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Obras em Progresso
Foto: Divulgação
Mais direto do que nunca e sem vergonha para medir suas críticas, mesmo que seja para si mesmo. Nem de esquerda, nem de direita, mas sim: em cima do muro (no bom sentido da palavra) – na situação de um ser pensante -, Caetano Veloso retomou ontem e continua hoje as apresentações de “Obra em Progresso”, que darão origem a um DVD, que terá direção de Toni Vanzolini, e deverá ser lançado até o fim do ano.
Com citações sobre Lula, Fernando Henrique Cardoso e uma crítica quanto ao modo desumano que impera na base de Guantánamo, o cantor e compositor baiano traz neste novo trabalho dez inéditas, sendo uma delas uma espécie de dialogismo com uma composição de Lobão. Intitulada “Lobão Tem Razão”, a canção responde as provocações de “Para o Mano Caetano”, música gravada em 2001 pelo cantor e compositor carioca. Mantendo sua postura punk sem ferir sua intimidade com a MPB, Lobão afirma na letra de sua música frases como: “Amado Caetano, chega de verdade, viva alguns enganos, viva o samba, meio troncho, meio já cambaleando, a bossa já não é tão nova”.
Além desta canção, tem outras duas mais recentes “Diferentemente” e “Lapa”. Esta segunda – escrita na Europa - traz referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente FHC. “Fiz duas músicas na Europa (até agora). Uma cita nominalmente Lobão, a outra diz os nomes de Lula e FH. Tudo com amor”, afirma Caetano no seu blog www.obraem progresso.com.br.
As músicas “A Cor Amarela”, “Por Quem”, “Sem Cais” e “Base de Guatánamo” também compõem este novo trabalho.
De acordo com ele, escrever uma canção com este cunho só foi possível depois de lançar o disco “Cê”, que lhe rendeu uma nova forma de trabalhar suas canções. “Há coisas que só apareceriam depois do ‘Cê’. Na verdade, tudo só apareceria como aparece por causa de termos feito o ‘Cê’ antes. O modo como vêm os nomes de Lula e FH, sem comentários, mas com grande riqueza de significado, na música Lapa só me surgiria com essa liberdade porque há ‘Odeio’ e ‘Homem e Rocks’”.
Num artigo escrito pelo próprio compositor ao Jornal do Brasil, ele diz que a idéia das apresentações de “Obra em Progresso” surgiu da vontade de continuar fazendo shows no Rio, perto de seus netos e esticar um pouco mais o que já havia sido feito com “Cê”. “Queria prosseguir com o que venho fazendo com Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado. Aí pensei em fazer shows semanais em que fosse apresentando o crescimento de um novo repertório e o desenvolvimento de novos arranjos”, explica.
De acordo com ele, o preço deste desejo foi um pouco alto. “De fato, perdemos dinheiro. Ou, pelo menos, não ganhamos. Sinceramente, fui para a Europa para ganhar o que preciso para manter a vida de separado com dois filhos”.
Apesar dos percalços, Caetano afirma - no mesmo artigo publicado pelo jornal carioca - que a experiência de tudo isto é maior que qualquer outra coisa. “Só penso na Obra em Progresso. Fico deslumbrado com Roberto Carlos cantando Jobim e me acho um
privilegiado por estar por perto”. (Por ALEXANDRE ANTUNNES)
De rock à bossa
As apresentações deste novo projeto começaram em maio e no início Caetano se apresentava com a banda do projeto “Cê”. Em dois meses o número de músicas inéditas cresceu e muito, as releituras de composições de outros autores também. Entretanto, a temporada ficou suspensa devido aos shows do artista baiano na Europa e agora ele retorna para finalizar este trabalho com um registro em vídeo e sem pausa começa um outro: desta vez em homenagem ao maestro Antonio Carlos Jobim.
Na próxima sexta-feira, Caetano Veloso faz sua primeira apresentação no Rio de Janeiro ao lado de Roberto Carlos, no Theatro Municipal. O show seguirá nos próximos dias 25 e 26 para o Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
Desde o último fim de semana, os dois artistas já haviam preparado tudo para esta pequena turnê no estúdio RC, na Urca. Com regência e arranjos dos maestros Jaques Morelenbaum e Eduardo Lage, o evento terá direção de Monique Gardenberg e Felipe Hirsch, além da cenografia de Daniela Thomas - inspirada na arquitetura do período bossanovista.
Composto por 21 canções no repertório, o show trará momentos solos e cada artista será acompanhado por sua banda, além de uma orquestra, que terá 14 violinos, três violas, três cellos e um contrabaixo, sob a batuta do maestro José Alves. Com um total de seis duetos, o espetáculo terá acompanhamento ora pela banda de Roberto Carlos ora pela de Caetano.
Estarão acompanhado o artista baiano, além do maestro Jaques Morelenbaum, os músicos Daniel Jobim (piano), Gabriel Improta (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria) e Carlos Malta (sopros). Já a banda de Roberto Carlos, que será regida por Eduardo Lages, será formada por Norival D’Angelo (bateria), Darcio Ract (baixo), Paulinho Ferreira (violão),
Benedito Wanderley (piano), Arthur Borba de Paula (teclado) e Anderson Marquez (percussão). (Por ALEXANDRE ANTUNNES)
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