Centrão ameaça não barrar nova denúncia contra presidente

O grupo quer que o governo redistribua os cargos na administração federal que estão nas mãos dos chamados "infieis"


Tribuna da Bahia, Salvador
12/08/2017 10:45 | Atualizado há 4 dias, 16 horas e 19 minutos

   

Um dia após usar a votação da reforma da Previdência e da agenda econômica do governo na Câmara como forma de pressão, partidos do Centrão ameaçaram não barrar uma eventual segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. O grupo quer que o governo redistribua os cargos na administração federal que estão nas mãos dos chamados "infieis" para os que votaram majoritariamente para barrar a primeira denúncia por corrupção passiva contra o peemedebista na Câmara, na semana passada. 

Lideranças do PP e PSD, os dois maiores partidos do Centrão, dizem que será muito difícil "segurar" suas bancadas caso o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente uma segunda denúncia contra Temer no atual cenário de "desorganização" da base. Janot deixará o cargo no dia 17 de setembro e, nos bastidores, procuradores e parlamentares dão como certo de que, antes de sair, ele apresentará denúncia por obstrução da Justiça contra o presidente, com base na delação de executivos da JBS.

"Pode ser mortal. Se chegar (uma segunda denúncia) num cenário desses, é o fim da linha para o presidente", afirmou ao Estadão/Broadcast o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL). 

Para o deputado, o governo não pode continuar dando as mesmas "regalias" a fiéis e infiéis. "O governo não se comunica, não se articula, não conversa, não prestigia. Não dá para estar na mesma base quem vota contra e quem vota a favor, com as mesmas regalias, sejam ela grandes ou pequenas", disse. Segundo Lira, as críticas são generalizadas na bancada.

O líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG), avalia que uma eventual segunda denúncia da PGR, no atual momento, pode ser "perigosa" para Temer


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