|
Crescem a indústria e a agricultura
Por Lorena Costa
Foto:Arquivo
Economicamente, foram muitas as mudanças ocorridas na Bahia e no Brasil durante esses 40 anos. Passamos por alguns planos econômicos, o interior do Estado progrediu, surgiu o Pólo Petroquímico de Camaçari, que mais tarde evoluiria para Pólo Industrial e, entre outras coisas, a agricultura começou a gerar bons frutos, dignos de exportação.
O ano de 1969 foi marcado pelo sonho do “Milagre Econômico”, que gerou grande oferta de empregos não-qualificados e ampliou a concentração de renda. A situação perdurou até o início dos anos 80, quando diversos planos econômicos foram desenvolvidos. Em 1986, o Brasil apostou no Plano Cruzado, que se baseava no congelamento de preços e salários e criava uma nova moeda com corte de três zeros: o Cruzado.
No ano seguinte, foi a vez do Plano Bresser, que continuou com o congelamento de preços e salários, porém foi também baseado em tentativas de ajuste fiscal e redução da dívida externa. Em 1989 foi criado o Plano Verão, que teve como principais medidas o congelamento de câmbio e altas taxas de juros. Criou-se também o cruzado novo, com corte de três zeros. Nos anos 90, o Plano Collor I, seguido do Collor II, reintroduziu a moeda Cruzeiro (extinta pelo Plano Cruzado). Com isso, foi suspenso o pagamento da dívida externa e, entre outras coisas, foram confiscadas as contas bancárias. Entre os resultados esteve a deterioração, em termos reais, das tarifas públicas. O Plano Real foi definido em 1994, o que converteu o Cruzeiro Novo em Real. O novo plano, lançado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, adotou como principais medidas a renegociação da dívida externa, a abertura comercial ampla, aceleração do processo de privatização e, entre outras coisas, na determinação de reajuste do salário mínimo uma vez por ano. O Plano Real, que sobrevive até hoje, teve como principais resultados a queda da inflação, a inserção das classes C e D no mercado consumidor, e o aumento da confiança dos agentes externos.
A diversidade das condições climáticas do território baiano contribuíu para que o Estado avançasse na agricultura nos últimos 40 anos. Em 1969, as plantações de grãos e frutas tropicais começavam a ser mais bem exploradas nas áreas do Oeste, Norte-Nordeste, Central, Leste, Sul e Extremo Sul da Bahia. E, de lá para cá, o maior Estado do Nordeste do País, com mais de 567 mil Km², conseguiu ocupar um local de destaque na agricultura brasileira. No Oeste, por onde passa boa parte dos 55% do Rio São Francisco que estão em território baiano, são alcançadas mais de 872 mil hectares de soja colhida e o milho chega a ultrapassar os 693 mil hectares colhidos. A Bahia cresce ainda em área cultivada e em produtividade nas regiões de agricultura com base empresarial, como Oeste, região do Rio São Francisco, e extremo Sul. A soja cresceu bastante, as curvas de crescimento da lavoura são consideradas muito boas e houve forte crescimento no cultivo de algodão, produção que saiu de 80 mil para quase 900 mil toneladas em 2007.
Na região Norte-Nordeste, essencialmente no largo do Sobradinho, celebra-se o dinamismo econômico de experiências agrícolas de grande sucesso nos últimos anos. São cultivos de frutas que, por conta do clima da região, rendem duas colheitas ao ano, algo que dificilmente ocorrem em outras regiões. E as frutas baianas conquistam o mercado internacional. E é na Chapada Diamantina, região Central, que o trigo e o café dividem espaço com a batata inglesa. O clima temperado favorece o cultivo de frutas, como a manga. E o clima semi-árido, presente também na região nordeste do Estado, favorece a cultura de plantações rasas. O sisal é o produto de destaque da região. Entre 1979 e 1984 o cultivo de soja ganhou força. O interesse pelo produto cresceu e os fazendeiros começaram a investir no cultivo do grão. No final dos anos 80, os campos de soja já eram vastos no Oeste baiano, área que - por ter estações quentes e úmidas bem definidas - possibilita ainda o cultivo de outros grãos tropicais, como milho, feijão, arroz e algodão.
Um pólo planejado
Por esses 40 anos passou também a construção do primeiro complexo petroquímico planejado do País. O Pólo, que deu início a suas operações em 1978, está localizado no município de Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador. Reconhecido como o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, o Pólo tem mais de 90 empresas químicas, petroquímicas e de outros ramos de atividade como indústria automotiva, de celulose, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas e serviços.
No ano passado, o Pólo comemorou 30 anos e deu início a um novo ciclo industrial na Bahia. De Pólo Petroquímico, passou a ser chamado de Pólo Industrial e é um das principais contribuições para a geração de mais oportunidades de emprego e renda para o Nordeste. Com a atração de novos empreendimentos para a Bahia, o Pólo Industrial de Camaçari experimenta
novo ciclo de expansão.
A Ford é atração
Diversificado, o Pólo tem como uma de suas maiores atrações a Ford, o que consolidou a trajetória de diversificação no Complexo Industrial e ampliou as perspectivas de integração do segmento petroquímico com a indústria de transformação.
O investimento global do Pólo é superior a 12 bilhões de dólares e a produção no segmento químicos / petroquímicos atende a mais da metade das necessidades do país.
A contribuição anual está acima de R$ 1 bilhão em ICMS para a Bahia, sendo o Pólo responsável por mais de 90% da arrecadação tributária de Camaçari. O número de empregos diretos gerados é de 15 mil e outros 20 mil prestam serviços através de empresas contratadas.
Sua participação no PIB baiano é superior a 30% e os investimentos em programas sociais é superior a R$ 13 milhões/ano.
Crimes marcaram as últimas décadas. Alguns ficaram sem solução
Desde a década de 60 o noticiário policial é marcado por grandes casos, alguns deles sem solução até hoje, como o caso do “Esquartejado de Santa Tereza”. Ao longo desses anos a Tribuna noticiou casos como o que envolveu o comissário de polícia Manoel Quadros, que acabou chefiando uma quadrilha composta por policiais. O grupo começou realizando cobranças de dívidas e terminou matando inúmeras pessoas.
Foi na década de 60. Uma quadrilha de criminosos chefiada pelo comissário policial Manoel Chaves Quadros é desbaratada. As investigações foram comandadas pelo então delegado regional da Polícia Federal, coronel Luiz Artur de Carvalho. Espancamentos, atrocidades e requintes de crueldade compõem o perfil dos crimes praticados. As vítimas são do interior, capital e de outros estados. O comissário, com apoio do investigador Augêncio Felix de Almeida, acoberta delinqüentes e contrabandistas. Levado a júri, é condenado e consegue fugir, não sendo mais encontrado. Novembro de 1971 - Um achado mobiliza a opinião pública e a imprensa local. Um corpo totalmente mutilado é encontrado na Ladeira de Santa Teresa, no centro da cidade. Sem a cabeça e a pele dos dedos cuidadosamente retirada não havia condições de identificação. Os pedaços do corpo foram criteriosamente separados pelo autor do assassinato, conhecido como o Esquartejado de Santa Teresa. Até hoje se comenta o homicídio que a polícia não conseguiu chegar a identificação sequer da vítima. 7 de agosto de 1975, Marcelino Souto Maia, 24 anos, é julgado e condenado a 28 anos de prisão e mais três anos por medida de segurança. O jovem havia, cinco anos antes, matado os pais, a avó e irmão com uma Winchester 44. Filho de pais conservadores, tinha o sonho de se tornar independente. Na verdade seu alvo seria o pai, a quem teria tentado envenenar anteriormente e planejado também um acidente automobilístico. O crime que chocou a sociedade baiana, e comentado por muito tempo, aconteceu no interior da mansão da Rua da Flórida, no Bairro da Graça, onde a família residia.
17 de setembro de 1990 – São mortos os agentes Gilvan Santos Silva, 29 anos, e Afonso Pedro de Carvalho, de 38 anos, ambos da Delegacia Regional da Polícia Federal em Ilhéus. Estavam em Salvador colaborando com as investigações sobre o assalto ao caixa forte do Banco Central, que rendeu Cr$1,15 bilhão. O advogado Franklin Matos é denunciado como mandante do crime. O delegado titular da 4ª DP, Agenor Bonfim, envolvido por ter presenciado a morte de Gilvan e não ter efetuado a prisão em flagrante do advogado.
10 de fevereiro de 1991. Manhã de domingo. Carnaval em Salvador. Moradores da Rua General Labatut assustam-se com a descoberta feita por morador de rua num lixo. Pedaços humanos escondidos em seis sacos plásticos. Rápido a polícia identifica como sendo do funcionário da TV Aratu, Roberto Carlos de Araújo Silva, 26 anos. Com a mesma agilidade chega a autora do crime. A doméstica Lourdes Maria de Jesus Sena, 20 anos, assume sozinha o crime alegando estar sendo preterida pelo namorado.
Cumpre pena no Presídio Salvador e ganha a liberdade.
|
|