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Chinês falsifica até olimpíadas

   A maioria das coisas que vivencio não me causa muita emoção, principalmente aquelas que já são incorporadas ao jeito de ser do baiano. Mas, tem algumas coisas que não dá para deixar passar em branco, face a cara de pau de quem comete. Por exemplo, estas Olimpíadas que estão passando na televisão de madrugada ou logo de manhã cedo, algo difícil de acordar para ver, ainda mais que as seleções de vôley e os moços do atletismo estão passando uma perrengue danada, serviram para mostrar que a China não falsifica apenas Nike, Lacoste, Prada, DVD, TV e celular.
  O que vimos na abertura foi de arrepiar. Não estou falando das grandes atrações, como aqueles tambores que criaram um mosaico mais bonito que pedra portuguesa nos passeios do Farol da Barra. Também não reporto aos ginastas que correram como se tivessem soltos no ar ou os dragões e as moças bonitas, parecendo feitas de verdadeiras porcelanas....chinesas, é claro e eu não podia passar batido sem fazer um trocadilho, que é a única criação que sei fazer.
  Mas, menina, quando fiquei sabendo que os fogos que simbolizavam o andar dos atletas pela cidade em direção ao estádio, foram feitos em computadores, apenas em animação, pois na realidade espoucaram os fogos e montaram nas imagens previamente gravadas, pirei de vez. Chamei seu Lio, professor e revisor juramentado aqui deste nosso jornal; chinês que é, embora pareça uma mistura de índio de filme de cowboy, mongol, vendedor de tapioca e estrela de filme de Zé do Caixão com uma pitada de Errol Flyn e Alain Delon.
  Eu:
  - Seu Lio, o senhor como chinês da gema, poderia me explicar o porquê de estar no DNA do seu povo esta mania de falsificar tudo que cai na mão.
  Ele, de forma grosseira, foi me dizendo:
  - Caia no colo para ver se é falsa.
     Eu chiei:
  - Rapaz, que cara grosso.
    Ele:
  - Você não viu ainda o grosso.
      Eu disse:
  - Deixe de ser desbocado, grosseiro, mal-educado e desrespeitador. Estou chamando sua atenção, pois o mundo inteiro, milhões e milhões de pessoas viram a falsificação da abertura.
      Ele:
  - Quando os americanos inventaram e filmaram nos estúdios de Hollywood a chegada do homem na lua, coisa que nunca aconteceu, pois lá tem dragão e se os cosmonautas tivessem descido tinham sido todos comidos ou derretidos pelo bafo de fogo, vocezinho não disse nada. Todo mundo sabe que você é um repórter esperto, que deu muito trabalho aos seus chefes de reportagem, com essas histórias de inventar coisas e disso você entende.
  Eu:
  - Mas seu Lio....
  Ele:
  - Seu Lio uma pinóia. Quando os americanos, nas Olimpíadas que foram feitas lá nas americanidades, botaram um homem voando com um foguete nas costas, coisa que todo mundo viu que ele estava suspenso num cabo de aço, ou quando eles acenderam a tocha com uma flecha que foi lançada, passando a quilômetros de distância, já que o arqueiro era ruim mesmo e deveria aprender a flechar com os nossos que defenderam a Grande Muralha, e foram os especialistas em efeitos que mandaram o fogo como nos seriados de Magaive, vossa senhoria ficou quieta e agora me vem com as perguntas mais capciosas que eu já ouvi na vida.
  Eu:
  - Mas seu Lio, até mesmo a garotinha chinesinha lindinha que estava cantando o hino da abertura era falsificada. Mais falsificada que nota de quinze reais. A menina que cantava era uma desdentadazinha e a que aparecia na tela era uma cheia de charme e com todos os dentes na boca.
  Ele:
  - Seu Jolivado, me poupe, me deixe e vá *&v¨k#ksxa*** lá bem no fundo do seu *+&”;** que é melhor.
  Eu fui saindo de fininho e o deixei esbravejando, agora em mandarim e em um monte de dialetos. O homem parecia um ninja falsificado. Bufava mais que pastel de vento. E pensar que ele é adepto de Confúcio, o sábio chinês Kung-Fu-Tze.


  
Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista. e-mail: jfk6@uol.com.br

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