Imagens e fotografias de torcedores de Bahia e Vitória expressando amor, paixão e fazendo loucuras pelo time do coração sempre fez parte das pautas da imprensa esportiva do nosso Estado. Gritos e cantorias que produzem eco nos estádios também podem ser ouvidos em grande parte dos jogos onde um dos dois times está em campo. E quando eles se encontram, é um clássico bonito de se ver. A cidade para, a rivalidade aumenta e as emoções ficam a flor da pele.
Foi pensando em relatar esse sentimento, que muitas vezes extrapola a razão e interfere profundamente na vida de algumas pessoas, que o jovem jornalista Raphael Carneiro, de apenas 23 anos, resolveu, em uma iniciativa inédita, escrever o livro “Ba-Vi: uma paixão sem limites”.
Antes mesmo de concluir o segundo grau, entrar na faculdade, formar-se em jornalismo, e fazer parte da editoria de esporte da Tribuna da Bahia, Raphael Carneiro sonhava em escrever um livro. Na 8ª Série, quando tinha 13 anos, chegou a iniciar um romance, mas que não passou das páginas do caderno. “Escrever um livro era um desejo antigo meu. Este surgiu como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Centro Universtiário Jorge Amado. Sempre tive uma admiração pela festa e força das torcidas nos estádios. Então, aproveitei que já trabalhava na área e uni o útil ao agradável”, revelou o jornalista, ressaltando que desde pequeno ia com o pai à Fonte Nova para ver o Bahia jogar e sentia de perto a paixão desenfreada dos torcedores.
Em 158 páginas, divididas em partes iguais, dedicando o mesmo espaço aos torcedores de Bahia e Vitória, o livro conta um pouco do surgimento dos dois grandes times baianos, os momentos mais marcantes de cada um, o perfil de seus torcedores, e o envolvimento expressivo dos dirigentes que administraram e defenderam suas equipes com “unhas e dentes”. Outro momento especial relatado nas primeiras páginas do livro foi a rivalidade sadia expressada pelas torcidas no campeonato Baiano de 2008. Os refrões das músicas “chupa que é de uva” e “Senta que é de menta”, por parte dos seguidores de Bahia e Vitória respectivamente, marcaram a competição, com muita alegria e descontração.
De acordo com Raphael Carneiro, o primeiro passo para a elaboração da obra foi a seleção das fontes. “Primeiro fiz uma longa lista de pessoas que poderiam fazer parte do livro. Tinha jogadores, ex-jogadores, personalidades, dirigentes e diversos torcedores de arquibancada. Fui criterioso e reduzi drasticamente a lista. Deixei mesmo os torcedores, até porque o livro conta histórias da torcida. Alguns dirigentes ficaram para explicar melhor as situações”, disse.
Disponível na internet
Com o avanço da tecnologia, a obra "Ba-Vi: uma paixão sem limites", já está disponível no formato e-book, para download grátis, através do site http://editoraplus.org/. “O e-book é uma nova tendência. No futuro, o provável é que os livros não sejam mais impressos. As pessoas poderão ler através de aparelhos específicos, computadores ou pelo celular.
Qualquer um pode baixar o livro gratuitamente no endereço eletrônico da editora. Os livros são disponibilizados em vários formatos (ePub, PDF, Mobi e Java) e podem ser lidos em computadores, celulares e Kindles.”, ressaltou Carneiro.
Inspirada no ideal do conhecimento livre, a Editora Plus foi criada em novembro de 2008, em Porto Alegre, para publicar livros eletrônicos, inéditos e gratuitos. Esta ferramenta facilita o acesso a obras cujos escritores não encontram patrocínio para a publicação impressa. De acordo com o jornalista, essa é parte mais árdua para quem escreve um livro e sonha em vê-lo estampado nas prateleiras das livrarias. “Publicar um livro ainda é muito caro no Brasil.
Pesquisei possibilidade para publicar de forma independente e me surpreendi. Mandei exemplares para editoras, mas como o tema é regional, ficou mais difícil. Espero ainda contar com a colaboração de editoras baianas e até mesmo da direção de Bahia e Vitória para que possa publicá-lo, impresso”, disse.
Obra descreve histórias emocionantes da torcida
“A paixão pelo Vitória a levou a situações extremas em diversas oportunidades. O amor cego fez com que perdesse a razão em alguns momentos e a levou a três infartos. O primeiro deles em uma discussão no meio da rua com um torcedor do Bahia”. O trecho acima, retirado do livro de Raphael Carneiro (pág 25 da parte que fala do Esporte Clube Vitória), refere-se a uma das mais fanáticas torcedoras do Vitória, Rosicleide Aquino.
O grande diferencial da obra é que, na maioria das páginas, ela retrata momentos marcantes na vida dos torcedores de Bahia e Vitória. Momentos esses que vão ficar marcados para sempre. Às vezes é até difícil acreditar que uma pessoa se permite a um infarto, por amar e defender seu clube do coração, e fazer dessa paixão uma filosofia de vida.
“Tem gente que deixa de colocar comida em casa para ir ao jogo. Antes achava que essa situação era um exagero para falar sobre a paixão de uma torcida. Mas não é não. É assim mesmo. Exemplos disto, temos Binha de São Caetano e Rômulo Bahia - ambos torcedores do Bahia. No Vitória, além de Rosicleide, posso citar também Alvinho Barriga Mole”, afirma Carneiro.
Após ouvir tantos depoimentos, alguns até inusitados e assustadores, Raphael Carneiro formou sua própria opinião sobre essa paixão sem limites.
“O amor por um time é bonito, alegra, mas pode causar grandes prejuízos. Sempre é bom dosar”, declara.
Perfil - De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha em novembro de 2007 e divulgada em janeiro do ano seguinte, o soteropolitano é o torcedor mais fiel do Brasil. Entretanto, durante a apuração para a elaboração do livro, o jornalista constatou que a torcida do Vitória não costuma ir ao estádio quando o time tem uma série de derrotas. “A torcida baiana é realmente a mais fiel do Brasil. Isto é fato. Com o Bahia sempre foi assim. O Vitória surpreendeu muito quando caiu para a Série C. Em 2006 e 2007, as médias de público foram uma das melhores da história. Mas, quando voltou para a Série A, a torcida decepcionou. Jorge Sampaio até comenta isto no livro”, afirma Raphael Carneiro.
De acordo com o jornalista , a paixão, entretanto tem diversas formas de ser demonstrada. “O torcedor do Bahia faz de tudo para ir ao estádio. Se o time está bem, vai porque está empolgado. Se o time vai mal, diz que vai ao estádio para ajudar. Ele não procura desculpas para não ir. Já a torcida do Vitória é diferente. É uma torcida mais exigente. Só vai mesmo se o time estiver bem. Isso pode até ser explicado pelo fato de o time ter surgido na elite da sociedade baiana. Apesar de hoje estar mais misturado, a torcida do Vitória ainda é formada em sua maioria pela elite. Eles preferem assistir aos jogos em casa, pela TV, com o ar-condicionado. Mas nem por isso deixam de ser apaixonados”, constatou.