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sábado, 25 de março de 2017
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Paulo Roberto Sampaio

Essa história de carne fraca, carne podre, uso de ácido ascórbico para deixá-la vermelha e, de repente tudo parecer normal, acabou me deixando com grilo  na cabeça. 

É possível que alguns não saibam o significado popular da expressão, mas “grilo na cabeça” significa algo que está a nos atormentar, como a história dessa carne está. 

Ah, e é também o nome do delegado da Polícia Federal responsável pela investigação: Maurício Moscardi Grillo. E eu começo perguntando: o que de efetivamente grave a PF descobriu nessa investigação para atingir todo o setor?

Considerada a  maior operação da Polícia Federal do Brasil em todos os tempos, a ponto de reunir 1.000 agentes para garantir o êxito da ação e por certo, para prender os meliantes, quem acabou preso foi o consumidor, numa série de dúvidas, atordoado e atormentado, para não dizer nauseado, com essa história toda.

E a menos que tenham adicionado, rapidinho, nos gabinetes de Brasília, generosas porções do tal ácido ascórbico para fazer a carne ficar bonita e com ar de saudável, recolhido todo o papelão que dava gosto aos embutidos, e recorrido a algum poderoso inseticida para matar a terrível salmonela, algo me deixou realmente com grilo na cabeça nessa história.

O mínimo que posso concluir é que o delegado Grillo pesou na mão ao temperar a notícia. Fez parecer que somos um grande matadouro, desses fétidos que ainda temos, infelizmente, em algumas cidades do interior, onde dá repugnância ver o que nos vai chegar à mesa no dia seguinte.

Todo o investimento feito pelos grandes conglomerados do agronegócio da proteína no país para tornar nossa carne presente em mais de 150 exigentes países do mundo, foi passado na máquina, triturado e embutido como as salsicha e derivados parecem ser.
E, pouco a pouco, renomados especialistas, veterinários e técnicos qualificados e independentes são ouvidos e garantem que o bicho não é tão feio quanto parece. Ou quanto foi vendido pelo delegado Grillo.

O tal ácido ascórbico deixa de ser vilão para se tornar uma espécie de salzinho que até dá gosto no salsichão e na calabresa nossa de cada churrasco. Que nossa carne passa sim em rigorosos controles de qualidade. 

Só faltam dizer que o delegado Grillo andou botando grilo em nossa cabeça porque é vegetariano. Ou mais que isso, vegano, 
Mas retornando os pés ao chão, que país é esse onde uma grandiosa operação acontece conduzida pela sua Polícia Federal, envolve no enredo até seu ministro da Justiça, na hierarquia o chefe maior do setor, mexe com a credibilidade da marca Brasil em segmento tão vital para nossa economia, e ninguém sabe de nada?
É de estarrecer!

Uma investigação tão delicada se arrasta por dois anos e nenhuma autoridade de primeiro escalão toma conhecimento, até para se preparar para, sem o comprometimento da verdade, não deixar que a carne do Brasil pareça toda ela podre.
Credibilidade no mercado internacional é algo que se conquista com o tempo, com anos de muito trabalho. Licenças e autorizações são obtidas ao custo elevado de medidas fitossanitárias internacionais e que resultam em grandes investimentos, para, de repente, virar cinzas numa grande churrasqueira.

Que tudo que a briosa PF investigou seja apurado com todo rigor, mas que não sejamos mais realistas que o rei - não estou me referindo ao rei Roberto Carlos, garoto-propaganda de uma das marcas envolvidas nessa história. 
Que a investigação venha junto com o desejo de informar com transparência e independência em qualquer setor da economia, mas também com responsabilidade e equilíbrio. 

Até porque os efeitos da denúncia já causaram, num único e desastroso dia, um prejuízo de mais de R$ 8 bilhões para o setor e, por extensão, para o país. 

E ninguém pode assegurar que ficaremos só por aí. Como diz o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, barrar a importação de nossa carne pelos nossos parceiros no exterior seria um ‘desastre’. Um duro golpe para nossa claudicante economia.
Daí, delegado Grillo, para tirar de vez esse grilo da minha cabeça, que tal nominar os crimes cometidos por cada frigorífico, por cada marca. 

Investigar melhor onde entra o papelão nessa história, o tal ácido ascórbico e em que quantidades foi ou está sendo adicionado à carne e em que frigoríficos, para que possamos saber o que é fato e o que é lenda. Ou informação sensacionalista que só faz mal ao agronegócio e ao Brasil.

E que nossas autoridades responsáveis pela fiscalização façam o mesmo, com o rigor natural, já que vidas humanas estão em jogo.
Tudo numa boa, sem grilo, tá!

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