchon, juntamente com colaboradores, identificou a causa do problema. Um minúsculo inseto, do tamanho da cabeça de um alfinete, que aos milhares cobriam as raízes de plantas infectadas e lhes tirava a vitalidade. Como este pulgão se parecia com uma praga que ataca o carvalho, chamada de Phylloxera quercus, foi chamado de Phylloxera vastatrix (devastadora) e hoje recebe o nome de Dactylasphaera vitifoliae.
A Filoxera não havia sido identificada anteriormente, pois os viticultores só desplantavam a videira afetada quando ela morria e a esta altura o dano à raiz era tão intenso que ao arrancar a planta, a raiz se separava e permanecia no solo, ocultando a existência do inseto.
Estudos foram feitos para determinar o ciclo de vida, a origem e o tratamento do afídio. Descobriu-se que apesar de possuir uma fase alada, o inseto não conseguia se deslocar em solos arenosos, pois os pequenos grânulos de areia dificultavam sua locomoção e, por isto, atacava as áreas de solo argiloso e pedregoso. Determinou-se que o inseto era proveniente da América e tinha chegado à França na raiz de algumas espécies nativas que seriam utilizadas em experiências na Europa. Estas espécies americanas através do convívio com a Filoxera por várias gerações adquiriram certa resistência à sua ação e, portanto, não apresentavam os sintomas de suas parentes européias. A infestação não havia ocorrido anteriormente, pois os pulgões não sobreviviam às semanas de viagem entre os dois continentes. Apenas na segunda metade do século XIX com o advento do barco a vapor, que reduziu o tempo das viagens intercontinentais a um quinto do que outrora, a disseminação da praga foi possível ocorreu. O que era uma preocupação regional, com surpreendente velocidade, em menos de seis anos, passou a atingir quase todos as áreas produtoras francesas tornando-se um caso de emergência nacional, pois atingia aquele que já era o maior produto de exportação francês e um orgulho do país, o vinho. O governo reagiu oferecendo prêmios em dinheiro para quem descobrisse a cura da praga. Vários cientistas passaram a buscar informações e formularam várias teorias que se mostraram ineficazes. Entre as formas de combate proposto estavam a inundação das plantações, para matar os insetos por afogamento e a pulverização com substâncias químicas, as mais variadas. Por fim foi sugerida a enxertia das plantas européias nas plantas americanas resistentes à praga, única medida que se mostrou efetiva.
Quase todas as áreas produtoras da França foram afetadas, um terço das plantações desapareceram, e algumas regiões produtoras simplesmente deixaram de existir. A queda na produção de vinho foi intensa que durante décadas o maior exportador mundial da bebida passou a ser importador, principalmente da Espanha e Itália. As falsificações de vinhos franceses apareciam cada vez com mais freqüência e a produção de vinhos de baixa qualidade ganhou impulso.
A Filoxera espalhou-se pela Europa e depois pelo mundo, poupando algumas regiões produtoras como o Chile e Argentina seja pelo solo, pela irrigação, pelo clima, pela geografia ou pelo conjunto destas variáveis. Apesar dos países que foram contaminados posteriormente já terem a experiência francesa no combate à Filoxera para balizar suas ações, a praga foi igualmente devastadora. O recente aparecimento de um novo tipo de Filoxera, o tipo “B’, que atacou e destruiu vinhedos no Vale de Napa nos Estados Unidos que eram imunes ao tipo “A”, mostra o quão atual e preocupante é esta praga.
Não apenas a economia dos países, a distribuição das forças no mercado mundial de vinhos e a forma da produção mudou com o aparecimento da Filoxera. O próprio vinho que bebemos hoje é bastante diverso em sabor e aroma dos vinhos de outrora. A enxertia em raízes americanas aumentou o rendimento das videiras, diluindo um pouco seu suco, trazendo mais suavidade e estilo ao vinho. Estes ficaram mais
frutados e de certa forma mais adequados ao paladar moderno.
CONFRARIA
l Um estudo formulado pelo Queensland Institute of Medical Reserch, Austrália, revelou que as mulheres que bebem uma a duas taças de vinho por dia tem 50% de diminuição no risco de contrair câncer de Ovário. As que bebem de uma a seis taças por semana têm diminuição de risco de 20%. O estudo foi publicado no “Câncer Epidemiology Biomakers and Prevention”.
l A Vinícola Miolo lançará na semana da Páscoa o Miolo Gamay, o primeiro vinho fino brasileiro da safra 2005 a chegar ao mercado.
l O Festival Gastronômico Sabores da África que ocorreu no Hotel da Bahia sob o comando de Marcelo Bandeira, além de excelente culinária contou com os vinhos sul africanos importados pela Best Wine.
·Na vernissage da artista plástica Jane Rocha na Galeria Frida Calo do Restaurante Las Margaritas uma saborosa combinação de vinhos tintos e comida mexicana. A exposição permanece até o final de abril.
l Ana Rosa Castro Lima comemorou aniversário em companhia de amigas com um Jantar no Restaurante Casarão do Hotel Mércure. A seleção dos vinhos foi feita pelo sommellier João Paulo.
l No jantar enogastronômico de Constantino Amato na Cantina Panzone a Associação Brasileira de Sommeliers, secção Bahia, foi representada por sua presidente, Heliana Diniz.
l Foi ontem a abertura da Exposição de Tati Moreno, “Orixás da Bahia”, no Centro Cultural dos Correios. A mostra segue até o dia 10 de abril.
Chile
Artigo de 04/03/2005
Entre os paises produtores de vinho no continente sul-americano o Chile é sem sombra de dúvidas o mais importante. Tendo iniciado sua produção em meados do século XVI, possui grande expressão no mercado internacional de vinhos, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo.
O país possui uma geografia que em muito privilegia a produção de vinhos. De formato alongado, com 4500 km de extensão e menos de 200 km de largura, em sua área mais estreita, banhado a oeste pelo Oceano Pacífico, com a Cordilheira dos Andes a leste, com o deserto de Atacama ao norte e a gélida Antártica ao sul, o Chile é relativamente isolado do resto continente. A influência do Oceano, elemento moderador de climas quentes, e a cordilheira ao longo do litoral, potencializando esta influência, explica o porquê do Chile, apesar da latitude na qual se encontra, conseguir produzir vinhos de qualidade.
O Chile possui uma série de condições favoráveis a vitivinicultura. Os dias são ensolarados, quentes e secos e as noites são frias, privilegiando o perfeito amadurecimento das uvas.O degelo dos Andes garante uma fonte inesgotável de água para irrigação. O isolamento geográfico impede a disseminação de pragas como a Filoxera e torna desnecessária a utilização de produtos químicos na plantação.
Várias empresas européias e americanas compraram propriedades e firmaram sociedades com produtores chilenos, combinando sua experiência e tecnologia com as facilidades do terroir local. O resultado é uma gama de vinhos elegantes, refinados e saborosos como o Almaviva, da vinícola francesa Château Mouton-Rothschild associada a chilena Concha y Toro, ou o Seña , da americana Robert Mondavi Winery com a chilena Viña Errázuriz . Contudo, devemos lembrar que apesar de produzir alguns vinhos de altíssima qualidade e altíssimo preço, o Chile também produz uma grande variedade de vinhos comerciais de baixa qualidade. A melhor relação Custo X Benefício é encontrada nos vinhos que estão na faixa intermediária entre estes grupos, possuindo bom preço, boa qualidade e boa disponibilidade. Como exemplo deste seleto grupo podemos citar os vinhos das vinícolas Carmem, Montes e De Martino, todos disponíveis no comércio de Salvador.
A uva pais, uma uva preta de origem espanhola, largamente utilizada nos primórdios da produção chilena cedeu espaço para variedades européias como as brancas Sémillon, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Sauvignon Vert e as tintas Cabernet Sauvignon e Merlot, porém, a grande estrela do Chile é a uva Carmenére. De origem francesa, mais especificamente da região de Bordeaux, esta uva, quase esquecida na Europa, encontrou no Chile sua perfeita moradia. A exemplo do que ocorre na Argentina com a Malbec,
adaptou-se tão bem ao país que é no Chile onde ela demonstra todo seu potencial e sabor, tornando-se uva de extrema importância para a produção nacional. A legislação vinícola chilena não é rígida e restritiva como em outros paises produtores. Prevê que quando a uva é citada no rótulo, ao menos 75% do vinho deve ser composto por esta uva, que, quando especificada a região, 75% do vinho deva provir desta área e que, caso a safra seja explicitada, 75% do vinho seja da safra.
A maioria das propriedades vinícolas do Chile está localizada na área entre os Andes e o litoral, conhecida como Vale Central. As mais importantes regiões vinícolas do pais são:
Aconcágua, região mais ao norte, quente, produz bons vinhos com Cabernet Sauvignon e Merlot.
Casablanca, famosa por seus vinhos brancos, considerada por alguns uma sub-região de Aconcágua, tem na chardonnay e Sauvignon Blanc suas principais uvas.
Vale Central
Maipo, sede das maiores e melhores vinícolas do país. Produz vinhos de alta qualidade, principalmente com Cabernet Sauvignon.
Rapel, tem Colchagua como sub-região, produz alguns dos “Top” chilenos.
Maule, a 260 km de Santiago produz bons vinhos com preço acessível.
Curicó, tida como uma sub-região de Maule.
Vale Itata, produz principalmente vinhos baratos feitos com uva pais.
Vale Bío-Bío, a região produtora mais ao sul do país, com produção voltada para vinhos de baixa qualidade.
O vinho chileno historicamente sempre teve um preço acessível dado as condições ideais de cultivo propiciada pelo clima e geografia, pelo custo relativamente baixo das terras e mão-de-obra e pelo grau de tecnologia utilizada em suas principais vinícolas. Na última década, por uma estratégia de mercado equivocada, os produtores e negociantes aumentaram muito seus preços,
afastando clientes e fazendo que o vinho chileno perdesse a posição hegemônica de melhor relação Custo X Benefício do mundo.Procure os vinhos das vinícolas mais conhecidas e fuja da
tentação dos vinhos excessivamente baratos.
CONFRARIA
l Na última quarta-feira, Daniela Freire de Carvalho e Mônica Dórea receberam os convidados de sua vernissage conjunta na Galeria Solar Ferrão com uma boa seleção de vinhos. O espumante argentino Mumm, o rosé Zinfandel Branco 1998 da Sutter Home, o Cabernet Sauvignon/Merlot 2000 Bloody Good Red, e o Pipers Creek Shiraz foram os escolhidos.
l Constantino Amato recebeu em sua Cantina Panzone um seleto grupo para um jantar enogastronômico. Etapa preliminar para o lançamento de seu livro sobre vinhos. A divulgação do evento coube à Lume Comunicação de Cristina Barude.
l O Alfredo di Roma deverá realizar ainda este mês mais um jantar enogastronômico. Os interessados deverão ficar atentos, pois a procura é grande e os lugares limitados.
l O restaurante La Lupa, no Pelourinho, além de um excelente cardápio apresenta uma carta de vinhos variada e de bons preços. Uma boa opção para quem procura novas opções.
l A Miolo considera excepcional a safra de 2005, colhida recentemente. As condições climáticas garantiram alto nível de maturação das uvas.
Botter
Artigo de 25/02/2005
A Casa Vinícola Botter foi fundada em 1928 por Carlos Botter, um comerciante de vinhos da região de Veneza, Itália, que optou por iniciar sua própria produção. Adquiriu terras, plantou suas uvas e gerou uma empresa que se consolidou com o passar dos anos e se tornou um negócio de família como tantos outros existentes no velho mundo. Seu diferencial é o grau de sucesso alcançado pelo outrora sonho do Senhor Botter.
Hoje, a vinícola Botter é administrada pela terceira geração da família, liderada por Arnaldo Botter, um dos grandes empresários do setor. A empresa transformou-se em uma das maiores vinícolas da Itália e sua produção, acima de vinte e seis milhões de garrafas/ano, é exportada para mais de 35 países, inclusive para o Brasil, através da importadora paulista Interfood. Além da plantação na região de Vêneto, mais especificamente em Fossalta di Piave, onde se localiza sua matriz, a empresa também possui vinhedos em Apulia, produzindo, desta forma, vinhos tanto na região norte quanto ao sul da Itália.
Com uso de alta tecnologia em todas as fases de produção, a vinícola Botter conseguiu diminuir custos de produção sem abrir mão da qualidade do produto final, gerando bons vinhos com excelente relação Custo X Benefício, firmando-se como uma excelente escolha de compra. A maioria dos vinhos importados para o Brasil tem custo final ao consumidor inferior a cinqüenta reais.
A vinícola Botter é proprietária de várias marcas como Caleo, Piave, Palú, Koiné, Diverso, Vivolo e Lá di Motte, gerando vários rótulos, alguns inclusive que não são trazidos para nosso país. Produz vinhos principalmente para consumo imediato, estando prontos para beber, não requerendo adegagem complementar. Entre os vinhos disponíveis no Brasil estão:
Prosecco di Valdobbiadene D.O.C. Anella Andreani, de cor amarelo-palha, aromas de frutas cítricas, baixa acidez e moderado conteúdo alcoólico. Deve ser consumido bem gelado. Ótimo match com frutos do mar e pratos leves. Valpolicella Anella Andreani, de cor rubi levemente transparente, frutado, leve e redondo, excelente para dias quentes. Um vinho simples para o dia a dia. Boa escolha para combinar com carnes e massas.
Montepulciano D.O.C. Caleo, um vinho frutado, de cor rubi, harmonioso e de bom corpo. Boa escolha para combinar com pastas e carnes vermelhas. Salento Negroamaro I.G.T. Caleo, vinho com aromas e perfumes frutados com boa estrutura e certo amargor ao final. Combina bem com carne assada e massas.
Nero D’Avola I.G.T. Caleo, vinho de cor vermelha rubi, aromas e sabores de frutas vermelhas, bom equilíbrio. A companha carnes e queijos. Salento Primitivo I.G.T. Caleo, vinho de cor vermelha rubi, com leve reflexo violeta aromático e saboroso. Acompanha bem carne vermelha.
Para os que procuram vinhos de boa procedência e qualidade a preços honestos, os vários vinhos citados acima são excelentes escolhas, em especial os da linha Caleo. Estes já foram aqui indicados anteriormente e são boas escolhas. Merece atenção especial o Primitivo Salento, um vinho realmente
imbatível na sua faixa de preço.
CONFRARIA
l Daniela Freire de Carvalho e Mônica Dórea abrem exposição na Galeria Solar Ferrão ao dia 02 de março. A vernissage contará com uma seleção especial de vinhos.
l Verinha Luedy está cada dia mais íntima do universo dos vinhos de alta qualidade. Sinal inequívoco do seu conhecido bom gosto.
l Mesa internacional, esta última terça-feira, para degustação no Empório Santa Maria. O brasileiro Paulo Sampaio, o francês Sylvain Gardet e o italiano Arnaldo Botter beberam vinhos Caleo e Anella.
l A Vinícola Aurora apresentou ao público durante a XII Fenavinho seus dois novos produtos. Os Marcus James Happy Hour , nas versões Branco e Tinto (Rosé) são vinhos frisantes e leves.
l A partir de hoje até o dia 11 de março o Instituto Espanhol de Comércio Exterior promove no Rio de Janeiro e São Paulo o “Festival Deguste Espanha 2005”. O cliente que solicitar vinhos espanhóis em restaurantes selecionados como os paulistas Figueira Rubaiyat e Fogo de Chão ou os cariocas Fratelli Barra e Quadrifoglio, além de terem descontos especiais receberão como brinde um livro de culinária espanhola.
l A empresa Interfood, conta com Ana Paula Cardoso como sua representante em Salvador. Além de bebidas como o Whisky Famous Grouse e os vinhos da Santa Helena a empresa importa uma
vasta gama de produtos. Tel. (71)9138-3311
Argentina
Artigo de 18/02/2005
A Argentina é o país dos paradoxos no mundo dos vinhos. Por um lado é o maior produtor de vinhos da América do Sul e o quinto maior produtor mundial, por outro é um exportador quase que insignificante. Tem um consumo per capita de quase 100 litros ao ano, mas possui uma indústria vinícola antiquada e contraproducente.
Datam do século XVI as primeiras plantações de uvas da Argentina. As mudas, trazidas com os imigrantes europeus e através de expedições à América do Sul, vieram de diversas regiões do velho continente. A estrela maior, a uva Malbec, proveniente da região de Bordeaux, adaptou-se tão bem que os vinhos produzidos na Argentina com esta uva têm maior consistência e sabor que os vinhos produzidos na França, a ponto de alguns julgarem se tratar de uma uva nativa do nosso vizinho portenho.
As uvas tintas mais importantes plantadas na Argentina, além da Malbec, são a Cabernet Sauvignon, Merlot, Barbera, Bonarda, Sangiovese e Tempranillo. A mais importante uva branca é a Torrontés, uma quase exclusividade do país. Além desta, tem relevância na produção as uvas Chenin Blanc, Chardonnay, Muscat d’Alexandria, a Criolla e a Cereza (as duas últimas, as mais plantadas da Argentina). Apesar de não haver regras rígidas de controle de plantação de uvas e produção de vinho, quando um rótulo argentino explicita uma casta de uva, 80% deste vinho deverá ser composto do suco de tal uva.
As áreas de produção na Argentina estão localizadas paralelamente à Cordilheira dos Andes, em altitudes de até 1500 metros acima do nível do mar, o que as tornam umas das mais altas do mundo. Com exceção da região do Rio Negro, possuem clima desértico, com sol intenso durante o dia e frio à noite, excelente configuração para gerar um amadurecimento ideal nas uvas. O ar é seco, o que impossibilita o aparecimento de fungos tornando desnecessária a utilização de defensivos químicos. A filoxera não atingiu os parreirais deste país e, portanto, suas videiras não precisam da enxertia em bacelos americanos. O solo de cascalho propicia uma excelente drenagem e completa a lista de vantagens do Terroir Argentino.
O único problema está no baixo índice pluviométrico existente nestas regiões. Tal dificuldade, facilmente contornada com o uso da água do degelo da cordilheira para irrigação das plantações, findou por ser a maior responsável pela ampla massa de vinhos de baixa qualidade que foram produzidos na Argentina durante muitos anos e que comprometeram sua imagem internacionalmente. Como o manejo da água é muito fácil e as outras variáveis são quase ideais, a produtividade das parreiras argentinas é altíssima e quando não controlada gera vinhos aguados, fracos, sem sabor ou substância. Produtores interessados em fazer dinheiro rapidamente, encharcaram o mercado com vinhos tão ruins que durante vários anos tudo que vinha da Argentina era desprezado. Situação que só começou a mudar nas últimas décadas.
As principais regiões produtoras na Argentina são:
Mendoza, a mais importante, é responsável por quase 70% da produção, sendo a Malbec a uva mais importante. Possui sub-regiões como Luján de Cuyo, Agrelo, Lulunta, Tupungato, La Consulta, Vista Flores , Mendrano,Chacras e Maipú (não confundir com a chilena Maipo).
San Juan, região de alto volume de produção e vinhos de qualidade inferior.
La Rioja, a região mais antiga, produz essencialmente vinhos brancos.
Salta, onde as uvas principais são a Cabernet Sauvignon e a Torrontés.
Jujuy, a área mais ao norte do país, próxima à fronteira com a Bolívia.
Catamarca, cuja produção não possui grande qualidade.
Rio Negro, produz bons vinhos brancos e espumantes.
A indústria de vinhos da Argentina iniciou sua alavancagem em 1990. A partir desta década, buscou-se produzir vinhos finos de qualidade. Grandes investimentos foram feitos visando à modernização das vinícolas, melhoria dos parreirais e incremento no método de produção através de consultoria técnica internacional. A chegada de grandes empresas vinícolas européias e americanas contribuiu em muito para este aumento de qualidade. Contudo, ainda há muito que se fazer para despertar este gigante adormecido e algumas décadas se passarão para que as medidas adotadas nos últimos anos surtam efeito. Não será surpresa se, daqui a algum tempo, a Argentina passe a ser um parâmetro
internacional não apenas em nível de produção como também de qualidade e quantidade exportada.
CONFRARIA
l A importadora Decanter, através de seu representante em Salvador, Vinde Vinhos, oferece excelentes opções de compras. São mais de trezentos rótulos de vários países. Tel. (71) 3484-4612.
l Arnaldo Botter, um dos maiores produtores de vinho da Itália chega a Salvador no dia 19. Virá descansar e rever amigos.
l A vinícola Botter, proprietária de marcas famosas e conhecidas do público baiano como Caleo, Piave, Palú, Koiné, Diverso, Vivolo e Lá di Motte tem expandido seus negócios na América do Sul. Para quem quiser saber mais, www.botter.it.
l A maioria das empresas aéreas americanas passaram a proibir o serviço de vinhos levados a bordo pelo próprio passageiro com a alegação de que tal conduta ocasiona uma carga extra de trabalho para as aeromoças. Muito comum entre os passageiros mais sofisticados, o hábito estará restrito aos passageiros de primeira classe e classe executiva e apenas com autorização prévia da tripulação.
l Apesar da insistência dos amigos, Sérgio Carneiro ainda opta pelo Porto em detrimento ao tinto de mesa. Mas, cedo ou tarde, acabará cedendo aos encantos dos vinhos
secos.
l A Domaine Salvador realiza promoção de vinhos brancos com desconto de até 40%. Tel. (71)263-0050.
A batalha das rolhas
Artigo de 11/02/2005
Como tudo na vida, podemos tentar simplificar ou complicar os assuntos que envolvem o vinho. Alguns tentam simplificar para melhor transmitir conhecimentos enquanto outros o fazem por pura ignorância. Alguns complicam para dissimular a falta de informação mais profunda, outros o fazem para que os incautos entendam o quão complexas são as questões que envolvem esta bebida e o quanto há de se estudar antes de poder se emitir uma opinião que possa ao menos ser respeitada. A rolha, por exemplo, talvez o componente menos observado em uma garrafa de vinho, tem uma história que remonta à antiguidade e é hoje o pivô de uma polêmica que agita os bastidores da produção vinícola mundial.
Ao contrário do que se pensa a rolha não foi inventada por Dom Pérignon.O famoso abade de Champagne foi o responsável apenas pela disseminação de seu uso. Acredita-se que a rolha foi uma invenção dos romanos que utilizavam a casca do sobreiro para produzir tampões de cortiça para selar suas garrafas e ânforas. Contudo tal prática caiu em desuso e até meados do século XVI, quando a rolha de cortiça ressurgiu, várias soluções foram utilizadas como as tampas de couro, tecido, cera, vidro, além da combinação destas.
O sobreiro, Quercus súber, era uma árvore muito comum ao sul da península ibérica e utilizar sua casca para produzir rolhas apresentava tantas vantagens que se transformou em tradição. A rolha de cortiça e sua característica compressibilidade possibilita o fácil ajuste aos mais variados tipos de gargalo. Sua expansibilidade garante a vedação necessária para que o ar não oxide o vinho. Por outro lado, a porosidade que apresenta permite que uma pequena fração de ar entre em contato com o vinho possibilitando o amadurecimento dos melhores exemplares. É material limpo e leve, fácil de manusear e resistente a variações de temperatura. Contudo, apresenta a desvantagem de, algumas vezes, serem contaminadas por fungos que transmitem ao vinho um gosto muito ruim (Buchoné). O fato de ser um produto extraído de uma árvore que demora até dez anos para recompor esta estrutura também conta negativamente.
Recentemente, a indústria vinícola, principalmente a do novo mundo, passou a buscar soluções que substituíssem o uso da rolha de cortiça, que não apresentassem suas desvantagens e que pudessem baratear a produção, transformando o vinho em um produto mais acessível. Surgiu assim a rolha sintética, de matéria plástica. Abominada pelos produtores tradicionais do velho mundo, passou a ser utilizada principalmente em paises como Austrália e Estados Unidos. Possui a grande desvantagem de não permitir nenhuma entrada de ar na garrafa, impedindo o desenvolvimento das características dos vinhos mais complexos. Por conta disto, foi utilizada apenas para vinhos mais jovens que não se destinavam à guarda e, portanto, eram mais baratos. Acabou por ter sua imagem associada a vinhos de baixa qualidade e, por isto, é evitada por boa parte dos produtores que optam por outras soluções até mesmo para seus vinhos mais básicos.
Agora entra em cena um novo competidor, a rolha Stelvin. Esta rolha, tipo rosca, é a mais nova mania da indústria vinícola. As vinícolas Hi-Tech do novo mundo, mais abertas a inovações e altamente ligadas a soluções tecnológicas e uso de materiais modernos, adotaram esta rolha como primeira escolha e vêm investindo em seu estudo e desenvolvimento. Produtores importantes de paises tradicionais como a França também foram seduzidos por esta nova opção. André Lurton recentemente divulgou sua intenção de utilizar apenas este tipo de rolha em sua produção.
Na verdade, a solução ideal talvez seja adequar a rolha ao vinho produzido. Não se justifica a utilização de rolhas de cortiça em vinhos que serão consumidos em até um ou dois anos após serem produzidos e que não se destinam em absoluto a adegagem. Em contraposição não é razoável que vinhos que custam centenas de reais e possuam toda uma áurea de sofisticação, deixem de apresentar rolhas de cortiça. Além de se perder com a falta de amadurecimento do vinho perde-se com a falta do glamour em sua abertura. Não me imagino abrindo uma garrafa de Chatêau Lafite, que traz em si uma história de mais de trezentos anos, fechada com uma tampa de rosca como se fora uma garrafa de refrigerante.
As inovações são importantes, mas as tradições devem ser mantidas, pois são referenciais, balizadoras das condutas humanas. Fazem-nos olhar para o passado e buscar valores importantes que os tempos modernos e a vida agitada nos fizeram esquecer.
CONFRARIA
l O camarote de Daniela Mercury mantendo a tradição contou com a presença da Miolo que serviu seus espumantes aos convidados. Neste camarote um espaço de destaque foi a sala de imprensa da Vivo que possibilitou aos profissionais que lá estavam comunicação em Real Time com suas bases.
l Talvez o melhor casamento entre bar e buffet tenha acontecido no Camarote Oceania. Eram várias as opções entre pratos quentes e frios e a escolha de um Prosecco para acompanhá-las foi adequada.
l A Taste du Vin é a representante da Eurocave no Brasil. Esta empresa produz as melhores adegas climatizadas do mundo. Tel. (21) 2491-1200.
l A safra 2003 de Bunello di Montalcino deverá ser classificada como a melhor dos últimos quatro anos. Ficará aquém das safras de 1999 e 1997, a melhor dos últimos dez anos.
l Antônio Carlos Magalhães Junior viaja para Portugal. Grande apaixonado pelos vinhos, colocou a ida ao Porto e visitas às vinícolas locais como prioridade.
l O Beaujolais Noveau não foi trazido ao mercado de Salvador, pois custaria em torno de R$150,00 em nossa cidade, preço proibitivo para este tipo de vinho. Esta bebida que custa na França em torno de
R$ 9,00, está sendo vendida nos Estados Unidos por R$ 18,00.
Nova Zelândia
Artigo de 04/02/2005
Com vinhos refrescantes, frutados e com características únicas, a Nova Zelândia tem hoje status de emergente país produtor. Devido a leis extremamente conservadoras, até mesmo puritanas que proibiam inclusive a venda da bebida e que duraram até 1960, o país retardou em muito a sua inserção no mercado internacional de vinhos. A opção por se plantar uvas hibridas franco-americanas ao invés da Vitis Vinífera européia foi outra razão para que a Nova Zelândia tenha produzido vinhos de tão baixa qualidade até a primeira metade do século XX. A mudança das leis, replantação de parreirais com espécies européias nobres, uso de alta tecnologia, formação e treinamento de viticultores e vinhateiros, investimentos sempre crescentes na produção de uvas e vinhos de qualidade fizeram com que a Nova Zelândia ocupasse um espaço entre os maiores produtores mundiais de vinho e se revelasse como um dos paises com maior potencial de crescimento.
As uvas plantadas no país são as brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Muller-Thurgau, Riesling, Pinot Gris e as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir. Sem dúvida alguma são os vinhos brancos o grande destaque da produção neozelandesa, contudo, os vinhos tintos passam por um processo de desenvolvimento tal que dentro de alguns anos talvez esta situação se inverta. A vinícola Cloudy Bay, uma das vinícolas neozelandesas de maior fama internacional, adquiriu todo seu prestígio através dos maravilhosos Sauvignon Blanc que produz desde 1985. Este vinho de intenso sabor pode ser facilmente encontrado no mercado baiano e deve ser provado.
A legislação vinícola neozelandesa exige que quando a variedade da uva vem expressa no rótulo, 75% desta casta deve compor o vinho. Quando mais de uma uva é utilizada no corte todas devem ser citadas no rótulo principal em ordem decrescente de participação na produção do vinho. Da mesma forma que a uva, quando uma região específica é citada, 75% do vinho deve ser proveniente desta região.
A Nova Zelândia é formada por várias pequenas ilhas e duas ilhas principais, a Ilha do Norte e a Ilha do Sul. Está situada a meio caminho entre o Equador e o pólo sul, e por ter formato alongado, nenhuma de suas regiões produtoras dista mais de 100 km do mar, recebendo forte influência dos ventos oceânicos. As principais regiões vinícolas são:
Ilha do Norte
· Auckland, que engloba as subregiões de Kumeau, Ilha Waiheke e Henderson é onde estão localizadas o maior número de vinícolas.
· Gisborne, importante região de produção, o local mais oriental do mundo onde se plantam uvas.
· Baía Hawke, uma das melhores regiões produtoras, tem nas uvas brancas o grande destaque.
· Martiborough, onde estão localizadas poucas vinícolas, mas que apresentam alto nível de qualidade na produção. Onde a Pinot Noir encontra sua melhor expressão
- Na Ilha do Sul
· Nelson, pequena região produtora, em franca expansão.
