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domingo, 25 de setembro de 2016
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Joaci Góes

Nas numerosas homenagens que a Bahia culta vem prestando ao professor Roberto Santos, em regozijo pelo transcurso dos seus noventa anos, os oradores são unânimes em destacar, ao lado dos ricos atributos intelectuais que ornam sua personalidade, a invariável honradez com que atuou em cada uma das diferentes, complexas e importantes funções que exerceu, como professor e pesquisador, no campo da Medicina, e como gestor na Administração Pública.

O estudante, o pesquisador e o professor foram sucedidos pelo festejado secretário e, mais tarde, ministro da saúde, pelo presidente do Conselho Federal da Educação; pelo fecundo reitor; pelo dirigente máximo do CNPQ; pelo irrepreensível Governador de estado, pelo parlamentar operoso. Para ele, o mérito é a medida da vida, compreensão que herdou do pai, Edgar Santos, o melhor reitor brasileiro de todos os tempos, cujos passos seguiu, como evidenciou em Vidas Paralelas, seu livro de memórias, propositalmente, o mesmo título do clássico de Plutarco, do início da Cristandade. 

É por isso que dizemos que integridade é a palavra síntese da exuberante saga existencial deste que é, também, um grande construtor de amigos e chefe de família exemplar, para o que contou, sempre, com o concurso inestimável de sua admirável e amada mulher e conselheira, Maria Amélia Santos. Adicione-se o complemento de que a integridade na vida de Roberto Santos foi entendida e praticada, invariavelmente, como obediência ao que não é exigido, algo assemelhado à definição de Napoleão Bonaparte para quem “coragem é aquela das três horas da madrugada”, querendo referir-se à ausência de testemunhas, culminando o audacioso corso com o axiomático oximoro segundo o qual “a coragem suprema consiste em não ter medo de parecer covarde”. Sintomaticamente, não há registro de que Roberto Santos tenha, em qualquer momento de sua vida, blasonado honestidade, decência, honradez, postura própria de quem entende serem esses atributos deveres inerentes à cidadania elevada e, por isso, insusceptíveis de uso como fator de autovalorização. 

Refletindo sobre os nomes que saíram da Universidade Federal da Bahia, ao longo dos seus setenta anos, agora celebrados, e sem qualquer desdouro para quantos baianos ilustres honraram e honram as melhores tradições morais e intelectuais de nossa terra, concluímos que Roberto Santos é a cumeada, sua expressão máxima.

O aluno exemplar que se dedicava com excepcional apuro para chegar a diagnósticos difíceis, para encanto de mestres como Cézar de Araújo e Adriano Pondé, como lembrou a grande mestra Leda Jesuíno no discurso de saudação ao ingresso de Roberto Santos na Academia de Educação, resultou no professor e jovem catedrático da Faculdade de Medicina, aos 30 anos de idade, prestígio consolidado nos cursos e pesquisas que realizou em importantes universidades americanas e européias

. Registre-se, aliás, para minha satisfação, que, ainda estudante, conheci o professor Roberto Santos, no verdor dos seus 36 anos, nas duas conferências proferidas na Universidade de Harvard, em 1962, por Henry Kissinger, então assessor especial do Presidente Kennedy para assuntos estratégicos. Como baiano, desde então, recebia com orgulho, os repetidos comentários que ouvia, mundo afora, dando conta de que o professor Roberto Santos, antes mesmo de completar 40 anos, já era reputado uma das maiores sumidades médicas do País.

Roberto Santos é, sem dúvida, o produto da associação feliz entre a inteligência, a disciplina, a perseverança, a integridade e o acendrado desejo de servir. 

Neste mar de lama em que a Nação ora chafurda, nada como o assoalhamento da biografia de Roberto Santos como objeto de uma campanha nacional pela recuperação de nossa combalida moralidade e exaltação dos valores republicanos e de uma vida pública honrada. 

Roberto Santos continua, com sua militante presença, enriquecendo a vida das principais entidades culturais do nosso Estado que o consagram como o maior baiano vivo, na expressão cunhada pelo Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia, Edivaldo Machado Boaventura.

Roberto Santos é uma estrela de primeira grandeza na constelação dos grandes vultos de nossa terra. Sobre sua biografia portentosa, e diante de seu lúcido testemunho, debruça-se encantada a consciência dos contemporâneos cultos, honrados e livres. Sua inspiradora saga existencial se ajusta à perfeição, como a luva à mão, à epígrafe que elaborou para si mesmo Orlando Gomes, braço direito de Edgar Santos na fundação e desenvolvimento da UFBA:

Infatigável no trabalho; Severo nos estudos; Grande nos afetos e Sereno nas preterições.

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