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domingo, 28 de agosto de 2016
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Joaci Góes

Constitui apelo quase irresistível comparar Dilma Rousseff(1947- ) com Margaret Thatcher(1925-2013). Vinte e dois anos, portanto, separam os nascimentos das duas estadistas.

Ao celebrar, no próximo 14 de dezembro, os seus 69 anos, na intimidade da família e de poucos amigos, Dilma Rousseff terá todos os motivos para concluir, apesar das dores produzidas pelo impeachment, que, como a líder britânica, nasceu para fazer História. O exílio político dentro do seu próprio país, abandonada, inclusive, pelo partido que a levou à destruição, o PT, será mais uma singularidade em sua marcante trajetória.

 A 36ª presidente do Brasil será defenestrada por não ter sido capaz de guardar fidelidade à promessa feita no discurso de sua primeira posse: “Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e dar oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem”. Sua ostensiva arrogância, somada à canina submissão ao projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, revelou-se invencivelmente incompatível com sua prometida humildade. O ex-deputado Luciano Zica vinga os desentendimentos havidos com Dilma, ironizando: “A Dilma é a pessoa mais democrática do mundo, desde que se concorde 100% com ela”.

Dilma explica seu ânimo forte: “Eu acho interessante o fato de que a mulher, quando exerce um cargo com alguma autoridade, seja sempre tachada de dura, rígida, dama de ferro ou coisa similar. Isso é um estereótipo, um padrão, uma camisa de força que tentam impingir em nós, as mulheres. O difícil não é meu temperamento, mas minha função. Eu tenho de resolver problemas e conflitos. Não tenho descanso. Não sou criticada porque sou dura, mas porque sou mulher. Sou uma mulher dura, cercada por ministros meigos”.  A carta de parabéns que dirigiu ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por ocasião dos seus 80 anos, em 18 de junho de 2011, foi um gesto de civilidade que encantou a Nação, pondo fim, momentaneamente, à bobagem da “herança maldita”, com que os setores mais atrasados do seu partido inauguraram o clima político de nocivo maniqueismo que divide, hoje, a Nação, quando se apresentavam como detentores do monopólio da honra e do espírito público, até que sobreveio a Operação Lavajato, evidenciando a farsa e o sistemático assalto aos cofres públicos.

Uma vez, definitivamente, apeada do poder, a história de Dilma poderá ser escoimada das muitas dúvidas que conferem novelesco interesse à sua rocambolesca biografia, nos planos do amor e da atividade intelectual e revolucionária, a que foi induzida pela leitura do livro  Revolução na Revolução, de Régis Debray, um francês que tinha vivido em Cuba, com o apoio de Fidel. A esse tempo, Lamarca taxou-a de “metida a intelectual”, enquanto o promotor, que a denunciou, denominou-a “Joana D´Arc da subversão”. Margaret Thatcher, por sua vez, armou-se para as exigências da vida pública a partir das ideias hauridas no clássico Os caminhos da servidão (The Road to Serfdom) do austríaco radicado em Chicago, Fredérick Hayek, ganhador do Nobel de Economia, e discípulo de Ludwig von Mises, o maior teórico moderno do pensamento liberal, ambos integrantes do pensamento econômico vienense.

Dilma sempre negou muitos dos atos atribuídos a ela. Do mesmo modo, entre os especialistas, duvida-se da possibilidade de alguém sobreviver aos 22 dias de tortura alegadamente padecidos pela jovem insurrecta. Em 2005, comentando sua participação na luta armada, disse: “Eu não vou esconder o que eu fui e não tenho uma avaliação negativa. ...Tenho uma visão bastante realista daquele período. Eu tinha 22 anos, era outro mundo, outro Brasil. Muita coisa a gente aprendeu. Não tem similaridade com o que acho da vida hoje”.

Margaret Thatcher, que viria a ser a primeira mulher a liderar o Reino Unido, estudou Ciências Químicas, antes de se graduar em Direito Tributário, plataforma intelectual na qual se apoiou para o aprimoramento de suas ideais liberais, enquanto Dilma Rousseff bacharelou-se em Economia, em 1977, nove anos depois da interrupção do curso, em decorrência de sua prática revolucionária. Em seguida, a atividade político-partidária convencional a impediu de concluir um mestrado e um doutorado iniciados em diferentes universidades. Interessou-se tanto pela mitologia grega, nessa época, a ponto de, inspirada no exemplo de Penélope, aprender a bordar.

Enquanto a esquerdista Dilma escapou da morte na luta revolucionária contra a ditadura militar, a conservadora Margaret Thatcher sobreviveu a uma tentativa de assassinato, em 1984, por sindicalistas de esquerda.

Margaret Thatcher, ao promover a crença na sociedade de mercado e denunciar as práticas suicidas do estado social perdulário, conduziu o seu país pelos caminhos da prosperidade, enquanto Dilma, sucumbia ao discurso bolivariano-sindicalista, e levou o Brasil à lona.

O mesmo mundo que festeja a biografia de Margaret Thatcher não esconde o desejo de ver Dilma fora da política e dedicada aos seus interesses privados.

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