· Marlborough, o maior distrito de vinhos da Nova Zelândia, onde estão localizados 40% dos vinhedos do país. A Sauvignon Blanc é a uva de maior importância da região.
· Canterbury, uma região mais fria onde a Riesling e a Chardonnay tem se adaptado muito bem.
· Otago Central, a região mais ao sul e mais fria, onde a Riesling, Chardonnay. e Pinot Noir encontraram um local adequado para desenvolver suas características mais delicadas.
Apesar da grande fama dos vinhos brancos, os vinhos tintos da Nova Zelândia, especialmente os produzidos com Pinot Noir têm evoluído imensamente. Não deve causar surpresa se em alguns anos, assim como
aconteceu com os vinhos brancos, os vinhos tintos neozelandeses sejam incluídos na lista dos melhores do mundo.
CONFRARIA
· Na Feijoada de July, na última quarta-feira, a Miolo esteve mais uma vez presente com um de seus espumantes, estilo “Asti”.
· Jones Aranha tem incrementado sua adega em Interlagos que tem capacidade para algo em torno de 1500 garrafas. Novo software de gerenciamento e a aquisição de vinhos franceses, especialmente de Bordeaux, foram algumas das estratégias adotadas.
· Apesar de sua paixão pelo destilado escocês, Tati Moreno tem dedicado algum espaço de sua repleta agenda para tornar-se mais íntimo dos vinhos. Está surgindo um novo adepto.
· Acaba de ser criado um novo site nacional, ww.vinhos evinhos.com. que talvez seja o maior e mais completo portal sobre vinhos do país.
· A Vinícola Miolo reformulou totalmente seu site. A partir de fevereiro, quem acessar a www.miolo.com.br encontrará uma página moderna, mais voltada para informação e para o e-commerce. Todos os produtos poderão ser comprados via internet, de qualquer lugar do país.
· A Domaine Salvador mantém suas promoções durante o Carnaval. Para os que querem fugir do agito, a área para degustação é excelente escolha.
· O mercado americano de vinho tem crescido tanto que existem hoje 35 pedidos de autorização para criação de novas áreas de viticultura, AVA.
África do Sul
Artigo de 28/01/2005
Em 1655, Johan van Riebeck, primeiro administrador da colônia holandesa do Cabo, decidiu plantar mudas de videiras vindas da Europa para que houvesse vinho disponível para seu consumo e dos seus colonos. Até aquele momento, o foco na região era a agricultura de subsistência, voltada para a manutenção dos escravos da Companhia das Índias Orientais que ali viviam. Contudo, foi seu sucessor, Simon van der Stel, em 1679, que impulsionou a região e criou a comunidade de Stellenbosch, a leste da cidade do cabo. Adquiriu, em 1685, uma grande área de terras, ao sul, que em homenagem a um navio passou a chamar de Constantia. Plantou vinhedos de qualidade e dispensou tal atenção à produção de vinhos que o vinho de Constantia passou à condição de um dos melhores vinhos do mundo, ao final do século XVII e início do Século XVIII.
A massificação da produção do vinho, diminuição da qualidade, falta de políticas adequadas e a concorrência fizeram com que o vinho sul africano perdesse sua condição de destaque. A partir do início do século XX, a África do Sul concentrou-se na produção de vinhos de mesa e na busca por qualidade na produção. Criou-se, em 1918, a KWV, uma cooperativa semi-estatal que passou a controlar toda a produção de vinho do país e que hoje é um conglomerado de empresas particulares que controla 25% da produção.
A África do Sul atualmente ocupa a sexta colocação na lista dos maiores países produtores de vinho e tem se destacado por gerar vinhos com personalidade e estilo próprios. Seus produtos têm grande aceitação no mercado mundial.
A uva branca mais plantada na África do Sul é a Chenin Blanc, conhecida como Steen, e a principal uva tinta é a Cinsault, conhecida como Cinsaut. Planta-se também as brancas Ch?????????????a?ardonnay, Cape Riesling, Hanepoot, Muscadel, Riesling, Sauvignon Blanc e as tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Shiraz e Pinot Noir.
A grande contribuição da África do Sul para o mundo, em se tratando de vinhos, data de 1925. Foi a criação da uva tinta Pinotage, cruzamento de Pinot Noir média três semanas que o produto .
com Cinsault, que teve sua primeira safra em 1959. A Pinotage produz vinho com aromas e sabores frutados e terrosos, encorpado, refrescante, agradável, próprio para regiões quentes como nossa cidade. Uma excelente opção com relação custo x benefício extremamente favorável.
As principais regiões de produção na África do Sul são:
Constantia, a mais antiga área produtora de vinho, onde se produzia o mais famoso vinho forte do século 19, é um expoente na produção de vinho de mesa sul africano.
Durbanville, área montanhosa ao norte da cidade do cabo, produz principalmente vinhos tintos, possuindo boas plantações de Merlot e Sauvignon Blanc.
Klein Karoo, onde se produz principalmente vinhos fortificados, produz também bons Chenin Blanc.
Olifants River, região onde são utilizadas técnicas modernas de colheita de uvas e produção de vinhos, produz vinhos com boa relação custo x benefício. Compreende os subdistritos de Vredendal, Spruitdrift, Lutzville Valley, Koekenaap, Cederberg e Piekenierskloof.
Worcester produz 25% de todo vinho sul africano.
Stellenbosch, a leste da cidade do Cabo é o principal distrito produtor. Com solo granítico, de boa drenagem, e índice pluviométrico em torno de 800 mm por ano, apresenta as melhores condições da região para produção de vinhos de qualidade superior. É nesta região onde se localiza o centro de viticultura e enologia da Universidade de Stellenbosch, a escola de agricultura de Elsenburg o Instituto de Viticultura e Enologia Nietvoorbij, centros de excelência no estudo, pesquisa e formação de profissionais.
Paarl é o segundo mais importante distrito vinícola, onde foi criada a KWV e onde planta-se diversas variedades de uvas como Cabernet Sauvignon, Pinotage, Shiraz, Chardonnay, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc, sendo seus vinhos utilizados principalmente para exportação.
Vale Franschhoek, é um subdistrito de Paarl que vem ganhando destaque com média três semanas que o produto passar dos anos, produz vinhos de estilo francês.
Outras regiões que devem ser citadas são Elgin, Darling, Robertson, Northern Cape, Overberg, Swartland, Piketberg e Tulbagh. A África do Sul possui legislação vinícola própria, datada de 1972, denominada WO, Wine of Origin, baseada na legislação francesa de AOC, Appelation d’Origine Contrôlée. Esta legislação estabelece que os vinhos de casta devem conter pelo menos 75% da uva explicitada no rótulo. Em 1990 foi incorporado o conceito de propriedade (Estate) pelo qual um vinho denominado de propriedade pode ser proveniente de uma ou mais áreas do mesmo distrito produtor, mesmo que distantes uma da outra,
desde que compartilhem as mesmas condições ecológicas.
CONFRARIA
l Sylvain Gardet retornará à França após o carnaval para tratar de seus negócios enológicos. Ao voltar a Salvador, certamente teremos boas novidades.
l O escritor francês Olivier Descosse que chegará a Salvador dia 30 para passar o carnaval declara-se ansioso em conhecer os vinhos nacionais
l Contagem regressiva para o baile de máscaras de Michelle Marie no dia 02 de fevereiro na Vila da Barra. Os Champagnes e Espumantes estarão presentes.
l Geovânia e Paulo Carneiro receberam no último sábado Tereza e Roberto Muniz para degustação de alguns vinhos indicados por esta coluna. O Element, corte de Cabernet Sauvignon e Shiraz, da Sandalford foi o preferido da noite.
l O Camarote Expresso 2222 by Host, no edifício Oceania, na Barra,deverá contar com o apoio de uma vinícola nacional que servirá aos convidados sua linha de produtos durante os seis dias de folia.
l A Miolo promove em Bento Gonçalves um Wine Day com datas aos dias 5 e 19 de fevereiro A programação do curso engloba todos os processos de elaboração dos vinhos finos e será conduzido pelo diretor técnico da vinícola, o enólogo Adriano Miolo, e por outros enólogos da empresa. Informações pelos telefones: 0800 541 4165 com Fabiane ou (54) 2102 1500 com Adriana.
l A XII Fenavinho, de 28 de janeiro a 13 de fevereiro, terá a participação de um número recorde de 46 expositores, que representam as melhores vinícolas do País no Parque de Eventos de Bento Gonçalves.
l A Miolo também estará na Fenavinho. A Vinícola terá uma sala Vip para receber seus convidados, um balcão de degustação e mesas para receber os visitantes. Todos os seus vinhos estarão à venda.
l A Domaine Salvador promove um festival de vinhos brancos, ofertando algumas garrafas com excelente desconto. Tel. 263-0050.
Adegar ou não adegar
Artigo de 21/01/2005
Com o crescimento do consumo de vinho na cidade e consequentemente um crescimento na qualidade do vinho disponível nas prateleiras dos lojistas, uma nova questão se apresenta ao nosso apreciador local: adegar ou não o vinho.
A adegagem permite que os bons vinhos desenvolvam suas melhores características e tornem-se verdadeiras obras-primas sem o risco de estragarem com o passar dos anos. Quem adega seus vinhos o faz por várias razões. Existem aqueles que desejam comprar vinho em quantidade e assim fazendo, economiza dinheiro, podendo consumir esse vinho no decorrer dos anos. Existem aqueles que desejam colecionar vinhos e dependem da adegagem para que seus vinhos não se deteriorem. Existem aqueles que querem compor uma adega para investimento. Comprar vinhos recém produzidos, guardá-los, amadurecê-los e vendê-los por um valor bem maior que o investido é realmente um bom negócio em todo o mundo.
É importante salientar que existem vinhos para serem consumidos ainda jovens, em até dois ou três anos após serem liberados no mercado, e que se bem conservados mantêm seu frescor original por todo este período. Existem vinhos que são produzidos para serem consumidos em média após 10 anos de liberação no mercado e, portanto, devem ser amadurecidos antes de consumidos. E existem vinhos excepcionais que ganham valor com o passar dos anos e envelhecem bem por mais de 50 anos e são considerados um excelente investimento, tanto quanto qualquer obra de arte.
A questão da necessidade ou não da adegagem está vinculada portanto ao propósito do consumidor do vinho, média de garrafas consumidas por ano e de sua disponibilidade financeira para investir na compra de vinhos. É importante definir o perfil de sua coleção de vinhos.
As adegas podem ser passivas ou ativas. As adegas passivas são aquelas onde a natureza já oferece as condições ideais de guarda do vinho, como nas adegas subterrâneas da região de Champagne na França. As adegas ativas são aquelas onde as variáveis como temperatura e umidade são controladas através da tecnologia. A adega deve manter temperatura de 12 a 14 graus, pois em temperaturas muito frias o vinho não se desenvolve , não amadurece. Em temperaturas muito quentes o vinho tem seu processo de envelhecimento acelerado e não tem tempo de evoluir todas as suas nuances. Em uma adega muito úmida, a rolha de cortiça tende a ser contaminada por fungos e passa sabores desagradáveis ao vinho. Em adegas pouco úmidas, a rolha seca e permite a oxidação do vinho. Outros fatores envolvidos são a luz, a movimentação das garrafas e o som, que devem sempre ser os mínimos possíveis.
As adegas ativas podem ser instaladas em um cômodo ou serem adegas portáteis. As adegas de cômodo necessitam de projetos específicos de climatização, isolamento térmico e acústico, celagem e ambientação. Somando-se custos com projetos e equipamentos o investimento nunca é inferior a R$ 20.000,00, sendo indicadas para aqueles que desejam promover uma guarda de mais de 500 garrafas. Em Salvador o escritório do arquiteto Jean Gaston Humbert (Tel.240-5066) tem ampla experiência neste assunto.
As adegas portáteis são mais baratas e indicadas para os que desejam ter a guarda de até 500 garrafas. Existem adegas com capacidade a partir de 40 garrafas vendidas em lojas especializadas como a Domaine Salvador (Tel. 2630050) e até mesmo em supermercados. Deve-se levar em conta que uma adega climatizada para 40 garrafas que custa em torno de R $ 2.500,00,
rapidamente será colocada de lado por um comprador habitual de vinho, sendo adequada apenas para os que pretendem iniciar uma coleção ou para aqueles que não bebam diariamente. O erro de comprar uma adega muito pequena é muito mais comum do que se pensa, e o ideal é não comprar uma adega com capacidade menor que 100 garrafas. Com uma adega deste tamanho é possível manter sempre em torno de 50 garrafas para consumo imediato e um espaço para guardar
os melhores vinhos no decorrer dos anos.
CONFRARIA
l Monique e Carlos Knittel adotaram o vinho da Miolo como bebida de escolha na Feijoada da Alegria, promovida por Lícia Fábio e Gilka Maria no último sábado.
l Quarta-feira no restaurante Ynakaia ocorreu o coquetel de lançamento da nova revista e do site de Kin Kin (www.kinkin.com.br), a Miolo esteve mais uma vez presente.
l A Mercato di Vino de Romenilson Rehem, possui bons vinhos com preços convidativos. (Tel. 351-2730)
l No Armazém Santa Maria, José Henriques costuma recomendar aos amigos um vinho de sua terra natal, o espumante Cova Juliana, produzido pelo método clássico. Excelente vinho, ótima escolha. Um dos indicados desta semana.
l Os vinhos sul africanos da safra de 2003 têm recebido vários elogios da crítica especializada. Evite a safra de 2002
l Os Estados Unidos passam a ter uma nova Appellation. Abrange área entre o Oregon e Washington e recebe o nome de Columbia Gorge AVA (American Viticultural Área).
l A Cooperativa Vinícola Aurora acaba de receber o certificado ISO 9001:2000 de sistemas de gestão da qualidade em projeto e desenvolvimento,
elaboração e processamento de vinhos e derivados.
Austrália
Artigo de 14/01/2005
A Austrália vem se tornando, nas últimas décadas, um dos maiores produtores de vinho do mundo. Alta tecnologia, políticas de produção voltadas para aumento de qualidade e um câmbio favorável são os principais fatores que explicam este processo. Devido ao aumento da cotação do euro frente ao dólar, os vinhos europeus passaram a ter preços proibitivos e abriu-se uma lacuna no mercado internacional de vinhos. Os compradores voltaram-se para os vinhos do novo mundo e, enquanto muitos produtores do Chile e Argentina aumentaram seus preços devido ao aumento de demanda, muitos produtores australianos congelaram e até baixaram seus preços na tentativa de fidelizar um mercado ávido por novas opções. Este contexto explica porque o vinho australiano tem se tornado tão importante em todo mundo, apresentando ótima relação custo X benefício.
Oitavo produtor mundial de vinho, com produção altamente mecanizada, desde a poda até a colheita, com mais de 1200 vinícolas instaladas, a Austrália tem sua produção conentrada no sul do país, perto do litoral, região de clima fresco e ameno. Os primeiros vinhedos foram plantados no final do século XVIII, mas em 1960 houve uma mudança na política de produção de vinhos e a busca por qualidade se tornou prioritária.
As principais uvas da Austrália são as brancas chardonnay, sémillon, riesling e as tintas cabernet sauvignon e syrah, conhecida por shiraz, possivelmente em alusão à cidade persa, hoje Iraque, donde esta uva parece ser originária. Contudo, existem boas culturas das brancas viognier, muscat e verdelho, e das tintas grenache, mourvédre e merlot.
Apesar de não possuir regras rígidas de produção como as existentes na França, a Austrália adotou algumas convenções em relação aos rótulos de seus vinhos. Quando a variedade da uva vem expressa, isto significa que a casta equivale, no mínimo, a 85% das uvas utilizadas na produção do produto. Quando mais de uma uva é utilizada no corte sem que nenhuma delas chegue a 85% , todas devem ser citadas no rótulo principal em ordem decrescente de participação na produção do vinho e ter suas percentagens explicitadas no rótulo secundário. Portanto, o nome de um vinho australiano pode ser composto apenas do nome da uva e produtor, um nome fantasia qualquer, a conjunção de um nome fantasia e das uvas utilizadas em sua produção. É comum ainda que o vinho receba o nome do local onde seja estocado ou número do estoque (Bin Numbers), prática adotada desde 1930, como no famoso Lindemans Bin 65 que vende em torno de 24 milhões de garrafas por ano. Da mesma forma que a uva, quando uma região específica é citada, 85% do vinho deve ser proveniente desta região. Vale dizer que um vinho, às vezes, é feito com mostos produzidos em regiões extremamente distantes e diversas. Esta prática revolucionária, oposta ao conceito francês de terroir, se justifica pela possibilidade de criar vinhos ao mesmo tempo constantes e saborosos e tem captado adeptos em todo o mundo.
As regiões mais importantes de produção da Austrália são:
Na Austrália do Sul: Vale de Barrossa, Vale de Clare, Vale McLaren, Adelaide Hills, Coonawara, Padthaway e Vale Eden
Em Vitória: Rutherglen, Goulburn, Vale de Yarra.
Nova Gales do Sul: Riverina (Murrumbidgee), Vale do Hunter e Mudgee.
Austrália Ocidental: Vale de Swan, Perth Hills, Rio Margareth, Grande Sul e Pemberton
A ilha da Tasmânia.
O vinho australiano mais famoso, e caro, é o Grange da Penfolds. Para produzi-lo utiliza-se vinhos base vindos de regiões distantes até 500 km da vinícola. Este vinho usualmente é feito 100% com uvas shiraz, mas, algumas vezes recebe adição de cabernet sauvignon. Outros vinhos importantes são os brancos Rosemount Roxburgh e Penfolds Yatarna e os tintos Penfolds Bin 707 e o Parker Coonawarra Estate Terra Rossa. Além dos vinhos mais baratos de Penfolds e Lindemans, facilmente encontrados em nossas lojas e supermercados, chegaram a Salvador vinhos mais sofisticados das vinícolas Yalumba, Jim Barry, e Pepper Tree, facilmente encontrados no Armazém Santa Maria. Os vinhos australianos apresentam basicamente dois estilos, sendo brancos cremosos ou tintos macios muito frutados. O leitor pode encontrar vinhos australianos baratos e saborosos, como também vinhos de alta qualidade comparáveis aos melhores vinhos do mundo.
Os vinhos Shiraz australianos, em especial, possuem notas de geléia, ameixa, herbáceas e de pimenta que os tornam únicos. São muito atraentes para nós baianos. Vinhos que realmente devem ser experimentados e
com certeza surpreenderão imensamente.
CONFRARIA
l Luciana Trindade iniciou as comemorações de seu aniversário, no último sábado com uma garrafa de Jim Barry Lodge Hill. Segundo ela, o melhor começo de aniversário de sua vida.
l Verinha Luedy continua a professar sua paixão pelos doces vinhos de sobremesa italianos. Em especial o Moscato d’Asti e o Passito de Pantelleria.
l A Domaine Salvador formará um grupo de 12 casais ao custo de R$ 400,00 (quatrocentos reais) por casal para degustar um Saint Emillion Premier Cru, o Chateau Pavie safra 1997, em garrafa tipo Matusalém (6 Litros). As reservas poderão ser feitas com Celso Mathias através do telefone (71) 263-0050.
l Flávia e Kleber Palhares encerraram a noite do último domingo em Interlagos degustando um vinhos australiano Southern Tracks 2000, corte de cabernet sauvignon, merlot e shiraz.
l A revista Wine Spectator prevê um aumento significativo nas vendas dos vinhos Australianos em 2005
l John Mariani, especialista de vinhos da agência de notícias Bloomberg aposta em um aumento da competitividade dos vinhos espanhóis em relação aos
melhores vinhos da França, Itália, Califórnia e do Novo Mundo.
O vinho do final do ano
Artigo de 23/12/2005
Fim de ano é quase que sinônimo de vinho espumante. Seja Champagne, Cava, Prosecco, ou qualquer outro, não existe algo mais recomendado para as festas que este vinho cheio de bolhas e que traz tanta felicidade.
Com tantas opções no mercado é bom ter uma certa noção do que procura para não ter os contratempos de escolher algo que não combine com a ocasião. Deve-se entender que espumantes feitos pelo método charmat, com segunda fermentação em tanque fechado, levam em média 3 semanas para ficarem prontos para o consumo, são menos complexos e mais apropriados para serem o primeiro vinho da noite ou para serem bebidos de forma despretensiosa com canapés e salgados. Os espumantes feitos pelo método tradicional, com segunda fermentação ocorrendo nas próprias garrafas, levam de 15 meses a 12 anos para ficarem prontos, geralmente possuem maior complexidade e se destinam também a acompanhar alimentos mais sofisticados, os melhores podendo até mesmo ir à mesa como vinho principal.
Em Salvador, encontramos várias boas opções de espumantes. Na Via Bahia (tel. 3230-7229), o Cava Freixenet, muito apreciado pelo casal Olga e Alfeu Luedy, enófilos apaixonados, e o italiano Anella Andriani (R$ 40,00), produzido por Arnaldo Botter, um cavalheiro conhecido mundialmente por produzir vinhos bons e baratos, são boas opções para quem procura vinhos mais simples. Na Ana Import, (tel.3337-1111), um espumante português, Ortigão (R$ 51,00), chama atenção por sua boa qualidade e excelente relação custoX benefício, talvez uma das melhores de nosso mercado. Em se tratando de qualidade a preço baixo outra excelente escolha é o australiano Angas Brut (R$ 74,00), vinho feito apenas com uvas Chardonnay, e o Petaluma Croser, produzido a partir das uvas Pinot Noir e Chardonnay, através do método de Champenoise, ambos vendidos pela K.M.M, Tel.8867-3104. A Austrália é considerada um dos melhores produtores de vinhos espumantes a base de Chardonnay do mundo.
A Expand, Tel.32645348, traz com preços insuperáveis os Champagnes Moet & Chandom Brut e Veuve Cliquot Brut (R$ 164,00), O Champagne Taittinger Brut Milésime 1999 (R$ 298,00), e o Gosset Brut Grand Milésime 1996 (R$ 415,00), excelentes opções para um bom jantar de final de ano, e o Prosecco di Valdobbiadene Rústico do produtor Nino Franco (R$ 69,00), mais adequado à função de Welcome Drink . A Expand traz também um dos Champagnes que mais gosto, o Dom Pérignon, que na safra de 1996 mostrou todo seu esplendor e se dedica a marcar datas realmente especiais.
Seja lá qual for a opção o mais importante é se lembrar de não retirar a rolha de forma abrupta e ruidosa. Aquele belo vôo de rolha com direito a estouro e tudo decorre da liberação do gás cuja presença define importantes aspectos da qualidade do vinho a ser bebido e sem o qual o espumante perde muito do seu esplendor.
Considerada a bebida dos reis o vinho espumante é algo para celebrar e ser celebrado para amar e ser amado e acima de tudo para ser utilizado para expressar toda a esperança de que dias melhores virão, em que a real felicidade seja
alcançada e que todas as decepções sejam passado... E distante!
CONFRARIA
l O Jóia Sushi Lounge foi o palco escolhido por Monique Knittel para a recomemoração de seu aniversário. Privilégio de quem tem tantos amigos que não consegue reuni-los de uma só vez. Estiveram presentes Verinha e Tony Luedy, Natalie e Alberto Pinheiro, Rita Moraes e Juca Lisboa entre outros.
l Um grande show de solidariedade é o que foi o “Axé pra Você”, no último dia 17, na Fonte Nova. Nos bastidores era interessante notar o entrosamento e felicidade demonstrada pelos vários artistas que ali estavam contribuindo por uma grande causa. Todos astros de primeira grandeza que ali exercitavam sua cidadania e faziam que sua arte gerasse frutos para os mais desassistidos.
l Dina Rachid comemorou com seus amigos seu aniversário na ultima sexta-feira. Muito glacê e tequila.
l A H Stern inaugurou sua nova loja no Shopping Barra com um agradável coquetel na última semana.
l A premiação dos dez mais elegantes de Salvador, ocorrida na ultima quarta-feira no Hotel do Carmo foi uma bela festa organizada por Lícia Fábio, uma aglutinadora de primeira linha.
l A Expand realiza promoção de todos os vinhos de Bourgogne de seu portfólio oferecendo 30% de desconto.
l O Clube Lótus vai realizar duas festas especiais este final de ano. na madrugada de 24 para 25, a boate abre as portas para a festa “Natal Lotus 2005”, que começa a partir de 1h, com sistema de open bar. No dia 30 acontece o primeiro pré- Reveillon da Lótus com presença confirmada do estilista Fause Haten.
l Jean Gaston Humbert é o nome que assina o mais novo e badalado projeto da Costa Andrade. O Casas da Praia do Forte só será lançado em janeiro mas já tem muita gente na fila.
l Uma sugestão de Natal de primeira é o novo kit da Johnnie Walker. Além dos tradicionais uísques Johnnie Walker Black Label e Johnnie Walker Red Label o kit traz também Toalhas vermelhas com frases célebres e porta-notas em couro, tudo em uma embalagem muito especial e edição limitada.
l Praia do Forte recebe agora uma loja da Osklen, de Ângela Freitas. Uma festa de inauguração está sendo planejada para o mês de janeiro.
l Fim de ano cheio de novidades. Uma das interessantes é a abertura da loja de Roberta Mathias no Jardim Brasil, a Sol e Sal.
l O Baile da Vila da Barra, a reedição da bem sucedida parceria entre os restaurantes Sato e Pereira, Michelle Marie e Lícia Fábio promete ser o melhor dos últimos tempos. Basta esperar fevereiro chegar para conferir. Quem quiser sair na frente pode tentar adquirir um dos 200 pré-convites.
l O Shopping Barra está investindo alto na atração de novas lojas de peso. Além da H. Stern, chegam também a Equus, Osklen, Brooksfield e Tommy Hilfinguer.
l Parabéns para Gustavo Baiardi e Nino Nogueira que comemoraram ontem os seus aniversários.
O Paradoxo Francês
Artigo de 16/12/2005
Na década de 90, o epidemiologista francês Serge Renaud fez um interessante estudo que ficou conhecido como “Paradox Français” ou o Paradoxo Francês. Nele, o médico observava que, comparados com a população dos Estados Unidos da América, os franceses, apesar do hábito do fumo, do sedentarismo e do consumo de muita gordura saturada, desenvolviam muito menos doenças cardiovasculares e apresentavam menor grau de obesidade que os americanos. A postulação afirmava que pela ingesta de vinhos, os franceses estariam mais protegidos dos problemas do coração, apesar de mais expostos a muitos dos fatores de risco que desencadeiam tais doenças, diminuindo a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares para 1/3 da apresentada pelos americanos.
Apenas 2/3 dos mais de 3000 componentes do vinho são conhecidos, entre eles diversos minerais essenciais e as vitaminas A, B e C. Também há em sua composição elementos chamados de polifenóis que atuam em várias fases do metabolismo humano, trazendo vários benefícios à saúde. Estes componentes existem nas uvas para protegê-las das agressões físicas e químicas às quais estão expostas. Estudos recentes revelam que uvas que são mais expostas às intempéries têm um maior número destes complexos químicos e, portanto, os vinhos com elas produzidos são mais benéficos à saúde, o que não quer dizer que sejam melhores, mais técnicos ou saborosos.
Especificamente em relação às doenças cardiovasculares, os efeitos estão associados à ação do vinho no metabolismo das gorduras do sangue, diminuindo o LDL, conhecido como colesterol ruim, e aumentando o HDL, ou o bom colesterol.
A constatação do Paradoxo Francês fez despertar em todo o mundo o interesse das pessoas no vinho como uma forma de melhorar a saúde. Como os vinhos tintos têm maior contato com cascas, sementes, e pedículos, estruturas que transferem muitas substâncias ao vinho, é fácil entender que os tintos são muito mais benéficos à saúde que os vinhos brancos, descoberta que fez crescer muito o consumo mundial deste tipo de vinho, movimento também observado no Brasil. Apesar da temperatura média do nosso país ser mais alta que a de países europeus, por exemplo, o consumo de vinho branco, que admite maior resfriamento, é bem menor que a de tinto. A atenção despertada foi tanta que em 17 de novembro de 1991 o programa “60 Minutes” da rede americana de TV, CBS, apresentou um programa especial intitulado “O Paradoxo Francês”, tratando do assunto, que foi assistido por mais de 30 milhões de pessoas.
Um grande efeito da observação do médico francês foi desmistificar a idéia que o álcool é que fazia bem a saúde, desde que em doses adequadas, idéia vigente até então. Apesar de sabermos que a ingesta de álcool em doses moderadas e de forma controlada é benéfico à saúde são os outros elementos, presentes apenas no vinho, que realmente fazem a diferença. Entre estas substâncias a mais famosa é o resveratrol, que faz parte do subgrupo dos flavonóides, polifenóis absorvidos pelo corpo humano. Existe uma grande preocupação que habita a mente de nós médicos quando estimulamos o consumo direto e indireto de álcool: que este consumo não seja excessivo. Todo e qualquer abuso é maléfico ao corpo humano, mas os malefícios do consumo do álcool são trágicos e superam imensamente qualquer benefício que este possa oferecer. É necessário que se tenha atenção e responsabilidade.
Como diria Paulo Barbosa, homem com o qual tenho em comum a paixão pela medicina e pelo vinho, leitor assíduo desta coluna, o que muito nos honra: “Vinho é algo mais que uma bebida, é uma forma de vida”...
E não de morte, completo!
