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Comércio pratica altas taxas de juros
Publicada: 09/02/2010 00:44| Atualizada: 08/02/2010 23:52

Alessandra Nascimento

Muito cuidado na hora de fazer compras. As taxas de juros embutidas no preço dos produtos são as grandes vilãs das compras a prazo. A Tribuna foi às ruas e verificou as taxas de juros praticadas pelo mercado. Um televisor que custa à vista R$ 899, quando adquirido em 24 parcelas de R$ 94,12 se transforma  em R$ 1.411,00 no total. A taxa de juros mensal praticada está na casa dos 9,20%, o que corresponde a uma taxa anual de 187,52%. Se a aquisição pretendida for um computador que à vista sai por R$ 1.299 e a prazo em 24 parcelas de R$ 98,95, no final das contas o consumidor terá um gasto de R$ 2.374,80, com taxa de juros mensal de 6,11% e anualizada de 103,74%.
 
Se o consumidor optar por levar para casa uma geladeira, por exemplo, que à vista custa R$ 1.899, quando adquirida em 12 vezes fica por R$ 189 a parcela, totalizando R$ 2.276, com taxa de juros mensal de 2,84%, o que corresponde a uma taxa de juros anual de 39,94%. Se a opção de compra for um fogão, que à vista sai por R$ 549, se adquirido em 24 parcelas fica a R$ 45,90 a parcela, totalizando a compra a prazo, R$ 1.106.

Neste caso a taxa de juros mensal é de 6,53% o que corresponde a uma taxa de juros anual de 113,63%, e o consumidor acabaria, ao final das contas, pagando por dois fogões na compra a prazo. Já se a escolha for uma máquina de lavar, ela custa à vista R$ 999, e em 12 parcelas custa R$ 99,90 totalizando a prazo o valor final do produto a R$ 1.198,80. A taxa de juros mensal é de 2,92% o que corresponde a uma taxa de juros anual de 41,25% e o consumidor ao final das contas estaria pagando de juros o valor de R$ 199,80.
  
Segundo cálculos do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade, Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, todo o cuidado é pouco nas horas das compras a prazo, que podem chegar até 187% ao ano. “Comprar a prazo é uma prática existente em todo o mundo e ela não é ruim, pois permite aos consumidores terem hoje um produto sem ter o dinheiro imediatamente.

O problema é que os juros no Brasil estão extremamente elevados. Muitas vezes, ao pagar a última parcela, o consumidor chega à conclusão que pagou pelo produto duas a três vezes o valor de à vista, dependendo do prazo e da taxa de juros embutida”, informa. Ele esclarece que no passado o problema já foi maior, contudo, as taxas de juros praticadas ainda se encontram em patamares elevados.

Miguel de Oliveira dá algumas dicas para o consumidor na hora das compras. “Assim sendo, o melhor seria o consumidor planejar as compras, principalmente aquelas de valor maior agregado. O problema é que o brasileiro realmente é imediatista, não planeja e quando decide querer um bem procura aqueles financiamentos mais longos como forma de ter uma prestação baixa, exatamente os que possuem as taxas de juros maiores. O ideal igualmente é juntar um valor para dar de entrada e financiar um saldo menor. Com isso vai se economizar com os juros. E acima de tudo pesquisar muito. Não somente o preço do produto, mas também as condições do financiamento da loja, as taxas de juros, pois existem variações enormes das mesmas de loja para loja”, alerta.

Para Oliveira, o ideal é pesquisar bastante antes de efetuar uma compra e avaliar as taxas de juros embutidas nas prestações. Para ele, a melhor compra é realizada à vista. “Sempre a melhor condição vai ser comprar à vista, pois vai permitir um maior poder de barganha deste consumidor no preço do produto além dele economizar nos juros que deixará de pagar se comprar à vista”, garante. 

Oliveira ainda analisa o mercado, que, apesar dos índices indicarem que a inadimplência está baixando e a geração de empregos está aumentando, ainda se comporta como se o país vivesse numa recessão. “Na realidade nada justifica o patamar das taxas de juros. É fato que todos os índices que compõem as taxas de juros estão em patamares elevados e contribuem para isso. O baixo volume de crédito existente no país é o grande causador disso que não provoca competição no setor financeiro. Esta situação já foi muito pior e hoje vemos muita competição, o que tem provocado a queda das taxas de juros.

Publicada: 09/02/2010 00:44| Atualizada: 08/02/2010 23:52

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