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segunda-feira, 27 de abril de 2015
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Joaci Góes

Em 1987, o historiador inglês Paul Kennedy publicou um livro intitulado The Rise and Fall of the Great Powers (Ascensão e queda das grandes potências), que deveria ser lido pelas autoridades que comandam o nosso país.

Ali, Kennedy demonstra, à saciedade, como as nações, entre 1500 e fins do século XX, cometeram os mesmos percursos de erros e acertos em sua marcha ascendente e declínio. Austeridade nos gastos, valorização do conhecimento e do trabalho e convivência pacífica foram as práticas que estiveram na base de todas as nações que conheceram a prosperidade, no período considerado. Quando alcançaram o apogeu, essas nações, sempre sob a tutela de medidas populistas de inspiração irresponsável, decidiram impor o seu mando, passando a agigantar suas estruturas militares para impor sua arrogância em seu espaço geopolítico, com o propósito de submeter vizinhos e parceiros de ontem.

Passando o aparato militar como a primeira das prioridades, tudo deveria ser sacrificado, no todo ou em parte, para a realização desse novo desideratum, inclusive os fatores responsáveis pelo aumento e consolidação da pujança nacional.

Todos os países estudados - Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Prússia, Hungria, Rússia, Áustria e Alemanha -, começaram a cair quando se dedicaram à expansão militar dominadora.

Mutatis mutandis, é o que vem sucedendo com o Brasil de nossos dias, quando o governo anuncia um corte de sete bilhões de reais na educação, como meio de assegurar o superávit que integra o plano de recuperação de sua economia, abalada pelos erros micro e macroeconômicos praticados pelas últimas administrações. Entre todos os 39 ministérios, o da Educação foi o que sofreu o maior corte, ficando a Defesa em segundo lugar, com uma distante redução de 1,9 bilhão de Reais.

Numa demonstração cabal de como o Governo ainda não compreendeu o significado da educação na prosperidade das pessoas e dos povos, a Presidente declarou que não faria qualquer corte nos investimentos, o que significa dizer que, na contramão do entendimento universal, entende que Educação não é investimento, mas despesa. Santa Madonna!

É verdade que o reiterado desastre em que se converteu a educação brasileira não decorre da falta de recursos, mas de sua má administração, em todos os níveis: federal, estaduais e municipais. Sabe-se, portanto, que é grande o desperdício praticado pela administração pública com os recursos destinados à educação, sendo imperativo o aprimoramento da gestão. Antes disso, porém, considera-se de risco a ser evitado fazer cortes orçamentários em uma área tão seminal, sem que se tenha a prova do aprimoramento de técnicas gerenciais redentoras. O resultado é o que estamos vendo, milhares de alunos tendo que adiar ou comprometer a realização de suas aspirações universitárias, tendo em vista as dificuldades para a obtenção de financiamento de suas bolsas de estudo, dentre outros problemas.

Bastaria que o Governo não houvesse patrocinado o insensato financiamento de projetos em países bolivarianos, para que a precária qualidade da educação nacional não sofresse mais este golpe que compromete, de modo contundente, nossas expectativas de um futuro promissor. A esse respeito, valeria a pena que a oposição levantasse os investimentos feitos junto a esses países, somados a outros tantos em nações ditatoriais, para se ver o abismo existente entre o discurso e a prática da esquerda Romanée Conti, Brasil e mundo afora. Romanée-Conti é um vinho feito com a uva pinot noir, classificado como Grand Cru, o melhor da Borgonha, produzido em Vosne-Romanée, no Leste da França, cujo preço, por garrafa, oscila entre 45 mil a 105 mil Reais. Segundo noticiado, desde a vitória de Lula, em 2002, é o vinho preferido para celebrar as grandes conquistas de líderes petistas.

Com este corte inoportuno, o Governo demonstra que ainda não sabe que a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a posteridade; entre o atraso e o desenvolvimento; entre a barbárie e o avançado estágio de civilização que aspiramos.

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