CONFRARIA
l O Jóia Sushi Lounge é a mais nova opção em comida japonesa na cidade. O restaurante localizado na Pituba , com ambientação da arquiteta Márcia Meccia, uma parceria entre o empresário Junior Mendonça, o chef Marcelo Fugita e associados, parece fadado ao sucesso.
l Daniela Mercury se prepara para arrasar na sua apresentação no megashow Axé pra Você, dia 17 na Fonte Nova, que conta ainda com grandes atrações como Carlinhos Brown e Timbalada.
l Wagner Tiso realizou terça-feira um concerto em comemoração aos seus 60 anos no Restaurante Trapiche Adelaide. Escolheu composições de Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Villa-Lobos, Chico Buarque e Gilberto Gil, cantando com sua filha Índia Tiso músicas de Gonzaguinha para deleite dos presentes.
l Foi ontem no Clube Lotus o lançamento da coleção da grife Favelanove para 2006. Escolha dos empresários Sérgio Pedreira e Rafael Silveira.
l A Escola de Educação Percussiva Integral, instituição coordenada por Wilson Café e que traz a adolescentes carentes novas perspectivas formou uma nova turma de 37 garotos e garotas que tiveram como padrinhos Tonho Matéria e Margareth Menezes.
l A Mercato di Vino realizou concorrido jantar de congraçamento. Romenilson Rehem, seu proprietário, é um dos maiores conhecedores de vinhos em nosso Estado. Culto, bem formado e experiente é um dos poucos que podem ostentar os títulos de enólogo e consultor. Há quem se autodenomine consultor ou consultora sem ter a experiência, conhecimento, estudo, e, acima de tudo, maturidade indispensáveis para se formar um bom profissional. É necessário emergir da própria ignorância para não submergir na própria ambição... E aprender a não criticar sem embasamento.
l Uma ótima dica para presentear familiares e ami-gos neste Natal são as cestas do sofisticado Empório Santa Maria, de São Paulo, que che-gam pela primeira vez a Sal-vador através da Expand Store. São 17 opções de cestas com preços a partir de R$ 50,00.
l Terça-feira Flávia Palhares realizou coquetel de lançamento do Reveillon Oceania que contará com shows no palco interno, open bar, buffet, boate, e vista privilegiada para os shows e queima de fogos do Farol da Barra.
l Foi agitada a última terça-feira em Salvador. Entre os vários eventos da noite, um chamou muita atenção: o lançamento do Projeto Bahia Folia no Clube Lotus com show realizado por Armandinho. Sucesso da equipe da Rede Bahia que organizou o evento, especialmente João Gomes.
l Suca Baratz festejou aniversário cercado dos muitos amigos que possui. Presenteou a todos com a simpatia de sempre e com o que ele garante ser a melhor torta de chocolate da
cidade. Receita secreta!
Vila Galé
Artigo de 09/12/2005
Esta conhecida rede de hotéis portuguesa que é uma das 250 maiores empresas do setor no mundo e que possui uma unidade funcionando em Salvador, no bairro de ondina, dedica-se não apenas à hotelaria, mas também à produção de vinhos. A Casa Santa Vitória, propriedade da empresa em Alentejo, fundada em 2002, produz vinhos e azeites nos 192 hectares que possui. Localizada a poucos metros de um dos hotéis da rede, o Hotel Clube de Campo, a vinícola se tornou uma excelente opção para quem busca o enoturismo.
Os produtos desta vinícola, representada na Bahia pela Tio Sam, são, em sua maioria, vinhos simples e diretos, de boa relação custo benefício e voltados especificamente para o apreciador que busca uma opção para o consumo diário de vinho. Entre os vinhos já disponíveis em Salvador estão o Santa Vitória tinto, Santa Vitória branco, Insólito e o Clube de Campo, que foram postos à avaliação da Tribuna da Bahia na presença da consultora da Tio Sam, Camila Farias, apresentados na ordem em que aqui são descritos e enquadrados em uma escala numérica cuja nota máxima equivale a 100 pontos.
Santa Vitória branco 2004.
Produzido com as castas autóctones Antão Vaz e Roupeiro, apresenta grau alcoólico de 12%. Cor amarelo palha, aromas cítricos, notas de frutas tropicais como abacaxi, sabores de frutas cítricas, leve corpo, acidez excessiva, razoável retrogosto. Avaliação final – 72/100
tInsólito tinto 2004.
Produzido com as castas Trincadeira e Aragonez, apresenta grau alcoólico de 13%. Cor vermelha intensa, aromas de frutas vermelhas, notadamente cereja, sabor marcante de framboesa. Leve corpo, bom equilíbrio, bom retrogosto. Avaliação final – 76/100
Clube de Campo 2003.
Produzido com as castas Aragonez, Trincadeira, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, apresenta grau alcoólico de 14%. Cor vermelha ruby com nuances marrons, aromas de frutas vermelhas maduras e madeira, sabores equivalentes com notas de mel. Leve, equilibrado, algo persistente e acima de tudo intrigante. Este vinho se mostrou o melhor da avaliação por não ser tão óbvio, tão direto. Apesar de ser vinho comercial, de baixo custo, consegue instigar alguma reflexão, sendo capaz de impressionar os paladares mais apurados. Avaliação final – 78/100
Santa Vitória tinto 2003.
Produzido com as castas Trincadeira, Aragonez e Syrah. Apresenta cor vermelha intensa com nuances violáceos. Pouco aromático, com sabores de framboesa, e cereja com notas de chocolate amargo. Corpo leve, bom equilíbrio, bom retrogosto. Avaliação final – 74/100
A chegada dos vinhos da Vila Galé em Salvador faz com que tenhamos em nosso mercado mais uma boa opção em vinhos de baixo custo. Se levarmos em consideração que todos os vinhos aqui descritos custam menos de R$ 40,00 e que todos receberam notas acima de 70 pontos, observaremos o quanto é benéfica a relação CustoX Benefício apresentada pela Casa Santa Vitória. Além disto, o interesse do grupo português em nossa região reforça a posição da Bahia como um importante mercado consumidor de vinho, com alto potencial de crescimento, e
objeto de desejo de produtores e negociantes.
CONFRARIA
l Semana de festa para Paulo Sampaio que começou as comemorações de seu aniversário com um jantar na Sal e Brasa. Ele que adora cantar parabéns, tem sido alvo de várias homenagens.
l Jones Aranha presenteou sua esposa, Roccio, com uma festa de aniversário digna de nota. O evento movimentou Interlagos e nem a chuva que caiu abalou a animação dos mais de quinhentos convidados entre políticos, empresários, artistas e socialites que se divertiram com apresentações de artistas de teatro, tequileiros, percursionistas e que dançaram ao som da banda Afrodisíaco até o sol nascer. Altíssimo estilo
l Edinho Engel, codinominado pela revista Época desta semana de Rei dos Mares, continua dividindo seu tempo entre São Paulo e Salvador em compasso de espera para abertura do restaurante Amado. Edinho, um dos mais badalados Restauranteurs do Brasil não esconde que almeja o título de melhor restaurante de Salvador para a sua casa.
l O Festival Enogastronômico do Hotel Vila dos Corais em Praia do Forte, iniciativa que alcançou imenso sucesso, marca a interiorização da cultura do vinho e da boa mesa. O evento pioneiro, promovido por Rosa Brandão, ainda repercutirá por bom tempo.
l Amanhã Cristina Mendonça reboca os amigos até Praia do Forte para um final de semana de comemorações pelo seu aniversário. Coisa de gente que desfruta de amizades verdadeiras.
l Foi um sucesso o primeiro curso da Expand Wine Education em Salvador. Sala lotada e o prazer em aprender nos rostos de todos. Natalie e Alberto Pinheiro já preparam o calendário de 2006.
l Muito cuidado com todos os detalhes, excelentes vinhos, uma proposta imobiliária de alto nível e um seleto público. Assim se po-de resumir o evento da Ode-brecht na Ana Import para o lançamento do Quintas de Sauípe Grande Laguna. Lá estiveram Monique e Carlos Knitell, Regina e Buba Weckerle, Josinha Pacheco e Julieta Isensée, entre outros felizes convidados.
l A Quartz abre mais uma loja em Salvador, desta vez no Iguatemi, trazendo mais opções em bolsas e acessórios.
l Dia de Núpcias para Marcelo Savastano e Liliana Andrade.
l Duas estrelas mirins se destacaram no desfile da Zion nesta última terça-feira: Ticiana Carneiro e Clara Carvalho.
l Uma festa super agitada marcou o aniversário de Marta Abreu na semana passada no Hotel Fiesta.
Cecília Torres
Artigo de 02/12/2005
Na semana passada esteve na Bahia a enóloga chilena Cecília Torres, profissional que desfruta de grande prestígio internacionalmente e que chegou a nossa cidade em companhia da paulista Andrea Bonamico proprietária da importadora Premier Cru, a convite de Scheila Bulhões, da Casa dos Vinhos, no intuito de apresentar os vinhos que faz na vinícola Santa Rita em um evento de degustação e em um jantar enogastronômico no restaurante do Yacht Clube da Bahia. A presença de pessoa de tão boa formação técnica ao mesmo tempo em que revela a importância que hoje desfruta nosso mercado nos traz a oportunidade de melhor entender o mercado mundial. Nesta entrevista à Tribuna da Bahia, Cecília nos transmite um pouco da sua visão sobre o mercado.
T.B. - Qual sua visão sobre o vinho produzido atualmente?
C.T. - A cultura do vinho foi aprendida com o tempo, passada de pai para filho, e é bastante específica de cada produtor. Já a tecnologia é igual para todo mundo, havendo apenas a maior ou menor capacidade de investimento de cada produtor. O ideal é sempre inovar, o que nós tentamos fazer na Santa Rita, transmitindo cultura e fugindo do vinho padronizado que hoje é feito por muitos.
T.B. - O mercado de vinho será standartizado?
C.T. - Aparentemente alguns países como Chile, deverão seguir esta tendência de vinhos simples e comerciais. Neste aspecto serão os vinhos americanos que apresentarão este perfil de forma mais massiva.
T.B. – Por que os vinhos americanos?
C.T. - Por que é de lá que vem esta tendência. A questão é basicamente política já que os Estados Unidos controlam boa parte dos órgãos internacionais e é lá que está baseada boa parte da imprensa especializada. Desta forma o consumidor, em especial o iniciante é induzido a gostar de vinhos simples. Países como Chile, Argentina ou Austrália, não podem impor tendências e acabam por se adaptar.
T.B. – Qual o efeito desta situação dentro da vinícola que representa?
C.T. - Isto gera certo conflito interno que, ao final, é benéfico para os nossos vinhos, pois se por um lado temos que nos adaptar ao mercado, por outro impomos a isto um limite para que o nosso produto seja diferenciado,
T.B. – Os jovens têm cada vez mais procurado beber vinhos. Qual sua avaliação deste fato?
C.T. - Vinho é tradição. Somos nós que temos que ensinar aos nossos filhos como se beber vinho, seus benefícios e seu limite. Para tanto temos que encaminhá-los aos bons vinhos, em uma crescente de qualidade, de tal forma que possam evoluir seu gosto junto com sua idade. É preciso afastá-los do que chamo de vinho de fantasia, doce, artificial. Eles devem começar com os vinhos jovens, varie tais, que possuam boa expressividade. Entretanto o vinho não necessita ser de alta qualidade. Um vinho macio, saboroso e fácil. Com o passar do tempo saberão apreciar os vinhos mais complexos.
T.B. – Como avalia a questão das rolhas?
C.T. - A rolha natural é confiável, pois apresenta apenas 5% de complicações. Contudo este índice acaba sendo muito alto para um mercado que trabalha cada vez mais com margens menores. Como o preço desta rolha é alto, é lógico que tentamos encontrar uma outra opção mais barata e tão ou mais confiável. Neste sentido as rolhas sintéticas chegaram para ficar. Creio que as Stelvim serão a tendência do futuro. O vinho tem que ser produzido para o mundo real.
T.B. – Qual o futuro da produção chilena?
C.T. - Existem grandes expectativas em relação à nossa produção futura, mas sabemos que o caminho à frente não será fácil. Temos capacidade de produzir vinhos de qualidade com bom preço, mas isto não é a garantia de sobrevivência. Mercados tradicionais como, o da Alemanha, estão sumindo. Países como a França, produzem bons vinhos de altíssimo preço e vinhos razoáveis cujos preços não declinam em proporção à qualidade, mas ainda assim se mantêm como um dos líderes mundiais. Tudo é incerto e não existe garantia de nada. Á nós, cabe trabalhar o melhor possível e aguardar o futuro.
T.B. - Qual a mensagem que gostaria de deixar aqui?
C.T. - O vinho é um produto mágico que promove a comunicação, a partilha, que cria amizades. Deve ser entendido como algo que ultrapassa o entendimento e que realça a vivência do ser humano.
CONFRARIA
l Parabéns para Heliana Cavalcanti, aniversariante de hoje.
l Em um grande coquetel no Tropical Hotel da Bahia, o fotógrafo Kim comemorou mais um ano de sua revista.
l A Confraria do Santa Maria têm promovido jantares memoráveis com pratos exclusivos e vinhos especiais. Na última semana o vinho principal foi o excelente Quinta do Castro Reserva 2002.
l Na última segunda-feira, Michele Marrie lançou no Othon a versão 2005/2006 da sua agenda empresarial. Uma grande idéia que alcançou o sucesso merecido.
l Muito movimentada a degustação que a Expand realizou na Vila da Barra com os vinhos da Batasiolo. O sucesso foi tamanho que a idéia e repetir toda semana com vinhos dos mais diversos produtores. Semana que vem a empresa realiza encontro para apresentar os 17 modelos de cestas e kits de natal, suas novas adegas e as promoções de vinho para o final de ano. Tanto as cestas de final de ano como os kits de vinho já estão sendo comercializados.
l Cláudia Leite lançou seu novo CD no MAM neste último dia 30. O evento comandado por Lícia Fábio como sempre contou com a presença de muita gente bonita que pôde degustar o Sushi e Sashimi do Takê.
l Quinze casais foram convidados para a degustação de vinhos portugueses concebida pela Odebrecht e Ana Import no intuito de promover o Quintas de Sauípe Grande Laguna.
l Cristina Nigro e Solange Sarmento preparam ceia de confraternização com clientes e amigos, em dose dupla. Na segunda, 5, os tin-tins serão com os clientes do Shopping Barra, das 17h às 20h. Já na terça, no mesmo horário, o espumante será servido para brindar com os clientes do Shopping Iguatemi.
l Ozana Barreto comandou no último dia 29 um desfile beneficente patrocinado pela sua Boticário.
Beaujolais Nouveau
Artigo de 25/11/2005
Na semana passada, terceira semana de novembro, como em todo ano, repetiu-se um fenômeno que entusiasma todos os amantes de vinho. Ao primeiro minuto da quinta-feira, 17 de novembro, teve início a festa de lançamento do Beaujolais Nouveau 2005.
Beaujolais é um vinho feito na França, em uma área de produção de mesmo nome, localizada entre os departamentos de Rhône e Saône-et-Loire e que tecnicamente faz parte da região de Borgonha. Produzido com a uva Gamay, apesar de a uva tinta tradicional borgonhesa ser a Pinot Noir, Beaujolais ganhou fama mundial com o surgimento do Beaujolais Nouveau.
A Gamay , ao contrário da Pinot, tem como característica o amadurecimento precoce, estando pronta para a produção de vinhos muito rapidamente. Esta característica não trazia qualquer vantagem para os produtores da região porque as leis de produção de vinhos na França são extremamente rígidas, determinando não apenas as uvas que podem ser plantadas em cada área, mas também a data de liberação das novas safras para consumo. Ocorre que em 13 de novembro de 1951 o Inao, órgão que controla a produção francesa, passou a permitir que algumas A.O.C. (Appellation d’Origine Contrôlée) liberassem seus vinhos de nova safra para o comércio antes da data usual, 15 de dezembro, disponibilizando os vinhos produzidos com a precoce Gamay mais cedo para os consumidores.
Para comemorar o lançamento do novo vinho da safra de Beaujolais, chamado de Beaujolais Nouveau, surgiu uma festa local que com o passar dos anos começou a ganhar fama e atrair interesses dos mais variados segmentos. Em 1970, milhares de franceses se deslocavam para Borgonha para participar das comemorações, um verdadeiro carnaval, e o evento se transformou em uma festa nacional com diversos restaurantes, nas mais diversas cidades do país, promovendo degustações e preparando menus especiais para harmonizar o Nouveau com seus pratos. Em 1985, a produção recorde de Beaujolais Nouveau, que chegou a 500 mil hectolitros, foi liberada para consumo na terceira quinta-feira de novembro, passando, a partir de então, ser esta a data oficial da chegada do vinho ao consumidor. Este ano marcou também o início da globalização do evento. Países como Estados Unidos, Japão e Austrália começaram também a importar o vinho e realizar festejos em suas diversas cidades, movimento que se consolidou em 2001. Naquele ano, 150 países diferentes celebraram a chegada deste vinho. Pessoas de todo o mundo se aglomeravam em Borgonha em torno deste evento que é um fenômeno único no mundo, uma festa verdadeiramente báquica.
As uvas para a produção do Beaujolais Nouveau são colhidas à mão, pois é proibido o uso de maquinário. Todo o cuidado é pouco, pois as uvas com seus pedículos ainda em cachos devem estar intactas ao serem colocadas nos tonéis. Portanto, a colheita chega a durar 20 dias, mobilizando mais de 35 mil pessoas. As uvas são deixadas macerando por até quatro dias, ao invés dos 10 dias de um Beaujolais, o que explica como é que apenas ele consegue chegar rapidamente ao mercado.
O Beaujolais Nouveau é um vinho de cor clara, um vermelho brilhante com reflexos violáceos, extremamente aromático, evocando frutas vermelhas, como morango, cereja e framboesa, e também é leve, refrescante e saboroso. Uma bebida excelente para nosso verão e que agrada, e muito, tanto os que conhecem vinhos como os que apenas estão começando. Deve ser servido entre 12 e 14 graus e combina bem com saladas, frios, patês e frango. Os dois melhores produtores são Georges Duboeuf e Louis Jadot.
Hoje este vinho chega a quase duzentos países logo após sua liberação transformando-o no mais desejado vinho simples mundo. Várias festas são organizadas para comemorar o seu lançamento e muitas pessoas esperam ansiosamente para delas participarem. Por questões de câmbio monetário a importação de Beaujolais Nouveau caiu muito. Caso tenha a oportunidade de experimentar este vinho que mais parece um suco de uva de alta
qualidade não a perca. Realmente vale a pena.
CONFRARIA
l Regina e Buba Weckerle comemoraram os dezoito anos da Paradoxus com um coquetel que reuniu amigos e clientes. Entre os inúmeros convidados estavam Julieta Isensée, Maria Luiza e Marcos Pinheiro, Heliana Cavalcanti, Ozana Barreto e Juca Lisboa.
l Natalie e Alberto Pinheiro irão realizar na próxima terça-feira uma degustação para convidados com o presença do proprietário da vinícola Batasiolo que irá apresentar sua seleção de vinhos top.
l O grande número de políticos e autoridades presentes na comemoração dos 45 anos da TV Itapoan reafirma as boas relações existentes entre os órgãos de comunicação e os poderes públicos em nosso Estado. Sinal claro de civilidade e respeito. O governador Paulo Souto, o Prefeito João Henrique e o ex-prefeito, Antônio Imbassahy estiveram presentes á comemoração.
l Parabéns para Rosana Imbassaí que comemora seu aniversário com amigos e familiares.
l Jacques Beauvoir e Paulo Sousa são os responsáveis pelo site Bahia Vitrine, voltado para mostrar o que ocorre na sociedade baiana. Acesse www.bahiavitrine.com.br
l Sebastião Torres, chef do Restaurante Les Saveurs D’Itapuã, do Hotel Sofitel Salvador, assina agora o maravilhoso cardápio do “Festival de Lagostas”. O hotel também sedia uma exposição coletiva que expõe obras de vários artistas selecionados pelo marchand Denisson de Oliveira.
l Cid Teixeira lançou o livro “História da Energia Elétrica na Bahia”, iniciativa que contou com apoio da Termoelétrica Potiguar, empresa que vem desenvolvendo vários projetos de cunho social.
l Segunda-feira Roberto Alban promove um grande leilão de obras de arte no Hotel Othon.
l O restaurante País Tropical, no Rio Vermelho, incrementou seu cardápio e sua carta de vinhos. Para pôr à prova as alterações, convidou gourmets e apreciadores da boa comida para que opinassem. A aceitação foi unânime.
l A vinícola Aurora lançou mais uma linha de vinhos especiais, Trata-se do “Pequenas Partilhas”, produzido nas versões Tannat, Carmenére, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.
l Inaceitável o ocorrido no último domingo em um restaurante japonês na Avenida Contorno. Uma senhora que pediu uma jarra de água de coco, entrou em desespero ao sentir que estava bebendo álcool...
E com açúcar! Pior foi o descaso com que foi tratada ao se queixar.
CANADÁ
Artigo de 18/11/2005
Este país, com uma produção quase insignificante, desconhecido da maioria dos apreciadores de vinho, decerto irá surpreender nas próximas décadas, em especial no que tange aos vinhos de sobremesa.
O Canadá estende-se do oceano Atlântico, a leste, ao Pacífico a oeste, em mais de 7821 km. Com uma infinidade de vales, montanhas, lagos, rios, e solos muito férteis o país apresenta uma variedade muito grande de terroirs.
A história vitivinícola do Canadá começou em 1811 quando Johan Schiller utilizou uvas nativas para produção de vinho em escala, mas foi a igreja sua principal incentivadora, já que era esta que cultivava a maioria dos vinhedos para produção de vinhos para missa, a exemplo do que ocorria na costa oeste americana. O governo canadense que controlava a produção, importação, distribuição e até mesmo a venda de vinhos no país foi durante muito maior entrave para o desenvolvimento da vitivinicultura nacional. A mudança de algumas leis fez o setor se desenvolver e transformou o Canadá em uma das promessas entre os países do novo mundo. Hoje o país possui cerca de 300 vinícolas licenciadas, muitas outras em fase de legalização, e o consumo de vinho tem aumentado muito. Devido ao pouco tempo de experimento com espécies européias, o pais, ainda não possui um perfil estabelecido de quais são as uvas que melhor se adaptam ao seu clima e por isto possui várias castas sendo plantadas nas diversas regiões, algumas obviamente com resultados melhores que outras. De uma forma geral , por ser um país de clima frio, as castas que melhor se adaptaram foram a Chardonnay, Pinot Noir e a Riesling. Os vinhos do Canadá tendem a ser ácidos e aromáticos, algo parecido com os vinhos alemães, proporcionando nos melhores exemplares de brancos um bom potencial de envelhecimento em garrafa, sendo recomendados para guarda.
As principais regiões produtoras do país, são :
s Newfoundland
s Prince Edward Island
s Nova Scotia
s New Brunswick
s Quebec, que abrange Eastern Townships, Montérégie e Montreal.
s Ontário, que é considerada a melhor região produtora do país. Engloba Prince Edward County, Niagara, Lake Erie, Pelee Island e Toronto.
s Manitoba
s Saskatchewan
s Alberta
s British Columbia, outra região de muito reconhecimento, abrange Islands, Okanagan Valley, Naramata, Similkameen Valley, Off the Beaten Path .
O mais importante vinho canadense é o Icewine. O vinho, produzido à semelhança do alemão Eiswein, feito com uvas congeladas, colhidas durante o inverno. Ao serem prensadas, o gelo formado pela água presente nas uvas é separado do sumo concentrado que não congela e produz um vinho doce, de alta qualidade. Em 1989 a produção canadense adquiriu reconhecimento internacional quando o Icewine de Inniskillin ganhou o Grand Prix d’Honneur na Vinexpo de Bordeaux na França , inserindo o país no seleto grupo dos produtores de vinhos de qualidade mundial. Os vinhos de colheita tardia, alguns deles Botritizados são também especialidades do país.
Apesar de ser difícil de encontrar em nossa cidade o vinho canadense é uma boa opção de compra. Além dos vinhos de sobremesas e dos espumantes, os brancos da uva Chardonnay e os
tintos da Pinot Noir merecem atenção
CONFRARIA
l A TV Itapoan, repetidora Record na Bahia, comemora 45 anos de existência na quarta-feira próxima em coquetel no Trapiche Eventos.
l Nesta última quarta-feira o Yacht Clube da Bahia inaugurou seu novo restaurante com um belíssimo coquetel. No dia seguinte o público pôde conferir a nova ambientação assinada pelo arquiteto David Bastos. A co-gestora do restaurante, Tereza Paim, contará na cozinha com o chef belga Laurent Resette. A dupla promete!
l A Companhia do Vinho realizou ontem um coquetel para marcar o início das atividades em caráter pleno de sua nova loja no Shopping Cidade. Até então a unidade funcionava em sistema de soft-open.
l A psicanalista e escritora baiana Ligia Valladares lançou esta semana no MAM, o livro Sóis e luas, o novelo da vida. A noite de autógrafos ao som de boa música, foi bastante prestigiada.
l Hoje à noite o DJ nova-iorquino Corey Mayes, o Spin Easy, parceiro de um dos mais conhecidos rappers do mundo, o Snoop Dogg, é quem vai pilotar a Speed Party, festa oficial do Renault Speed Show by TIM, no Clube Lotus. A festa, para convidados, vai até a meia noite. A partir daí, a casa estará aberta ao público. A Speed Party está sendo promovida pelos ex -pilotos Pedro Paulo Diniz e André Ribeiro, junto com os sócios da Lotus Salvador, Christiano e Marcelo Rangel, Felipe Carvalho e Gustavo Baiardi.
l Os vinhos da enoteca Fasano estão em promoção com desconto de 30% na Domaine Salvador. Também estão em promoção na casa algumas garrafas Magnum, Jeroboam e Matusalém, de 1.5, 3 e 6 litros respectivamente.
l Dia 21, será realizado o Jantar Enogastronômico Boi Preto-Miolo, com vinhos escolhidos pelo enólogo Romenilson Rehem da Mercato di Vino. Reservas pelo tel. 33711429.
Estados Unidos da América
Artigo de 11/11/2005
Além de um dos grandes países consumidores do mundo, os Estados Unidos têm uma produção digna de nota, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo. Possui também muita importância no cenário mundial por ser um dos países que ditam as regras do jogo no mercado mundial de vinho. Ali residem os maiores formadores de opinião deste meio, estão sediadas as melhores e maiores publicações sobre vinho e é onde, muitas vezes, os preços mundiais são estabelecidos.
A história do vinho de qualidade nos EUA se inicia no século XVII e está intimamente relacionada com a paixão e insistência de Thomas Jefferson, precursor da viticultura com uvas européias no país. Tendo verificado que as uvas nativas que hoje chamamos de uvas americanas proliferavam rapidamente, mas produziam um vinho de péssima qualidade, não entendia o porquê das espécies européias que importava não alcançarem o mesmo grau de amadurecimento. Hoje sabemos que tal efeito ocorria pela vulnerabilidade das plantas européias ao ataque da Filoxera, pulgão nativo dos EUA. O problema só foi eliminado com a utilização de uvas híbridas franco-americanas, menos sensíveis à Filoxera, e, mais tarde, com a utilização de plantas européias enxertadas nas raízes americanas.
Durante a colonização da costa oeste do país foram criadas pelos Franciscanos assentamentos, conhecidos como “Missões”, que dispunham, além de uma capela destinada a um santo católico, um vinhedo para produção de vinho para as missas. Estes assentamentos foram a base para o surgimento das cidades e constituíram outro fato relevante para a formação da indústria vinícola na região.
Hoje, uvas como a Zinfandel e a Chardonnay, na Califórnia, e a Pinot Noir, no Oregon, são utilizadas para produzir vinhos de altíssimo nível, reconhecidos em todo o mundo, fazendo com que os Estados Unidos sejam uma boa opção para os que desejam procurar sabores e aromas diversos dos encontrados nos vinhos europeus.
A legislação vinícola dos EUA prevê a existência da AVA, Área Viticultora Americana, que determina áreas geográficas específicas em cada estado para a plantação de uvas. As leis deste país são muito diversas e muito menos exigentes que as leis européias, permitindo que cada produtor plante o que deseja e produza como quiser os seus vinhos, o que pode ser considerado benéfico por alguns ou extremamente prejudicial por outros. A legislação prevê que:
s Vinho de AVA seja a denominação utilizada quando 85% das uvas deste vinho são cultivadas numa mesma região.
s Vinho rotulado por condado, quando 75% das uvas vem do condado.
s Vinho rotulado por estado, quando pelo menos 75% das uvas devem ter sido cultivadas no estado. Existem estados que exigem porcentagem maior.
Admite ainda:
s Vinho Varietal. Quando o nome da uva é citado. Pelo menos 75% do vinho deve ser produzido com esta casta. Existem estados que exigem porcentagem maior.
s Vinho com safra declarada. Quando 95% do vinho é produzido com uvas daquela safra.
O extensão continental do país favorece uma grande diversidade de climas e assim terroirs extremamente distintos. Basta comparar o clima frio do Oregon com o clima quente da Califórnia para verificar quão importantes podem ser estas diferenças. Uma simples viagem no Estado da Califórnia percorrendo a Costa Dourada, entre São Francisco e a quente San Diego, revela o grau de diversidade do clima, até mesmo dentro do próprio estado produtor. Desta forma, é necessário estar atento para a região de origem do vinho. As principais regiões do país são:
s Na Califórnia:
s Napa Valley, Sonoma, Mendocino, Carneros, Livermore Valley, Contrafortes de Sierra, (engloba os condados de El Dorado e Amador), Costa Centro Norte (abrange o Vale de Santa Clara, Santa Cruz, Monterey, Harlam, Carmel e Chalone), Costa Central e Centro Sul (abrange Paso Robles, York, Edna, Arroyo Grande, Santa Maria e Santa Ynez);
s No Oregon:
s Colúmbia, Walla Walla, Willamette, Umpqua, Rogue;
s Em Washington:
s Walla Walla, Red Mountain, Yakima, Colúmbia, Puget.
