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sexta-feira, 24 de março de 2017
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Raul Monteiro

Por mais que o presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tenham se esforçado ontem para minimizar o impacto da Operação “A Carne é Fraca”, da Polícia Federal, que descobriu um esquema - mais um! - criminoso, desta vez de adulteração da carne produzida no Brasil pelas principais indústrias do setor, é inegável que a repercussão da notícia tenha sido catastrófica, tanto no país quanto no exterior, cujo acesso pelo produto brasileiro é fruto de investimentos vultosos, ao longo das últimas décadas.

Aliás, este foi um dos argumentos utilizados pelo ministro da Agricultura para revelar a sua desconfiança em relação a alguns dos “achados” da investigação policial, a exemplo do uso de papelão na produção de enlatados, embora, como frisou, não se trate absolutamente de questionar o trabalho que a Polícia Federal realizou e culminou na deflagração da sugestiva operação. Mas o que mais chamou a atenção neste processo foi, conforme as apurações, o envolvimento de partidos em mais um escândalo de proporções internacionais.

Como na Operação que investiga desvios de recursos na maior estatal brasileira, dois dos partidos pegos na Lava Jato são candidatos a responsáveis ou partícipes pelo esquemão que abalou a reputação de um setor que foi, nesta crise, responsável por segurar a economia do país: PP e PMDB. “Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era revertido para partido político. Já foi falado ao longo da investigação sobre dois partidos: PP e PMDB”, disse o delegado Maurício Moscardi Grillo, que até mês passado coordenava a força-tarefa da Lava Jato.

Na avaliação dos investigadores, algumas vezes a propina servia para que eles (os agentes públicos indicados partidariamente) ignorassem violações sanitárias, como a venda de carne com data de validade vencida e uso de produtos químicos para adulterá-la e a presença de materiais estranhos no alimento. “Os agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva”, completou a Polícia Federal.

A bem da verdade, tanto o PP quanto o PMDB, por meio de suas assessorias, trataram de informar que desconheciam o teor das denúncias e apoiavam publicamente as investigações, desautorizando que se falassem em nome deles. Fato é que o que a investigação trouxe mais uma vez à tona a idéia de que, onde partidos e políticos se metem, por meio de suas indicações a cargos públicos, a população corre risco, a exemplo do que revelou “A carne é fraca”. Mais do que nunca, o modelo baseado no presidencialismo de coalização precisa ser urgentemente revisto.

 

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