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terça-feira, 30 de maio de 2017
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Luiz Holanda

Os mesmos que foram às ruas pedir o impeachment da ex-presidente Dilma, acusada de corrupção por tudo quanto é lado, pedem, agora, a renúncia do presidente Michel Temer, depois da divulgação das fitas gravadas pelos dois irmãos, donos da JBS. Apesar do malabarismo verbal e midiático do presidente para explicar o inexplicável, sua permanência no poder dependerá da boa vontade dos políticos corruptos e dos garantistas da impunidade, que, infelizmente, dominam o Supremo Tribunal Federal-STF.

Até a histriônica advogada Janaína Paschoal, que dava chiliques quando fazia acusações contra a ex-presidente, está pedindo, pela internet, a renúncia de Temer. Segundo ela, as gravações divulgadas indicam crime comum, de modo que se o Procurador-Geral Da República denunciar o presidente e o STF receber a denúncia, o Temer seria afastado, sem necessidade de impeachment.
Para os assessores mais próximos do presidente (a maioria sob suspeita de corrupção), “muita coisa pode mudar; ainda não é hora de jogar a toalha”. Aliados e empresários, porém, consideram que o governo chegou no fim da linha, o que faz com que muitos não entendam a insistência de Temer em ficar.

Para os que não se lembram, a imprensa já divulgou imagens do processo em que o presidente foi acusado de receber recursos públicos desviados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), no Porto de Santos. A denúncia veio à tona em 2001, quando a revista VEJA publicou uma reportagem sobre corrupção no Porto de Santos.

Segundo foi divulgado, Temer teria um acordo com seu apadrinhado na Codesp para receber 50% da propina sobre contratos de licitações ou concessões de portos. A revista citou um processo de dissolução de união estável, na capital paulista, no qual Erika Santos, companheira de Marcelo de Azeredo, então presidente da Codesp e indicado por Temer, pedia R$ 10.000,00 (dez mil reais) de pensão mensal e mais 50% do patrimônio do dirigente das docas.

Esse processo durou até que o notório ministro Marco Aurélio Mello (sempre ele) entendeu que não havia novos fatos contra Temer desde que a PGR mandou arquivar o processo, em 2002. Achando que pode repetir a estratégia, Temer usa o mesmo discurso. Ele tenta passar a imagem de que jamais pediu dinheiro ou manteve contanto com os irmãos da JBS. Mesmo contrariando os fatos, Temer insiste em negar.

O falecido líder político baiano, Antonio Carlos Magalhães, em almoço com o ex-senador Mário Covas, afirmou - segundo foi publicado na época-, que “As coisas morais nunca foram o forte do senhor Temer”. As contradições entre o que o presidente diz e o que realmente aconteceu são tão flagrantes que sua única estratégia consiste em ganhar tempo. É bem possível que consiga, caso os garantistas da impunidade, no STF, garantam a sua permanência no poder contra todas as evidências.

Encurralado, precisa, primeiramente, controlar a debandada dos aliados, temerosos de serem, também, jogados no lamaçal da corrupção. Em seguida, contestar, juridicamente, as acusações da JBS. O problema é que o nível de instabilidade que o Brasil está vivendo não dá ao presidente meios para manobrar, por muito tempo, por sua permanência no governo.

Quanto mais tempo ganhar, melhor. Questionar juridicamente as afirmações de Joesley, desqualificar as gravações, segurar os aliados e impedir que ministros deixem seus cargos, é a primeira coisa a fazer. Depois, é rezar para o povo não sair às ruas.

Alguns sinais da sexta-feira passada foram favoráveis ao presidente. Os movimentos Vem pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre), que foram atuantes nas convocações de protestos na ocasião do impeachment da ex-presidente Dilma, cancelaram manifestações marcadas para o domingo, dia 21.

O Supremo abriu inquérito para investigar o presidente, decisão acatada pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no tribunal. No pedido, quer-se a apuração pelo envolvimento do presidente em três crimes: corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à justiça.

O presidente chamou a gravação de “clandestina”, mas o ministro Fachin esclareceu que ela foi feita com a anuência da Justiça, sendo, portanto, legal. E o jornalista Merval Pereira, da Globo, disse que o encontro do presidente com o dono da JBS foi feito na calada da noite e de forma clandestina. Segundo ele, o áudio da conversa mostra que os dois falaram sobre a ausência de registro da visita de Batista ao Palãcio do Jaburu. Batista explica ao presidente que passou a placa do carro, foi chegando ao Palácio e nem teve de se identificar. “Funcionou superbem”. Vamos ver se vai funcionar agora.

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