Vários outros estados produzem vinhos, entre eles Ohio, Oklahoma, Virgínia, Arizona, Texas, Missouri, Pensilvânia, Nova York.
Os vinhos americanos apresentam um amplo espectro de qualidade. Existem bebidas simples e baratas, assim como verdadeiros “Blockbusters” caros e potentes. O melhor é percorrer as prateleiras em busca de bebidas desconhecidas e aumentar o
leque de opções de cada um.
CONFRARIA
l Foram tantas as reservas para festas que, no mês de novembro, o Clube Lótus estará aberto ao público apenas às quintas e sábados.
l O Yacht Clube da Bahia realiza amanhã, sábado e domingo, Campeonato Norte-Nordeste da Classe Snipe 2005, importante evento regional que contará com a participação de cerca de 17 embarcações da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, envolvendo 34 velejadores.
l Lícia Fábio está preparando para seu site um Clube do Vinho, com dicas e sorteios de vinhos, matérias educativas e tudo mais que um enófilo de carteirinha precisa.
l O Grupo Villa Galé realizou um coquetel em sua unidade de Salvador para divulgar seus projetos para 2006. Além de novos hotéis no Brasil, comemora o lançamento em nossa terra de sua linha de vinhos que é produzido em um dos hotéis da rede em Portugal.
l Hoje a Adega Kylix promove sua “Confraria Didática”, com degustação de alguns Chianti. Informações pelo Tel. 33794708
l Eduardo Trevisan, Diretor Comercial e sócio da Los Alves, importadores dos vinhos Argentinos, esteve em Salvador para contratar Ana Paula Franca que, como gerente local da empresa, introduzirá os vinhos da casa na Bahia.
l Pesar pela súbita morte do Somellier Julio Dias, profissional responsável e pessoa de alto nível.
Espanha
Artigo de 04/11/2005
Um dos países que se encontram em um franco processo de melhoria de sua produção é a Espanha. Tido como um país de vinhos medíocres e comerciais, com apenas poucos produtos de excelência, como o Vega Sicília, visão esta que por muito tempo foi pertinente, a Espanha investiu em tecnologia de produção e no aprimoramento de seus vinhedos e começa agora a colher alguns frutos do bom trabalho realizado e angariar o reconhecimento internacional , credenciando-se a ser no futuro um país com alto nível de produção.
A Espanha possui uma extensa área produtora de vinho, na maioria das vezes em terrenos montanhosos e está submetida a um regime climático seco e quente. A Espanha possui a maior área plantada com parreiras do mundo mas é apenas a terceira maior produtora de vinhos o que ocorre devido à baixa produtividade de suas plantas, muito velhas e plantadas em solo seco e ao plantio de uvas não próprias para produção de vinho. Apesar de toda esta extensão e grande produção, apenas a região de Rioja tinha algum reconhecimento internacional, ficando as outras regiões em obscuridade, algo que vem mudando.
As principais regiões da Espanha são:
s Rioja, mais ao norte, é a mais importante região do país, onde se planta principalmente a Tempranillo. Divide-se em três distritos que são chamados de Rioja Alavesa, Rioja Alta e Rioja baja.
s Penedés, região ao sul, próxima a Barcelona, berço do Cava , o famoso espumante espanhol feito pelo método de Champenoise.
s Ribera del Duero, região mais ao centro do país, próximo a capital, berço do Veja Sicília, considerado o melhor vinho do país e um dos melhores do mundo.
s Jerez, onde é produzido o conhecido vinho fortificado de mesmo nome.
Outras regiões de menor importância são Rueda, Rías Baixas, e Priorato.
A legislação vinícola, como a de vários outros países produtores é também baseado na AOC francesa e admite as seguintes denominações de origem:
s D.O.C.- Denomina-ciónes de Origem Califificada, sendo Rioja a única região autorizada a utilizar esta denominação.
s D.O.- Denomina-ciónes de Origem, nível inferior ao D.O.C. , utilizada por 54 regiões produtoras do país.
s Vino de La Tierra- Para os vinhos que não atendem os requisitos básicos para as classes superiores acima descritas.
Ao procurar um vinho espanhol é bom ter cuidado com alguns termos utilizados em seus rótulos e que determinam seu grau de envelhecimento. Assim sendo é importante saber que :
s Crianza – É utilizado para vinhos brancos e rosés que foram envelhecidos por ao menos um ano antes de liberado para consumo e para vinhos tintos que envelheceram pelo menos dois anos.
s Reserva– É utilizado para vinhos produzidos apenas em boas safras e implica para os brancos e rosés um envelhecimento mínimo de dois anos, sendo seis meses em barris de carvalho e para os tintos um envelhecimento de três anos.
s Gran Reserva– É utilizado para vinhos produzidos apenas em safras excepcionais e implica para os brancos e rosés um envelhecimento mínimo de quatro anos, sendo seis meses em barris de carvalho e para os tintos um envelhecimento de cinco anos.
Apesar de subestimado por alguns e superestimados por outros o vinho espanhol é um produto que ganhará espaço no mercado mundial nos próximos anos. Apesar de ainda encontrarmos vinhos muito rudes, amadeirados em excesso e desequilibrados, o número de bons vinhos tem crescido muito. Caso tenha tido o desprazer de se deparar com um vinho mal elaborado deste país, não se dê por vencido e continue a procurar pois a recompensa dos
bons vinhos espanhóis vale o esforço.
CONFRARIA
l O arquiteto Rogério Menezes realizou coquetel no último sábado para comemorar o sucesso da mostra de decoração promovida pelo grupo Fator no Loteamento Aquários.
l A inauguração do Hotel do Carmo muito bem organizada e presenciada por expoentes políticos do Brasil e de Portugal, além de pessoas da sociedade local concorre ao título de melhor festa do ano. Estiveram presentes entre outros os ministros Gilberto Gil e Luiz Furlan, senadores Antônio Carlos Magalhães e Rodolfo Tourinho, o governador Paulo Souto, o prefeito João Henrique, Solange e Edivaldo Boaventura, Nice e Paulo Sampaio,Vera Luedy, Juca e Elisinho Lisboa, Olga e Alfeu Luedy, Kátia e Eduardo Lisboa, Solange e Sérgio Carneiro, Fred e Margarida Luz, Eliana e Raí Cavalcanti .
l Foi um sucesso a inauguração da Expand da Vila da Barra na última sexta feira. A beleza da loja chamou a atenção dos convidados. Estavam lá Patrícia Nobre e Giácomo Mancini, Dina Rachid, Rita Moraes, Edivânia e Marcelo Lira, Mônica e Frank.
A escritora baiana Ligia Valladares, que participou em São Paulo do Corredor Literário, lança este mês em Salvador seu livro Sóis e Luas, o novelo da vida.
l Depois da concorrida e agitada inauguração realizada ontem para convidados, o Clube Lótus abre hoje ao público prometendo ser a boate mais movimentada da noite baiana.
l Está prevista para este mês a reabertura do restaurante do Iate Clube da Bahia, que além da vista privilegiada vai apresentar um cardápio mais que especial e carta de vinhos à altura dos melhores restaurantes da cidade.
l Camila Farias, com os auspícios de Romenílson Rehem, seu pai, deixa a Mercato di Vino, negócio da família, para se dedicar a consultoria para a loja de bebidas Tio Sam. Mudança de cenário
para uma evolução profissional.
Itália
Artigo de 28/10/2005
A Itália é berço de uma diversificada produção de vinhos, com espectro que vai da bebida simples e comercial do dia-a-dia aos maravilhosos exemplares feitos sob medida para os paladares mais exigentes. Em todo o país, as vinhas crescem como mato fossem, o que explica o antigo nome desta região: Enótria. A presença maciça de vinhas, submetidas à diversidade de climas do país, intensamente frio ao norte e intensamente quente ao sul, com várias nuances ao centro, explicam porque a produção italiana é tão distinta.
Apesar destas vantagens, a produção italiana foi subestimada por muito tempo, seja pela demora em adotar leis de produção e desenvolver um sistema de classificação, o que só ocorreu a partir de 1963, ou pelo fato de suas uvas nativas não terem se adaptado em outros países, não conseguindo a popularização obtida pelas uvas francesas.
O sistema de classificação de vinhos ora vigente na Itália foi baseado no sistema AOC francês e está em conformidade com as leis da União Européia. Refere-se tanto às zonas produtoras quando ao vinho produzido na região e apresenta as seguintes classes, em ordem decrescente de qualidade:
· D.O.C. G, Denominazione di Origine Controllata e Garantita, utilizada para os vinhos de qualidade excepcional. Compreende 21 zonas produtoras e os vinhos ali produzidos.
· D.O.C , Denominazione di Origine Controllata, rotula os vinhos de boa qualidade produzidos nas mais de trezentas áreas autorizadas.
· I.G.T. Indicazione Geográfica Típica, própria para os vinhos produzidos nas 120 áreas assim denominadas. A produção dos vinhos IGT seguem regras menos rígidas que as denominações anteriores.
· Vino da Távola - Vinho de mesa sem indicação geográfica.
A produção italiana baseia-se nas uvas próprias do país, de nomes pouco conhecidos, como Nebbiolo, Bonarda, Barbera, Cortese, Arneis Corvina, Molinara, Rondinella e Sangiovese que habitam as mais de 20 regiões produtoras que o país detém. As áreas mais importantes são:
s Piemonte, onde se produz alguns dos melhores vinhos da Itália como o Barolo e o Barbaresco, além do Gattinara, Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Gavi, Roero Arneis, Asti, Ghemme.
s Lombardia, onde se produz o melhor espumante da Itália, o Franciacorta e também do Valtelina e Oltrepó Pavese.
s Toscana, que origina o Chianti, Brunello di Montalcino, Vino Nobile de Montepulciano, Carmignano, Vernaccia di San Gimgnano, uma das mais belas regiões da Itália.
s Emília-Romagna, berço do Albana di Romagna e do Lambrusco, vinho que meu amigo Túlio Tossardi considera o melhor da Itália, certamente não levando em conta o fato de ter nascido na região.
s Tre Venzie, formado pelas regiões de Friuli-Venezia-Giulia, Trentino-Alto Adige e Vêneto, produz vinhos conhecidos dos brasileiros como o Bardolino, o Valpolicella e o Amarone della Valpolicella, e outros tantos pouco conhecidos como o Bianco di Custoza e o Lugana.
Outras regiões dignas de nota são a Ligúria, Úmbria, Abruzzi, Apulia, Campânia, Basilicata, Calábria, Sicília e Sardenha.
Na Itália se produz excelentes para as mais variadas destinações mas, em minha concepção, vinho italiano é sinônimo principalmente de vinho de refeição.
As bebidas produzidas naquele país são feitas para a mesa e para o extremo prazer gustativo. Não há nada mais fácil que harmonizar um vinho italiano com boa comida e desfrutar de todas as sensações que esta conceituada
combinação pode oferecer.
CONFRARIA
l Lucas Do comemorou seu aniversário esta semana entre os amigos, feliz pelo sucesso que as unidades do Takê em Maceió, Salvador e Porto Alegre, recém inaugurado, estão obtendo.
l A Expand Store abre hoje sua loja na Vila da Barra em grande estilo com um coquetel para 500 pessoas e a presença confirmada de Otávio Piva, fundador da empresa, o que assinala o prestígio do casal Natalie e Alberto Pinheiro que recentemente adquiriu a franquia para Salvador.
l Uma festa Black Tie promovida por Lícia Fábio marcará amanhã a inauguração do Convento do Carmo Hotel.
l A Adega Kylix realizou nesta última quarta-feira no Cantina Cortile uma degustação dos Vinhos da Vinícola Pizzato com a presença de Jane Pizzato.
l O Iate Clube da Bahia sediou uma etapa do 3º Circuito de Degustação de Vinhos e Espumantes do Brasil promovido pela Ibravin. Além de Salvador,São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife foram escolhidas como sedes.
l Nice e Paulo Sampaio foram os homenageados no jantar promovido por Rita Moraes em seu apartamento no Horto Florestal. Entre os presentes a atriz Maria Zilda, Eliana e Rai Cavalcanti, Giácomo Mancini e Patrícia Nobre, Malú Brígido e Janete Freitas.
l A badalada creperia Mariposa recentemente inaugurada no Barra marca a tendência do Shopping em atrair novos investimentos para reforçar seu espaço de gastronomia.
l A inauguração do Clube Lotus, marcada para a próxima semana, vai trazer a Salvador celebridades como Mariana Weickert, Daniela Sarahyba, Daniela Cicarelli, Adriane Galisteu e Pietra Ferrari que
já confirmaram presença.
Hélder Almeida
Artigo de 14/10/2005
Este importante empresário português que há alguns anos atrás resolveu investir na produção de vinhos criando a vinícola Monte Seis Reis, recém chegada ao mercado nacional, esteve em Salvador e concedeu entrevista ao Jornal Tribuna da Bahia.
TB - Quem é Helder de Almeida?
HA - Sou um empresário de 59 anos, presidente da Higifarma, um grupo econômico que abrange embalagens para laboratórios, cosmética e alimentos, com plantas em Portugal, Espanha e Norte da África. Em 2002 instalei a vinícola Monte Seis Reis em uma propriedade minha que já produzia uvas para venda a terceiros. A primeira vindima de nossa vinícola foi feita foi em 2003
TB - Por que um empresário do ramo de embalagens resolveu investir em vinhos?
HA - Creio que por uma volta às raízes, já que minha família sempre teve propriedades vinícolas e produzia seu próprio vinho. A paixão pelo vinho é algo muito forte e que deixa marcas para toda a vida.
TB - Em que a visão de um empresário oriundo de outro setor é diferente da visão de um empresário do setor de vinhos?
HA - Talvez tenhamos um foco mais direcionado para a internacionalização dos vinhos. Alguns produtores em Portugal fazem bons vinhos e não divulgam suas criações. Limitam-se a ficar sentados à porta esperando que seu comprador vá até eles. Nós preparamos bons vinhos, tornamos isto um fato público e saímos a vendê-los em todo o mundo.
TB - Como você vê a produção portuguesa atual?
HA - Está assumindo uma boa posição no mercado internacional após 10 anos de grandes investimentos na tentativa de aumentar a qualidade dos vinhos produzidos e buscar uma identidade própria para nosso produto.
TB - O americano Michel Porter, guru da economia mundial, realizou um estudo sobre a economia portuguesa. Como surgiu a idéia de contratá-lo e quais os efeitos de seu estudo?
HA - O governo português o contratou para fazer um diagnóstico de nossa economia e os caminhos a serem seguidos para aumentar nossa produtividade e lucratividade. O Relatório Porter, como passou a ser chamado, culminou na confirmação de idéias já existentes pelas quais Portugal deveria embasar o seu desenvolvimento econômico nos produtos tradicionais do país. Em relação ao vinho, o desenvolvimento da produção nacional foi recomendada. Um estudo posterior feito para complementar as idéias apontadas no primeiro relatório indicou a necessidade de se investir nas castas Autóctones, culminando em um incremento na plantação e vinificação das castas portuguesas. Foram indicados também os melhores mercados-alvo para nosso produtos, transformando países como Brasil, Eua, Inglaterra, Alemanha e Países baixos em objetivos fundamentais para o desenvolvimento de nossa economia e mercado de altíssimo interesse para nossos produtores.
TB - Este interesse no Brasil limita-se apenas aos do vinicultores?
HA - Não. O sonho de todo português é conhecer o Brasil e este país tem um incrível potencial em todas as áreas atraindo interesses de todas as partes. Porém, em relação à vitivinicultura é extraordinário o desenvolvimento que o mercado consumidor deste país irá apresentar. Caso o Brasil apresente o desenvolvimento econômico que projetamos para os próximos anos as dimensões deste mercado serão gigantescas.
TB - Como se insere a Bahia neste contexto?
HA - A região apresenta um grande desenvolvimento do mercado consumidor e um verdadeiro entusiasmo em relação à bebida. Existe ainda uma grande busca do público local por conhecimento e educação enológica o que nos permite antever um mercado seletivo e crítico, próprio para se vender vinhos de boa qualidade.
TB - Como está a produção da Monte Seis Reis e qual as novidades?
HA - A produção de 2005 foi de 500 mil garrafas e a aceitação de nossos vinhos internacionalmente é muito boa. Apesar do pouco tempo de nossa vinícola já fomos premiados com diversos títulos. Ao final deste ano estaremos lançando um novo vinho superpremium que será nosso Top de linha, que apesar de não ter um nome definido será classificado como um “Grande Reserva Monte Seis Reis”. Faremos uma bela festa em Salvador para lançar este vinho na região. É a forma para homenagearmos esta cidade que nos acolheu
tão bem e tão bem tem aceitado nossos vinhos.
CONFRARIA
l Dando continuidade ao seu circuito gastronômico, o restaurante Les Saveurs D’Itapuã, do Hotel Sofitel Salvador, que apresenta a melhor culinária da cidade, estará realizando entre os dias 20 e 22 de outubro o 5° Festival Francês. Os pratos serão assinados pelos Chefs Sebastião Torres, Marc Le Cornec e Dominique Guérin este último Chef Pâtissier. Delícias ao som de boa música ao vivo. Uma excelente opção. Informações pelo telefone 2106-8505.
l A França terá carros movidos a vinho. Devido a grande produção apresentada em 2005, o que gera um aumento de oferta e pode culminar com uma queda acentuada dos preços, o governo francês autorizou a transformação de parte dos vinhos daquele país em etanol para mover veículos. A lei vale também para os vinhos de Origem Controlada. Algo surreal.
l A Domaine Salvador que realizou na semana passada uma degustação dos vinhos Arsenal, La Tosca e Del Sur Hoppe, que passa a representar, está realizando uma promoção com descontos de até 40% em alguns de seus vinhos brancos.
l O sucesso da tarde de queijos e vinhos da Citröen está sendo tamanha que a concessionária está virando ponto de encontro. Para mimar ainda mais seus clientes estão oferecendo alguns carros 2006, como o Picasso, com preços de 2005.
l O empresário Luis Passos estará a partir do ano de 2006 investindo também em carnaval e irá montar um camarote no Circuito Barra-Ondina que certamente será bastante
disputado.
Panorama Estatístico Nacional
Artigo de 30/09/2005
Utilizando os dados da F.A.O., Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, e da O.I.V., Organização Internacional da Vinha e do Vinho, ano base 2002, podemos desenhar o perfil do mercado brasileiro de vinho. Nosso país é responsável por 0,82% da área mundial plantada com vinhas sejam elas de Vitis Vinífera ou não. Enquanto países como o Brasil permitem a plantação de diversas variedades, sejam elas espécies européias, próprias para a produção de vinhos, ou americanas e híbridas, utilizadas para fazer “vinhos de garrafão”, geléias e sucos, outros como a França, apenas permitem a plantação da Vitis Vinífera. Produzimos 1,23% dos vinhos do mundo, percentual 8% maior que o de 2001, o que nos coloca na décima quinta posição entre os países produtores. Apresentamos um consumo per capita/ano de 1,8 litro, muito inferior a países como França que apresenta consumo de 56 litros, mas que representa a manutenção de um ritmo de crescimento anual de 5% e que nos permite projetar o consumo para 2005 em algo próximo a 2,08 litros. Tomando como base as estatísticas de 2004, ainda não confirmadas, o Brasil responde por menos de 1,5% da produção mundial, apresenta consumo absoluto em torno de 0,06 Mhl e consumo per capita próximo aos 2 litros/ano. As exportações nacionais de vinhos, cujo total mundial chega a 77,4 milhões de hectolitros, são insignificantes. As importações de 0,04 Mhl significam 0,05% do mercado mundial. Computando vinhos de todas as categorias, o volume exportado chega a 0,075 Mhl e o importado a 0,284 Mhl.
Como o Brasil não dispõe de estatísticas internas sobre a produção e comercialização nacional de vinhos é comum a utilização das estatísticas do Estado do Rio Grande do Sul, que detém 95% da produção nacional, como parâmetro. Através destes dados podemos afirmar que em 2004 a produção aumentou em 53,23%, porém apenas 9,1% dos vinhos produzidos derivaram de uvas européias, sendo denominados pela legislação nacional como Vinhos Finos de Mesa. Os outros 90,9% foram “vinhos de garrafão” aos quais não ousamos chamar de vinho e que no Brasil recebem o nome de Vinhos de Mesa. Apesar deste quadro, de um total de 57.934 mil litros de vinho consumidos, 37,74% foram de origem nacional e 62,26% importados. Houve queda do consumo dos vinhos finos nacionais e aumento do consumo de vinhos importados, resultando em crescimento total de consumo em 4,8% . O consumo per capita/ano chegou a 1,8 litro, inferior aos 2 litros projetados nas estatísticas internacionais. As importações cresceram 34,59% e somaram 36.080 mil litros de vinho, sendo Chile, Argentina e Portugal, que recentemente ultrapassou a França e a Itália, os países que mais exportam para o Brasil.
O fato é que, por seu baixo consumo e alta capacidade de expansão de mercado, o Brasil é extremamente atraente aos produtores internacionais. Um recente estudo indicou o Brasil entre os cinco mais importantes mercados consumidores de vinho no mundo, ao lado de potências como Inglaterra, Países Baixos, Alemanha e EUA.
Analisando os diversos dados podemos afirmar que o consumo brasileiro per capita/ano está em torno de 2 litros e que nossa população está consumindo mais vinho e de melhor qualidade. O Datafolha revelou em recente pesquisa que 37% dos brasileiros consomem vinho e que 44% dos jovens entre 16 e 24 anos degustam a bebida. A produção nacional de vinhos que possui um nicho de mercado a ser ocupado na faixa dos vinhos simples e medianos não produz o suficiente para suprir a demanda e seus altos preços tornam o vinho importado ainda mais atraente. Como a área nacional plantada com uvas viníferas é ainda muito pequena, iremos nos próximos anos evoluir ainda mais o vinho nacional, até onde as condições do terroir brasileiro permitirem. Alguns produtores sérios têm investido milhões de reais no aprimoramento da produção visando compensar com tecnologia as dificuldades do nosso terroir ao mesmo tempo em que buscam formas de baratear a produção.
O fato é que, menos por preconceito e mais por deficiências da produção nacional, o consumidor brasileiro se volta para os produtos importados e que nosso atraente mercado consumidor está cada vez
mais aberto para os bons vinhos de todo o mundo.
CONFRARIA
l SSA Groove é o nome da festa que promete reunir a vanguarda da música eletrônica no país. Entre os convidados, Fernanda Porto, Marcelinho da Lua e Felipe Venâncio. Dia 11 de outubro no Fiesta Convention Center.
l Pessoa das mais apaixonantes, sempre antenada com as novidades sem nunca perder a simplicidade este é o perfil da colunista Malú Brigido, uma gourmet que está se transformando também em enófila.
l A Sociedade Brasileira de Endocrinologia, através de sua representante local, Diana Viegas, tem promovido vários eventos de utilidade pública em nossa cidade. No último sábado, o Jardim de Alah foi palco do projeto Endocrinologista em Ação, que levou informação e saúde aos freqüentadores de nossa orla.
l O TCA foi o palco escolhido para abrigar o show de Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Margareth Menezes, que marcou ontem o encerramento das comemorações pelos 20 anos da TV Bahia.
l O selo de responsabilidade social “Axé Pra Você” foi lançado esta última terça-feira na Fashion Club com a presença de grandes nomes da música baiana. A iniciativa da Associação dos Produtores de Música do Estado da Bahia, presidida por Jesus Sangalo tem o objetivo de unir associações e empresas para promover melhorias sociais.
l O Clube Lotus Salvador será inaugurado no dia 20 com uma festa exclusiva para convidados. A Boate, instalada no Ed. Oceania, funcionará nos moldes do Clube Lótus de São Paulo e Nova York. O empreendimento é uma parceria entre
Ed Sampaio e os irmãos Christiano e Marcelo Rangel.
Panorama Estatístico Internacional
Artigo de 30/09/2005
Muito se fala das estatísticas da produção mundial de vinhos, mas, quase sempre, os dados apresentados são discordantes. As discrepâncias se devem, na maioria dos casos, à falta de uniformidade dos critérios utilizados para aferir tais dados, contudo, outras vezes, são fruto apenas do desejo de manipulação de alguns. Os dados mais fidedignos talvez sejam os provenientes da F.A.O. (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) que são harmonizados com os dados da O.I.V.(Organização Internacional da Vinha e do Vinho), a cada dois anos. Utilizando as informações obtidas através destes órgãos, com ano base 2002, último ano disponível, podemos traçar um perfil do mercado mundial de vinho.
A superfície plantada de uvas, sejam elas voltadas ou não para a produção de vinhos, diminuiu nas últimas duas décadas, chegando em 1997 ao nível mais baixo desde 1950. Em 2002 houve uma estabilização dos índices e a área plantada somou 7,88 milhões de hectares, sendo a Espanha responsável por 15,26% deste valor, a França por 11,54%, Itália por 11,7% e o Brasil por 0,82%. Analisando apenas a superfície plantada destinada à produção de vinho, a França ocupa o primeiro lugar, seguido da Itália e Espanha. Foram produzidos 260,89 milhões de hectolitros, 2% a menos que em 2001, sendo a França o maior produtor de vinho do mundo, com 19,16% da produção, redução de 6% em relação a 2001, seguido da Itália, Espanha, EUA, Argentina, China, Austrália, Alemanha, Portugal, África do Sul, Chile, Hungria, Romênia, Grécia, Rússia e Brasil com 1,23% da produção.
O consumo mundial de vinho atingiu 227,83 milhões de hectolitros sendo a Europa responsável por 68,7% do consumo, diminuição de 5,1% em relação ao final dos anos 80. Em contrapartida, o consumo cresceu 12% na ex União Soviética e na América 3% em relação a 2001. O país de maior consumo per capita/ano foi Luxemburgo com 63,4 litros, seguido da França com 56, Itália com 48, Portugal com 46, Suíça com 43 e Espanha com 31,6. O Brasil teve consumo medido de 1,8 litro por pessoa/ano. Enquanto na maioria dos países ocorreu decréscimo de consumo, países como Nova Zelândia, China, EUA, Canadá, Austrália e Inglaterra e Brasil apresentaram aumento de consumo.
As estatísticas para 2004, ainda não confirmadas, revelam que a produção mundial de vinho chegou a 294,6 milhões de hectolitros, sendo a Europa responsável por 70,6% da produção. Os maiores países produtores foram França com 56,6 Mhl, Itália com 51,5, Espanha com 42,14, EUA 19,51, Argentina 15,46, Austrália 13,81 e China 11,31. O consumo está na casa dos 236 milhões de hectolitros, em crescimento depois de anos em declínio. A Europa consome 68,4% do vinho mundial, a América 20,2% e a Ásia 6,7%. Os países de maior consumo absoluto são a França com 33,5 Mhl, Itália com 28,3, EUA com 24,7, Alemanha com 20,3, Espanha com 13,9, China com 11,7, Inglaterra com 11,7. Os países com maior consumo per capita/ano são Luxemburgo com 55,8 litros, França com 55,4, Portugal com 52,6, Itália com 51,1, Croácia com 44,7, Eslovênia com 44,4, Suíça com 41,4,.
As exportações de vinhos chegam a 77,4 Milhões de hectolitros sendo que a França é o maior país exportador com 14,21 Mhl, seguido da Itália com 14,19, Espanha com 13,51, Austrália com 6,45, Chile com 4,67, EUA com 3,87 e Portugal com 3,12.
As importações somam 72,1 milhões de hectolitros, sendo a Alemanha com 12,49 Mhl, Inglaterra com 11, 94, EUA com 6,24, França com 5,51, Rússia com 4,5, Holanda com 3,49 e a Bélgica com 27,55 os maiores importadores mundiais.
A tendência no mercado mundial de vinhos é o crescimento. Enquanto muitos países europeus chegaram ao seu máximo patamar de consumo, novos e maiores mercados são abertos em outros continentes. Se, por um lado, existem movimentos para a diminuição do consumo do álcool, por outro, há a comprovação médica dos benefícios do vinho à saúde, alavancando o consumo. Enquanto os vinhedos europeus, por conta das políticas agrárias na União Européia diminuem de tamanho, outros, em continentes como América e Ásia, contribuem expressivamente com aumento da área plantada. O consumidor, por sua vez, busca cada vez mais a boa relação custo x benefício e demanda maior qualidade. Neste sentido, países como Austrália, Chile, Argentina ,África do Sul, e mais recentemente Portugal, têm se
destacado no cenário internacional e ganham cada vez mais espaço.
CONFRARIA
l Renato Simões Filho recebe hoje na Câmara Municipal o merecido Título de Cidadão da Cidade do Salvador, projeto do vereador Giovanni. Esposo dedicado, pai presente, enófillo dedicadamente presente a todas as boas degustações da cidade, Renato muito honra nossa terra.
l Um trio de alto nível e bom astral vem marcando presença em todas as boas festas da cidade: Dina Rachid, Luzia Santana e a pontualíssima Rita Moraes.
l Elisabeth Silveira recebeu convidados em sua casa em Interlagos, no último sábado, em animada festa pela passagem do aniversário do prefeito de Camaçari, Luis Caetano.
l Domingo passado foi dia de comemoração do aniversário de July que, como sempre, esteve cercada por muitos amigos.
l Foi lançado esta semana pelo Shopping Barra o programa Ativa Idade, voltado para as pessoas idosas que freqüentam o local. Uma ação louvável.
l Vinícius Cardoso, diretor da Citröen na Bahia, resolveu aliar suas duas paixões: vinhos e carros. Durante o mês de outubro os clientes da marca serão recebidos com uma seleção de queijos e vinhos, tintos e brancos, ao chegarem à concessionária.
Nada mais adequado para uma empresa francesa.
