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segunda-feira, 27 de junho de 2016
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Joaci Góes

mundo reagiu, com indignado estupor, à mais violenta ação homofóbica de que se tem notícia na história da intolerância, praticada por um atirador solitário contra frequentadores de uma boate gay, na cidade de Orlando, no estado americano da Flórida. Com o propósito oportunista de propagandear sua ilimitada truculência, a fim de serem encarados como autênticos “flagelos de Deus”, grupos terroristas islâmicos antagônicos assumiram a paternidade do hediondo gesto, assunção ainda carente de comprovação. A única certeza é a de que o atirador é um psicopata, como todos os genocidas.

É natural o sentimento universal de insegurança que se agrava     com esse inaudito crime, sobretudo dos 10% da humanidade que nasceu homossexual, números que ultrapassam estratosféricos setecentos milhões de indivíduos! Justificam-se, portanto, todas as cautelas destinadas a impedir a repetição de tamanha hediondez. 

O tsunami emocional que se abateu, também, sobre a população brasileira não nos deve bloquear a percepção de que, a conta-gotas, mas de um modo implacável, a violência contra homossexuais no Brasil campeia solta, alcançando um número de vítimas muito superior aos registrados na carnificina de Orlando, sem que a sociedade, aparentemente, apresente uma reação que, sequer, de longe, possa ser comparada ao atual assomo de legítima indignação, provocado pelo desditoso episódio, acontecido a milhares de kms de distância.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDHPR) vem registrando milhares de queixas, a cada ano, com centenas de mortes, estatística que faz do Brasil o país mais inseguro do mundo para a comunidade gay, consoante o relatório do GGB, Grupo Gay da Bahia, entidade de prestígio internacional, liderado pelo antropólogo e escritor Luis Mott, que distingue entre a homossexualidade rosa e a vermelha.

 cor-de-rosa representa o lado festivo, com a aceitação de artistas e intelectuais, que desemboca nas concorridas paradas gays. A vermelha é a reação que provoca preconceito e violência.  Do total das vítimas, setenta e cinco por cento são do sexo masculino, com o registro de elevado número de crimes praticados com requintes de crueldade. 
O quadro de violência contra homossexuais no Brasil guarda estreita relação com recente pesquisa nacional divulgada pela revista Veja, segundo a qual 68% dos brasileiros não aceitam as relações homoafetivas, sendo que 27%, representativos de 55 milhões de brasileiros, pensam que a homossexualidade deveria ser criminalmente apenada.

Recorde-se a queixa dos movimentos gays dirigida à Presidente Dilma Rousseff que desistiu de incluir nos livros didáticos do ensino fundamental e básico lições destinadas a educar as crianças contra o preconceito, por exigência da bancada evangélica, como condição para derrubar a convocação do ex-ministro Antônio Palocci, para se explicar sobre a prática de corrupção a ele atribuída. Uma vez consolidado o impeachment, é imperativo cobrar do governo a implementação de um programa educativo, sem o qual o avanço da supressão do preconceito oscilará entre lento e impossível. Enquanto isso, o único caminho é a punição rigorosa dos autores desses crimes nefandos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, vem incorrendo no reiterado equívoco de sustentar que a população carcerária brasileira, com pouco mais de 500 mil presos, é excessiva, razão pela qual recomenda providências para reduzi-la. Enquanto os Estados Unidos - país com a maior população carcerária do mundo, tanto em números absolutos quanto relativos-, com 2 milhões e 200 mil detentos, exibem 715 presos para cada grupo de 100 mil habitantes, a Rússia 550, o Turcomenistão 490, o Suriname 437 e a África do Sul 413, o Brasil mantém, apenas, 250 presos por 100 mil habitantes. Se o Brasil tivesse o mesmo nível de criminalidade dos Estados Unidos, que sabemos ser maior, e o mesmo padrão de punibilidade, nossa população carcerária deveria ser de pelo menos 1 milhão e 500 mil presos. 

Enquanto não formos capazes de oferecer à juventude do País uma educação de qualidade superior, o remédio é o recurso à punição exemplar, apesar dos seus conhecidos e indesejáveis efeitos colaterais, como meio de reduzir a intolerância que gesta tanta violência e inquietação.
 

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