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Tribuna da Bahia 39 anos
Lei Seca muda comportamento dos baianos
Lorena Costa
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Fotos: Divulgação
A mistura entre álcool e direção ganhou um adversário implacável. Decretada há quatro meses, a Lei Seca (11.705/2008) tem mudado o comportamento dos motoristas de todo o Brasil e está entre as mudanças na rotina do baiano acompanhadas pela Tribuna da Bahia ao longo dos seus 39 anos. Se antes a combinação entre o álcool e a direção era praticamente impossível de ser evitada por alguns motoristas, hoje ela passa longe das noites de farras dessas pessoas. Mais conscientes, os condutores encontraram diversas formas de eliminar de vez o mau hábito e têm contribuído para uma significativa redução dos índices de acidentes. Para se ter uma idéia, a redução no número de registro de colisões foi de 75% no primeiro mês das novas regras. Em vigor desde o último dia 20 de junho, a lei determina tolerância zero aos motoristas que, após o consumo de bebida alcoólica, assumir o controle do veículo. A determinação é a de que aquele flagrado com índice de miligrama de álcool entre 0,1 e 0,3 por litro de ar expelido, será punido com pagamento de multa no valor de R$ 957,70 e suspensão da carteira por doze meses, além de ter o veículo apreendido. Aos condutores que excederem os 0,3 miligramas, o cumprimento da Lei significa - além das outras punições - prisão por período que pode variar entre seis meses e três anos.
Regras tão rígidas fizeram com que, definitivamente, muitos motoristas abolissem de vez a idéia de beber e dirigir da sua rotina. Na capital baiana, maridos passaram o comando do volante às suas mulheres, alguns passaram a freqüentar locais mais próximos de suas residências e outros, simplesmente, atenderam ao antigo conselho: vá de táxi.
Habilitada há quase um ano, a professora Rosana Andrade, 29 anos, disse ter sido a “Lei Seca” a principal responsável pelo seu marido ter aberto mão do controle do veículo durante os finais de semana. “Como minha carteira de motorista é recente, ele sempre ficou receoso de me emprestar o carro ou me deixar dirigir durante os nossos passeios. Porém, depois da Lei, ele começou a se interessar mais pela minha direção, começou a me estimular mais a assumir o controle do carro”, conta.
Andrade acrescenta que passou a ser a principal parceira do marido nas noites de farra. “Tornei-me indispensável. Ele ficou até mais paciente na hora de me dar algumas dicas de direção e quando não dá para eu ir ele procura outra coisa para fazer ou, simplesmente, fica em casa”, disse.
O esposo de Rosana, o empresário Augusto de Souza, 38 anos, disse ter investido na habilitação da esposa já pensando em situações como essas. “Antes mesmo da Lei Seca eu já a incentivava a tirar a habilitação justamente por ela não beber e para nós seria mais seguro. Lógico que a Lei Seca me exigiu ainda mais seguir a esta regra, deixar mesmo de beber e dirigir”, contou.
Quando a pergunta é se a regra incomoda o empresário, a resposta é simples: “já incomodou muito. Logo quando isso começou eu achava que era muito exagero, mas hoje percebo o quanto foi determinante para que, como eu, muitas pessoas mudassem mesmo de comportamento, se
tornassem mais conscientes”, considera.
Bares oferece condução a quem exagerou
Para evitar o desaparecimento da clientela, muitos bares também contribuíram com a “Lei Seca” e deram um “jeitinho” de garantir o cliente. Logo no primeiro mês da Lei, a seccional baiana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) tratou logo de firmar convênio com 145 estabelecimentos da capital para que seus clientes utilizem os serviços do Salvador Bus e táxis em condições especiais.
Um bar da região do Imbuí também adotou o serviço de motorista para garantir que o cliente chegue sem qualquer multa ou desentendimentos com a polícia em casa. A idéia foi manter um motorista de plantão para assumir o controle do veículo daqueles desavisados clientes que tivessem ido beber mesmo estando dirigindo.
Depois da bebedeira, era simples: bastava acionar o serviço (gratuito) que o motorista do bar guiava o carro do cliente até a sua casa. Seguido por um motociclista – também contratado pelo estabelecimento – o motorista, então, voltava de moto ao seu posto de trabalho.
Para a estudante de publicidade Eliana Gouveia, 24 anos, a nova regra contribuiu em muito para promover a conscientização dos motoristas. “Antes as pessoas reclamavam, mas agora vejo que houve realmente uma
mudança de atitude”, afirmou.
