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Joaci Góes

Eduardo Campos

Se fosse regente do Universo, proibiria, de modo categórico, a morte da juventude promissora, colocando em seu lugar aqueles cuja agenda existencial, apoiada no egoísmo exacerbado e no vale-tudo, contribuem para apequenar a qualidade da convivência humana.
    
A realidade, porém, é prenhe de exemplos da indiferença com que o Arquiteto Supremo põe e dispõe do destino humano, de um modo que só a fé cega na inescrutável sabedoria de seus desígnios nos conduz a aceita-lo.
    
A absurda morte do jovem estadista Eduardo Campos é exemplo marcante desse conflito insolúvel entre as expectativas e desejos humanos e as decisões divinas, na concepção dos que aceitam como emanado do Alto tudo o que acontece sobre a terra. 
    
Como não tenho cacife para entrar em tão sofisticada especulação teológica, prefiro cingir-me ao absurdo dessa tragédia que amofinou a alma do povo brasileiro, no mais alto padrão grego ou shakespeariano, para acentuar o que ela significa de perda para o projeto de restauração da dignidade nacional, tão combalida nos últimos anos, pela entronização do mais elementar populismo, de corte bolivariano, caldo de cultura do festival de escândalos que tem rebaixado o prestígio de nosso País aos olhos do mundo.  A morte de Eduardo, na mesma data do desaparecimento de seu ilustre avô, Miguel Arraes, acrescenta importante ingrediente para conferir ao triste episódio colorido mitológico.
    
Os analistas de nosso cenário político sabem que a Eduardo Campos estava reservado papel de excepcional relevo na condução dos destinos do Brasil, já a partir das próximas eleições, quando sua opção política fosse exercida num agora mais do que nunca inevitável segundo turno, passo necessário para o exercício de um protagonismo político proporcionado por sua biografia, espírito público e visão de estadista. Se é possível alguma compensação por tão absurdo quanto precoce e brutal desaparecimento, antecipo a crença de que, mesmo morto, Eduardo Campos definirá as próximas eleições presidenciais, seja com a disputa entre Aécio Neves e Dilma, ou Marina da Silva e Dilma. 

Que não nos enganemos: a comoção nacional, gerada pela morte do ex-governador de Pernambuco, catapultará o nome de Marina, nas intenções de voto, para um patamar não inferior a um quarto do colégio eleitoral brasileiro, avançando sobre os indecisos e eleitores de todos os presidenciáveis. Esse será o caminho sinuoso escolhido pelo povo brasileiro para testemunhar o seu apreço por aquele que teve suas asas ceifadas em pleno voo, na direção do sol, compensando-o, de modo indireto, da perversa armadilha do imponderável a que chamamos destino.
    
Enquanto o povo brasileiro lamenta o desaparecimento de um jovem e promissor estadista, eu e minha família pranteamos a perda de um querido amigo, afeto que continuaremos a cultivar através de seus herdeiros, bem como de seu talentoso irmão, o jurista e escritor Antônio Campos, e de sua mãe, a respeitada ministra do Tribunal de contas da União, Ana Arraes. 
    
Cultivo invencível irresignabilidade diante da morte dos que vivem um alvorecer rico das melhores e bem fundadas expectativas, a ponto de achar que tais ocorrências não podem ser obra de quem rege o Universo. É verdade que no caso em tela, poder-se-ia argumentar que a vida dos grandes homens não deve ser medida por sua dimensão meramente cronológica, mas pelo alcance dos seus feitos. Vistas as coisas por esse prisma, resta aos amigos e familiares de Eduardo Campos o consolo de que ele cumpriu obra demandante de séculos de atividade no curto espaço de uma existência que, medida pelo diapasão corriqueiro, se extinguiu no verdor dos 49 anos.
    
Sem sombra de dúvida, Eduardo Campos deixa a vida para entrar na História!
    

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