Joaci Góes - Tribuna da Bahia
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terça-feira, 31 de março de 2015
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Joaci Góes

Por mais hediondo que seja o modo com que alguém tira a vida de outrem - uma criança, um idoso, o pai, a mãe, um irmão, um filho-, estamos diante de um homicídio. Quando, porém, da conduta intencional de alguém resulta a morte de milhares de pessoas, deparamos com um caso de genocídio.

Tal é o caso de quem desvia dinheiro público necessário à construção de infraestrutura física ou social, indispensável para garantir a segurança da vida das pessoas, como estradas confortáveis e bem sinalizadas, água e ar de boa qualidade, bem como educação, saúde e segurança pública, etc.. Admitindo-se, por exemplo, que, em média, 15 mil reais seriam suficientes para evitar a morte de uma pessoa, mal assistida em nossas unidades hospitalares, chegaríamos à aritmética conclusão de que a Operação Lava-Jato vem matando dezenas ou centenas de milhares de pessoas Brasil afora, holocausto considerado como o maior caso de corrupção na história dos povos.

Apesar do clamor das ruas, que tende a crescer, no curso dos próximos meses, tudo indica que a presidente Dilma não será defenestrada por processo de impeachment pela simples razão de que a medida extrema não interessa à oposição por favorecer o projeto de poder do ex-presidente Lula e seu agonizante PT. Explico: diferentemente de 2005, com o estouro do Mensalão, quando a oposição subestimou o papel da economia no processo eleitoral, e o mundo nadava em prosperidade, ensejando a Lula frustrar a avaliação equivocada das oposições e surfar nas ondas da vitória eleitoral (It´s the economy, stupid), no panorama econômico de hoje, resultante da desgovernança dos últimos anos, o Brasil necessitará de largo tempo para recuperar-se. Tudo aponta para um sangramento continuado da Presidente, vitimada pelo seu estilo voluntarioso de preferir a adoção de princípios bolivarianos de inspiração chavista, fidelista e evomoralista, à sensatez da experiência das economias bem sucedidas.

O receituário mais brilhante para o Brasil superar a momentosa crise que atravessa vem do pensador, jurista e poeta, Carlos Ayres Britto, imortalizado por sua ação como ministro da Suprema Corte. Lembrando que o “o fundo do poço tanto pode ser de areia movediça como de molas ejetoras”, prescreveu ele, invocando o conselho de Fernando Sabino para “fazer da queda um passo de dança”, a necessidade imperiosa de agirmos sem nos afastarmos da “democracia, do meio ambiente ecologicamente equilibrado e da ética na política”. Até porque, continua Ayres Britto, invocando Thomas Jefferson, “A arte de governar consiste exclusivamente na arte de ser honesto”, o mesmo que “Ética na política é vergonha na cara e amor no coração”, segundo D. Pedro Casaldáliga.

Ao sustentar que “o sol ainda é o melhor desinfetante, Ayres Brito advertiu “que nada nem ninguém pode se investir na força de impedir a imprensa de falar primeiro sobre as coisas e o Judiciário de falar por último”. Em sua pregação oracular, o juiz-poeta concluiu que o “custo-Brasil é alto porque o casto-Brasil é baixo”, destacando os relevantes serviços prestados à Nação pela Polícia Federal, Ministério Público e pelo Judiciário. Poeticamente, arremata com a esperança de que o povo brasileiro, como as águas, possa ter o destino dos rios de antigamente, encontrando seu leito e escorrendo com segurança para chegar a uma foz chamada Brasil.

Oxalá sejamos capazes de seguir o conselho desse estadista com que Sergipe presenteou o Brasil.

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