Monte Seis Reis
Artigo de 23/09/2005
A Monte Seis Reis é uma vinícola portuguesa cujos produtos recentemente chegaram ao Brasil e mais recentemente ainda a Salvador. Apesar do pequeno número de rótulos que produz, a qualidade dos vinhos por eles gerados chama a atenção. Trata-se de uma vinícola que podemos chamar de vinícola boutique, onde pequena produção e alta performance são características inerentes. A fórmula para o sucesso está fundamentada na tríade investimento, qualidade técnica e bom marketing, representada por três nomes: Hélder de Almeida, Luis Ramos de Carvalho e João Cardial. O primeiro, importante empresário, presidente do grupo português Higifarma, lançou-se por paixão ao mundo do vinho e com obstinação fez com que seu produto alcançasse reconhecimento nacional e internacional. Para tal tarefa aliou-se ao segundo, sobrinho de um dos maiores nomes da enologia portuguesa, Luis Carvalho, que com trabalho sério e méritos próprios, galgou a condição de um dos mais brilhantes enólogos da nova geração daquele país. Homem sorridente e culto, durante sua recente estada em nossa cidade, me confessou sua admiração por nossa terra e nosso povo, ao mesmo tempo em que se declarou surpreso com o grau de conhecimento técnico que possuíam alguns baianos que encontrou. Para completar este time de sucesso João Cardial é o nome responsável por tornar de conhecimento público toda esta dedicação e cuidado.
Os vinhos desta casa são intrigantes, mas devo confessar que a primeira coisa que me despertou curiosidade ao conhecer a vinícola foi seu nome. O nome “Monte Seis Reis”, descobri depois, se trata de uma homenagem a seis reis, na verdade cinco reis e uma rainha, que tiveram seus nomes ligados diretamente à região de Estremoz, berço da vinícola. Dom Afonso III, O Bolonhês, que fundou a região em 1258, D. Manuel I, O Venturoso, que lhe concedeu privilégios, D. Dinis, O Lavrador, que viveu na região, D. Isabel de Aragão, A Rainha Santa, que ali morreu em 1336, assim como nosso D. Pedro I, O Justiceiro, que pereceu em 1367. D. João I, O da Boa Memória, completa o sexteto por ter transferido para Estremoz diversas cortes reais. Assim é que esta empresa utilizou-se de alguns destes apelidos e produz hoje os vinhos Boa Memória Branco, Boa Memória Tinto, Bolonhês, Monte seis Reis Syrah e Monte Seis Reis Touriga Nacional.
Todos estes vinhos foram apresentados ao mercado local durante a Wine Bahia e foram objeto de avaliação publicada anteriormente aqui na Tribuna da Bahia. Na oportunidade, os considerei, como um todo, acima da média. O Boa Memória Tinto é produzido com as uvas Castelão, Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, 25% de cada, O Branco, 100% com a casta Antão Vaz, O Bolonhês com as cepas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Tinta Caiada em partes iguais, o Monte Seis Reis Syrah, 100% com esta uva e o Monte Seis Reis Touriga Nacional, o excelente “Top” da casa, 100% com a uva que lhe dá nome.
Além dos vinhos, cuja produção está em torno de 400 mil garrafas de vinho, a maioria tinto, geradas a partir de colheita quase que totalmente mecanizada, outro ponto alto da vinícola é a propriedade onde está instalada. Ocupando uma área de 37 hectares, destina-se também ao enoturismo, modalidade de viagem que tem crescido avassaladoramente. Para tanto conta com adega, sala de provas, loja, museu e galeria de arte. Apenas na adega foram recentemente investidos o correspondente a 10 milhões de reais.
Por tudo isto a Monte Seis Reis chama muita atenção e tem se revelado uma grata surpresa. A ascendente de qualidade que tem sido apresentada pelos vinhos portugueses nos último anos está bem representada pelos produtos desta empresa que apesar do pouco tempo em nosso país
já apresenta uma legião de admiradores.
CONFRARIA
l A Expand, sob a direção de Natalie e Alberto Pinheiro, está disponibilizando serviço de Delivery para seus clientes.
l O empresário Rogério Resende comemorou com amigos a passagem de seu aniversário em concorridíssima recepção. Silvia Gladys foi presença das mais animadas.
l O Hotel Sofitel Salvador realizou ontem um chá beneficente para senhoras da sociedade com intuito de angariar brinquedos a serem doados a menores carentes no Dia das Crianças. Um pequeno gesto que decerto trará muita felicidade.
l Alguns torcedores obstinados e influentes dos principais times baianos se unem para buscar soluções para a crise do nosso futebol. Talvez do limão surja uma limonada.
l Ivo Barbosa, proprietário da Bilbao, um reduto declarado do bom gosto, está organizando surpresas para os seus clientes, entre elas a reformulação de sua adega.
l O Edinho Engel, chef e restauranteur do Manacá, que em breve abrirá em Salvador o restaurante Amado, ex Galpão, é um dos palestrantes do “Boa Mesa”, evento gastronômico que acontecerá dia primeiro de outubro em São Paulo.
l A Vinde Vinhos está realizando uma promoção dos vinhos Rupestro Rosso e Orvieto Bianco, safra de 2004, concedendo 25% de desconto aos seus clientes.
Tel. 3484-4612.
Expand
Artigo de 16/09/2005
A Expand é a maior importadora nacional de vinhos e uma das pioneiras do país. Iniciou suas atividades em 1978, fundada pelo empresário Otávio Piva de Albuquerque, em uma época na qual o hábito de beber vinho era muito restrito. Aos poucos, foi conquistando os melhores e maiores produtores de vinho da Europa, Estados Unidos, América Latina e Austrália. Em 1989, a Expand tornou-se representante do grande Romanée Conti. Rótulos renomados e exclusivos como Renato Ratti, Biondi Santi, Antinori, Taylor’s Port são alguns dos nomes que se encontram nas adegas da empresa. Hoje, esta é reconhecidamente líder de importação de vinhos na América Latina. O seu portfólio conta com cerca de 2800 rótulos de 150 vinícolas de 13 países como África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Hungria, Itália, Nova Zelândia, Portugal e Uruguai. Existem 29 lojas Expand no Brasil, sendo 8 próprias e 21 franqueadas, distribuídas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Distrito Federal e Pernambuco.
A história da Expand se confunde com a de Otávio Piva de Albuquerque. Ele lembra que por ter um pedido de aumento negado na importadora na qual trabalhava, pedido este motivado pelo nascimento de sua primeira filha, optou por montar sua própria empresa. Acreditando no potencial de seus contatos no exterior, especificamente no Chile, conseguiu a representação de um importador de vinhos chilenos e abriu a Expand com dois funcionários, sendo uma secretária e um office-boy. De lá para cá uma infinidade de eventos interessantes ocorreram, como na década de 80, quando Piva convenceu o fabricante do vinho branco alemão Liebfraumilch a produzir garrafas na cor azul. “O consumidor chegava à loja e pedia o vinho da garrafa azul”, fala Piva ao lembrar que, na época, o país importava 2 milhões de caixas, das quais 1,2 milhão eram do “vinho da garrafa azul”. Nessa mesma época, com a abertura de mercado, a Expand obteve a representação exclusiva da vinícola chilena Concha Y Toro e, devidamente credenciado pelo trabalho realizado, passou a vender outros rótulos no Brasil. Esse, de acordo com Otávio, foi outro grande momento da empresa. Depois dos chilenos, vieram os vinhos franceses, italianos, espanhóis, portugueses, etc., até chegar neste império de 150 vinícolas e mais de mil rótulos de vinhos. Em 2002, a Expand começou a investir no vinho brasileiro, como um dos proprietários da Vinibrasil, fabricante dos vinhos Rio Sol e Adega do Vale, na propriedade localizada próximo à cidade de Petrolina, no Vale do São Francisco.
Um interessante diferencial apresentado por esta importadora é seu investimento em educação. O seu programa “Wine Education” promove cursos e eventos relacionados aos vinhos e à enogastronomia em suas diversas sedes no Brasil. No momento, a empresa também desenvolve o projeto “Vinho & Música”, no qual a idéia é usar a sensibilidade para fazer uma analogia entre os vinhos degustados e as músicas ouvidas.
A Vinexpand é uma outra grande iniciativa da Expand. Um evento muito interessante, pioneiro em mostras de produtores estrangeiros no Brasil, realizado desde 2001 que atrai milhares de pessoas interessadas em conhecer e degustar os vinhos de produtores de várias regiões e países, representados com exclusividade pela Expand. A Vinexpand vai além da tradicional apresentação dos vinhos através de seus produtores e conta com degustações conduzidas por experts, wine dinners, jantares harmonizando pratos e vinhos, um bar de aromas e lounge para a experiência dos sentidos, palestras com a participação de produtores e de colaboradores. No último ano foi realizada em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Há alguns anos atrás, a Expand realizou este evento em Salvador. Nele tive a oportunidade de conhecer o então diretor da empresa, Luiz Gastão, um culto paulista, grande conhecedor do mercado mundial de vinhos, a quem tenho em alta conta. Desta nossa amizade surgiu a oportunidade de visitar as unidades paulistas da empresa nas quais pude conferir a grandiosidade desta importadora. Um dos momentos mais interessantes foi visitar em uma destas unidades, após passear por inúmeros galpões repletos de vinhos, uma pequena área, guardada por seguranças armados, que era carinhosamente chamada de “Casulo”. Lá estavam as preciosidades da Expand, em quantidade única no Brasil. Garrafas e mais garrafas de Petrus, La Tache, Lafite, e todos os outros Grand Vins que se possa imaginar.
A Expand em Salvador, reaberta como franquia pelo casal de empresários cearenses Natalie e Alberto Pinheiro, ela filha de Rodolfo Moraes, detentor de duas franquias da Expand em Fortaleza e que deverá inaugurar duas outras no próximo ano, uma em Natal e outra em Recife, pretende investir no serviço diferenciado e na alta qualidade dos vinhos apresentados para continuar cativando o público local. Está inclusive previsto para o próximo mês a abertura de mais uma unidade da loja, agora na Vila da Barra.
Se hoje lamento o fato do meu velho amigo Luiz não mais fazer parte da empresa, devido às várias mudanças de estratégia comercial adotadas, fico feliz que a Expand Salvador conte com a colaboração de Cláudia Couto, pessoa de alto valor que conheço desde a infância (dela, não minha), amigo que sou de seus pais, e que tem ajudado a esta grande importadora a manter a posição de
destaque no mercado nacional de vinhos.
CONFRARIA
l Lícia Fábio foi a organizadora do coquetel que marcou a reabertura da loja Expand em Salvador, agora sob a direção de Natalie e Alberto Pinheiro. A badalação e o bom astral sempre vistos nos eventos da promoter atraíram várias personalidades como Fause Haten, Sérgio Carneiro, Márcia e Antonio Imbassahy, Ana e Bel Marques, Lia Ferreira, Carlos Rodeiro, Paula e Renato Simões, Patrícia e Giácomo Mancini, Maguinha e Heitor Reis, Gilka Maria, Janete Freitas, Rita Moraes e Dina Rachid.
l O recém findado Festival de Lagosta do Sofitel Salvador atraiu ao Restaurante Les Saveurs os amantes da fina culinária concebida pelo chef Sebastião Torres. Em outubro haverá um Festival Gastronômico Francês que certamente repetirá o sucesso dos eventos já realizados.
l Um movimentado coquetel reuniu empresários e pessoas da sociedade no restaurante Baby Beef para o lançamento da cachaça Itagibá, um projeto de Maurício Odebrecht que está fadado a alcançar muito sucesso. Um show de Vânia Abreu encerrou a noite em grande estilo.
l Dois extremos de qualidade em Costa do Sauípe. De um lado o restaurante Le France do Hotel Sofitel, exemplo de boa culinária e excelente serviço, de outro o restaurante Dadá, exemplo a não ser seguido, onde o péssimo serviço envergonha a nós baianos, deixando-nos sem justificativa diante das bem fundadas queixas dos turistas que acorrem ao local.
l A Domaine Salvador está realizando promoção de vinhos portugueses. Tel. 3263-0050.
l O Aurora Millésime Cabernet Sauvignon 99, elaborado pela vinícola Aurora em tiragem limitada com rótulos numerados e que só pode ser adquirido em algumas lojas selecionadas ou no site da vinícola já
está disponível no mercado.
Viasul
Artigo de 09/09/2005
A Viasul é uma nova empresa que surge da Joint-Venture entre a Miolo, a mais conceituada vinícola brasileira, e a Via Wines, a vinícola que apresenta maior índice de crescimento no Chile, tendo sido a terceira empresa daquele país em volume de produção e a sexta em faturamento. Os seus representantes, o brasileiro Adriano Miolo e o chileno Jorge Coderch apostam nesta união para revolucionar o mercado sul americano de vinhos.
Na fase inicial serão produzidos vinhos no Brasil e no Chile, subsequentemente também na Argentina e Uruguai. A linha básica terá como representante o “Costa Pacífico”, custando em torno de R$ 20,00, nas apresentações Cabernet Sauvignon, Carmenére, Sauvignon Blanc e Syrah, produzido apenas no Chile já que os vinhos brasileiros da Miolo já atendem plenamente a esta fatia do mercado. Na linha superior serão produzidos no Brasil e no Chile os vinhos “Oveja Negra”, de preço sugerido de R$ 35,00. No Vale Central, Chile, serão produzidas as versões Chardonnay/Viognier e Cabernet Sauvignon/Syrah, e em Petrolina, Brasil, serão produzidos o tinto Tempranillo/Touriga Nacional e dois espumantes, um Brut e um Demi-Sec. Na linha Premium teremos a produção no Chile dos vinhos “D.O.”, nas versões Sauvignon Blanc, produzido no Vale de Casablanca, e Cabernet Franc, do Vale do Maule, devendo custar aproximadamente R$ 70,00. O correspondente brasileiro se chamará “Sesmarias” e será produzido na região de Campanha, no Rio Grande do Sul, devendo custar R$ 80,00. Tive a oportunidade de degustar alguns vinhos da linha Oveja Negra e D.O. juntamente com Edward Flaherty, enólogo americano contratado para dar vida a esta revolucionária idéia. Por acharmos que as amostras estavam comprometidas pelas alterações de pressão atmosféricas sofridas na viagem aérea que os vinhos realizaram, optei por não divulgar as notas de degustação obtidas, mas posso garantir que as bebidas têm bom potencial, em especial o vinho “D.O.” Cabernet Franc, que chamou minha atenção.
A Viasul é uma proposta extremamente interessante, não porque possa aumentar imensamente a incipiente exportação nacional, como querem crer alguns, e sim porque irá desenvolver o mercado consumidor nacional. O mercado brasileiro é um dos mais almejados internacionalmente seja pelo baixo consumo per capita, que obviamente tende a subir, seja pelo grau de incremento de consumo que tem apresentado nos últimos anos. O que ainda limita muito o consumo interno são os altos preços dos vinhos nacionais de maior qualidade e a baixa qualidade de alguns vinhos importados de baixo preço. A produção em alta escala de vinhos de qualidade e preço baixo pode realmente vir a impactar o mercado brasileiro bem como o sul americano, e é esta a grande aposta da empresa. Segundo Jorge Coderch, conhecido por “Caballo Loco”, apelido que dá nome a um dos vinhos mais vendidos do Chile, o segredo desta produção boa e barata está na racionalização de todas as fases de produção, findando em um produto que possua o menor custo produtivo possível sem que haja comprometimento da qualidade. Complementando este modelo, surge a proposta de produção adequada ao mercado consumidor de cada país, na qual os vinhos a serem exportados para países que demandam mais quantidade e menor qualidade, viriam, por exemplo, de vinhedos com maior produtividade, enquanto que os países que demandassem maior qualidade teriam seus vinhos gerados em vinhedos de baixa produtividade, onde as uvas sempre geram vinhos melhores. Porém, talvez o maior trunfo desta nova empresa seja saber exatamente o nicho de mercado que deseja ocupar. A Viasul não pretende dominar todas as faixas de mercado, mas deseja ser hegemônica na faixa dos vinhos comerciais baratos e comerciais de preço mediano. Para Adriano Miolo, esta união se refletirá também no aumento da qualidade e diminuição de custos dos vinhos de sua própria vinícola, pois a Viasul também será um laboratório para testar as novas técnicas e estratégias desenvolvidas em conjunto com a Via Wines.
Muito entusiasmo e felicidade podem ser vistos nos rostos dos profissionais envolvidos neste projeto que creio estar fadado ao sucesso. Algo diferente, inovador, quase revolucionário, características que podem ser observadas até no nome, Oveja Negra, que estará presentes em alguns vinhos da empresa e que antes de significar algo sinistro, significa algo que se destaca na mesmice. Seus criadores revelam com muito orgulho: “Não pretendemos ser piores, sonhamos ser melhores, certamente não seremos iguais aos outros. Como uma ovelha negra, não iremos fixar nossos olhares em ninguém,
mas seremos olhados por todos. Queremos e vamos chamar atenção”.
CONFRARIA
l O Bar do França, Rio Vermelho, foi o ponto de encontro para o lançamento da cerveja Premium Bossa Nova, que a partir de agora pode ser encontrada em alguns seletos locais de Salvador.
l Até o dia 15 de setembro a excelente culinária do Restaurante Les Saveurs D’Itapuã do Hotel Sofitel Salvador terá como tema a Lagosta. O festival, obrigatório para os apreciadores da boa comida, é mais uma realização do chef Sebastião Torres. Reservas através do Sr. Marcos Palmeira pelo tel. 2106-8505.
l Contagem regressiva para a inauguração do restau-rante Amado, antigo Galpão, que abrirá suas portas ao próximo mês. O badalado chef e restauranteur paulista Edinho Engel prepara agradáveis surpresas para o cardápio deste que deverá ser um dos melhores restaurantes da cidade.
l Depois da reinauguração da unidade da Pituba, recentemente reformada, a Cheiro de Pizza agora apresenta a nova ambientação da filial do Rio Vermelho, com projeto assinado por Márcia Meccia.
l Cláudio Saporta, gerente de exportação da Vinícola Terranoble, estará em Salvador no dia 15 deste mês para conduzir uma degustação dos vinhos da empresa para um grupo de convidados especiais.
l Hoje e amanhã o agito na cidade fica por conta do Skol Tropical Beats, que terá a participação de vários nomes importantes da música nacional e internacional. Um dos destaques do evento, o camarote Pepsi, está sob a responsabilidade de Ildásio Tavares.
l A ABS-SP foi o local escolhido pela vinícola Marson para apresentar a sua nova linha de vinhos chamada Famiglia. Estes vinhos já haviam sido mostrados em Salvador durante a Wine Bahia.
l A festa Med in Black irá comemorar o dia dos médicos em alto estilo. Uma festa de gala no Hotel da Bahia no dia 11 de outubro. Reservas pelo tel. 3113-1660.
Best Wine
Artigo de 02/09/2005
A procura por vinhos do novo mundo é uma crescente em todo o globo. O aumento dos preços dos vinhos europeus e a crescente qualidade dos vinhos dos países emergentes fazem com que estes se tornem excelentes opções quando se trata de custo benefício. Uma das maiores importadoras do país especializada em vinhos com este perfil é a Best Wine. Fundada em 2000 por Silmara Santos e Sérgio Leite, a empresa traz para o Brasil, inclusive para a Bahia, vinhos da Austrália, Uruguai e África do Sul. A Best Wine foi a pioneira na introdução de vinhos sul africanos em nosso estado e domina 65% do mercado deste vinho no Brasil. Seu portfólio apresenta várias vinícolas selecionadas uma a uma pelos proprietários para que o consumidor tenha acesso a um showcase de cada país de origem, determinada a oferecer o melhor de cada país em determinadas faixas de preços.
· A australiana Andrew Peace é uma vinícola familiar, situada em Murray Valley, que em 1995 passou a produzir vinhos com marcas próprias, entre as quais as linhas Masterpeace, cujo nome faz uma analogia simpática ao nome da família e apresenta as uvas Shiraz, Chardonnay e Cabernet Sauvignon/Merlot, e sua linha superior, denominada Mighty Murray que utiliza as mesmas castas. Produz também uma linha de vinhos jovens voltada para o uso diário chamada de Wild Roo.
· A também australiana Margan Family Wines é uma vinícola boutique localizada em Hunter Valley. A família Margan iniciou o plantio de seus vinhedos na década de 60, no entanto, somente em 1997 Andrew Margan assumiu os negócios da família, após mais de 20 anos de experiência com o famoso enólogo Murray Tyrell. Apresenta vinhos que têm recebido altas pontuações como o Andrew Margan Chardonnay 2002 com 91 pts por James Halliday’s, o Semillon 2003 com 92 pts por Robert Parker e o Botrytis Semillon 2003 com 93 pts também por James Halliday’s, este último um vinho de sobremesa que agradou muito o consumidor brasileiro. Além destes, a empresa produz também vinhos com as castas Shiraz e Merlot.
· Mc William’s, fundada pelo enólogo Maurice O’Shea, é a 5a maior produtora da Austrália, com vinhedos em cinco regiões diferentes: Hunter Valley, Riverina, Yarra Valey, Coonawarra e Hilltops. Em 1990, as famílias Brand e McWilliams juntaram suas forças para produzir vinhos de alta qualidade e em 2004 receberam o prêmio de melhor vinho australiano - 97 pontos- pelo Mount Pleasant Maurice O’shea Shiraz 2000, vinho Super-Premium feito a partir de uvas de parreiras de mais de 120 anos. Produz também o Barwang Shiraz, Brand’s of Coonawara Shiraz que pela safra de 1999 recebeu 90 pts por James Halliday’s e as linhas Inheritance e Mount Pleasant.
· Rutherglen Estates, localizada na região de Victoria, produz uma linha de vinhos de boa qualidade e excelente custo x benefício, como o Rutherglen Shiraz, o Viognier e o Rutherglen Durif, feito com esta uva criada na Austrália que é uma fusão de duas uvas, Pelusin e Petit Shiraz.
· A African Terroir foi fundada em 1991 pela S.A.V.I.S.A. Co., empresa suíça, proprietária das vinícolas Swiss Terroir e Italian Terroir. A combinação dos solos da África do Sul com a tecnologia Suíça findou por criar vinhos interessantes. Apresenta as linhas Tribal com vinhos básicos para consumo diário, Out of África que apresenta vinhos não filtrados e cujos tintos passam por seis meses em barris de carvalho, Milton Grove com vinhos simples e leves, Diemersdal, apresentando vinhos de qualidade produzidos a partir de vinhedo com baixa produtividade, Big Five que trás como símbolos os cinco grandes animais da áfrica e Azania, “Top” da vinícola que apresenta vinhos envelhecidos em barris de carvalho por 12 meses. Na linha Out of África destaque para o Sauvignon Blanc, o Syrah, e o Out of África Pinotage, uva que resulta do cruzamento das castas francesas Pinot Noir e Cinsault.
· A Bodega Toscanini fundada em 1908 por Juan Toscanini investiu suas forças no cultivo da Tannat, clássica uva uruguaia, tendo recebido reconhecimento internacional por seus esforços. Seus principais vinhos são o Tannat Clássico, o Tannat Reserva e o Adágio Expressivo, “Top” da casa.
A maioria dos vinhos aqui citados são classificados como “Best Buy”. Vinhos bons e baratos que se dignam ao uso diário e são produtos que nós críticos costumamos chamar de honestos. Vendem a idéia exata do que são: vinhos simples, saborosos, bem elaborados e de baixo custo. É claro que entre eles existem vinhos mais caros e complexos, porém, mesmo estes, possuem uma excelente relação custoX benefício. Além de tudo, são vinhos facilmente encontrados em Salvador, seja nas lojas do ramo ou através do representante da Best
Wine em Salvador, a empresa Premier Cru.
CONFRARIA
l Os vários desfiles que ocorreram durante a Semana Iguatemi de Moda confirmaram o que já se antevia na festa de lançamento, realizado no MAM, no último domingo: Sucesso!
l O restaurante Sato, na última segunda-feira, foi o palco da comemoração de aniversário da sorridente Rita Moraes. Como sempre, agitada e feliz. Estavam lá para um caloroso abraço, Berenice e Gilberto Vilalva, Luis Humberto, Lídice da Mata, Monique Borges, Nice e Paulo Sampaio, entre outros.
l Parabéns para André de Albuquerque que comemora seu aniversário na próxima segunda-feira.
l Depois do sucesso do Festival do Bacalhau, o Restaurante Les Saveurs do Hotel Sofitel Salvador irá realizar o Festival de Lagostas entre os dias 5 e 15 de setembro, com cardápio elaborado pelo Chef Sebastião Torres. Reservas pelo tel.2106-8505.
l Roberto Ferreira realizará na próxima segunda-feira uma festa para lançamento da cerveja Premium “Bossa Nova”. A bebida será vendida em apenas 30 restaurantes e bares de Salvador, escolhidos pessoalmente
pelo empresário.
Viu Manent
Artigo de 26/08/2005
Apesar de sua pequena produção, em torno de 1 milhão e 400 mil litros/ano em 2004, e talvez até por isto, a Viu Manent é uma das vinícolas chilenas que merecem respeito e homenagens. Empresa caracteristicamente familiar, possui aquele cuidado com o que produz, típico daqueles que encaram seu trabalho como uma dádiva e ao mesmo tempo uma missão. Nada mais importante hoje, em anos de massificação, de linhas de montagem, de produtos sem diferenciação, que uma vinícola seja um ponto de resistência e encare seus vinhos como uma obra de arte, lhes conferindo um caráter extremamente pessoal. Esta talvez seja a melhor descrição da Viu Manent, vinícola que surpreendeu alguns críticos, inclusive a mim, pela qualidade e evolução de seus vinhos.
Em 1935 um senhor de nome Miguel Viu García e seus filhos Agustín e Miguel Viu Manent fundam no Chile a Bodegas Viu, empresa que se dedicava ao engarrafamento de vinhos que recebiam o nome “Vinhos Viu”, e à sua posterior comercialização. Em 1954, Miguel compra sua primeira vinícola e também passa a produzir vinhos que rapidamente caem no gosto nacional, consolidando definitivamente a marca criada por seu pai. O ano de 1966 marca uma mudança de rumo. Miguel compra a fazenda San Carlos de Cunaco, no Valle de Colchagua, e utiliza seus vinhedos, plantados desde meados do século XIX com plantas francesas, para produzir vinhos de alta qualidade que recebem o nome de “Viu Manent”. A filosofia da empresa passa a ser uma crescente procura pela qualidade. Investe-se em tecnologia e busca-se novas técnicas de vinificação, manejo de vinhedos e adaptação das cepas aos terroir que mais favoreçam sua tipicidade, transformando a Bodegas Viu Manent no que usualmente chamamos de Vinícola Boutique. Pequena produção, altíssima qualidade. Com esta configuração, nada mais lógico do que voltar-se à exportação, o que ocorre mais firmemente a partir de 1991. Hoje a empresa exporta para mais de trinta países, sendo capitaneada por José Miguel Viu Bottini que assumiu as rédeas do negócio familiar com a morte de seu pai em 2000. Homem distinto e inteligente, recentemente esteve em Salvador para participar da Wine Bahia, onde foi uma das figuras de destaque. Na ocasião se mostrou surpreso com a qualidade e o conhecimento das pessoas que formam o mercado consumidor local. Tive a grata oportunidade de falar a este produtor a boa impressão que tive de alguns de seus produtos aos quais tive o privilégio de dar notas como crítico de vinhos da Tribuna da Bahia.
O portfólio da Viu Manet abrange uma linha varietal, onde se busca revelar a máxima expressão da fruta utilizando-se as castas Carmenére, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Sauvignon Blanc e Chardonnay. A linha Reserva, utilizando as mesmas castas, traz vinhos que equilibram a madeira do tratamento em barris com as características da fruta colhida em vinhedos específicos de baixa produção. A linha Seleção Especial que apresenta vinhos envelhecidos em barris de carvalho francês produzidos a partir das melhores uvas, Malbec ou Cabernet Sauvignon, de vinhedo único. Como homenagem ao seu criador a empresa também produz um “Top”, chamado VIU 1, 90% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon, vinho muito premiado e conceituado. A busca por inovações levou à criação da linha Secreto na qual apenas 85% das uvas que componhem o vinho são reveladas, sendo o restante um segredo do produtor e um ao consumidor. As castas utilizadas neste vinho são Carmenére, Syrah, Malbec, Sauvignon Blanc e Viognier. Merece destaque ainda o vinho de sobremesa Late Harvest feito com a uva Semillon.
Aqui estão apresentados vários vinhos de uma mesma vinícola que possuem boa qualidade e preço e que são facilmente encontrados em nossa capital. Estes são vinhos que aliam a questão
mercadológica à arte da criação, mostrando que é possível fazer sucesso e ao mesmo tempo manter uma identidade própria.
CONFRARIA
l A Johnnie Walker realizou quarta-feira no Shiro, com a presença do piloto Raul Boesel, uma bela festa voltada ao lançamento de sua nova campanha de marketing centrada no patrocínio que oferece à equipe McLaren de Fórmula 1. Juca Lisboa, Malú Brígido, Michel Telles, Nice e Paulo Sampaio, Patrícia Nobre, Giácomo Mancini, Sandy Najar, Heliana e Rai Cavalcanti, Michelle Marie, entre outros, estiveram reunidos no evento orquestrado com sucesso pela incansável Lícia Fábio.
l Salvador irá sediar um circuito enogastronômico organizado pelo médico Carlos Maciel um dos sócios da empresa Brasilstruthio, especializada em carne de avestruz.
l A vinícola chilena Santa Helena realizou em Salvador, na última terça-feira, o lançamento regional da série de vinhos Premium denominada “4 Estações”. O evento contou com a presença do diretor da empresa Rodrigo Gonzalez e do enólogo Miguel Rencoret.
l Nos dias 30 e 31 de agosto o restaurante Pereira irá realizar o festival gastronômico contemporâneo com pratos concebidos pelo chef Francesco Carli.
l Vevé Bragança e Marcio Rocha realizam cursos sobre vinhos no Tropical Hotel da Bahia entre os meses de setembro e outubro.
l O enólogo americano Paul Hobbs esteve no Brasil para participar da apresentação dos vinhos da vinícola argentina Pascual Toso, no restaurante Fasano, em requintado
jantar.
K.M.M
Artigo de 19/08/2005
A K.M.M., (www.kmmvinhos.com.br) maior importadora de vinhos australianos do Brasil, foi fundada em 1992 por Kenneth Marshall, australiano radicado em São Paulo, desde 1997, que hoje comanda a empresa junto com sua esposa, Marli Predebon. A importadora iniciou suas atividades exclusivamente com vinhos australianos no intuito de trazer ao crescente mercado consumidor nacional os vinhos deste país que é um celeiro de boas ofertas. A K.M. M passou então a representar produtores reconhecidos internacionalmente como a australiana Yalumba. Em 2004 passou a investir também nos vinhos da América do Sul. Seu portfólio é hoje composto por vinícolas da Austrália, Uruguai, Chile e Argentina, apresentando como característica comum uma excelente relação Custo X Benefício. Após o sucesso da Wine Bahia a empresa decidiu aumentar sua presença no estado e trazer a Salvador produtos das vinícolas:
sJim Barry, da Austrália, que com videiras muito antigas produz vinhos extremamente opulentos e saborosos como o Armagh, considerado um dos cinco melhores vinhos Shiraz “Top” do mundo, e o Lodge Hill Shiraz, classificado como o quinto entre os cem melhores em sua faixa de preço, que confesso ser um dos meus vinhos prediletos.
Yalumba, a maior vinícola familiar australiana, fundada em 1849, está entre as dez vinícolas mais importantes do país, sendo uma das poucas do mundo a manter tanoaria própria. Merecem destaque o Y Series Viognier e o Noble Pick Botrytis Semillon. O Octavius é algo excepcional.
A St Hallet, de Barossa Valley, tem produção voltada para vinhos de alta qualidade especialmente da uva Shiraz. O St Hallet Cabernet Sauvignon tem uma das melhores relações custo X benefício do país e o top Old Block Shiraz é muito conceituado.
Petaluma, vinícola de Brian Croser, um dos enólogos mais renomados da Austrália, baseia a qualidade de seus vinhos nas características específicas de cada terreno em função das varietais a serem ali cultivadas. Seu vinho “Top” Coonawara Cabernet Sauvignon/Shiraz é famoso pela qualidade.
A Sandalford, criada em 1840, é a maior e mais antiga vinícola familiar da Western Austrália. Com uma variada linha de produtos, apresenta vinhos excepcionalmente agradáveis como Premium Shiraz e o Element Late Harvest.
Watershed produz vinhos Premium de distintiva elegância e poder, aromas intensos e sabores complexos de fruta. Vinícola que emprega alta tecnologia tem em seu Shiraz uma excelente opção.
Pepper Tree é uma vinícola boutique que tem se dedicado a estabelecer reputação entre os melhores produtores de Merlot do país. O Reserve Coonawarra Cabernet Sauvignon é uma dádiva.
Do Uruguai, os vinhos da Bodega Carlos Pizzorno, vinícola boutique que dedica à uva Tannat especial atenção. O “Top” da casa é o Pizzorno Reserva, combinando as uvas Tannat, Cabernet e Merlot. Já a linha Don Próspero apresenta os vinhos Sauvignon Blanc, Tannat Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon Roble e Tannat Reserva, elaborados com muita concentração e tipicidade.
A chilena Botalcura é uma vinícola pequena com alto grau de tecnologia que tem seus vinhos reconhecidos pela sua excelência. A linha El Delírio Reserve apresenta vinhos instigantes como o Reserva Syrah/Malbec. Já a linha La Porfia Grand Reserve apresenta vinhos complexos que permanecem doze meses em barricas de carvalho francês e americano, além de passar um ano inteiro descansando na garrafa antes de deixar a vinícola.
A também chilena Casas Patronales, fundada em 1993, equipada com tanques de inox com capacidade para 2 milhões de litros, barricas de carvalho francês e americano, apresenta uma linha básica chamada Monte Sur, uma linha intermediária chamada Casas Patronales e sua linha especial chamada Casas Patronales Reserve, produzida apenas em safras excelentes.
A Argentina Bodega Família Schroeder, da Patagônia. Com vinhedos situados na latitude 39°, mesma da Nova Zelândia, utiliza altíssima tecnologia em sua produção. Tendo sido construída numa colina, os vinhos descem naturalmente por cinco níveis diferentes por ação da gravidade, desde a prensagem até seu repouso em barricas de carvalho. Apresenta duas linhas de vinhos cujos nomes fazem alusão aos restos fósseis de um dinossauro com mais de 20 metros de comprimento que foram encontrados durante as escavações para a construção da vinícola: a Saurus e Saurus Patagônia Select.
A presença de vinhos destes produtores em algumas prateleiras de nossa cidade é mais um sintoma do quanto o mercado local é atraente. A tendência é uma crescente expansão do mercado, fazendo com que Salvador assuma uma posição de destaque no cenário nacional do vinho, atraindo cada vez mais importadoras e
vinícolas de todo o mundo.
CONFRARIA
l Parabéns para Rogério Jamil que comemora o nascimento de sua filha.
l Alexandre Bacelar prepara vários eventos para o público VIP de Salvador. Nas próximas semanas teremos novidades.
l O Brandy Don Giovanni e a Grappa Miolo receberam certificados de qualidade comprovada no concurso International Spirits Awards 2005 que aconteceu entre os dias 2 e 3 de junho na cidade de Neustadt, Alemanha.
l A Wine Company está fazendo promoções de vários vinhos até amanhã. Tel. (19) 3294-1570
l O Hotel Holiday Inn Salvador, em inteligente estratégia de marketing, está permitindo que os clientes levem seus próprios vinhos para degustar no restaurante Butiquinn sem a cobrança de “Taxa de Rolha”.
l A Via Sul Wine Group, joint-venture entre a Miolo e a chilena Via Wines, irá produzir vinhos no Chile e Brasil. Os vinhos chilenos apresentarão a marca D.O. e os brasileiros utilizarão o
nome Sesmarias.
Wine Bahia 2005
Artigo de 12/08/2005
Um misto de evento social e técnico, com a presença de pessoas bonitas e bem informadas, em ambiente elegante, descontraído e feliz. Assim foi a Wine Bahia 2005, ocorrida no último sábado, no Tropical Hotel da Bahia. Neste seu primeiro ano, a feira teve como patrocinadores a Claro e a Citröen, além do apoio das empresas Notebooks, Clifort, Estetclin e Seinscience. Seu lançamento oficial foi ao dia 15 de julho em uma concorrida noite de queijos e vinhos, onde foram apresentados dez diferentes rótulos de vários países e que funcionou como uma pequena amostra do que estava por vir: o maior evento do gênero em nossa região.
A Wine Bahia 2005 contou com a presença de aproximadamente mil convidados, entre pessoas da sociedade, empresários do trade, e imprensa local e nacional. O evento teve início às 14 horas com a abertura do salão principal para exposição dos vinhos e degustações livres, de queijos e vinhos, ao mesmo tempo em que ocorriam cursos e degustações orientadas em duas diferentes salas, de forma simultânea, com média de público de 30 pessoas por turma, nas onze palestras ministradas. Além disto, a sala VIP disponibilizava aos convidados área para descanso, buffet de queijos e frios, lounge para fumantes, sala de imprensa com acesso à internet e buffet quente que foi servido às 20 horas. Por fim, um jantar enogastronômico no qual foram apresentados dez pratos harmonizados com dez diferentes vinhos encerrou com brilhantismo a Wine Bahia e se prolongou pela madrugada.
Para o Australiano Ken Marshall e sua esposa Marli Predebon a feira foi uma grata surpresa e em muito ultrapassou suas expectativas. O alto nível das pessoas presentes, o ambiente ordeiro e alegre, o grande volume de contatos realizados foram pontos de relevância. Causou-lhes surpresa também que a maioria dos presentes buscava vinhos mais trabalhados e complexos, comprovando que o público baiano realmente adquiriu maior refinamento no que tange a escolha dos vinhos. O simpático enólogo português Luis Carvalho, responsável pelos vinhos da Monte Seis Reis, estava entusiasmado com o sucesso da exposição que em sua concepção marca o início do consumo ainda mais técnico da bebida em nosso estado. A paulista Silmara Santos da Best Wine, uma das primeiras pessoas a incentivar o evento e dele fazer parte, ressaltou o quão diferenciado era o perfil dos presentes, enfatizando que a Wine Bahia está no mesmo nível técnico e organizacional da maioria das exposições e feiras feitas no eixo Rio - São Paulo. Para o empresário baiano Eduardo Lisbôa, convidado do evento, enófilo convicto, a quantidade e qualidade das bebidas apresentadas foi surpreendente. Lembrou que mesmo sem ter ocorrido na Bahia algo parecido, o público-alvo, seleto e, portanto, assediado por muitos convites, optou por estar presente na Wine Bahia, o que denota o alto interesse em realizações desta espécie. Janete Freitas, colunista da Tribuna da Bahia, com seu bom gosto habitual, dedicava-se a realizar comparações entre os aromas e sabores dos diversos vinhos apresentados, deixando o salão de exposição apenas para aprofundar seus não parcos conhecimentos em alguns dos cursos. Ela lembrou que um evento de tão forte impacto no seu primeiro ano é garantia de sucesso e crescimento nos anos vindouros, mais uma vez chamando atenção ao alto nível apresentado.
Por tudo isto a Wine Bahia 2005 excedeu às expectativas e abriu caminho para que outros eventos, mesmo que não do mesmo porte, tenham lugar em nossa cidade. Os que estiveram presentes tiveram o privilégio de presenciar o nascimento de um evento de prestígio, restando aos ausentes esperar a Wine Bahia 2006 para conferir a inserção do nosso estado no mercado nacional de vinhos. Em resumo, creio que a melhor palavra que
descreve o que aconteceu é Sucesso.
CONFRARIA
lQuarta-feira passada Ricardo Macchi e Ellen Rocche, de férias em Salvador, prestigiaram o desfile de Carlos Rodeiro no Barra Fashion. O casal tem planos de desenvolver projetos na Bahia.
lO empresário Luis Passos está preparando algumas surpresas para agitar o cenário artístico e cultural de Salvador.
lAntônio Celso Pereira recebeu na Exporural uma homenagem pelo seu apoio ao evento.
lO restaurante Lês Saveurs D’ Itapuã do Hotel Sofitel Salvador estará realizando entre os dias 15 e 31 de agosto a “Temporada de Bacalhau”, dando continuidade a seu festival gastronômico.
lParabéns para Guido Callioni que comemora seu aniversário em jantar organizado por Elíbia Portela e Elisabeth Silveira.
lParabéns também para Adriana Brito que comemorou seu aniversário em família no último sábado. Leonina que se destaca também por sua simpatia e boa educação.
O que será trazido
Artigo de 05/08/2005
Amanhã no Hotel da Bahia, durante a Wine Bahia 2005 by Claro, várias vinícolas estarão mostrando suas produções ao público baiano através dos stands de seus importadores no Brasil. Estarão reunidas pessoas ligadas direta ou indiretamente ao comércio de vinhos em nosso estado, imprensa, convidados Vips e o consumidor final. O que à primeira vista poderia parecer apenas mais uma feira, destas tão comerciais e freqüentes em nossa cidade, é verdadeiramente um evento social. A preocupação dos organizadores foi explorar ao máximo todo o requinte que envolve a bebida e oferecer em um ambiente belo e elegante, decorado com obras de arte de vários artistas baianos. Um espaço para que o vinho seja explorado de maneira intuitiva e comparativa permitindo que os presentes possam na prática observar as diferenças existentes entre as diversas castas de uvas, países produtores, safras, vinícolas, etc.
A empresa paulista KM.M. estará trazendo vários vinhos que comercializa no Brasil e entre eles o espumante Australiano Angas Brut Cuvee NV, produzido pelo método de Champenoise pela vinícola Yalumba. É também desta empresa o Oxford landing Chardonnay 2003, vinho que explora muito bem a grande adaptabilidade da uva Chardonnay no terroir da Austrália. Da Four Winds, de Nova Gales do Sul, o Bloody Good Red Cabernet Sauvignon/ Merlot 2000, traz uma excelente relação Custo X Benefício. Da Pepper Tree teremos também o Peper Tree Cabernet Sauvignon /Merlot/ Cabernet Franc 2000, que mostra como esta mescla bordelesa se revela na Austrália. A Sandalford apresentará o Element Shiraz /Cabernet Sauvignon 2001, considerado pelos presentes na noite de lançamento da feira no último dia 15 como o melhor entre os dez vinhos degustados. Do Chile virão os vinhos da vinícola Casa Patronales, com destaque para o bom e barato Monte Sur Carmenère 2003 e o Casa Patronales Reserva Cabernet Sauvignon 2001. A grande novidade ficará por conta dos argentinos Família Schroeder Saurus Malbec 2004, Saurus Select Chardonnay 2004 e Saurus Select Malbec 2003 que serão lançados na Bahia durante a feira.
A portuguesa Almeida Garret mostrará os vinhos Monte Seis Reis, que só recentemente aportaram na Bahia e ainda são uma novidade. Todos os vinhos da vinícola têm boa qualidade, contudo, O Monte Seis Reis Bolonhês que tem o potencial de agradar bastante o paladar dos brasileiros por seu equilíbrio e maciez, o Touriga Nacional, por sua elegância, e o Syrah, por mostrar uma expressividade absolutamente diferente da obtida no terroir australiano ou no francês, merecem citação.
Menções merecem também os vinhos da Viu Manent, importados da Hannover. Os vinhos da linha Secreto cujo produtor só revela 85% das uvas utilizadas, devendo o degustador descobrir o restante da composição, um desafio intrigante e divertido, e os vinhos da linha Viu Manent Reserva, são bebidas que devem ser experimentadas e elogiadas. Alguns vinhos desta empresa foram avaliados pela Tribuna da Bahia, e todos receberam notas acima dos oitenta pontos. A atenção ao mercado baiano e a aposta no crescimento dos negócios em nossa região é tamanha por parte desta vinícola que o seu presidente estará pessoalmente presente para participar da feira e orientar uma degustação de seus vinhos.
A Reloco trará os vinhos californianos da vinícola Niebaum Coppola com destaque para o Copolla Rosso, recentemente degustado em um evento promovido pela Mercato di Vino, onde se mostrou equilibrado, saboroso e despretensioso. Um vinho simples, mas muito bem elaborado. Neste mesmo evento um outro vinho muito simples leve e saboroso que também estará à disposição dos presentes na feira foi apresentado. Trata-se do Argentino Altas Cumbres Viognier da vinícola argentina Bodegas Lagarde. Da África do Sul, O Deetlefs Stonecross Pinotage será trazido para mostrar os sabores que esta casta, típica do país, apresenta.
A Best Wine, representada na Bahia pela Premier Cru, apresentará o espumante Tribal Sparkling e os vinhos das linhas Out of África, Diemersdal e Azania, assim como várias bebidas das vinícolas australianas McWilliam’s, Andrew Peace e Margan Family. Da vinícola Toscanini que produz bons vinhos, dois se destacam: Os vinhos Juan Toscanini Tannat Reserva 2002 e o Adágio 2002. O enólogo da vinícola, o uruguaio Andrés Toscanini conduzirá uma degustação orientada de seus vinhos durante a feira.
A Expand apresentará entre outros o Château Rocher Calon 2000, o Prosecco di Valdobbiadene Nino Franco, o Morgenhof Vineyards Red 2002, e o Lustau Solera Reserva Puerto Fino, que recebeu medalha de ouro no International Wine Challenge 2005.
A Allied Domecq estará trazendo toda sua linha de vinhos para a feira e considera os argentinos Graffigna Centenário 2001 e o Garffigna G 2001, como os grandes sucessos em seu Stand por sua elegância e boa relação Custo X Benefício.
A Prima Línea aposta nos vinhos da vinícola italiana Duca di Castelmonte para conquistar o público local. O Pignanello 2000, um vinho simples e de bom preço é uma opção. Outro que deve ser observado é o Ulysse Etna Rosso, produzido na Sicília, nas encostas do Vulcão Etna.
Ao todo serão apresentados na feira em torno de 200 rótulos de vinhos, das mais diversas castas, de várias diferentes vinícolas oriundas de diversos países. Serão quinze diferentes expositores trazendo para o público baiano a possibilidade de divertir-se e informar-se, pois paralelo à feira serão ministrados cursos básicos, avançados e degustações paralelas. Os temas dos cursos básicos serão: ABC do vinho, ministrado por André Freire de Carvalho, Noções de Degustação, pelo mesmo, Vinhos Brancos e Espumantes, pelo enólogo gaúcho Marcos Valduga, Vinhos tintos, pelo enólogo português Luis Carvalho. No curso avançado serão apresentados: Terroir da Serra gaúcha, pelo enólogo João Marson, Vinhos da Nova Zelândia, pelo enólogo mineiro Rodrigo Assunção Fonseca, Vinhos da África do Sul, pelo sommelier paulista Everaldo Santos, e Vinhos Australiano, pelo enófilo daquele país, Ken Marshall. Estão programadas a Degustação Orientada dos vinhos do Novo Mundo, conduzida por Marli Predebon, enófila paulista, a Degustação Orientada dos vinhos Viu Manent em comemoração aos 70 anos da vinícola conduzida pelo próprio presidente da empresa, o chileno José Miguel Viu, e a Degustação orientada de vinhos da vinícola Toscanini, conduzida pelo enólogo uruguaio Andrés Toscanini. As reservas para os cursos bem como para o jantar Enogastronômico que encerra a noite e promete ser o maior e melhor já realizado em Salvador poderão ser feitas através do telefone
do Tropical Hotel da Bahia.
CONFRARIA
l Amanhã a Claro e a Citröen, através de Antônio Celso Pereira e Vinícius Cardoso, irão receber os seus convidados na Sala VIP da Wine Bahia 2005, com todos os confortos possíveis.
l Até amanhã, a Domaine Salvador estará oferecendo 15% de desconto em toda sua linha de vinhos.
l Encontro em final de tarde com boa conversa e bons vinhos reuniu Luzia Matos, Heliana Cavalcanti e Andréia Menezes.
l Vinho também foi tema de conversa entre Silvia Gama Lobo e Juju Luz, nesta última segunda-feira.
l Parabéns da semana para o empresário, enófilo e colecionador de vinhos, Jones Aranha. Apesar de ter deixado escapar uma garrafa de Petrus em sua última viagem à França, compensou o sacrilégio com algumas de Château d’ Yquem.
l Está sendo preparado um belo empreendimento residencial em Salvador, mais precisamente na Pedra da Marca, Federação.
l O Hotel Pestana lança em Salvador o cartão Pestana Unlimited, que oferece ao seu portador várias vantagens em todos os hotéis da rede.
l 6.240 garrafas dos vinhos da Miolo, Cuvée Giuseppe, Quinta do Seival Castas Portuguesas, Terranova Cabernet Shiraz e Espumante Brut, foram comprados pela importadora francesa Vins du
Monde para serem comercializados naquele país.
Quem vem
Artigo de 29/07/2005
Estarão reunidos em Salvador alguns dos maiores importadores do Brasil durante a Wine Bahia 2005 by Claro que será realizada no dia 6 de agosto, no Hotel da Bahia. Estas empresas que representam diversas vinícolas de várias partes do mundo trarão à nossa cidade os rótulos que disponibilizam para o mercado nacional de vinhos, possibilitando aos profissionais da área e consumidores travar conhecimento com novos produtos e comparar as bebidas apresentadas, descobrindo novas opções de compra.
A primeira empresa a abraçar a idéia de uma feira de vinhos de grande porte em nosso estado foi a K.M.M., propriedade de Ken Marshall e Marli Predebom, considerada a maior importadora de vinhos australianos do Brasil e que hoje representa também vinícolas do Cone Sul. Trará os vinhos das australianas Jim Barry que produz vinhos de altíssima qualidade e boa relação custo x benefício, Yalumba, fundada em 1849 e que é a maior vinícola familiar da Austrália, St Hallett, especializada em produzir vinhos Shiraz de alta qualidade, Petaluma, de Brian Croser, um dos enólogos mais renomados da Austrália, Sandalford que com uma produção de 150 mil caixas/ano é a maior vinícola familiar do estado de Western Austrália, e Pepper Tree, uma vinícola boutique, celeiro de vinhos maravilhosos. Do Uruguai chega a Bodega Carlos Pizzorno, outra vinícola boutique dedicada a vinhos produzidos com a uva Tannat. Do Chile, a Botalcura, uma pequena vinícola fundada em 2001, no Valle del Malle, que utiliza alto grau de tecnologia, cuja produção é largamente reconhecida pelos especialistas, e a Casas Patronales, também do Valle del Malle, fundada em 1993, produtora de excelentes vinhos, em especial os feitos com a uva Carmenére. A Argentina é representada pela vinícola Família Schroeder, uma premiadíssima empresa da Patagônia, propriedade de uma família de importantes médicos da região que foram seduzidos pelo vinho e a ele dedicam toda a atenção possível.
A Best Wine, especializada em vinhos do novo mundo, importa para o país desde o anoazada uma nova pisa para extrair um ve qualidade inferior conhecido como Maslas.
Especula-se que o sistema de classificaçã regiões. Tal dificuldade, facilmente contornada como á de 2000. Silmara Santos e Sérgio Leite, seus proprietários, foram umas das primeiras pessoas a incentivar a realização de uma feira de vinhos em Salvador e trarão para a nossa cidade os vinhos das vinícolas australianas McWilliam’s, quinta maior vinícola do país com vinhedos espalhados por toda Austrália, Andrew Peace, uma empresa familiar que se encontra em plena ascensão, e Margan Family, uma vinícola boutique da região de Hunter Valley que começou suas atividades em 1960 e que acumula vários prêmios desde então. A African Terroir, da África do Sul, fundada em 1991, uma das primeiras vinícolas daquele país a terem os vinhos comercializados em Salvador, abrindo caminho para vários outros produtores, trará as várias linhas que produz. Do Uruguai, chegarão os vinhos da vinícola Toscanini que possui vinhedos em Canelón Chico e Cuello. Fundada em 1894, a empresa tem dado ênfase à produção de vinhos derivados da uva Tannat. Seu enólogo, Andrés Toscanini, estará presente na feira e proferirá um dos cursos do evento.
A Hannover apresentará a produção da vinícola chilena Viu Manent que tem seus vinhedos localizados no Valle de Colchagua, uma das principais regiões produtoras do Chile, gerando cerca de 150.000 caixas /ano, sendo 97% destinada a exportação. A produção da vinícola é o que se pode chamar de unanimidade qualitativa. Todos os vinhos desta vinícola são de alto nível, tendo recebido em nossa avaliação altas notas, algumas já publicadas aqui na Tribuna da Bahia. O proprietário da vinícola, José Miguel Viu, que assumiu a empresa após a morte de seu pai, Miguel Viu Manent, um dos principais nomes da história recente do vinho no Chile, virá especialmente a Salvador para fazer parte do evento e aqui comemorar os 70 anos de sua empresa, o que revela o potencial de nossa cidade em atrair importantes figuras do mercado mundial de vinho.
A vinícola portuguesa Almeida Garrett, que montou escritório no Brasil para favo-recer a comercialização de seus produtos, iniciou suas atividades com os vinhos da razada uma nova pisa para extrair um v?????Ae qualidade inferior conhecido como Maslas.
Especula-se que o sistema de classificaçã de regiões. Tal dificuldade, facilmente contornada como á região de Beiras (DOC Beira Interior), distrito de Castelo Branco. Devido à grande aceitação do público brasileiro, ampliou seu portfólio com os vinhos alentejanos Monte Seis Reis. No mercado desde 2003, os premiados vinhos desta empresa se destacam pela harmonia e sabor apresentados.
A Reloco, fundada em 1995, trará os vinhos californianos da vinícola Niebaum Coppola, de co-propriedade do importante cineasta americano Francis Ford Coppola, cujos vinhos saborosos, equilibrados e bem produzidos chamam atenção pela harmonia e excelente custo X benefício, a argentina Bodegas Lagarde, uma das mais antigas e tradicionais empresas daquele país, produtora da linha Altas Cumbres, a Deetlefs, da África do Sul, fundada em 1822 em Rawsonwille, a vinícola espanhola Torres, de Penedés, uma das melhores vinícolas daquele país, fundada nos idos de 1700, e o braço chileno desta última, a vinícola Miguel Torres, fundada em 1979 no Vale do Curicó.
A Allied Domecq, uma das maiores empresas de bebidas do mundo, apresentará os espumantes produzidos na Argentina pela empresa francesa Mumm, conhecida internacionalmente pela qualidade de seus vinhos. Também mostrará os vinhos da argentina Bodegas Balbi, muito populares naquele país, e da Bodegas Santiago Graffigna, fundada pelo imigrante italiano Juan Graffigna, na região de San Juan, em 1870. Da França virão os vinhos da Maison Calvet, fundada em 1818, da Espanha os vinhos da Bodegas Domecq, estabelecida na região de Rioja, e do Chile os vinhos da Concha y Toro.
Além de todas estas importadoras e vinícolas por estas representadas, as importadoras Prima Línea, Premium, Cantu, Expand, Interfood, e as vinícolas nacionais especialmente convidadas Marson, Miolo, Rio Sol, e Dom Cândido, garantem a realização de uma feira de grande sucesso tanto no que tange à variedade, quanto à alta qualidade dos vinhos, o que em breve poderá trazer ao nosso estado uma posição de destaque no cenário nacional
do mercado de vinho.
CONFRARIA
l A Expand Salvador passa a ser uma franquia. A partir de 1º de agosto será conduzida por Rodolfo Moraes, Natalie Moraes e João Alberto Pinheiro.
l Depois do grande sucesso em Fortaleza, a Pizzaria e Tapiocaria Coco Bahia abriu sua filial em Salvador, no loteamento Aquários. Os empresários Egidio Guelpa e Gilmar Garcia apostam nos ambientes temáticos, diversidade de cardápio e serviço de qualidade para cativar o público baiano.
l Esta última quarta-feira foi dia de aniversário para Marcelo Bandeira. Nossos parabéns.
l Felicitações também para Adriano Grangeon que comemora hoje o seu aniversário.
l Ontem foi uma noite de sucesso para Marco Souza, Durval Mesquita e Jobel Praseres. A inauguração do restaurante Goham, Pituba, foi muito movimentada.
l O leilão da NR Galeria de Arte, ocorrido dia 26 último, em benefício da Caasah disponibilizou belas obras para caridade. Os presentes tiveram a oportunidade de arrematar itens com preços muito abaixo do mercado e, ao mesmo tempo, ajudar ao próximo.
l A Dom Cândido, pelo Reserva Merlot 2002, recebeu ouro no concurso Hyatt Wine Awards 2005 realizado este mês em São Paulo.
l O Hotel Sofitel está movimentadíssimo. Além da noite de queijos e vinhos que se repetirá hoje, realizou no último dia 15 uma exposição da artista plástica Beth Souza organizada pelo marchand Denissom de Oliveira
da Galeria Prova do Artista.
Para fazer história
Artigo de 22/07/2005
Na última sexta-feira, no Hotel da Bahia, ocorreu uma noite especial de queijos e vinhos para marcar o lançamento da Wine Bahia 2005 by Claro, a maior feira internacional de vinhos já realizada na Bahia e que ocorrerá em agosto. O evento, do qual participaram cerca de 100 pessoas entre imprensa e convidados foi uma rara oportunidade de serem degustados vinhos de diversas nacionalidades e diversas castas em formato técnico e variedade jamais vista em Salvador.
A noite de queijos e vinhos que será repetida hoje e cujas reservas podem ser feitas no próprio hotel foi um acontecimento raro. Devido à variedade e altos preços dos vinhos apresentados seria economicamente impossível realizar uma festa destas características sem que ele fosse atrelado a um acontecimento maior, como a Wine Bahia, e sem o apoio das mais importantes importadoras do país que dela farão parte.
O evento teve início com o discurso de boas vindas proferido pelo gerente geral do Tropical Hotel da Bahia, Marcelo Bandeira, ao mesmo tempo em que era servido um welcome drink, o espumante argentino Mumm, da importadora Allied Domecq. Em seguida, foi explicada por Flávia Palhares, organizadora do evento, a formatação da feira de agosto e foram apresentados os patrocinadores: Claro e Citröen. Deu-se então início à noite de queijos e vinhos propriamente dita, com o serviço de mais nove vinhos.
Os vinhos foram servidos em sistema de Round Técnico, seqüenciados levando-se em conta critérios técnicos e não seu preço final. Os convidados tinham 20 minutos para degustar livremente o vinho da vez e harmonizar com os diversos queijos nacionais da Serrabela e importados da empresa argentina Vaqueiro, antes que o vinho fosse trocado pelo seguinte. Ao final da apresentação de todos os vinhos, os presentes puderam escolher a bebida que mais lhes agradou.
