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Bahia pode perder acervo para Pernambuco
Foto: Divulgação
O descaso com o patrimônio e a falta de incentivo à cultura baiana poderá levar de Salvador o colecionador de obras de arte, o franco-marroquino Dimitri Ganzelevitch para Olinda, em Pernambuco. Na mala, três a quatro mil peças de diversos países e a Casa Museu Solar Santo Antônio, anexo à residência de onde mora, que será transferida para a terra do frevo. O rico acervo porém passa despercebida pelo Governo há mais de 34 anos, tempo de permanência do intelectual na cidade que atualmente tenta dar seguimento ao concurso de carros de cafezinho, mas falta patrocínio para executar a 14ª edição.
“Poucas empresas privadas se interessam em colaborar com o incentivo à arte. Consegui o apoio de algumas empresas, mas não o suficiente para realizar e eu já cansei de tirar do meu bolso. O último concurso de carros de cafés que fiz foi há dois anos. Na época, contei com o apoio da Fundação Gregório de Mattos, quando o presidente era Paulo Costa Lima. Agora é um que eu não conheço, Antonio Lins. Mandei até uma carta tem uns dez a 15 dias, mas ainda não obtive resposta”, disse Ganzelevicth.
Aos 72 anos, sendo 58 só adquirindo obras de arte, o marchand perdeu a conta das peças que tem. Ele estima algo em torno de três a quatro mil itens. “Comecei aos 14 anos de idade a comprar algumas peças e sem pensar nisso como coleção. Afinal se vai juntando aos poucos e quando você vai ver tem uma coleção. Tenho peças de Marrocos (onde nasceu), França, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Alemanha, Turquia, Síria, Egito, México, Guatemala, Bolívia, Estados Unidos, Canadá, Benin e Brasil, é claro”.
No meio da sala onde recebeu a equipe de reportagem da Tribuna da Bahia, um lindo e enorme lustre enfeitava o ambiente. “É um lustre alemão, de 1850. Viajo e sempre que viajo compro algo”, falou Ganzelevicth. Todo esse tesouro de valor imensurável pode sair de Salvador para Pernambuco. “Estou pensando em mudar para Olinda. Mas, para isso primeiro tenho que vender a casa. Olinda é patrimônio da humanidade e ao contrário do Centro Histórico de Salvador, está muito bem cuidado, pois estive lá recentemente. Aqui (em Salvador), a gente vive numa ‘macarronada’ (sic), toda essa fiação elétrica”, falou Ganzelevicth com propriedade pelos 34 anos de permanência na cidade a ser completados em maio deste ano.
Aliado ao descaso do poder público estatal pela cultura baiana, uma outra emoção impulsiona o colecionador de obras de artes para a mudança de cidade. “A vontade de recomeçar, de enfrentar novos desafios. Pernambuco tem também uma cultura popular muito interessante, a exemplo da Fundação Gilberto Freyre”, declarou o intelectual franco-marroquino.
Nascido em Rabat, cidade de Marrocos, filho de francesa e pai anglo-russo, Ganzelevicth tem as obras como os filhos que nunca teve. “Os cuidados são constantes, principalmente com os cupins. Me preocupo também com a umidade, o salitre, mas, o cupim é uma praga. É uma luta contínua. Obras em madeira de lei são mais resistentes, mais duras, mas o Pinho por exemplo é mais frágil. Nunca perdi nenhuma peça porque sempre tive cuidado, mas já tive obras ‘pirigando’ (sic) a isso. Não perdi porque tenho um restaurador para fazer os cuidados necessários, o Claudio Lemos”.
Ao ser indagado pela sensação que sente diante a desvalorização cultural existente, Ganzelevicth responde rapidamente. “Me incomodo muito, claro. A forma como a cultura é tratada é uma negação da história cultural de uma terra. Existe coisa pior que a omissão do governo em abraçar a memória material? Jorge Amado, Carybé, se fez alguma coisa? Na Bahia existe um desinteresse enorme pela memória cultural da terra. É um problema de cultura social e que se perde cada vez mais”.
Na visão de Ganzelevicth a Bahia tem perdido culturalmente. “A música atualmente vive uma decadência, um empobrecimento das letras e da composição da melodia. Tem cada artista hoje em dia que é uma piada. Lembra da riqueza das músicas de Caymmi? As músicas não sugerem mais uma dança, você só pula com as mãos pra cima. Isso é sintomático. Lá em Olinda, o Carnaval é de raiz, dinâmico, evoluiu, mas mantém suas características”.
A mudança será feita por uma empresa de transporte para levar as obras de arte com segurança e quanto a Casa Museu Solar Santo Antonio, ele informou que pedirá transferência ao Ministério da Cultura que reconheceu a casa como museu. A troca de endereço parece mesmo sem uma decisão sem volta para Ganzelevicth.
Também aborrece Ganzelevicth, a falta de reconhecimento a sua contribuição a cultura baiana, entre as quais, a divulgação de várias artes locais por conta própria. “Levei o Grupo Folclórico Zambiapunga de Nilo Peçanha para o Festival Internacional de Ritmos do Mundo, a Companhia de Peça Dendê e Dengo, de Aninha Franco, para o Festival de Teatro Casablanca e outras peças e isso com os meus contatos sem um centavo do governo. A Secretaria de Cultura só ouve aqueles que acham que podem ouvir. Eles (Secretaria de Cultura) não querem saber o que eu faço. As marcas são a
demagogia e a mediocridade”. (Por Odília Martins)
“Meu sonho é casar igual a Gisele Bündchen”, diz Preta Gil
Preta Gil está toda prosa. A cantora, que em janeiro ficou noiva do mergulhador Carlos Henrique, revela que vai se casar no próximo ano, na praia, com tudo o que tem direito. Para a coluna “Telenotícias e Celebridades”, do jornal O Dia, Preta avisou: “Meu sonho é casar igual a Gisele Bündchen. Na surdina”, disse, referindo-se ao casamento da top com Tom Brady.
Mas enquanto o grande dia não chega, Preta só pensa em trabalhar. E graças ao sucesso de sua temporada de shows na boate The Week, no Rio, o local foi escolhido para abrigar a gravação de seu primeiro DVD. O show, previsto para abril, vai reunir nomes como Ivete Sangalo, Lulu Santos, Ana Carolina e o
pai de Preta, Gilberto Gil.
Drauzio Varella faz nova série no Fantástico
O médico e escritor Drauzio Varella estreia, no próximo domingo no Fantástico uma nova série de reportagens especiais sobre os transplantes. A série levou um ano para ser produzida e Varella viajou para países como China, Estados Unidos e Espanha para gravar. Na série, o médico irá mostrar os problemas que os pacientes enfrentam no Brasil para conseguir um transplante. Ele também faz uma comparação com outros países, onde que o serviço público de saúde é pior - como a China - ou melhor - como a Espanha. Em São Paulo, a série vai acompanhar duas pessoas que estão na fila para um transplante. Varella espera que a série possa aumentar a
doação e o transplante de órgãos.
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