Joaci Góes - Tribuna da Bahia
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domingo, 21 de dezembro de 2014
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Joaci Góes

Para compensar a insatisfação dos baianos com os serviços públicos de educação, saúde e segurança, 50% das vagas na série B, do campeonato brasileiro de futebol, foram conquistadas por Bahia e Vitória!

Humor negro à parte, a verdade é que encerramos este ano de 2014 com muito pouco a festejar, ficando os soteropolitanos com a vantagem de uma administração municipal que vem restaurando o orgulho com a capital do Estado.

A eleição, no último sábado, dos novos dirigentes do Esporte Clube Bahia, para os próximos três anos, contém o oximoro de ter sido bom e ruim, ao mesmo tempo. Bom, porque reitera o curso, aparentemente irreversível, tomado pelo Clube de seguir com práticas democráticas, compatíveis com uma das maiores e mais apaixonadas torcidas do futebol brasileiro. Ruim, na medida em que revela a abissal distância que separa o clube de suas enormes possibilidades, ao exibir o inexpressivo colégio eleitoral de quatro mil associados comparecentes às urnas.

O programa de intenções da nova diretoria, liderada pelo jornalista Marcelo Sant`Ana, pareceu-nos apropriado para o momento, na medida em que revela racionalidade operacional, conducente à indispensável estabilidade sem a qual - a experiência histórica o comprova-, os times de futebol não alcançam os títulos ansiados pelos fãs. Santa Catarina que o diga.

Acreditamos, porém, que algumas intenções pétreas sobrepairam a todas as outras, como sustentáculo básico do desempenho dentro das quatro linhas, desgraçadamente negligenciadas pelo espírito de improvisação que está na raiz dos fracassos esportivos do gênero, a saber:

1-Transparência. A gestão do patrimônio do clube deve ser confiada a uma equipe, e não apenas a uma pessoa, de modo a evitar que caia na tentação de confundir suas contas pessoais com a receita do clube, seja de verbas de patrocínio venda de ingressos ou de jogadores, como tem sido mais frequente do que o desejado, Brasil afora;

2-A equipe técnica, incluídos os treinadores, fisicultores, médicos e diretores de futebol, deve ter a garantia de estabilidade por um período de pelo menos dois anos, mínimo necessário a se obter os resultados oriundos de um projeto de curto prazo. Como é comum no Brasil, não é possível demitir um técnico na sequencia de alguns resultados desfavoráveis. A insegurança suscitada pela sensação de ter pendente sobre a cabeça a espada de Dâmocles aumenta as possibilidades de fracasso. Se as equipes de cirurgiões operassem sujeitas a tais critérios, certamente, o número de insucessos seria sensivelmente maior do que a média predominante;

3-Voto qualificado. Não há no Brasil um clube com a torcida que o Bahia tem com quadro tão inexpressivo de associados. O Bahia é a mais valiosa marca de todo o Nordeste brasileiro, mesmo com os insucessos dos últimos dez anos, quando o crescimento do seu maior rival, o Esporte Clube Vitória, encostou-lhe nos calcanhares! Recorde-se que há três décadas, cerca de 70% da torcida baiana pertencia ao Bahia, líder de renda em sucessivos campeonatos nacionais. Hoje, esta maioria tricolor deve ficar, apenas, um pouco além de 50% dos torcedores. O Bahia, portanto, tem que ter a coragem de inovar de modo a transformar esta paixão em receita imediata, para financiar as medidas necessárias ao seu soerguimento, como contratar bons jogadores e, sobretudo, alcançar excelência na organização de suas divisões de base. E nada mais adequado do que a introdução do voto qualificado que dá ao associado o peso compatível com o valor de sua contribuição mensal. O voto do sócio que contribui com uma cota representa um voto; o que contribui com duas cotas vale dois votos, e assim sucessivamente, fixado o limite máximo de vinte votos, por exemplo. No dia da votação, o associado terá o peso da contribuição média dos últimos doze meses.

A prevalência do argumento tolo e populista, na linha dos líderes bolivarianos, de que a medida geraria a discriminação entre torcedores de categorias diferentes esquece que na formação do capital das empresas os acionistas têm o peso correspondente ao valor do seu investimento. Com tal iniciativa pioneira, o Bahia poderia elevar para alguns milhões sua atual e irrisória arrecadação mensal, habilitando-se a subir ao primeiro plano do futebol arte do Brasil.

Essas recomendações também valem para o Esporte Clube Vitória, com quem o Bahia está algemado, condenados ambos a surfar as ondas do sucesso ou mergulhar abraçados para a mediocridade de hoje.

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