TRÂNSITO AO VIVO
WhatsApp: 71 9206-5826
sexta-feira, 27 de maio de 2016
FIQUE SABENDO AGORA
PUBLICIDADE

Joaci Góes

Michel Temer defronta o maior desafio político-econômico imaginável, em razão do estado de penúria em que se encontram as contas públicas brasileiras, exigentes de largo espaço de tempo para a restauração de sua normalidade, tarefa que exige sacrifícios, com os quais todos concordam, desde que recaiam sobre os outros! Algo como as radicais mudanças propostas pelo Gato Pardo de Lampedusa: “Mudemos radicalmente o estado das coisas, desde que permaneçam exatamente como se encontram”!

Milton Friedman e sua mulher, Rose, herdeiros do pensamento liberal, cultivado, sobretudo, na Universidade de Chicago, escreveram um livro, The tiranny of the status quo, em que analisam as dificuldades para mudar as práticas dominantes numa determinada sociedade.

O populismo bolivariano do governo petista estimulou, como nunca, a gastança irresponsável, na crença infantil de que o Estado é capaz de tudo, inclusive de criar quanta riqueza for necessária para atender à política de manutenção do poder a qualquer preço, como tão bem expressou Dilma Rousseff: “Farei o diabo para ganhar estas eleições”! E fez, como todos sabemos! O governo agiu como se não compreendesse que o Estado, ao contrário de criar riquezas, vive às custas da sociedade, como advertiu Frederick Bastiat, em meados do Século XIX.  

Ao término da insensata aventura petista, o Brasil patina numa crise cujo reflexo mais grave se exprime nas elevadas taxas de desemprego que infelicitam a Nação. Para superá-la, é indispensável a retomada do crescimento econômico que depende do grau de confiança que o governo for capaz de inspirar aos setores produtivos. Imperativos de ordem prática impedem que Michel Temer monte um ministério com personalidades acima de qualquer suspeita. Com a flexibilidade que demonstrou, alimentada por sua larga experiência política, reuniu a melhor equipe possível, permitida pelas circunstâncias, ainda que a reboque de inevitáveis críticas, inclusive pela ausência de mulheres no primeiro escalão. A governabilidade, expressa na capacidade de aprovar as medidas que encaminhar ao Congresso, falou mais alto.

A aprovação de algum tributo, ainda que por tempo determinado, a par da adoção de medidas que restrinjam direitos e privilégios de diferentes setores, vai depender da disposição de cortar na própria carne de certas áreas que primam pelo esbanjamento de recursos públicos, a exemplo das duas casas do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado da República. O Custo anual somado das duas casas sobe a 12 bilhões de reais, cabendo a cada uma um orçamento superior ao da cidade do Salvador, com seus três milhões de habitantes. Pode?

Até quando o Congresso funcionava no Rio de Janeiro, os congressistas não tinham direito a passagens aéreas, a apartamentos funcionais, a escritórios, nem a funcionários. Observe-se que, à época, atuavam parlamentares da expressão dos irmãos João e Otávio Mangabeira, Luís Viana Filho, Juracy Magalhães e Tarcilio Vieira de Melo, para ficarmos, apenas, com nomes baianos. Os fatos comprovam que o Congresso Brasileiro piorou de qualidade, à proporção que aumentou o custo de sua manutenção.

Com o advento da revolução digital, registrou-se sensível aumento da produtividade das organizações, em escala planetária, com expressivo aumento de ganhos para as partes envolvidas. A General Electric, por exemplo, paralelamente à redução do número de seus empregados, mais que dobrou o seu faturamento.

A japonesa Toyota, uma das líderes mundiais na produção de automóveis, chegou ao extremo de montar fábricas inteiramente operadas por robots. Enquanto isso, o setor público brasileiro, ignorando inteiramente o edificante exemplo do mundo desenvolvido, vem aumentando seu quadro de pessoal, sem incorporar os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias. O resultado é o que se vê: não obstante dotados de recursos vultosos, como a educação e a saúde, os órgãos públicos nacionais vêm elevando seus gastos operacionais acima dos ganhos de produtividade, no estilo que vem quebrando os países bolivarianos que lêem na velha e carcomida cartilha do populismo inconsequente que levou o Brasil às cordas.

Para a Administração Pública brasileira retomar os caminhos da eficiência, impõe-se a restauração do primado da meritocracia na escolha dos servidores públicos, enquanto rezamos pelo adensamento da consciência de que sem uma educação de qualidade accessível a todas as camadas, a universalização da genuína cidadania será uma permanente miragem.
 

Colunas anteriores
Outras notícias: mais recentes · mais antigas
SIGA A TRIBUNA
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
EDIÇÃO ONLINE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE