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Política
O PMDB estava engordando o gado dentro do pasto de Wagner
Publicada: 08/02/2010 02:29| Atualizada: 08/02/2010 02:26

Ele já passou por quatro partidos (PMDB, PCdoB, PSDB e PT) desde que iniciou a vida política. No segundo mandato consecutivo à frente da prefeitura de Camaçari, Luiz Carlos Caetano, 55 anos, diz que não vai abandonar o mandato para se aventurar nas eleições de 2010. “Não sou candidato a nada este ano”, diz categórico.  Num bate-papo de uma hora, Caetano fala sobre a possibilidade de o senador César Borges e o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar, participarem da chapa majoritária do governador Jaques Wagner. “Qual é o problema de querer participar do projeto de Wagner? A única coisa que não pode acontecer é mudar o projeto”. Sobre o PMDB, o petista diz que o partido estava fazendo um governo paralelo dentro da administração estadual. “O PMDB estava engordando o gado dentro do pasto do governador”. Ele vai mais longe. Afirma que o partido do ministro Geddel Vieira Lima tem “aparelhado” a UPB (União dos Municípios da Bahia). Leia os principais trechos da entrevista publicada simultaneamente com o site Política Hoje.

Pergunta – Prefeito, como o senhor vê o desejo do governador Jaques Wagner de colocar na chapa dois nomes ligados ao carlismo – o senador César Borges (PR) e o conselheiro do TCM, Otto Alencar?
Luiz Caetano – Até onde eu saiba ainda não está definida a chapa majoritária. Ainda se está discutindo com as forças políticas como essa chapa será formada. O fato de muita gente estar querendo disputar na chapa do governador Wagner é indicativo de que o governo está bem.  Quando o governo está ruim, dificilmente você consegue pessoas para disputar na chapa. Há uma disputa pública de diversas forças para marchar com o governador. Acho que ele tem que abrir os braços para todos aqueles que queiram aglutinar o projeto, não significa dizer que vai compor a chapa com Otto e César.
 
Pergunta – Mas no caso dos dois  – Otto e César –, eles foram chamados pelo governador e não o contrário.
Caetano – Não. Otto, por exemplo, me apoiou quando eu fui candidato a presidente da UPB. Na época, não se cogitava nomes para a chapa, mesmo porque ele nem sabia se ia sair do Tribunal de Contas dos Municípios. As conversas depois foram se aprofundando e se teve a ideia de que Otto poderia fazer parte da chapa majoritária. As duas partes namoraram, noivaram e podem casar.
 
Pergunta – Com a fixação do PT pelo poder, o senhor não acha que o conceito de esquerda e direita acabou?
Caetano – Não acabou.  Uma coisa é você ter um partido que não está no governo, no poder. Outra coisa é você passar a gerir a máquina pública do município, do país e do estado. Dentro da máquina é outra coisa, você cresce, toma pé da situação, você é obrigado a enxergar as coisas por dentro, você tem que estar realizando, executando. O PT passou por isso. Hoje é um partido maior, mais eclético que tem uma leitura mais real (sic) da realidade do país e atingiu uma maturidade maior. Hoje tem gente, por exemplo, que defende a candidatura de Waldir Pires para o Senado, tem uns que defendem Lídice (da Mata). Esse debate é bom. Ruim seria se não tivesse nome para compor e o partido também cada vez mais amadurece com isso, vai atrás de alianças.
 
Pergunta – Mas você não se prostitui à medida que namora com partidos ou pessoas com as quais você lutou para combater?
Caetano – Não. Não existe prostituição. Tem gente lá do carlismo que tem vontade de transformar a Bahia, como tem outros que não têm. É a hora de separar  o joio do trigo. Qual o problema de trazer apoio? Onde está a prostituição nisso? O governador não está abrindo mão do projeto de governo para trazer ninguém. Quem quiser vir, vem dentro do projeto, do programa estabelecido na campanha passada que está  sendo executado e vai continuar a execução.
Pergunta – Como o senhor definiria o melhor e o pior do PT?
Caetano – O positivo do PT é essa democracia para debater dentro do partido. É um partido que não tem dono, todo mundo participa.  Há facções dentro do PT ainda muito radicais, o que é um ponto negativo.
 
Pergunta – Sobre esse radicalismo, dê um exemplo.
Caetano – Por exemplo, alguns setores não querem que amplie a base de sustentação do governo, não querem que traga novas forças políticas. É bom trazer o que puder para fazer a campanha ter apenas um turno e consolidar nosso projeto na Bahia.
 
Pergunta – Pelo que o senhor está falando, na política deve prevalecer o pragmatismo em detrimento da ideologia.
Caetano – Acho que tem que ter as duas coisas: pragmatismo e ideologia. Eu tenho uma ideologia, eu defendo um projeto. Em Camaçari, por exemplo, eu ampliei o apoio, mas não abro mão da minha ideologia, do meu projeto. Estou no governo que atende os interesses sociais, que levanta a autoestima do povo, que devolve a cidadania. Quem quiser vir, vem para esse projeto. Wagner está ampliando e não está mudando o projeto.
Pergunta – Mas o senhor e a vice, Tereza Giffoni (PSDB), estão em pé de guerra.
Caetano – Mas não é por uma questão do programa de governo. É porque ela era do PSDB, quis ficar no partido. Não tem guerra.
 
Pergunta – Como coordenador da campanha do governador Jaques Wagner, o senhor tem percebido algum tipo de resistência dentro do partido ao seu nome?
Caetano – Eu não sou coordenador da campanha de Wagner, o coordenador da campanha é o próprio governador. É um político eclético, dinâmico, que tem crescido pessoalmente e politicamente, então ele vai dar o norte da campanha. O que eu estou fazendo é ajudando.
  
Pergunta  – Há informações de que o governo atraiu o PP em função de obras e cooptação.
Caetano - Não vai atrair, já está atraindo. Não traindo, veja bem (riso), e não é cooptação. O prefeito vive ali o dia a dia da sua comunidade.  Independentemente do partido, Wagner ajuda a fazer. Ele fez o que ninguém fez. Wagner não botou sapato alto, não ficou no Palácio de Ondina, não ficou em Salvador. Ele partiu para o interior. Interiorizou o governo, prestigiou a liderança municipal, o prefeito, o vereador, e isso tem dado a ele um poder forte. Ele é carismático, está ajudando a construir um novo momento da política. Na última semana, Wagner visitou 20 municípios baianos. Ele vai lá, dialoga, debate, fica próximo, tira foto. Isso não tinha na Bahia. É um governo democrático. 
 
Pergunta – Mas na prática essa ida ao interior, esse ‘novo momento’ significa o quê? A oposição diz que nós estamos perdendo espaço para Pernambuco e para o Ceará. A Bahia já liderou o Nordeste. Hoje estamos nos contentando com o terceiro lugar.
Caetano – Vocês não estão vendo a ampliação da Ford...
 
Pergunta – A Ford que vocês do PT foram contra.
Caetano – Isso foi no início. Mas o PT mudou a posição corretamente. Quem foi contra, foi errado. O partido tem várias facções, algumas ficaram contra. Enfim...A Braskem se juntou com a Petrobras. Em Camaçari, por exemplo, Paulo Souto segurou o ICMS das empresas. Wagner agora está liberando isso. Têm vários investimentos chegando à Bahia. O problema é que os governos anteriores não fizeram uma base, o que temos que fazer agora para poder consolidar a força da Bahia. Nós estamos voltando a crescer muito. Temos na Bahia um dos maiores investimentos do Minha Casa, Minha Vida aqui dentro, de saneamento básico, inclusive em municípios do DEM. Lá em Feira de Santana, um município que é administrado pelo DEM, está sendo feita a rede de esgoto.
 
Pergunta – Mas o senhor está citando obras federais. Eu pergunto sobre obras de iniciativa do governo, que deixam a Bahia onde estava ou pelo menos nas duas últimas décadas sempre esteve.
Caetano – A Bahia teve um boom imobiliário. A Bahia vem crescendo. É o principal destino do turismo no Brasil. Isso é ação, é articulação governamental. Acho o contrário. A Bahia está num processo de desenvolvimento grande. Quando nós assumimos não havia um projeto estruturante. Não havia a ferrovia norte-sul. Hoje a ponte (Salvador-Itaparica) está em debate. Tem quem é contra, tem que seja a favor. Isso é bom. Por que o debate? Porque o governo está tentando acertar.
 
Pergunta – A oposição tem dito que o governo está inoperante.
Caetano – Ela é que sempre foi inoperante. O que é que Paulo Souto pode dizer de segurança pública? Ele pode dizer alguma coisa? Não. Quando governador, ele não pagava nem tíquete refeição para os policiais, nem isso ele fazia. Como governador, ele não dava a senha de acesso às contas do governo. São coisas pequenas? São. Mas ele não fazia.  Um governador que não pagava nem o tíquete refeição deve criticar? Não. Eu nem vou falar o resto. Vamos para o debate.
 