População compreende a importância da preservação ambiental
Conviver com a natureza de forma a permitir desenvolvimento urbano sem provocar impactos ambientais. Esse desafio tem sido enfrentado por meio de políticas públicas, destacando o papel do cidadão na preservação natural. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos, houve um avanço considerável na consciência ecológica do baiano.
“A população construiu um novo compromisso com o patrimônio natural do Estado da Bahia, porque passou a compreender melhor a importância dos biomas (cerrado, caatinga, marinho e Floresta Atlântica) para a qualidade de vida”, explica. Os bens ambientais consistem em oferta de água limpa, ar puro, proteína animal (extrativismo), o clima (que auxilia na agricultura).
O secretário ainda afirma que a tomada de consciência consiste em toda a perspectiva e sensibilidade para a relevância do patrimônio natural como base para os setores produtivos do Estado. “Nos últimos 30 anos, ficou claro o quanto nossa matriz de desenvolvimento depende do patrimônio cultural conservado”, resume.
Entre os conceitos que norteiam a atual consciência ambiental, estão: uso de energias limpas e renováveis; reciclagem e reuso de materiais; uso racional e equilibrado da água; relação de respeito à nossa biodiversidade. Essa necessidade de entender a importância de preservar o Meio Ambiente vem da constatação dos limites naturais do nosso planeta.
O governo estadual desenvolve projetos, como o Programa Floresta Bahia Global, iniciativa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, visa à promoção de ações de recuperação da cobertura vegetal dos biomas baianos e a descarbonização das atividades humanas, promovendo o seqüestro de carbono e contribuindo para minimização dos efeitos das mudanças climáticas.
O secretário Juliano Matos destaca o sucesso do programa durante o último Carnaval, que foi 100% neutralizado com a plantação do Parque do Conduru, área de floresta. “A geração de créditos de carbono é uma forte política de fomento com o pequeno agricultor”, explica.
O Floresta Bahia Global administra a emissão dos títulos de Créditos de Carbono Zero, que devem ser adquiridos através da Bolsa de Valores da Bahia, por empreendimentos que utilizam produtos florestais madeireiros ou emitem CO2 em seus processos produtivos, atividades ou serviços.
Este programa tem como objetivo a criação de marco regulatório e metodologia para a adoção de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL, com a emissão de títulos equivalentes aos Certificados de Emissões Reduzidas – CERs, denominados no âmbito do programa de Créditos de Carbono Zero – CCSs.
Os empreendimentos que utilizam produtos florestais madeireiros oriundos de vegetação nativa do território baiano (Artigo 127 Lei Estadual 10.431/06) deverão compor as suas demandas por crédito de reposição florestal – CRFs com 20% de CCSs, sendo facultativo aos demais empreendimentos ou atividades emissoras de CO2 a adesão ao Programa, adquirindo os CCSs de acordo com as demandas ou metas de descarbonização e assim aderindo ao Selo Carbono Zero.
Pertencente à Agenda Verde Floresta, o programa Pólos Florestas Sustentáveis prevê a criação de floresta plantada para a matriz energética de olarias, padarias, pizzarias e artesanato.
“Para cada hectare de bosque energético plantado se deixa de consumir dez hectares em média de floresta nativa do cerrado e caatinga”, destaca o secretário estadual de Meio Ambiente e
Recursos Hídricos. (Por Livia Veiga)
Águas são monitoradas
Em relação às águas baianas, pela primeira vez o governo realizou um monitoramento das áreas continentais do Estado, em termos de qualidade e quantidade, em rios, açudes e águas subterrâneas. O programa Monitora foi lançado recentemente, com a conclusão da primeira etapa e seu objetivo é criar uma referência para criação de políticas públicas para melhoria de qualidade futura de rios. Além do Monitora, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos desenvolve a promoção da gestão democrática com a instalação de comitês de bacias hidrográficas.
Juliano Matos ainda afirma que este é um avanço na formação dos “parlamentos das águas”, para discutir conflitos e assegurar usos múltiplos dos recursos hídricos.
A criação do Instituto do Meio Ambiente (IMA), em lugar do Centro de Recursos Ambientais (CRA), instrumento preciso de licenciamento ambiental, foi considerada uma inovação de forma sistêmica, desde que o conceito atual de instituto amplia a atuação.