A leitura das notas técnicas de cada vinho foi realizada pela jornalista e apresentadora Patrícia Nobre com extrema competência. O primeiro vinho apresentado foi o Prosecco di Valdobbiadene Nino Franco, italiano importado pela Expand. Em seguida foi servido o chileno Casa Rivas Cabernet Sauvignon 2003 da Importadora Premium. Depois, o Pignanello Rosso IGT 2002, vinho feito com as uvas Nerello Mascalse e Nero d´avola, importado da Itália pela Prima Línea. Seguiu-se a este o Out of África Pinotage 2001 da África do Sul, importado pela Best Wine. O Graffigna G, Malbec da Argentina, também da Allied Domecq, foi o seguinte. Após este, o Monte Seis Reis Bolonhês 2003 de Portugal, importado pela Almeida Garret, feito com as uvas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Tinta Caiada. O seguinte foi o Deetlefs Stonecross Pinotage 2003, da África do Sul, trazido pela Reloco, e logo depois o Viu Manet Carmenére Reserva 2003 da Chile, importado pela Hannover e o australiano Element, produzido com as uvas Shiraz, Cabernet Sauvignon, Merlot e Grenache, safra 2001, importado pela K.M.M. O preferido entre todos foi o Element que com seus aromas e sabores de amora e groselha e notas de madeira, chocolate e pimenta, arrebatou a maioria dos presentes e se transformou na estrela da noite, seguido pelo Viu Manent Carmenére, que dividiu a posição com o que pode ser chamado de a surpresa da noite, o vinho português Monte Seis Reis Bolonhês. Com bom equilíbrio, maciez, aromas e sabores de frutas maduras e madeira, este vinho realmente chamou a atenção.
O evento realmente foi muito especial. Várias pessoas reunidas degustando vinhos, apreendendo seus aromas e sabores, informando-se e divertindo-se ao mesmo tempo. Presentes estavam Janete Freitas, Malú Brígido, Elíbia Portela, Paulo Sampaio e Nice Silva, Jacques Beauvoir, Rita Moraes, Ticiane Sampaio, Giácomo Mancini, Patrícia Nobre, Solange e Sérgio Carneiro, Marisa e Antônio Celso, Melissa Cardoso, Michelle Najar, Vera Luedy, Olga e Alfeu Luedy, entre outros não menos importantes, fez com que houvesse todo um clima de felicidade e paz, emoldurado pela qualidade dos queijos e vinhos apresentados na ocasião. Resta agora repetir no dia de hoje o clima de alegria alcançado na semana passada e esperar
que este evento ocorra anualmente como preparação para Wine Bahia.
CONFRARIA
lJorge Silva, proprietário da Cia. do Vinho, irá inaugurar sua nova loja no Shopping Cidade nos próximos dias.
lA enoteca Fasano chega à Bahia. Desde último mês os vinhos da importadora estão a disposição na Domaine Salvador.
lA Allied Domecq lança no país o Vinã Maipo, quarto vinho chileno mais exportado para a Europa. A vinícola que dá nome ao vinho pertence à vinícola Concha y Toro desde 1968, e está entre as 10 maiores vinícolas chilenas em volume de exportação. O Viña Maipo estará disponível nas variedades: Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Merlot e Carménère.
lOs vinhos Mouton-Rotschild são famosos por seu alto preço, imensa qualidade e pelos belos rótulos que apresentam pinturas de artistas de vários países. Seguindo esta tendência, a vinícola Carlo Botter, uma das maiores da Itália, convidou a médica e artista plástica Daniela Carvalho para imprimir suas pinturas nos rótulos dos vinhos “TOP” da empresa, que serão exportados para 35 países, inclusive o Brasil. Fato inédito por estas bandas.
lAndréia Fidelis inaugurou a Snugness do Shopping Itaigara, com um badalado coquetel na última quarta-feira com a presença de Eliana e Raimundo Cavalcanti, Viviane Tripodi, Carlos Pimentel, Izabela e
Sandro Abreu.
Outro ponto de vista
Artigo de 15/07/2005
Estiveram em Salvador no último final de semana os irmãos Arnaldo e Enzo Botter, proprietários da vinícola italiana Carlo Botter , uma das maiores produtoras de vinho da Itália e a maior produtora de suco de uva daquele país. No lobby do Hotel Sofitel Salvador onde estavam hospedados a convite de Cristina Mendonça, gerente do hotel, Arnaldo (68) e Enzo Botter (61), concederam uma entrevista que nos revela o mercado mundial do vinho sob a ótica dos grandes produtores.
TB: O que é a Vinícola Botter?
Enzo: A Casa Vinícola Botter foi fundada em 1928 por meu pai Carlos Botter, um comerciante de vinhos da região de Veneza, Itália. Hoje é um negócio de família controlado por mim e Arnaldo. No último ano, produzimos 30 milhões de litros de vinho, sendo 26 milhões engarrafados e 4 milhões em barris, exportando nossa produção para mais de 35 países. Produzimos também 50 milhões de litros de suco de uva. Além destes, temos vários outros negócios nas mais diversas áreas.
TB:Por que parte da produção é vendida em barris?
Arnaldo: Pois assim pagamos menos imposto quando exportamos para outros países. O vinho é entregue no destino em barris e é então engarrafado e rotulado.
TB: Quantos são os diferentes vinhos que produzem?
Enzo: Não sabemos ao certo quantas são as apelações. É algo em torno de 25 a 30 diferentes D.O.C., Denominação de Origem Controlada, e um total de mais de 200 diferentes rótulos.
TB: Porque não é possível saber com certeza quantos vinhos são produzidos?
Arnaldo: Nós plantamos nas mais diversas regiões da Itália e engarrafamos na região de Fossalta de Piave, perto de Veneza. Como a produção é muito grande e existe um movimento atual de valorização dos rótulos regionais, não conseguimos saber com plena certeza quantos são os rótulos. Neste exato momento mais um produto de nossa empresa pode estar sendo criado.
TB:Como vocês vêem o mercado brasileiro?.
Enzo: É um importante mercado potencial se levarmos em conta o baixo consumo atual. Enquanto o consumo per capita na Itália está em torno de 52 litros/ano, no Brasil está em torno de 2 litros/ano. Com o aumento da renda per capita no país, a tendência é um aumento da capacidade de compra. Além disto, cada vez mais pessoas começam a se interessar pela bebida. Atualmente exportamos 600.000 garrafas/ano para o Brasil.
TB: Qual o grau de interesse dos grandes produtores em estados como a Bahia?
Arnaldo: A Bahia como estado em franco desenvolvimento está chamando atenção de empresários das mais diversas áreas, inclusive a nossa.
TB: Qual a tendência mundial para o mercado do vinho?
Arnaldo:Um aumento nos países emergentes e a estabilidade nos países mais tradicionais. O Brasil teve um aumento de 6% no consumo de vinho no último ano e a Itália teve manutenção do seu índice. A Inglaterra foi o único país do velho mundo a aumentar seu consumo, em 5%, devido ao baixo consumo per capita para padrões europeus, em torno de 15 litros/ano.
TB: Além do Brasil, quais os países representam os melhores mercados potenciais ?
Enzo:China, Índia e países do Leste europeu, especialmente a Polônia que tem 42 milhões de habitantes e não produz vinho.
TB: Quais países mais importam seus vinhos?
Arnaldo: O Canadá com 4 milhões de garrafas é o nosso maior cliente. Lá, o mercado de vinho é controlado pelo governo que escolhe, compra e distribui os vinhos em todo o território nacional. Outros países como a Finlândia, Noruega e Suécia adotaram o mesmo modelo. O controle estatal é tamanho que é o governo quem determina os vinhos que podem ser vendidos nos restaurantes de cada cidade. Além do Canadá, a Dinamarca, Estados Unidos e Brasil são importantes clientes.
TB:Qual o vinho que o mercado atual deseja?
Arnaldo: Vinho tinto, encorpado, frutado, macio e redondo.Em nossa produção, especialmente os vinhos das castas Nero d’Ávola, Montepulciano d’ Abruzzo e Primitivo. Esta última uva, geneticamente semelhante à Zinfandel americana, recebeu este nome pois foi a primeira uva plantada na Itália , em 600 a.c, tendo sido introduzida no país pelos cartagineses.
TB: O que vocês acham das leis de Apelação Controlada na Itália?
Enzo: Muito rígidas, talvez as mais rígidas da comunidade européia, e burocráticas. A produção é controlada por diversos ministérios, o que cria vários obstáculos para os empresários do setor. Existe a necessidade de mudança das leis.
TB: Qual as novidades da Vinícola Carlo Botter ?
Arnaldo: Compramos no ano passado uma propriedade na Argentina, mais precisamente em Tupungato, Lujan de Cuyo, Mendoza, que irá iniciar a produção no próximo ano. A vinícola é a Agrícola de Los Andes, onde estamos cultivando Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Tempranillo e Chardonnay. Outra novidade é o lançamento do vinho Amanda, produzido exclusivamente para atender o gosto feminino. Este vinho foi concebido através de um questionário na Internet que tentou aferir as características que as mulheres desejam encontrar no vinho. Ao contrário do que se pode pensar, a maioria das mulheres preferem um vinho tinto seco, com taninos finos, macio e saboroso. Também vamos lançar um vinho com rótulo assinado por um artista plástico brasileiro, algo inédito para nós.
TB: Como você classifica o vinho brasileiro?
Arnaldo: No Brasil existe uma boa base tecnológica para produção de vinhos, mas um terroir adverso. O país consegue produzir vinhos razoáveis para os que procuram vinhos simples ou medianos.
TB: E sobre os tipos de rolhas?
Arnaldo: As rolhas naturais estão cada vez mais caras e chegam a custar até 30% do valor final do vinho engarrafado. A busca por soluções mais baratas e confiáveis já é antiga. Boa parte dos nossos consu-
midores preferem as rolhas sintéticas por não passarem para os vinhos aromas e sabores desagradáveis como uma parte das rolhas naturais o fazem. Outra opção que, cada vez mais, toma vulto é a rolha Stelvin, do tipo rosca.
CONFRARIA
l Uma divertidíssima mesa Internacional de degustação foi montada para a apreciação de vinhos franceses de alta qualidade. Os italianos Arnaldo e Enzo Botter, o francês Sylvain Gardet e a brasileira Lícia Fábio formaram parte do grupo.
l A Queda da Bastilha foi comemorada ontem no Hotel Sofitel Salvador. O coquetel comemorativo promovido pelo consulado francês reuniu autoridades, personalidades locais e a comunidade francesa residente na cidade.
l Alexandre Visnevski e Patrícia Andrade casaram-se na última sexta-feira em alto estilo. Sob a batuta de Milton Martinelli foi servido o espumante Angas Brut, raríssimo em Salvador , e o tinto Wombat Gully.
l Depois do sucesso da noite de queijos e vinhos realizada no último dia 8, o Hotel Sofitel Salvador preparou para hoje a reedição do evento. Reservas pelo Tel. 2106-8505
l Outro restaurante que resolveu investir ainda mais em qualidade foi a churrascaria Sal e Brasa. Desde a semana passada conta com nova carta de vinhos.
l Como não existem mais lugares disponíveis para a noite de queijos e vinhos do Hotel da Bahia que será realizada hoje, a gerência do hotel resolveu disponibilizar reservas para o dia 22 de julho.
Informações pelo tel. 3255-2022 ou 3255- 2028.
Moscato di Pantelleria
Artigo de 08/07/2005
Esta pequena ilha de origem vulcânica situada entre a Sicília e a Tunísia, desconhecida para a maioria das pessoas, é para mim um importante local do mundo. É deste pequeno espaço que provém o que considero o mais saboroso vinho de sobremesa da Itália. A minha paixão pelo Moscato Passito di Pantelleria começou há mais de dez anos atrás, nas prateleiras do Free Shop do Aeroporto de Guarulhos, onde eu procurava novos rótulos e experiências que me tirassem da monotonia dos Porto e Sauternes. De lá para cá tenho sido um fiel admirador de sua elegância, aromas e sabores. Causa-me estranheza contudo, a pouca importância que é dada no nosso país aos vinhos de sobremesa e mais especificamente a este maravilhoso vinho.
Pantelleria é o território italiano localizado mais ao sul, quase que na África, sendo intensamente banhada pelo sol, o que possibilita um extremo amadurecimento das uvas ali plantadas. A Zibibbo, também conhecida como Muscat D’Alexandria, é a matriz desta especial bebida. As uvas desta região, doces devido à sua maturidade, depois de colhidas são deixadas ao tempo para que sofram a ação do sol e desidratem até quase se transformarem em passas, tornando-se ainda mais doces, antes de serem utilizadas para a produção.O nome que o vinho recebe é uma alusão à uva, Moscato, ao grau de desidratação das uvas utilizadas, Passito, e à região de origem, Pantelleria.
Diz a lenda que a Deusa Tanit se apaixonou pelo Deus Apolo e decidiu impressioná-lo. Sem saber como chamar a atenção do amado, ser extremamente assediado, a bela Tanit procurou Vênus, Deusa do amor, em busca de conselhos. Vênus sugeriu que Tanit fosse ao Monte Olimpo, lar dos deuses, e, disfarçando-se de serviçal, se aproximasse de Apolo e o encantasse. A esperta Tanit decidiu que além dos seus atributos naturais contaria com mais um atrativo em sua tentativa de sedução. Ao ser solicitado que levasse a Apolo um cálice de ambrosia, a bebida dos deuses, trocou o conteúdo da taça pelo vinho que produzira com as uvas da ilha de Pantelleria. Apolo , ao tomar o vinho, não só se interessou pela falsa serviçal como também pela bebida que esta produzira, caindo de amores por ambas. Desta estória provém o hábito italiano de dizer que o maravilhoso vinho de Pantelleria é a “Bebida dos Deuses”. De concreto, atribui-se aos fenícios a introdução das uvas na ilha, mas não existe registro confiável de quando o vinho começou a ser produzido. A partir de 1883 o vinho passou a ser conhecido fora de Pantelleria e ganhou destaque primeiramente na Sicília para logo depois conquistar toda Itália e por fim o resto do mundo.Em 1900 recebeu prêmio na Exposição Internacional de Paris.Em 1971 o Moscato Passito di Pantelleria passou a ser uma D.O.C. , Denominação de Origem Controlada, com toda regulamentação inerente a este atributo.
O Moscato é um vinho aveludado, doce e generoso.Sua cor varia do amarelo-ouro ao castanho. Possui aromas e sabores de frutas cítricas e mel, sendo geralmente servido como vinho de sobremesa ou aperitivo, à temperatura de 8 a 10 graus centígrados.
A verdade é que vinhos como o Passito são muito adequados ao nosso clima e a sua pequena aceitação em nosso meio é reflexo de falta de informação e não de ausência de predicados. É um vinho de alta qualidade, geralmente mais barato que os similares de outros países e que portanto apresenta excelente relação Custo x Benefício. Da próxima vez que estiver em contato com uma garrafa deste vinho, sugiro que a tome para si e
abra seus horizontes como um dia eu mesmo o fiz.
CONFRARIA
l Antônio Celso pela Claro e Vinícius Cardoso pela Citröen irão patrocinar a primeira feira internacional de vinhos de nossa cidade. A Wine Bahia 2005 by Claro contará com algumas das maiores importadoras do país e além das degustações livres oferecerá cursos básicos e avançados, degustações orientadas e jantar enogastronômico.
lUma noite especial foi proporcionada pela rede Sofitel, em sua unidade de Salvador, para um selecionado grupo de convidados no último dia 30. Pela primeira vez nossa cidade sediou um evento para promover todos os hotéis da bandeira Sofitel na América Latina. Na ocasião foram mostrados diferenciais adotados pela rede, como o aroma de ambientes, a seleção de músicas para o lounge e a nova cama, denominada My Bed, que será instalada progressivamente em todos os hotéis Sofitel no mundo. Com preço estimado em R$ 7.000,00, a cama estará disponível pela internet para aqueles que desejarem adquirí-la. Boa comida, bons espumantes e um raro clima de felicidade e descontração em um ambiente elegante. Parabéns a João Carlos Pollak, Marcos Palmeira e Cristina Mendonça.
lGeovânia Carneiro inaugurou no último dia 29 a Academia Beauty Seven de Beleza e Estilo com uma palestra sobre Motivação proferida por René Simões.
lCamila e Romenilson Rehem, da Mercato di Vino, receberam convidados nesta última quarta-feira no Empório Santa Maria, para degustação dos vinhos das vinícolas Altas Cumbres, Coppola, Torres e Miguel Torres. Destaque para o vinho californiano Coppola Rosso 2003.
lA Cheiro de Pizza lançou nesta última quarta-feira em concorrido jantar enogastronômico sua nova carta de vinhos. Entre os presentes, Nice e Paulo Sampaio, Verinha e Tony Luedy, Olga e Alfeu Luedy, Fred e Margarida Luz, Eliana e Rai Cavalcanti, Melissa e Vinicius Cardoso.
lO Hotel Sofitel Salvador realizará noite de queijos e vinhos aos dias 08, 15,22 e 29 de julho, sempre ás 19 horas. Além de vários tipos de queijo haverá um Buffet elaborado pelo chef Sebastião Torres e direito a uma garrafa de vinho por casal . O valor é de R$ 70,00 por pessoa . Reservas pelo Tel. 2106-8505
lNa noite de queijos e vinhos do Hotel da Bahia, dia 15 de julho, ás 20 horas, serão apresentados, entre outros, o Deetlefs Stonecross Pinotage da África do Sul, Graffigna G Malbec da Argentina, Viu Manent Carmenére Reserva do Chile, Sandalford Element Shiraz /Cabernet Sauvignon da Austrália.Serão servidos 12 diferentes tipos de queijo além de frios, patês, pães, frutas e sobremesas. Informações pelo tel.
3255-2022 ou 3255- 2028.
lChegou ontem a Salvador Arnaldo Botter, um dos grandes produtores da Itália. O empresário vem verificar possibilidades de investimento no estado
lParabéns mais que especiais para Michel Telles. Que sua alegria esteja sempre a nos contagiar e que sua simplicidade o conduza para posições cada vez mais elevadas.
Vin Santo
Artigo de 01/07/2005
Conversando com alguns empresários baianos que comercializam vinhos, me dei conta de como este que é um dos mais famosos e respeitados vinhos da Itália é menosprezado em nosso país. Poucos ouviram falar dele e menos numerosos ainda são os que o beberam. Vinho alegre, comemorativo, festivo que costuma ser chamado na Itália de vinho da amizade e da hospitalidade, é um vinho que combina muito com a personalidade de nosso povo e com os hábitos de nossa gente.
A origem de seu nome é confusa. Alguns consideram que se deve a um frade italiano que no século 14 , durante a sua missa, ungia os presentes com esta bebida e atribuía-lhe propriedades medicinais, milagrosas. As pessoas então teriam passado a chamar tal vinho de Vinho Santo.Outras correntes consideram que a denominação data de 1349 quando o patriarca da Igreja Ortodoxa Grega, John Bessarion, visitou Florença e ao tomar o vinho local , Vin Pretto, que não é mais produzido mas que era muito parecido com o que hoje chamamos de Vin Santo, referiu-se a ele com uma palavra grega cuja sonoridade lembrava a palavra italiana santo. Em respeito ao ilustre convidado os italianos passaram a chamar o Vin Pretto e seus similares de vinho santo. Contudo, o mais provável é que o nome se deva ao uso deste vinho pelos padres durante as missas, hábito surgido há vários séculos. A religiosidade presente em seu nome costuma se manifestar também na freqüência em que ele é ingerido na Toscana, sua região de origem. É impossível imaginar uma refeição naquela parte do mundo que não seja terminada com um cálice deste saboroso vinho.
A produção do Vin Santo de qualidade é um processo demorado e trabalhoso. As uvas a serem utilizadas na produção , que costumam ser da casta Malvásia ou Trebbiano, são secadas por até seis meses. O calor dos locais de estocagem faz com que as uvas desidratem e portanto concentrem seu açúcar. Estas uvas desidratadas são prensadas com os resíduos de um lote prensado anteriormente e o mosto resultante descansa por até cinco anos em pequenos barris, de carvalho em sua maioria, chamados de Caratelli. O vinho resultante geralmente é uma bebida de cor acastanhada que pode chegar ao dourado, cremosa, doce e saborosa , com notas de mel e madeira e altos níveis de álcool. Porém , conforme o desejo do produtor, pode se apresentar como vinho seco, meio-seco ou suave. Alguns produtores recomendados deste vinhos são Antinori, Frescobaldi, Badia, Avignonesi, Castello di Cacchiano, San Giusto, Coltibuono, Rentennano.
Em 1997 foi criada a Denominação de Origem Controlada, D.O.C., do Vin Santo de Chianti, regulamentando a sua área geográfica e sua produção. Uma outra Denominação de Origem Controlada é a do Vin Santo de Chianti Clássico, apelação de muita fama e cuja qualidade esta á altura deste prestígio. Talvez a D.O.C. em que o vinho seja produzido da forma mais tradicional seja a do Vin Santo de Montepulciano. Nas melhores áreas desta subregião são produzidos três subtipos de Vin Santo de Montepulciano que são o Normale ,o Riserva e Occhio di Pernice.
Os que ainda não tiveram a chance de degustar um bom Vin Santo, ao fazê-lo ficarão surpresos com a qualidade, sabor e preço acessível que este vinho apresenta. É um daqueles produtos que apesar da qualidade está esquecido por pura falta de conhecimento. Uma ótima escolha para qualquer hora do dia e mais especialmente para o final das refeições, conforme a tradição italiana. Seguindo ainda os costumes tradicionais daquele país, um ótimo vinho pra se
presentear aqueles a quem desejamos demonstrar amizade e carinho.
CONFRARIA
l O Hotel da Bahia realizará uma noite de queijos e vinhos no dia 15 que promete ser a melhor já realizada em nossa cidade. Informações pelo tel. 3255-2022 ou 3255- 2028
l Ana e Hélio Botelho comemorarão o aniversário dele, amanhã, em sua residência no Rio Vermelho.
l Vinícius Cardoso que recentemente assumiu a direção da Citröen em Salvador chegou disposto a incomodar a concorrência. Até o dia 1º de agosto, realizará uma promoção de lançamento do Picasso 1.6 16 v.
l A Wine Bahia 2005 terá a participação da revista Prazeres da Mesa. A publicação que foi a revista oficial da Expovinis 2005 estará com um Stand na feira baiana e fará a cobertura e divulgação do evento para todo o país. Algumas das empresas com participação confirmada são a Allied Domecq, Best Wine, K.M. M, Reloco, Miolo, Cresel, Viu Manent, Prima Línea, Marson, e Premium. Maiores informações pelo tel. 9962-1618
l A Adega São Paulo lançará na Wine Bahia os novos vinhos da Marson de categoria Premium, o Reserva Ancelota, Famiglia Marson Cabernet Sauvignon/ Merlot e Famiglia Marson Chardonnay.
l No aniversário de Lícia Fábio semanas atrás, o incansável Antonio Celso mantinha entendimentos para a participação da Claro nos eventos de vinho que acontecerão no Hotel da Bahia nos próximos meses.
l A Cheiro de Pizza lançará sua nova carta de vinhos em jantar eno-gastronômico para convidados no dia 06 de julho.
l O sucesso e qualidade do Takê continuam invadindo fronteiras. Agora é Porto Alegre que terá o privilégio de abrigar a nova filial do restaurante, que será inaugurado no dia 07 deste mês.
l O Hotel Sofitel Salvador realizará uma noite de queijos e vinhos no dia 08 de julho. Reservas pelo Tel. 2106-8505
A volta da Pinot Noir
Artigo de 17/06/2005
Depois da exibição do filme Sideways nos Estados Unidos, que ocasionou um interessante fenômeno no mercado consumidor daquele país, alavancando as vendas dos vinhos Pinot Noir e pondo parcialmente no esquecimento a Cabernet Sauvignon, rainha das últimas décadas, o resto do mundo começa a voltar a atenção para esta nobre casta, da qual pessoalmente gosto muito.
A Pinot Noir é uma uva particularmente exigente e trabalhosa. Por ser extremamente sensível ao clima e solo, facilmente apresentar mutações genéticas e por sua grande instabilidade durante os processos de preparação do vinho é frequentemente evitada pela maioria dos produtores. Contudo, aqueles que aceitam o desafio, geralmente vêem seus esforços recompensados pelo alto desempenho desta casta que origina alguns dos mais saborosos vinhos do mundo. Seus melhores vinhos são complexos, intensos, longevos e saborosos, além de extremamente caros, ultrapassando em muito os preços dos melhores vinhos de Bordeaux.
Escolher um bom Pinot Noir é uma tarefa árdua que requer muita experiência e conhecimento. A personalidade difícil desta casta faz com que muitos dos seus vinhos sejam inconsistentes e muitas vezes não justifiquem o preço que é cobrado. Os vinhos feitos a partir de Pinot Noir apresentam alto teor alcoólico, acidez média a alta, bom corpo, tanino médio. São menos encorpados, menos tânicos, de cores mais suaves que os Cabernet Sauvignon sendo frequentemente mais elegantes e fascinantes. Apresentam sabores e aromas que vão dos frutosos aos terrosos, sendo comum encontrarmos sabores de frutas vermelhas, como morango, cereja ou framboesa, cedro, terra úmida ou couro.
A melhor expressão da Pinot Noir é encontrada nos vinhos da região de Borgonha, França. Os Estados Unidos, mais especificamente os estados da Califórnia e do Oregon, também produzem bons vinhos desta uva, assim como a Nova Zelândia que também possui uma produção de destaque. A Pinot Noir é também plantada em Champagne para juntamente com a Chardonnay e a Pinot Meunier compor a famoso vinho da região.
Muitos dos críticos internacionais consideram que a safra de 2002 de Borgonha, que está sendo entregue agora ao mercado após os necessários anos de amadurecimento em barris de carvalho, será juntamente com a safra de 2003, que ainda se encontra nos barris e chegará em breve ao consumidor, as melhores dos últimos anos. O amadurecimento das uvas em 2003 foi tamanho que a colheita foi antecipada e o vinho resultante mostrou-se com altos níves de álcool e baixa acidez, o que somado a bons níveis de tanino são garantia de um vinho encorpado e longevo. A safra de 2002 ocasionou vinhos elegantes e saborosos com alto nível de complexidade, uma das melhores safras do século. Outras boas safras foram as do ano de 1989 e 1996.
Coincidentemente, a safra americana de Pinot Noir que chega agora ao mercado, a safra de 2002, também é considerada pelos analistas locais a melhor safra dos últimos anos. Alguns classificam a safra de 2002 como a melhor safra de Pinot Noir já vista na Califórnia. Outras safras de destaque foram as do ano de 1994 e 2001.
A verdade é que para os apreciadores de vinhos a Pinot Noir nunca esteve em segundo plano. Para estes conhecedores, a uva sempre foi a matéria-prima para grandes clássicos, sendo a grande surpresa o tempo decorrido para o mercado identificar o potencial e a qualidade que os bons vinhos feitos a partir desta uva apresentam. O que o grande público consumidor com entusiasmo observa no momento não é algo novo. É apenas algo de grande estilo que precisava de um pouco de luz para que os menos
informados pudessem enxergar mais facilmente.
CONFRARIA
l Parabéns para Lícia Fábio que comemorou ontem seu aniversário.
l Marilúsia Costa é uma das organizadoras do Congresso Brasileiro de Medicina Estética que está sendo realizado no Hotel Othon. O evento que reúne especialistas nacionais e estrangeiros será encerrado amanhã.
l O Armazém Santa Maria promoveu mais um encontro de sua Confraria em um jantar enogastronômico promovido no Cantina Cortile na última terça-feira.
A vinícola Aurora conquistou Gran medalha de Ouro pelo seu espumante Conde de Foulcaud Brut no China Wine and Spirits Competition 2005, em Shangai, realizado pelos mesmos organizadores do Concurso Mundial de Bruxelas.
l Os charutos Suerdieck voltam a ser produzidos na Bahia. A iniciativa é do empresário carioca Ronaldo Alperin.
l A Domaine Salvador está vendendo o espumante francês Paul Bur a preço especial de R$ 78,00. Telefone é 3263-0050
l A feira Wine Bahia 2005 está atraindo a atenção de vários importadores e vinícolas nacionais. A previsão é que o evento reúna todas as grandes empresas do ramo que atuam no pais.
Para maiores informações o tel. de contato é 9962-1618
Vinho e amor
Artigo de 10/06/2005
O vinho sempre teve sua imagem associada ás ocasiões de festa e ao amor. Não se pode imaginar uma noite entre amigos sem uma garrafa de um bom Cabernet ou um casamento sem o estampido de um Champagne. O que seria do Reveillon sem as bolhas do mesmo Champagne para selar o ano que passou e brindar a esperança de um novo ano?
Foi na Grécia antiga que o vinho passou a ser mais diretamente associado a este nobre sentimento. Àquela época, nos festivais para Dionísio, o Deus do Vinho, conhecido na Lídia como Baco, seja pela ação da bebida ou pelo efeito de cogumelos alucinógenos amplamente consumidos nos festejos, as pessoas atreviam-se muito mais que o permitido socialmente, os casais se sentiam mais livres e apaixonados. Na Roma antiga o vinho era bebida corriqueira, contudo, os bons vinhos se prestavam aos momentos especiais de festejo e amor, para serem consumidos em pequenos grupos ou a dois. A romântica História de Cleópatra e Marco Antônio foi pontuada pelos vinhos egípcios dos Vinhedos Reais, expoentes de qualidade da época, e pelo vinho romano Falerno Opimiano, primeiro Premier Cru do mundo, raro e caro, com o qual o apaixonado romano brindava a beleza de sua rainha egípcia. Chegando á Idade Média, o vinho teve fortalecida sua imagem de bebida dos apaixonados. Shakespeare, ao escrever ‘“Romeu e Julieta”, símbolo de todo o romantismo que se pode esperar, permitiu o cálice de vinho ao proibido amor do casal, mostrando na ficção algo que a vida real já mostrava muito antes: O casamento entre o vinho e o romantismo dos enamorados.
