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segunda-feira, 3 de agosto de 2015
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Joaci Góes

Nos anos da década de 1950, um empresário carioca, Luiz Felipe Albuquerque Junior foi à falência, depois de um período de aparente prosperidade, quando possuía escritórios em diferentes cidades, com negócios de exportação, jornal, uma frota de 66 taxis, a maior do Brasil, dentre outros negócios. Seu nome soava como o de um verdadeiro Midas.   

Luiz Felipe quebrou porque comprava a prazo, mediante a emissão de notas promissórias, e vendia à vista, prática que lhe proporcionava abundante caixa. Até aí, tudo bem. Afinal de contas, esse foi um dos segredos do crescimento do legendário Mamede Paes Mendonça, como tem sido, no espaço e no tempo, o de muitos empresários vitoriosos, que se conformam com uma pequena margem de lucro, com a vantagem, porém, de disporem de grande liquidez.

O problema era que Luiz Felipe, ao vender à vista, não recuperava o valor investido em cada um dos bens adquiridos. Nos primeiros momentos, a insustentabilidade do método não aparecia, porque, com a fama em alta, ele comprava cada vez mais, prorrogando o momento do colapso que, mais cedo ou mais tarde, fatalmente, viria a ocorrer com grande estridor, ocasionando enorme e irrecuperável prejuízo aos infelizes detentores de seus papeis.  Processado como golpista-estelionatário, de seu nome resultou o substantivo filipeta, como sinônimo de prática irresponsável.

É este, precisamente, o fenômeno que se abate sobre a vida econômica brasileira, quando, finalmente, vieram à tona as nefastas consequencias da farra que a administração pública vem fazendo com os recursos do contribuinte. Nunca é demais lembrar que, diferentemente do que muita gente pensa, o poder público não gera riqueza, melhor dizendo, não gera um centavo, ao tempo em que gasta barbaridades. Se despendesse, apenas, a enormidade dos recursos que arrecada com impostos crescentemente escorchantes, ainda seria muito, mas, ainda assim, tolerável. O problema é que, a exemplo de Luiz Felipe, o governo brasileiro, sobretudo nos últimos 12 anos, não só gasta tudo que arrecada, como saca contra o futuro, na crença de que taxas de crescimento econômico, entre médias e elevadas, são um moto contínuo ininterrupto.            

O resultado dessa farra monumental é o crescente déficit público – diferença negativa entre a arrecadação e os gastos-, aumentando a dívida pública que ora se aproxima de dois terços do PIB brasileiro. Para reverter este panorama macabro, o Brasil precisa acabar com o déficit e dar início a uma acumulação regular de superavits. Ou seja: o País precisa gastar menos do que arrecada para não virar uma Grécia gigantesca.

O grande problema nacional vem sendo o de ser governado por políticos que só atuam pensando na próxima eleição, quando precisamos de estadistas, que ajam de olhos postos nas futuras gerações.

Quando os países invertem suas prioridades, optando por gastos populistas, em lugar de investimentos na infraestrutura física e social, como estradas, portos, aeroportos, saneamento básico, educação e saúde, terminam como o Brasil de nossos dias, cortando, precisamente, investimentos nessas áreas de que o bem estar e a prosperidade tanto dependem.  

Como compensação para os dias sombrios que nos aguardam, resta o consolo do vigor de nossas instituições, suficientemente sólidas, para abrigar, na moldura democrática, o processo de punição exemplar de quantos fazem do assalto ao Erário um estilo de vida. 

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