O Decreto nº 11.235, que aprova o Regulamento da Lei nº 10.431, de 20 de dezembro de 2006, que institui a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia, e da Lei nº 11.050, de 06 de junho de 2008, que altera a denominação, a finalidade, a estrutura organizacional e de cargos em comissão da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Semarh e das entidades da Administração Indireta a ela vinculadas, e dá outras providências
Pôr-do-sol deslumbra baianos e turistas
Sentar à beira de um mirante e esperar o sol se pôr. Muitos baianos e turistas mantêm viva a tradição de contemplar o pôr-do-sol em Salvador em três pontos eleitos como privilegiados: Farol da Barra, Ponta de Humaitá e Solar do Unhão. Há quem diga que admirar o espetáculo natural representa uma eficaz terapia contra o estresse da vida urbana.
Na Ponta de Monte Serrat, conhecida como Ponta de Humaitá, localizada no extremo sul da Península de Itapagipe, na Cidade Baixa, a história se mistura com o exuberante visual da Baía de Todos os Santos. O local abriga a Igreja e o Mosteiro de Nossa Senhora de Monte Serrat, o Farol de Humaitá e Clube Náutico da Bahia. Logo acima, o Forte onde foi instalado o Museu das Armas. Assim como a atração gratuita ao anoitecer diário, a visitação aos pontos históricos é gratuita.
“O clima de fim de tarde me faz lembrar meu tempo de jovem. Vinha para Humaitá ver o sol se pôr e foi aqui que trouxe minha esposa, em um de nossos primeiros encontros. Hoje temos alguns restaurantes, que servem frutos do mar, pirão de aipim com carne do sol. É prazer para os olhos e para o paladar”, disse o aposentado Francisco Oliveira, 78 anos. Na subida da Avenida Contorno, o Solar do Unhão é uma atração à parte. Casais de namorados, turistas, grupos de amigos e aqueles que buscam paz e meditação, lotam o estacionamento e píer do Solar, todas as tardes, em busca da melhor vista do pôr-do-sol. Pouco após as 17 horas, o tom alaranjado toma o céu, com rajadas de luz que deixam tom sobre tom nas águas da Baía de Todos os Santos. Para a administradora Cínthia Araújo, ir ao Solar do Unhão sozinha é uma prática de muitos anos. “Busco tranqüilidade, relaxamento e momentos de paz. Um amigo me trouxe até aqui, há muitos anos, e me apaixonei. Isso aqui é bom demais, é um lugar cultural. Pena que o restaurante do Solar fechou, pois era um ambiente que freqüentava muito”, comentou. Um dos mais belos cartões postais de Salvador, o Solar do Unhão é um engenho de açúcar à beira-mar. Embora esteja situado em área urbanaA?o?l?ð?????5, que aprova o Regulamento da Lei nº 10.431, de 20 de dezembro de 2006, que institui a Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia, e da Lei nº 11.050, de 06 de junho de 2008, que altera a denominação, a finalidade, a estrutura organizacional e de cargos em comissão da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Semarh e das entidades da Administração Indireta a ela vinculadas, e dá outras providências, seu conjunto arquitetônico era, no século XVII, um complexo do mesmo tipo dos engenhos encontrados na zona da mata: com casa-grande, capela e senzala. No local onde antes os escravos dormiam, funcionava um restaurante de comidas típicas. A casa grande abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia. E a capela continua uma bela homenagem a Nossa Senhora da Conceição.
Para quem aguarda atento o momento máximo da despedida da luz do dia, o astro “Rei”, o Sol, se põe por trás da Ilha de Itaparica, no inverno, em segundos. Como explicou o fotógrafo Emerson Barreto, a Ponta de Humaitá e o Solar do Unhão são locais ideais para captar uma bela imagem. “Costumamos gravar clipes e fazer fotos de aniversariantes de 15 anos nesses locais. O pôr-do-sol é importante para compor os clipes. A opção a princípio é pela luz, pelo fato do sol estar num ponto fraco que não interfere na imagem e pelo tom que faz uma composição. Não é necessário usar efeitos para que a imagem fique bela, somente a paisagem”, disse. Para aqueles que apreciam a natureza no pôr-do-sol, o Farol da Barra também representa um ponto bastante procurado. Atrás do Farol, uma vista privilegiada. De outros locais na cidade, como mirantes (naturais e artificiais), é possível apreciar o espetáculo natural: Ladeira da Barra, Aflitos, Museu de Arte Sacra, encosta da Vitória, Passeio Público, Porto da Barra, Forte São Diogo, entre outros. (Por Livia Veiga)
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