Foi no ano de 1969, em julho, quando, aqui na Bahia, acertavam-se os passos finais para que a Tribuna da Bahia fosse pela primeira vez à rua, em 21 de outubro daquele ano, dois meses após a chegada do homem à Lua.
No dia 16 de julho, há exatos 40 anos, o gigantesco foguete Saturno 5, máquina mais potente construída pela Nasa até hoje, partia de Cabo Canaveral, na Flórida, EUA, inaugurando a primeira etapa da maior odisséia do ser humano até hoje: o primeiro pouso na Lua, satélite a cerca de 385 mil quilômetros de distância da Terra.
Impulsionado por potentíssimos motores à base de oxigênio e hidrogênio líquidos, o Saturno 5 (com 111 metros de altura e pesando mais de três milhões de quilos) colocou Neil Armstrong (comandante da missão) e seus companheiros Michael Collins e Edwin Aldrin a uma altitude de 185 quilômetros e uma velocidade de 28 mil quilômetros por hora, menos de 12 minutos após o lançamento.
Começava aí a viagem fantástica, cuja partida foi assistida por centenas de milhares de pessoas no local e milhões em todo o mundo, através das então incipientes transmissões via satélite.
A fase crucial
Embora início, era uma das fases cruciais da viagem, assim como é sempre fase crucial nos voos comuns, hoje, a decolagem do avião, porque luta-se contra a formidável força da gravidade terrestre.
Na verdade, praticamente toda a gigantesca potência do Saturno 5 foi usada para "descolar" a nave espacial que iria à Lua, com seus três ocupantes, da Terra.
A partir daí, tudo seria feito com muitissimo menor esforço, já a partir de algumas voltas em torno da Terra até a entrada na "janela" através da qual a nave lunar foi impulsionada para o espaço, alcançando os 40 mil quilômetros por hora, velocidade mantida sem necessidade de mais empuxo, já que o veículo navegava no vácuo, não havendo a resistência do ar.
Basta impulsionar a pequena parte que restou do enorme foguete para que ela atinja uma velocidade próxima de 40 mil km/h. Isto foi feito facilmente pelo único motor do terceiro estágio, ligado mais uma vez, para tornar possível o grande salto pela "janela". A Apollo 11, então, rompeu seus laços com a Terra e foi cumprir a sua missão pioneira.
O Projeto Apollo
O Projeto Apollo, iniciado com o intuito de levar o homem à Lua, começou com o desenvolvimento de um foguete potente o suficiente para colocar uma nave com três tripulantes no caminho da Lua. Era o foguete Saturno 5, o maior já construído até hoje.
Antes do projeto Apollo os americanos tentavam ultrapassar os russos na corrida espacial com os projetos pioneiros Mercury (naves orbitais de um só tripulante) e Gemini (de dois tripulantes e manobráveis). Eram preparativos para ganhar tecnologia, experiência e treino para as viagens de maior duração rumo à Lua.
Em outubro de 1968 era lançada a Apollo 7, a primeira missão da série. Ela apenas orbitou a Terra, testando o equipamento. Em dezembro do mesmo ano, veio a Apollo 8, que foi até a Lua e realizou algumas órbitas antes de retornar. As Apollo 9 e 10 repetiram o caminho e testaram os módulos de comando e de pouso.
Enquanto isso, na Bahia...
Assistir à partida do Saturno 5 talvez tenha sido um dos poucos momentos em que, naquele 16 de julho de 1969,o empresário Elmano Castro e o jornalista Quintino de Carvalho desviaram por alguns momentos sua atenção de outro lançamento que impactaria a população de Salvador.
Preparavam, eles, juntamente com outros colabodores técnicos, a potente máquina que lançaria a Tribuna da Bahia, desafiando não a Lei da Gravidade de Newton, mas leis de extrema gravidade institucional implantadas pela ditadura militar, então no seu auge e que tinha como um dos principais alvos a repressão à liberdade de expressão.
Foi um esforço hercúleo, mas coroado de êxito. Foi também um gesto de ousadia, pois preparava-se o lançamento de um jornal que até hoje pauta-se pela liberdade de expressão, pela notícia sem amarras, e isto foi gestado e colocado no mundo em um dos períodos mais repressores do governo militar.
Também essa história seguiremos passo a passo, nesta série especial.
Nesta sexta-feira (17) continuaremos a "acompanhar" a viagem mais fantástica do homem