|
Tropas russas invadem a Geórgia
Tropas russas invadiram ontem uma região com foco de conflito separatista na Geórgia, a Ossétia do Sul. Antes, tropas da Geórgia haviam bombardeado a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Um líder separatista fala em mais de 1.400 mortos após o conflito desta sexta. Segundo declaração do secretário do Conselho Nacional de Segurança georgiano, Alexandre Lomaia, à agência AFP, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, decretará o estado de exceção “nas próximas horas”.
Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada no leste europeu, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou “república soviética”, mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma.
Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região. O último teve início nessa sexta, quando as forças de paz russas e as “unidades militares georgianas” travaram “combates intensos” no sul da capital da Ossétia do Sul, Tsjinvali, segundo o comando das forças russas, citado pela agência RIA-Novosti.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin declarou que a “guerra já começou”, e Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia, acusou a Rússia de uma “bem-planejada invasão”, dizendo que ele tinha mobilizado militares da reserva da Geórgia.
“Nossas forças de paz estão participando de combates ferozes com unidades do exército georgiano nos subúrbios do sul de Tsjinvali,” disse um oficial das forças russas mobilizadas na região separatista georgiana da Ossétia do Sul - um enclave apoiado por Moscou.
Em declaração na noite de ontem, o comandante Marat Kulakhmetov, citado pela agência Interfax, as forças russas de manutenção da paz vão permanecer na república separatista da Ossétia do Sul.
No total, 12 soldados das forças de paz russas morreram e 150 foram feridos por tiros georgianos em Tsjinvali, segundo um porta-voz do comando das forças, citado por Interfax.
Segundo o presidente do território separatista da Geórgia, Eduard Kokoiti, a ofensiva georgiana deixou 1.400 mortos na Ossétia do Sul.
De acordo com Kokoiti, a capital da região separatista, com apenas 30 mil habitantes, ficou “praticamente em ruínas” devido aos bombardeios dos aviões e à artilharia georgiana, que lançou bombas na cidade desde a noite passada.
“Muitos edifícios estão em ruínas. Falta água, não há eletricidade nem luz e a comunicação telefônica quase não funciona”, disse Kazbek Friev, comandante do batalhão osseta das Forças Mistas de Paz na Ossétia do Sul, à agência russa “RIA Novosti”.
País decretará estado de exceção em breve
O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, irá decretar estado de exceção em todo o país nas próximas horas, afirmou o secretário nacional do Conselho de Segurança, Kakha Lomaia. “O decreto já está sobre a mesa do presidente para ser assinado”, declarou. “Nós achamos que a Rússia começou a bombardear locais de infra-estrutura civil e econômica.”
O anúncio pode acontecer em meio à segunda reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão. O encontro pretende evitar que seja declarada guerra.
Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação —inclusive por abrigar muitos cidadãos russos—, mas a Geórgia não reconhece a independência.
Nesta sexta-feira, depois de um cerco georgiano à cidade de Tskhinvali, considerada capital da província da Ossétia do Sul, a Rússia decidiu atacar o país. De acordo com testemunhas, a devastação na região é enorme.
Desde o começo dos bombardeios, cerca de 140 ônibus com refugiados chegaram à Ossétia do Norte, ainda de acordo com a Interfax. Outras mais de 500 pessoas buscaram abrigo em outras partes da Geórgia. Mais gente deve deixar a Ossétia do Sul.
O estado de exceção deve ser declarado pouco depois de Saakashvili ter dito em mensagem transmitida pela TV que o Estado havia retomado o controle sobre a Ossétia do Sul. Na TV, o presidente admitiu a morte de 30 cidadãos, “na maioria militares”.
O lado separatista reclama muito mais mortes. O líder separatista da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, afirmou que o conflito matou aproximadamente 1.400 pessoas na região, de acordo com a agência de notícias russa Interfax
|