Em 1137 foi o amor que determinou a História do vinho tal como a conhecemos hoje. Em uma época em que Bordeaux era apenas mais um porto para exportação de vinho e a França um conglomerado de Principados e Ducados, Leonor, a filha do Duque de Bordeaux, Guillaume X, casou-se com o filho do Rei de França, o Delfim Luís, tonando-se Princesa e posteriormente Rainha da França. Leonor, mulher de personalidade forte, voluntariosa, descobriu depois de alguns anos de casada que não amava o marid(o. Em 1151 conheceu o filho do Duque da Normandia, Henrique Plantagente, e por ele se apaixonou. Enfrentando por amor todas as dificuldades e recriminações, abriu mão da condição de Rainha e foi com seu novo marido viver em suas terras em Bordeaux em meio aos seus vinhedos. Quis o destino que após dois anos, como que a recompensar Leonor por sua coragem, o jovem Duque se tornasse Rei da Inglaterra e Leonor sua feliz Rainha. Criou-se assim uma relação entre Bordeaux e a Inglaterra, o maior consumidor de vinhos do mundo de então, que impulsionou a venda do vinho francês conhecido como Clarete, transformando a região francesa no que ela é hoje. Outra estória de amor vivida entre cálices de vinho foi a do Rei inglês Henrique VIII, então casado com Catarina de Aragão, filha dos Reis de Espanha, que desta se divorciou unilateralmente para se casar com a sua grande paixão, Ana Bolena. Seu novo casamento foi comemorado com pipas de Xerez e Sack, vinhos espanhóis muito famosos. O casal se reunia diariamente para degustar vinhos e se consolar mutuamente, reunindo forças para enfrentar quase toda a população inglesa que se opunha abertamente ao casamento, da Igreja Católica, que excomungou o apaixonado Rei, e da Espanha e seus aliados europeus que por pouco não declararam guerra á Ilha. Mais uma vez o destino sorriu para os amantes e deste amor obstinado e corajoso nasceu Elisabeth I, a grande Rainha que iniciou toda uma linhagem de soberanos ingleses e até hoje é considerada a maior monarca daquele país.
O advento do vinho espumante de Champagne trouxe a bebida para mais perto dos corações apaixonados. Comparada aos vinhos da época, o Champagne era muito mais doce, fluida e fácil de beber. Encantava aos homens tanto quanto ás mulheres e como era cara e rara, estava sempre associada a momentos de status e elegância, imagem que perdura até hoje. Diz-se que a soberana russa, Catarina, fazia uso da bebida para estimular seus amantes e que Napoleão bebia Champagne em todas as ocasiões de romance.
Seja um Chardonnay degustado em um almoço furtivo no Trapiche Adelaide, vendo o mar da Baia de Todos os Santos ou um Moscato d’Asti bebido com paixão para depois ser derramado no corpo da pessoa amada entre quatro paredes, cabe o vinho ao sentimental e ao carnal. Que dele faça uso os que querem potencializar suas sensações e brindar a alegria. Aos que buscam o torpor e a loucura, os destilados são mais adequados.
Estes são como um adolescente afoito se joga a uma mulher sem a delicadeza do toque, como que a tentar sorver insaciavelmente algo que sequer sabe identificar. Aquele está mais para o amor de um homem maduro, que romântico sabe assumir que ama e que com um beijo transmite a essência do amor e carinho que sente.
Uma grande pessoa disse-me certa ocasião que se encontra o amor apenas uma vez. Aos que deste sentimento desfrutam, que dele muito bem cuidem. Para estes cabe a emolduração perfeita de um Champagne Belle Epoque, ou qualquer outro vinho, na noite que se aproxima. Aos que amaram e não foram amados cabe a esperança de que o ditado esteja errado e se possa amar duas vezes. O importante é estar ao lado da pessoa a quem se ama; Amá-la não por suas qualidades e sim apesar de seus defeitos, sejam eles reais ou imaginários. Então, neste Dia dos Namorados, como em qualquer outro dia em que se deseje celebrar o amor, nada melhor que brindar com vinho, pois nenhuma bebida
suscita tanta reflexão e emoção.
CONFRARIA
l O Hotel da Bahia prepara para julho uma noite de queijos e vinhos. A feira de vinho que o hotel promoverá está confirmada para agosto.
l O Alfredo di Roma está adquirindo novos rótulos para aumentar sua carta de vinhos. Entre os escolhidos o Casa Patronales Cabernet Sauvignon 2003, Signature Cabernet Sauvignon 1998 e o Armagh 2001, um dos três melhores Shiraz “Top” do mundo.
l A Domaine Salvador tem recebido vários clientes nos finais de tarde para apreciar os vinhos da casa. Para quem quiser reservar um lugar neste Happy Hour, o telefone é 3263-0050.
l O Baby Beef oferecerá durante o jantar do Dia dos Namorados, uma taça de Espumante Argentino Mumm e rosas para seus clientes.
l Na noite do Dia dos Namorados o Restaurante Paraíso Tropical irá oferecer rosas vermelhas aos casais presentes. Além disto, na compra do espumante Paul Bur será ofertado outro gratuitamente.
Em época de amor, dois exemplos de casais inseparáveis são Solange e Sérgio Carneiro, Olga e Alfeu Luedy.
Tokay
Artigo de 03/06/2005
Tokay é a grafia inglesa da palavra húngara Tokaj que denomina o vinho produzido naquela região da Hungria. O Tokay foi entre os séculos XVII e XVIII o vinho mais desejado e reconhecido do mundo. Tido como o vinho dos reis era fonte de inesgotável riqueza para seus produtores. Ouro líquido, assim era chamado!
Este vinho húngaro de origem incerta é produzido com as uvas Furmint, Hárslevelü e Muscat. Atribui-se aos imigrantes italianos, no século XIII, as primeiras plantações destas videiras, cujos frutos eram utilizados para produzir um vinho seco de mesa. Em 1650, devido a um possível ataque turco à região de Tokaji-Hegyalja, os proprietários do castelo de Tokaj, a Família Rákóczi, resolveram atrasar a colheita. Este atraso fez com que o fungo Botrytis Cinérea atacasse as uvas e lhes concentrasse os açúcares. O vinho resultante mostrou-se intensamente doce, forte e delicioso como nunca antes outra bebida havia conseguido ser.
O processo de fabricação do Tokay se sofisticou e passou a compreender várias fases, resultando em diversos vinhos diferentes. Inicialmente as uvas atacadas pelo fungo eram colocadas em tonéis e o peso das uvas das camadas superiores extraia o suco das uvas localizadas nas camadas mais inferiores. Processo hoje conhecido como maceração carbônica, pois o dióxido de carbono liberado pelas uvas esmagadas das camadas inferiores inicia a fermentação nas uvas das camadas superiores. Este suco resultante da primeira extração, extramente doce e concentrado, denso como mel, era denominado Tokaj Essenczia, frequentemente utilizado como ingrediente de preparados e não como vinho. Tido como um elixir, às vezes como remédio, possuía valor extremamente alto, um produto de uso limitado à realeza. Depois de extraído o Essenczia, a mistura de uvas e fungos restantes, conhecido na Hungria como Aszú, recebia o suco das uvas não atacadas pelo fungo e o conjunto era pisado para gerar o Tokaj Aszú. Depois de extraído o Aszú, à massa restante era acrescentado mais suco de uvas amadurecidas naturalmente e realizada uma nova pisa para extrair um vinho de qualidade inferior conhecido como Maslas.
Especula-se que o sistema de classificação de Tokay, tenha sido o primeiro do mundo. Em 1700, os vinhedos já eram classificados, segundo nomina latina, em vinhos de primae classis, secundae classis e assim por diante. Os vinhos primae classis excepcionais recebiam a denominação de “pro mensa Caesaris primus”. Tal fato denota a importância deste vinho para o mundo da época e a preocupação dos produtores em não permitir o comprometimento da imagem deste produto.
Nos dias atuais se produz o Tokay com as uvas Furmint, Hárslevelü, Muscat Lunel e Oremus. Este vinho húngaro não deve ser confundido com o vinho produzido na Alsácia que recebe o nome Tokay, pois ali esta palavra é sinônimo de Pinot Gris.
O Essenczia, já caro no passado, apresenta hoje valores impagáveis. O vinho mais acessível e disponível é o Tokaj Aszú. Hoje, para produzi-lo, o fabricante separa as uvas botrytisadas, que vão gerar a “massa Aszú”, das que não foram afetadas pelo fungo e que vão produzir o vinho básico. A este vinho básico é misturada uma quantidade variável de massa Aszú, medida através de um cesto que comporta perto de 20 kilos de massa, ou 20 litros, conhecido como puttonyos. A mistura de massa e suco é colocada em pequenos tonéis de madeira, de 140 litros, conhecidos como Gönc.
O vinho Tokaj é classificado de acordo com sua doçura e como a doçura do Aszú pode ser medida pelo número de puttonyos utilizados para produzi-lo, temos:
s Tokay Aszú 3 puttonyos, o que corresponde a 80 litros de vinho básico misturados a 60 litros de massa. Vinho doce com até 9% de açúcar residual.
s Tokay Aszú 4 puttonyos, até 12% de açúcar residual. Equivalente ao açúcar residual do vinho Sauternes da região de Bordeaux, França.
s Tokay Aszú 5 puttonyos, até 15% de açúcar residual.
s Tokay Aszú 6 puttonyos, até 18% de açúcar residual. Extremamente doce
s Tokay Aszú Essenczia, produto da mistura do Aszú 6 puttonyos com o Essenczia. Vinho excessivamente doce com açúcar residual superior a 18%.
s Tokay Essenczia, com açúcar residual que chega aos 70% , chega a ser inclassificável.
Após ter sofrido a ação da Filoxera, das guerras mundiais e da ocupação soviética, os vinhedos húngaros perderam muito de sua qualidade de outrora. Contudo, a partir de 1990, com a queda do comunismo, houve um ressurgimento do vinho local e a busca crescente por qualidade.
O vinho Tokay é e sempre foi um ícone. Mesmo que não se possa ter acesso a este vinho, saber de sua existência nos revela um horizonte, um limiar de qualidade, um parâmetro para comparação. Algo que talvez os que consideram o vinho uma simples bebida não consigam conceber e que os
cultos admiradores do vinho devem reverenciar.
CONFRARIA
l Noite francesa na casa de Maria Emília e Sylvain Gardet. Degustação de Champagnes de produtores desconhecidos no Brasil e de um excepcional Gevrey-Chambertain. Os vinhos apresentados foram os Champagnes Charpentier, Robert Oudea Premier Cru, Saint Gall Rosé Premier Cru, Piollot Cuvée de Reserve, Piollot Milesimé 2000 e o Gevrey-Chambertain 2002, Domaine la Ramée. Tudo acompanhado por maravilhosos Fois Gras e patês. O anfitrião, comerciante de vinhos na França, está considerando a possibilidade de importar tais bebidas para nossa cidade.
l A Wine Bahia 2005, feira de vinho que acontecerá no Hotel da Bahia ao dia 06 de agosto, deverá movimentar o mercado local. Além de degustações dirigidas e livres estão programadas palestras, cursos e um jantar enogastronômico. A proprietária da importadora paulista Best Wine, Sylmara Santos, esteve em Salvador esta semana para confirmar a presença de sua empresa no evento promovido por Flávia Palhares. Informações pelo Tel.81173167.
l A Cantina Panzone promoveu esta semana um jantar enogastronômico de qualidade. Destaque para o Javali com alecrim e para os vinhos Alios de Sainte Marie 2001 e Domaine Viret, Solstice, 2001. A romântica música italiana de Sérgio Luiz emoldurou a noite.
l Dia 08 de junho Solange Carneiro completa mais um feliz ano de vida. Os nossos parabéns para esta mulher especial, amiga de todas as horas, que com o marido,
Sérgio Carneiro, forma um casal iluminado.
Iguais ou diferentes
Artigo de 27/05/2005
A globalização tem se feito presente também no mercado mundial de vinho. Uma perigosa e cada vez maior customização dos produtos, devido a interesses francamente comerciais, faz com que os vinhos percam sua característica diversidade de sabores, deixando muitas vezes apenas os pequenos produtores como fonte de produção de vinhos intrigantes, já que as grandes companhias voltam a sua produção para atingir o maior número de consumidores que seja possível e moldam a sua produção conforme o gosto da grande massa. Atualmente, como o mercado consumidor está voltado para os vinhos frutados, é esta a característica que os grandes produtores imprimem em seus vinhos, muitas vezes suprimindo outras características como o amadeirado ou o terroso, tornando-os previsíveis e sem graça.
Felizmente o avanço da tecnologia embarcada nas vinícolas, que possibilita que alguns vinhos sejam excessivamente “maquiados”, realçando apenas as características que possam aumentar as vendas, propicia também a algumas empresas que buscam produzir produtos “Top”, únicos, os meios necessários para estimular a diversidade de aromas e sabores que seu vinho pode apresentar, gerando um produto com identidade própria, singular, fazendo assim frente a este nivelamento mundial do produto. Para o público apreciador de qualidade, que entende o preparo do vinho como uma arte e não uma ciência exata são estes produtores que mantêm viva a vitivinicultura que tanto os apaixona.
Desta forma, ao mesmo tempo em que temos uma grande maioria de vinhos extremamente comerciais, iguais, sem graça, frutos apenas da alta tecnologia e não da arte, temos também os vinhos de grande qualidade que têm na tecnologia não uma forma de disfarçar seus defeitos e sim de realçar suas qualidades. Para exemplificar tal situação cito uma crônica de James Suckling, renomado especialista americano de vinhos. Conta ele que em uma de suas viagens a Los Angeles foi convidado por um empresário amigo para um jantar em um dos restaurantes mais caros da cidade. Do jantar participariam oito pessoas que dias antes da data do evento deveriam comprar e levar ao restaurante escolhido, em sigilo, uma garrafa de vinho de sua escolha. Os vinhos seriam harmonizados com pratos indicados pelo Chef da casa, sem o conhecimento dos comensais, para uma degustação às cegas. O comprador do vinho de pior qualidade arcaria com a fabulosa despesa da brincadeira. O jornalista, a esta altura em desespero com a possibilidade de tal ônus, pronto a declinar do convite, foi informado por seu amigo que este se encarregaria de escolher, comprar e levar vinhos para ambos. Não havendo como fugir do compromisso, acabou por aceitá-lo. Foi neste momento que uma imensa dúvida assolou a mente do nosso aflito especialista. A compra do vinho por parte do amigo era uma dádiva por livrá-lo do desembolso necessário para a aquisição de um vinho certamente caríssimo ou uma armadilha que começava a se formar para fazê-lo arcar com uma conta astronômica? Assustado, mas sem opção, no dia e hora marcados, seguiu James para seu encontro com o destino. O restaurante, que havia recebido previamente as garrafas, as numerou e colocou em decanters também numerados. Os decanters foram postos à mesa e os vinhos foram servidos em grupos, acompanhando os vários pratos do jantar. Cada participante deu nota aos vinhos e, mudando-se a regra inicial, combinou-se que os compradores dos dois piores vinhos pagariam a conta. Uma vez escolhidos os melhores e piores vinhos, os nomes de cada um deles, e de seu adquirente, foram revelados. Para surpresa de todos e desespero de um, o pior vinho do encontro foi um caríssimo Château Trotanoy 1970, raro vinho só encontrado em leilões especializados. O segundo pior vinho, e nova surpresa, foi um Chatêau Petrus 1989, considerado o melhor vinho de Bordeaux, que alguns anos antes havia recebido 100 pontos, o máximo, em degustação realizada pela crítica especializada, mas que àquela altura aparentemente começava a sentir o peso da idade. O ganhador do encontro foi o americano Martinelli Syrah 1999, tão inespecífico que o especialista chegou a pensar ser um vinho espanhol, seguido de perto pelo vinho de James, o Marquis Philips Shiraz 2002, um vinho de qualidade, porém facilmente encontrado e do Gere Hill Átila Kopar Cuvée 2000, da Hungria, país que tem tradição apenas na produção dos vinhos Tokaj.
Vemos da narrativa o quanto os vinhos hoje podem ser parecidos, a ponto de enganar um espe-cialista que degusta mais de 300 vinhos em um mês. Por outro lado, mostra-se o quanto alguns vinhos, mesmo não sendo tradicionais, podem ser manipulados para atingir alto grau de desempenho, chegando a superar a qualidade dos vinhos mais emblemáticos. Tal situação reforça a posição de que escolher um vinho de qualidade não é escolher um rótulo. Para fazer uma boa escolha não é bastante apenas
ter o dinheiro, é necessário o bom gosto e o conhecimento.
CONFRARIA
l Muito badalada a festa de Carolina Lisbôa. Seu pai, Eduardo Lisbôa, enófilo de carteirinha, escolheu o espumante Paul Clement como vinho da noite.
l A Arte e Banho, juntamente com Marta Paiva e a Sensciense promoveram coquetel na última segunda-feira para o lançamento de sua Mostra de Decoração de Banheiros, com presença do estilista Fause Haten e a empresária Geovânia Carneiro, entre outros. O vinho servido foi o leve espumante Grandial, que em noites quentes sempre é uma boa opção.
l O restauranter Constantino Amato está de volta à Bahia para promover a Semana de Música Italiana, de 30 de maio a 04 de junho, na Cantina Panzone. Serão jantares, acompanhados pelas boas opções da Carta de Vinhos da casa e pela música napolitana na voz de Sérgio Luiz, um italiano que vive no Brasil há 52 anos e vem a Salvador lançar seu novo CD.
l A casa Valduga lançou a Linha Mundvs, vinhos elaborados a partir de variedades específicas das mais importantes regiões vitivinícolas do mundo. O primeiro vinho da linha, já disponível no mercado, é o Malbec.
l O Cheiro de Pizza é outro restaurante que resolveu investir em vinhos e oferecer aos seus clientes novas opções. Sua nova carta será lançada em breve.
l Semana festiva para Nice e Paulo Sampaio. Vários encontros com amigos para comemorar a passagem do aniversário dela.
Quatro estações
Artigo de 20/05/2005
A Santa Helena, uma das maiores vinícolas chilenas, fundada em 1865 no Colchagua, Vale Central, com exportações que ultrapassam os 36 milhões de garrafas/ano e produção de vinhos comerciais, de boa relação Custo X Benefício, representada no Brasil pela importadora Interfood, resolveu investir no segmento dos vinhos de alta qualidade com o lançamento de uma série especial de vinhos Premium e Super Premium chamada de Quatro Estações. Essa seleção chega ao mercado nacional nas apresentações Selección Del Directorio, Vernus, Notas de Guarda e Don (De Origen Noble).
O Selección Del Directorio, considerado de categoria Premium, além de ser um vinho de excelente qualidade tem na escolha das variedades de uvas oferecidas com essa assinatura um atrativo adicional, sendo capaz de harmonizar diferentes pratos, nas mais variadas ocasiões. Entre os varietais tintos trazidos para o mercado brasileiro chegam o Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère e Pinot Noir, e os brancos Chardonnay e Sauvignon Blanc. Os tintos passam por um envelhecimento que varia de oito a 10 meses, enquanto os brancos ficam envelhecendo por aproximadamente seis meses.
O vinho Vernus, do latim Primavera, é um Super Premium do Vale do Colchagua, produzido em duas versões. A primeira é um corte de Cabernet Sauvignon (86%), Carmenère (9%) e Syrah (5%), envelhecido por 12 meses em barris de carvalho francês. A segunda, também um vinho Super Premium, é um blend de uvas Cabernet Sauvignon (78,5%), Merlot (13%) e Carmenère (8,5%), envelhecido em barris de carvalho francês entre 12 e 14 meses.
O Notas de Guarda, que é classificado como Ultra Premium, é um vinho que reúne complexidade e elegância apresentada também em duas versões. O Notas de Guarda Carmenère, composto por 85% de uvas Carmenère, 10% de Cabernet Sauvignon e 5% de Merlot, e o Notas de Guarda Cabernet Sauvignon, que tem em sua composição 90,3% de Cabernet Sauvignon e 9,7% de Merlot. Esses vinhos passam por um processo de envelhecimento em barris de carvalho francês que dura de 10 a 14 meses, dependendo da uva.
O Don (De Origen Noble), outro vinho Ultra Premium, de altíssima qualidade, é comparável aos bons vinhos da Itália e França. Blend de uvas Cabernet Sauvignon (83%), Merlot (12%) e Carmenère (5%), é Um vinho singular, envelhecido por 14 meses em barris de carvalho francês.
O livro “La Guia de Vinos” especializado em vinhos chilenos, de autoria do jornalista e enólogo Patrício Tapia colaborador de diversas publicações sobre vinhos, inclusive da revista Wine & Spirits, em sua 7a edição, gradua o Santa Helena Quatro Estações Don 2002 com três estrelas e 90 pontos, o Notas de Guarda Cabernet Sauvignon 2002 com duas estrelas e 87 pontos, e o Carmenère 2002 com duas estrelas e 89 pontos. Todas as safras avaliadas foram 2002. Outro destaque do guia foi para o Seleccíon Del Directorio Merlot 2003, que atingiu um dos melhores coeficientes de qualidade e preço, com 90 pontos conquistados.
Estes vinhos da linha Quatro Estações, que já estão disponíveis ao consumidor baiano, refletem a busca da qualidade nas bebidas produzidas no Chile, movimento que nos últimos anos tem se intensificado, fazendo com que aquele país deixe de ser encarado unicamente como fonte de vinhos simples e baratos. Apesar de haver muitos vinhos comerciais de pouca ou muito pouca qualidade, assim como na Argentina, até mesmo as empresas que sempre estiveram ligadas a este tipo de produção hoje almejam a condição de criadoras de vinhos de qualidade superior. Tal movimento, verdadeira revolução, tornou os vinhos chilenos excelentes
opções de compra, contribuindo para que sejam cada vez mais apreciados.
CONFRARIA
l A Galeria de Arte MCR, de Cláudia e Marcos Cury, realizou, nos salões do Bahia Othon Palace Hotel, leilão que movimentou o mercado de Artes Plásticas da cidade. Sucesso de público e vendas.
l Amanhã é dia especial para Carolina Lisbôa que comemora com seus pais, Kátia e Eduardo Lisbôa, família e amigos a passagem de seu aniversário.
l A Diageo, companhia líder mundial em bebidas alcoólicas Premium, lançou no Brasil a meia garrafa do vinho San Telmo.
l Na última terça-feira um jantar para convidados movimentou o novo restaurante Matsuri, especializado em comida asiática, no Parque Costa Azul.
l O Restaurante Paraíso Tropical, seguindo uma tendência do mercado, incrementou sua carta de vinhos com a introdução de dez novos rótulos, entre tintos e brancos, de paises como Portugal, França e Chile, sob a orientação de Celso Mathias da Domaine Salvador.
l A Miolo acaba de lançar o RAR 2003 e os vinhos do Projeto Seival, o Fortaleza do Seival Tannat e o Fortaleza do Seival Tempranillo.
l Vera Feijó e José Augusto Andrade, presidente da Associação de Hospitais do Estado da Bahia, se reuniram para almoço enogastronômico. O Casa Patronales Cabernet Sauvignon Reserva 2003 e o Lodge Hill Shiraz 2002 foram
alguns dos vinhos degustados.
As novidades de 2005
Artigo de 06/05/2005
Chegamos ao segundo trimestre de 2005 e as expectativas geradas no final do ano passado começam a se consolidar. O mercado brasileiro de vinhos realmente encontra-se em fase de franca expansão, a Argentina lança vinhos em massa e procura agregar a maior fatia possível do mercado brasileiro e a Austrália se firma como um celeiro de bons vinhos. A grande novidade fica por conta da chegada cada vez maior de vinhos portugueses de boa qualidade ao Brasil, fruto de uma estratégia de mercado assumida pelos produtores daquele país.
Entre os vinhos expostos na Expovinis, feira internacional que ocorreu em São Paulo na última semana, interessantes novidades, algumas já disponíveis ao público, outras que estarão disponíveis no segundo semestre do ano, foram apresentadas, assim como as novas safras de vinhos já consagrados.
Edson Hermann, da importadora Decanter, representada em Salvador pela Vinde Vinhos (Tel.34844612) apresentou os vinhos Portugueses de Anselmo Mendes, por duas vezes eleito o enólogo do ano em seu país, o Muros Antigos (R$ 80,00) e o Muros de Melgaço (R$ 120,00), ambos de safra 2004, feitos com a uva Alvarinho. A surpresa ficou por conta do também português, Dorina Lindemann 2004 (R$150,00), produzido por Jorge Böhm feito com as uvas Aragonês e Syrah, extremamente aromático e saboroso. Outros destaques foram o chileno Estampa Carmenére 2003 (R$ 70,00) e o italiano Cerviolo 2000 (R$200,00), excelentes vinhos com boa relação custo x benefício.
A K.M. M., que também possui representação em Salvador (Tel.81225278), através de sua proprietária, Marli Predebon, apresentou uma gama de vinhos australianos de excelente qualidade. Destaque para o espumante Angas Brut (R$ 74,00), feito pelo método de Champenoise, um vinho saboroso e equilibrado, o Five Mile Creek 2003 (R$ 36,00), corte de Cabernet Sauvignon e Merlot, vinho extremamente aromático, com sabores de ameixas, amoras e especiarias, o Cover Drive 2002 (R$ 149,00), um Cabernet Sauvignon com aromas e sabores de eucalipto e menta, e para o Lodge Hill Shiraz 2002 (R$ 149,00), vinho com aromas e sabores complexos de cereja, ameixa, menta e pimenta, de bom corpo e equilíbrio, excelente retrogosto e uma maravilhosa relação custo x benefício. Do Cone Sul merecem destaque os chilenos Casa Patronales Carmenére 2003 (R$ 42,00), Botalcura El Delírio 2003 (R$ 64,00) e o Argentino Saurus Patagônia Select Malbec 2003, da vinícola Família Schroeder, que será comercializado a partir de julho e que ainda não tem preço final definido. A importadora Wine Company, de Ângela Mochi, (Tel.19-3241570), mostrou o Adega de Pegões 2001 (R$ 114,00), de Jaime Quendera, considerado um dos melhores vinhos tintos de Setúbal, vinho de bom corpo, equilíbrio e persistência. Ela aposta no sucesso dos vinhos argentinos de qualidade como o Miguel Escorihuela Gascón 2001 (R$ 169,00), um assemblage de Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah.
A Diageo (Tel.11-38972296), importadora do vinho espanhol Freixenet, lançou no Brasil a nova garrafa desta bebida encontrada nas versões Cordon Negro, Carta Nevada e Brut Barroco. Esta nova apresentação permite que o consumidor escreva, através de uma caneta especial, diretamente na garrafa, tornando-a personalizada. Outro destaque é a nova safra do vinho Periquita, vinho europeu mais consumido no Brasil, que chega agora ao país.
A World Wine, do grupo La Pastina, (Tel.11-33157477), anunciou a chegada neste próximo mês do La Chamiza, um projeto da Vinícola Concha y Toro na Argentina, enquanto que a Gran Cru (11-30626388) lançou o esperado vinho Argentino Noemía 2002 (R$ 480,00), um Malbec que é considerado um dos melhores vinhos da América do Sul. Outros vinhos interessantes da importadora são o Acrux 2001 (R$ 175,00), o Bcrux 2001(R$ 97,00) e o Argiano Suolo (R$ 680,00).
Duas especiais referências devem ser feitas aos vinhos portugueses Dona Maria Reserva 2003 (R$ 50,00), de Sandra Gonçalves, e o Quinta do Mouro 2001(R$ 200,00), de Luis Louro. O primeiro, produzido pela vinícola de mesmo nome, é importado pela empresa paulista Épice (Tel.11-69104662). Vinho alentejano feito com uvas Aragonês, Periquita, Alicante, Bouschet e Syrah, envelhecido em barris novos de carvalho francês por seis meses, muito aromático, frutado, com aromas e sabores de ameixa. O segundo, um corte de Trincadeiro, Touriga Nacional, Aragonês e Cabernet Sauvignon, envelhecido em barris de carvalho francês e português por 12 meses, é um vinho equilibrado, com aromas e sabores frutados, com notas de madeira, vendido no Brasil pela Expand (Tel. 32411967). Enquanto a Vinícola Dona Maria prevê o lançamento do seu Dona Maria Reserva, envelhecido em barris por 12 meses, para novembro, Luis Louro prevê o lançamento do seu Vinha do Mouro 2004 para julho.
Com o crescimento do interesse internacional no Brasil e o aquecimento do mercado nacional de vinhos está cada vez mais fácil encontrarmos bons produtos com bons preços. A disputa acirrada pelo consumidor tende a fazer com que os preços caiam, através da diminuição das margens de lucro, e a qualidade das bebidas importadas se eleve, o que, em contrapartida, certamente estimulará ainda mais o consumo. Estabelece-se desta forma no país uma expectativa cada vez mais positiva em relação ao nosso mercado interno e a maior disponibilidade de rótulos é apenas um dos
sinais apresentados neste processo de evolução.
CONFRARIA
l A Chandon assesta não tem medido esforços para galgar a posição de fabricante do primeiro espumante brasileiro de luxo. Com inúmeros prêmios conquistados, a marca consegue ampliar sua atuação a cada safra.
l O restaurante Caco Zanchi foi um dos selecionados pelo Le Figaro Magazine como um dos melhores restaurantes da Bahia. Elogio especial à carta de vinhos que possui a muito recomendada Champagne Drappier.
l A Vinícola Miolo lançou no Satélite Music Hall, na última terça-feira, a safra 2004 dos vinhos Lovara, produzidos na Bahia.
l O Holiday Inn Salvador, em parceria com a Empório Gourmet , promove um curso de vinhos, ministrado pelo enófilo Vevé Bragança. O curso ocorrerá a partir de 24 de maio e será limitado a 30 vagas. Maiores informações através do telefone 3491-3452.
l A Moet & Chandon realizou na Perini, na última segunda-feira, uma degustação orientada para convidados.
l Ana Marques está finalizando os preparativos para abertura de sua loja de vinhos na Graça.
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