Pergunta – O senhor foi candidato à presidência da UPB (União dos Municípios da Bahia). Muito se falou na época que a ‘campanha’ serviu para sedimentar uma possível candidatura ao Senado ou ao governo do Estado em 2014. É isso mesmo?
Caetano – (riso) É conversa de Matilde.
 
Pergunta – O PT e o governador Wagner teriam empenhado a palavra ao PMDB de que o partido não teria candidato, que ia apoiar o candidato peemedebista, e de repente a sua campanha ganhou ‘as ruas’, digamos assim.
Caetano – O governador não teve nenhuma culpa de eu ser candidato.
 
Pergunta – O PMDB, na época disse que Wagner não tinha palavra.
Caetano – Mas isso não é verdade. O governo deu 500 cargos ao PMDB na administração estadual. Eu conversei com meu amigo, o ministro Geddel Vieira Lima, e falei isso. Imagine dar a um partido aliado 500 cargos... Eu fiquei com ciúme porque não tive um cargo sequer.  Eu conversei com o governador e disse a ele que a UPB é uma entidade estratégica, nós precisávamos estar lá para poder consolidar o municipalismo, para podermos faze um projeto e levar o melhor para todos os municípios. Ele falou: ‘você cuida disso porque tenho outras tarefas’. Ele falou para eu montar uma estratégia. Eu fui, inicialmente, para montar uma chapa de unidade, depois o PMDB impôs o nome de Roberto Maia, as forças que estavam ali não concordaram. Eu sabia que se o PMDB fosse para a UPB ia aparelhar a entidade, como esta fazendo.  Por causada prática que está montando lá dentro. A entidade passou a ser um aparelho do PMDB. Isso a gente já tinha previsto lá atrás. Fizemos uma boa campanha, uma boa disputa, foi bom para o governo do Estado. Foi bom para o debate.
 
Pergunta – Mas foi muito bom para o senhor, que ficou com o nome conhecido no Estado.
Caetano – Claro. Gostei muito da experiência, andei o Estado todo. Temos uma boa relação institucional em todo o Estado em função da nossa luta. Tem o Eduardo Alencar, de Simões Filho, Eduardo de Campo Belo...
 
Pergunta – O senhor  vai disponibilizar o nome para o Senado?
Caetano – Não. Não vou ser candidato a nada. Vou cumprir o meu mandato de prefeito de Camaçari. Muita gente não acreditou, porque não obedeci a lógica da política, que diz que na metade do mandato deve sair para disputar outro cargo. Essa é a lógica, mas não quero disputar nada em 2010. Estou bem onde estou. Quero contribuir com a campanha de Wagner e de Dilma (Roussef). Dizem ‘deixe o prego que o martelo puxa’, então, se um dia tiver que disputar, estarei à disposição. Na política quem se precipita dá tiro no pé. Na Bahia, quem o fez errou, porque estava no governo do Estado, no governo federal. Precipitou-se e quebrou a cara. Eu não quero fazer isso. Ainda sou novo.
 
Pergunta – Além de eleger Wagner e Dilma, o senhor tem a missão de ajudar a vereadora Luiza Maia, que é sua esposa e candidata a deputada estadual..
Caetano – Eu fui vereador em 1982, Luiza também.  Bem mais na frente nós casamos e os dois continuaram na política. Agora ela quer ser candidata a deputada estadual, o que eu acho ótimo, porque ela, caso seja eleita, vai poder ajudar o projeto do governador Wagner.
 
Pergunta – Supondo que Otto e Borges aceitem disputar o Senado na chapa de Wagner, qual é a receita para o governo não se queimar com Lídice da Mata, Waldir Pires e setores do próprio PT, que não querem essas candidaturas?
Caetano – Wagner está ouvindo tudo mundo. Essa semana Zézeu (Ribeiro, deputado federal do PT) disse ser contra César Borges na chapa. Depois veio o deputado Emiliano José defendendo o nome de Waldir. Olha só que debate bonito. No final, as coisas vão fluir para um caminho. Todo mundo que está aí sabe onde quer chegar.

Publicada: 08/02/2010 02:29| Atualizada: 08/02/2010 02:26

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