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sexta-feira, 4 de setembro de 2015
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Joaci Góes

Graças à globalização, somada à velocidade dos meios de comunicação e ao ambiente democrático criado no Brasil, a partir da Carta Magna de 1988, vivemos um momento caracterizado pela força sem precedentes da Opinião Pública, ou do consensus populi, como queriam os romanos. As sociedades que não são capazes de ensejar a formação de opiniões públicas vigorosas sucumbem diante dos grandes desafios gestados pelas inter-relações humanas e, até, pelas grandes tragédias naturais. Da crença nessa força nasceu o conhecido aforismo “Vox populi, vox dei”. Em seu estado de maior intensidade, a opinião pública atinge o patamar de clamor público.

A opinião pública não pode ser definida a priori como boa ou má.  É boa, quando pressiona para alcançar o que é correto, como o fim da escravidão, ou má, quando defende o mal, caso dos cristãos mortos nas arenas dos gladiadores, ou a que pediu a condenação de Jesus.

Refletindo o atual momento do estado de espírito dos brasileiros, recente pesquisa Datafolha, veiculada nas redes sociais, evidencia o maior índice de descrença nos poderes da República, nos últimos 10 anos, encolhendo o prestígio do Executivo de 31% para 19%, enquanto o Legislativo subiu de 17% para 42% no desapreço popular. O Judiciário só não apareceu no mesmo patamar de repúdio social, graças aos ecos de sua atuação no Mensalão e ao hercúleo e heroico trabalho do juiz Sérgio Moro, em sua exemplar atuação no escândalo da Operação Lava-Jato. Mesmo assim, o Judiciário não saiu incólume neste panorama de frustração geral.

Em face do vulcânico ambiente político, social, econômico e moral que estamos vivendo, delineia-se um horizonte próximo em que dois desfechos, diametralmente opostos, figuram como focos potencialmente ricos de felicidade cívica, de um lado, ou de imensurável decepção coletiva no polo oposto. Na primeira hipótese, a Lei se imporá isonomicamente a todos, sem distinção de qualquer natureza, alcançando cada uma de quantas personalidades de relevo foram apanhadas com a longa manus enfiada, fundo, no Erário, em violência aos mais caros valores republicanos. Na segunda, como resultante de um mega acordo espúrio, hoje inimaginável, teríamos chegado ao fim da linha de nossa capacidade de apanhar os peixes mais graúdos, que ainda não caíram na rede da punibilidade.

A verdade é que, não obstante maiores ou menores divergências, a Presidente Dilma, o ex-presidente Lula, e os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, irmanam-se num autêntico abraço de afogados, dispostos a tudo fazer ou ceder, se esse for o preço a pagar para libertá-los do naufrágio iminente. Agarrados às pernas dessas personalidades centrais, encontram-se, na mesma situação de desespero, vários deputados e senadores, alguns deles notórios ladrões do dinheiro público. A dar consistência de viabilidade, ao potencial êxito dessa temida empreitada lesa-pátria, estima-se que alguns integrantes dos tribunais superiores já teriam suas biografias comprometidas para esse desiderato. O único obstáculo a esse potencial bloqueio do esforço coletivo para moralizar o País reside na força da Opinião Pública Nacional, a ser testada agora, em seu vigor, como nunca em nossa história.

Os pessimistas temem um acordo de cúpula, atentatório à dignidade das instituições, a partir do desenvolvimento de um caráter brasileiro, essencialmente corrupto, receptivo, portanto, à tolerância com os malfeitos. Alegam que invadimos sinais de trânsito, pagamos propinas a agentes públicos, fraudamos as declarações de impostos, forjamos atestados médicos, compramos produtos piratas e de contrabando, sem qualquer sentimento de culpa. O próprio jeitinho brasileiro nada mais é do que um modo de relativização da decência ou da meritocracia.

O célebre dilema posto por Shakespeare aos homens aplica-se, à perfeição, aos povos:

  “To be or not to be, that is the question” (Ser ou não ser, eis a questão!)

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